Em muitos esportes (não me perguntem quais, por favor), o árbitro já pode parar o jogo, sair de campo e rever o VT em câmera lenta para saber com certeza quem estava certo e quem estava errado. O futebol propositadamente proíbe esse tipo de coisa: seria justamente a falibilidade do juiz que adicionaria tanto sabor ao esporte, tornando-o uma paixão mundial.
Pois a segunda Copa de Literatura Brasileira, criada pelo grande Lucas Murtinho e da qual até eu, pasmem!, sou juiz, promete fortes paixões.
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Nos bastidores, parece fevereiro no Rio de Janeiro: só faz rolar barraco.
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Um dos juízes apitou jogo mas não escreveu resenha, alegando que
"o prêmio é político e não quero participar de um prêmio em que resenhistas estão preocupados com outras intenções além de medir sucessos estéticos".
Verdade? Não sei. Não conheço os resultados dos outros jogos, nem conheço os outros juízes. Mas esse negócio de julgar livro somente pelos critérios estéticos, art for art's sake, me parece uma coisa meio 1850, não é?
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Outro juiz atira ainda mais mata atlântica na fogueira e admite abertamente que
"o livro no qual votei é de um amigo e o escolhi em relação ao outro, que é tão bom quanto, justamente por isso. Ou seja: o meu resultado foi empate, mas o critério de desempate que usei foi justamente a amizade."
Ético? Sei lá. A decisão de cada juiz é soberana. Ou não? Você teria aceitado apitar o jogo de um amigo?
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Por fim, muitos juízes consideraram "lamentável" e "tosco" que o autor de um livros eliminados e depois repescados tenha feito ativa campanha na internet para que seus leitores o elegessem para repescagem. Um dos juízes chegou a dizer:
"Por essas e outras, também não toparia apitar uma outra Copa."
O autor passou dos limites? É um recurso válido? Por que sim? Por que não?
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Cito as rezas mas não nomeio os santos nem por uma caralha, então não perguntem. Eles que se nomeiem. Por falar nisso, será ético eu citar emails pessoais da lista dos juízes, mesmo sem dar a fonte? Sim? Não? Tico-tico no fubá?
Apesar dos barracos internos, vale a pena lembrar que nenhum dos pontos em controvérsia viola as regras, apenas geram diferentes interpretações. Ou seja, a Copa prossegue na mais absoluta legalidade, fair play e respeito às leis.
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Enquanto isso, no primeiro (e, até agora, único) jogo oficial, o juiz Nelson de Oliveira eliminou de cara o favoritíssimo Bernardo Carvalho e já está tomando pedradas ao vivo dos exaltados leitores:
Razão da escolha de Nelson de Oliveira: “tratamento histriônico e carnavalesco do livro de Carrero é bastante aparentado com o dos meus próprios livros”. Não merece sequer comentário. Que ego!
Pedrada justa? Pedrada injusta? Não sei. Não conheço Nelson de Oliveira. Não li nenhum dos dois livros em questão.
Mas uma coisa eu garanto: essa Copa de Literatura vai ser diversão para toda a família.
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