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Meus 18 Anos

Um leitor, de 18 anos, me mandou o seguinte email:

Queria saber como foram os teus 18 anos. O que tu pensava da vida, o que fazia, tua vida social... se puder escrever um bocado, com detalhes como numero de mulheres comidas/mês, número de livros lidos/mês e outros detalhes do tipo eu aceitaria de bom grado!

Achei engraçado tentar lembrar dos meus 18 anos.

* * *

Nos meus 18 anos, pra começar, eu não comi ninguém, não beijei ninguém, e nem mesmo pensei no assunto. Simplesmente não era uma das minhas preocupações. Só perdi a virgindade e dei o primeiro beijo no ano seguinte.

Na primeira metade do ano, eu era presidente do grêmio, o que quer dizer escrever um artigo mensal pro jornal oficial da escola, comparecer às reuniões do Conselho, falar em eventos festivos e presidir uma reunião semanal, em inglês, para todos os representantes de todas as turmas e para quem mais quisesse vir, de acordo com os parliamentary rules of procedures, que eu tive que decorar, coisas como the president of the senior class has the floor, you're out of order, etc.

Na segunda metade, fui tesoureiro da minha turma e gerente da lanchonete da escola. Essa lanchonete era a única fonte de renda da turma para fazer a festa de formatura. Se a lanchonete não desse lucro, não tinha festa. Se desse pouco, tinha uma festa mixuruca. E a responsabilidade era minha. Então, era só nisso que eu pensava, lucro, receitas, politicagens, mudanças no menu, aumento de preço, encomendas de material, já chegou o cara do Sadia?, precisa encomendar mais picolé?, será que o queijo ainda dura até semana que vem?, Alexandre, vem assinar o recebimento da entrega da Elma Chips, e também as escalas de serviço, todos os alunos tinham que trabalhar na lanchonete, quem é que tinha que estar na caixa registradora agora?!, vai achar fulano pra vir me substituir que eu tenho que ir pra aula, e esse menino está reclamando que o hamburger dele está mal-passado, passa de novo.

(Logo depois disso, eu virei vegetariano, de pura náusea. Fiquei anos sentindo aquele cheiro de hamburger no meu cabelo.)

Precificar os produtos era especialmente difícil, pois estávamos em uma das piores crises inflacionárias da história, os preços aumentavam todos os dias, os gibis e revistas eram vendidos com códigos ao invés de preços (C4, A9, etc) e as editoras mandavam motoboys cruzarem as as bancas da cidade uma ou duas vezes por dia pra trocar as tabelas de preços. De manhã, o C4 era um milhão de narjaras-turetas; à tarde, já estava um milhão e meio. Quem não viveu, nunca vai conseguir conceber. Eu nem lembro qual era a moeda.

Basicamente, a escola me consumia completamente. Além disso, eu ainda era editor do jornal brasileiro, que saía mensalmente e era 70% escrito por mim; participava da equipe de Knowledge Bowl, uma competição de conhecimento gerais com campeonatos por todo o continente; e também fazia parte do Model United Nations, um projeto em que escolas do mundo inteiro aprendiam os procedimentos da ONU e simulavam uma reunião da Assembléia Geral. Nossa escola seria o Kuwait, em um momento bastante delicado - logo após a Guerra do Golfo.

* * *

Nos meus 18 anos, eu fazia fonoaudiologia duas vezes por semana. Sem isso, eu não teria conseguido conduzir as reuniões do grêmio. Eu era muito gago. Foi com a fonoaudióloga que aprendi todas as técnicas de oratória que possibilitaram que eu ganhasse a vida dando aulas até hoje.

Mais do que tudo, ela que me ensinou Ioga e controle da respiração. Antes de cada reunião, eu sumia no backstage do auditório e ficava meia hora fazendo minhas posições de ioga, indisponível e incomunicável. Só quem sabia disso eram meus amigos mais próximos e minha equipe.

Com o tempo, surgiu até uma certa lenda. Afinal, onde estava o presidente do grêmio naquela última meia hora caótica antes da reunião semanal?

Ninguém acreditaria que aquele gordo elétrico estava deitado no chão fazendo a folha seca e respirando 3-6-9.

* * *

Nos meus 18 anos, eu viajei pro exterior três vezes. Primeiro, a família foi esquiar na Áustria, depois atravessamos a Europa de carro até Paris e ainda visitamos as ilhas do Canal da Mancha. Foi a última viagem que meu pai, minha mãe, minha irmã e eu fizemos juntos.

Mais tarde, meu time de Knowledge Bowl foi representar o Rio de Janeiro em uma competição no Chile, onde ficamos em terceiro lugar.

E, por fim, novamente pela escola, fui para Haia, capital da Holanda e sede do tribunal-geral da ONU, onde eu e os outros integrantes da nossa delegação tentamos convencer os demais países que o Kuwait merecia todas as vantagens do mundo por ter ficado sob o controle do Saddam por alguns meses. Aproveitei pra dar um pulo na Alemanha e visitar minha irmã, que estava morando lá.

* * *

Quando eu tinha 18 anos, eu parei um avião na pista.

Estávamos em Jersey, ilha do canal da mancha bem próxima a França, única área do Reino Unido a ser ocupada pelos nazistas. O museu da ocupação era bem interessante, mas como estávamos no inverno, ele só abria uma vez por semana, justamente no dia do nosso vôo pra fora da ilha. Combinei com a família que eu iria acordar cedo, ir pro museu e encontraria eles no aeroporto. Dito e feito. Chego no aeroporto e cadê a minha mala?! Todos estavam tão acostumados a levar cada um a sua que largaram a minha no hotel.

