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Antigamente, no Brasil, tinhamos a Roda dos Enjeitados.
Era um lugar onde qualquer pessoa poderia abandonar recém-nascidos, sabendo que seriam tratados e criados pelo estado. O anonimato era total: havia literalmente uma roda, metade dentro e metade fora do prédio. Você chegava, depositava seu bebê na roda, girava, alguém pegava o bebê lá dentro e pronto. Nunca viam nem mesmo sua cara. O objetivo da lei, naturalmente, era desestimular o aborto, mas havia um benefício adicional.
Não sei como era isso no Brasil, mas em Cuba e em boa parte da América Hispânica, a lei tinha como princípio sempre errar em prol da liberdade, então presumia-se automaticamente, na falta de evidências de origem escrava, que o bebê fosse livre e assim ele era criado. Portanto, para muitos escravos e patrões, era um verdadeiro jogo de pique-pega: se o escravo conseguisse fugir com seu bebê e depositá-lo na roda, ele seria criado como um cidadão livre. Desnecessário acrescentar que, nesses países, as escravas grávidas eram triplamente vigiadas.
* * *
A maioria dos estados americanos, pelo mesmo motivo de dissuadir o aborto, tem políticas parecidas, que permitem o abandono legal de bebês indesejados. A diferença é que hoje, claro, não há anonimato: as pessoas tem que assinar uma série de documentos e perdem direitos legais sobre as crianças.
Entretanto, o estado do Nebraska, quando passou uma lei semelhante, esqueceu de colocar um limite de idade e, agora, das 17 crianças abandonadas desde julho, 13 eram adolescentes: muitos deles drogados, indisciplinados, deficientes.
Já posso quase imaginar a cena, aquele pai todo fudidaço, cheirando a bebida, arrastando a filha de 17 anos, barrigão de grávida, e dizendo: chega, essa vadia dá pra todo mundo, rouba meu carro, não me obedece, não quero mais! Pode ficar!
* * *
E agora, a pergunta do dia:
Obviamente, a intenção da lei não era essa e os deputados do Nebraska já estão se mobilizando para mudar seu texto, mas... talvez eles tenham atirado no que viram e acertado o que não viram.
Se um pai não quer, por qualquer motivo, criar seu filho menor de idade, não será melhor (pensando no interesse da criança) que ele seja criado pelo Estado ou por outra família?
O que VOCÊ acha?
Enquanto isso, leia também "O Aborto Retroativo". Esse negócio de ficar contando as semanas é coisa de reacionário direitista. O LLL é tão, mas tão pró-escolha que defende o direito total e irrestrito ao aborto até os 12 anos de idade! Morram de inveja, seus liberais de araque!
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