Andando por Nova Orleans na quinta-feira, tudo parecia normal. As mesmas pessoas fazendo cooper no canteiro central, jogando bola no parque, andando pelas ruas. Aqui e ali, uma loja estava "boarding" sua vitrina (como se diz isso em português, caramba?). Do dia pra noite, a gasolina ficou 20% mais cara. Nos supermercados, os galões d'água já tinham sumido. No caixa, a conversa fiada era mais ou menos assim: "então, pra onde você vai?", "pra casa da minha prima em Miami, e você?", "ah, tenho um amigo que não vejo há tempos em Atlanta", etc.
Fim de tarde na quinta, tínhamos uma festa de boas vindas, pra reunir o pessoal todo e trocarmos histórias do verão, quem viajou pra onde, quem fez o quê. Ironicamente, ao invés de ser uma festa sobre o passado, tornou-se uma festa sobre o futuro. Ao invés de trocarmos histórias sobre o que fizemos, trocamos histórias sobre o que faríamos:
- Então, pra onde você vai?
- Alguém está indo pros lados de Houston?
- Vou pra casa de uma prima em Michigan, e você?
- Estava pensando em ir pra San Antonio, mas e se o furacão bater lá?
- Moro no subsolo, será que posso deixar minhas coisas na casa de alguém?
- Ai, que saco isso de evacuar!
E a melhor:
- Se o furacão bater em Nova Orleans, tão cedo depois do outro, o pior vai ser que vão acabar desistindo da cidade. Queima tudo e joga sal em cima. O lugar é amaldiçoado, vade retro!
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