O professor Romano está se queixando de solidão, coitadinho:
Desde longa data, enfrento patrulhas políticas, religiosas, ideológicas. Numa sociedade onde a covardia dos indivíduos aconselha adesão a este ou aquele grupo (não raro quadrilha), o isolamento de quem não segue as súcias é assustador. Experimento o exílio sempre que um conventículo chega aos palácios. As mesmas línguas que, fora do poder, me tratavam como “professor” referem-se a mim como “aquele sujeito”.
A banda toca assim mesmo. Grupo é coletivo de quem não se garante sozinho, concordo. Mas o pobre professor Romano não é vitima disso. Ele se isolou pois está se tornando radical e raivosamente conservador, e uma companhia cada vez mais impalatável para gente que talvez até ontem o teria aturado ou recebido.
Sinto isso na pele todos os dias. Você pode ter todas as opiniões do mundo, mas não fique surpreso se as pessoas que acham essas opiniões deploráveis não o convidarem mais pras festinhas.
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