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Oliver e eu ainda estamos em Nova Iorque. Devemos sair daqui na sexta de manhã e voltar para Nova Orleans.
Gustav veio e foi embora, caíram árvores, acabou a energia, mas os danos não foram catastróficos. Agora, resta cada um voltar e saber como está sua casa.
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Segundo os jornais, dois milhões de pessoas evacuaram da região do golfo. Fico com preguiça só de imaginar o engarrafamento desse povo todo tentando voltar ao mesmo tempo.
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Todos os moradores estão voltando, mas nem todos os moradores são iguais. Hoje, terça, puderam voltar para Nova Orleans somente os trabalhadores classificados como essenciais, lixeiros, bombeiros, funcionários das empresas de serviços essenciais. Amanhã, quarta, vem o segundo escalão: pessoas que trabalham em supermercados e bancos, etc. Só na quinta, a cidade estará aberta para a população geral.
As entradas para a cidade estão sendo vigiadas e controladas para garantir acesso somente às pessoas autorizadas. Enquanto isso, muitos moradores já estão acampados nos arredores da cidade, revoltados por não poderem voltar logo para suas casas e avaliar os danos.
Não consigo imaginar desespero maior do que ficar micado na Baixada, em Niterói ou em Mangaratiba, impedido pelo exército de voltar para minha própria cidade.
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Muitos amigos estão com uma idéia um pouco equivocada sobre como é a vida na costa do golfo.
Furacões, e as respectivas evacuações, são uma ocorrência absolutamente normal e sazonal no Golfo do México e Caribe. Nessa época do ano, entre junho e novembro, levar um furacão na cabeça não é um azar, mas algo tão normal e previsível quanto nevar no inverno canadense. Nova Orleans é evacuada, em média, a cada dois ou três anos, sempre que um furacão apresenta a possibilidade de atingir a cidade. Nos últimos dez anos, por exemplo, foram três.
Naturalmente, todas as evacuações anteriores ao Katrina não foram noticiadas pela grande imprensa, pois nunca tiveram nada de mais, nada de fora do comum. Seria como fazer um escândalo de mídia sobre canadenses limpando neve de suas calçadas. A maioria dessas evacuações acabava se tornando apenas feriadões forçados: a população abandonava New Orleans para se precaver contra o furacão potencialmente atingindo a cidade, o furacão ia para outro lado e todo mundo voltava. Por isso, durante o Katrina, muita gente não evacuou, cansados que estavam de ter todo o trabalho de sair da cidade, pegar engarrafamento, arrumar hotel, tudo sempre por nada.
Em 2008, graças à experiência do Katrina, a evacuação do Gustav foi noticiada pelo mundo inteiro como se fosse um grande azar, um grande horror, uma grande tragédia, mas não foi nada de incomum, nada de extraordinário. De fato, três anos depois do Katrina, já estava demorando para termos outra evacuação.
Evacuar Nova Orleans para fugir de um furacão é chato e caro, mas não tem nada de anormal.
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