Em primeiro plano, a cerca em volta da Jackson Square, principal cartão postal de Nova Orleans. Para um carioca que viu as praças e prédios de sua cidade serem progressivamente cercados ao longo dos últimos trinta anos, o fato em si já é sugestivo: cidades pacatas e civilizadas não cercam e trancam suas praças turísticas.
Pendurada na cerca, uma bela e dilapidada placa nos revela não apenas o antigo nome espanhol da praça, mas também que estamos em uma cidade histórica e turística, degradada e desleixada. Como se para confirmar, logo abaixo da placa, aparece a pontinha de um saco de lixo largado no chão - em pleno principal ponto turístico!
Ainda em primeiro plano, à esquerda, um poste de luz destruído sublinha a impressão geral de decadência, e à direita, uma frondosa bananeira representa o caráter tropical da cidade.
Ao fundo, a belíssima catedral de São Luis, também um dos principais pontos turísticos de Nova Orleans.
Por fim, ao centro, a estátua equestre e triunfante do General Jackson, que dá nome à praça, célebre vencedor da Batalha de Nova Orleans e, posteriormente, em grande parte por sua fama guerreira, presidente do país. A graça é que a Batalha de Nova Orleans foi inútil, a paz já havia sido assinada na Europa e sua única consequência prática foi justamente catapultar Jackson à presidência, uma ironia que a população sensual e debochada da cidade sabe apreciar.
Não parece, não, mas, justamente por tudo isso que acabei de narrar, esse carioca aqui, nascido em outra cidade histórica e escravista, sensual e decadente, linda e desigual, debochada e degradada, perigosa e turística, adora Nova Orleans.
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