Naquela época, no inverno, a Jersey European Airways só voava uma vez por semana pra Paris, de onde sairia nosso vôo pro Brasil poucas horas depois. Resultado: não podíamos perder aquele avião de jeito nenhum. Enquanto meu pai correu pro hotel pra pegar minhas coisas, eu, que falava inglês melhor, fiquei no aeroporto com uma tarefa simples: fazer de tudo mas não deixar aquele teco-teco decolar. (Era um bimotor de uns 15-20 lugares)

Chorei, implorei, gesticulei, improvisei. Em plena pista. No maior frio. E os ingleses todos, passageiros e tripulação, desesperados pro vôo sair na hora. Mas consegui segurar o avião até meu pai chegar.

* * *

Nos meus 18 anos, minha família desmilinguiu-se. Perdi meu cachorro querido, o Júnior, envenenado, minha mãe saiu de casa e foi morar num apart-hotel e minha irmã foi pra Alemanha. Subitamente, sobramos só eu e meu pai em um apartamento de 600m² na Barra.

Ganhei meu primeiro carro, um Santana 2000, automático, depois de ter desistido, por medo, de aprender a dirigir carro manual. Eu não tinha carteira (só fui tirar aos 19 anos) e bati umas 11 vezes naquele primeiro ano. O Zé (era o nome do carro) quase virou sucata. Mas como eu era o único da turma com carro, todo mundo ignorava os perigos e andava comigo pra cima e pra baixo. Nunca gastei tanta gasolina. Toda a noite eu cruzava a cidade, da Barra até a Urca, passando pelo Itanhangá, Gávea, Leblon, Ipanema e Botafogo.

Apesar de eu não beijar nem comer ninguém, minha vida social era agitada. O grupo era basicamente eu e minhas melhores amigas, mulheres lindas, fortes e inteligentes que amo até hoje. Ocasionalmente havia um outro homem, mas nem sempre.

Todo mundo tinha dinheiro (gastava-se muito), eu tinha carro, então saíamos por toda Zona Sul, pra jantar, dançar, ir ao cinema ou ao teatro, festas aqui e ali. Tomei os únicos porres da minha vida - depois, nunca mais bebi - e também foi o ano em que aprendi a fumar.

Os points que eu mais frequentava naquela época já não existem mais: Zepellin, na Niemeyer, o Mostarda e o Albericos, em Ipanema, Caneco 70, no Leblon. Ficar velho é isso.

Ano-Novo e o Carnaval eu passei na casa de Angra de uma dessas minhas grandes amigas.

* * *

Eu já lia muito, mas não tanto quanto hoje. Foi nesse ano que descobri The Lord of the Rings, naquela época, ainda desconhecido, e um dos meus livros preferidos até hoje. Lembro que também li os thrillers da moda daquele ano, Jurassic Park e The Firm, que passavam de mão em mão. Não me lembro de outros livros lidos por conta própria, mas na época eu lia muito gibi.

Aos meus 18 anos, eu me viciei em Star Trek, assistindo reprises da série clássica na TV, em fitas de vídeo da Nova Geração e, sobretudo, nos pocket books. Naquela época, sempre que alguém ia para os EUA, gravava quantos episódios podia e trazia pro Brasil. As fitas circulavam por dezenas de pessoas, especialmente professores. Eu gostava mais dos pocket books, porque as histórias era mais elaborados que nos episódios. Cada um dos fãs tinha meia dúzia de livros e todos circulavam muito. Estávamos antes da Internet, lembram? Simplesmente, não havia como conseguir essas coisas de outro jeito.

Pra escola, eu estava cursando algumas aulas bem avançadas, como a aula de ONU, Teoria do Conhecimento (onde lemos Saussure, Kuhn e outros que não lembro) e, especialmente, literatura avançada. Essa aula era uma delícia e lemos muita coisa boa, como O Estrangeiro, Hamlet, Retrato do Artista Quando Jovem, A Metamorfose e outros.

Tinha acabado de escrever meu primeiro romance, aos 17, e não tive fôlego para mais nada no ano dos meus 18. Tentei uns contos mas, basicamente, o que mais fiz foi escrever o jornal da escola. O folhetim que mantive durante quatro anos ficou histórico e é lembrado até hoje: Marcados pelo Destino, as aventuras de uma mulher má que sempre aparecia descalça nas minhas ilustrações. Sim, eu já era doente.

Foi nesse ano também que eu reuni os meus melhores artigos do jornal da escola e mandei pra Revista Mad, mas só foram comprados no ano seguinte. Muitos dos artigos que vendi pra Mad surgiram no meu jornal da escola.

Eu não tinha computador, nem sabia usar. Naquela época, eu digitava em uma máquina de escrever eletrônica chamada Canon Typestar 7, que me serviu fielmente de 87 a 94 e cruzou quatro continentes. Procurei essa imagem pra mostrar pra vocês e me bateu uma puta saudade. Nem sei o que foi feito dela.

* * *

Tirei uma nota alta no SAT (teste padrão de conhecimentos) e comecei a ser bombardeado por junk mail de universidades americanas. Considerei algumas no sul, principalmente Tulane, mas a verdade é que eu não tinha a menor vontade de ir morar fora. Minha família não interferia nessa questão, mas, na escola, a pressão era enorme pra eu ir para os Estados Unidos.

Lá pelos meus 15 e 16, o que eu mais queria era estudar Hotelaria e Culinária na Suiça - uma vontade que passou, ainda bem. Aos 18, eu não fazia nenhuma idéia. Sabia que seria algo como História ou Literatura, e que eu preferia ficar no Brasil. Só.

* * *

No resto do mundo, teve Olimpíada em Barcelona e eu caguei. Collor foi impeached e eu vibrei. Cairam duas aeronaves no mesmo dia, uma com o Ulysses e outra com o Arafat. O Ulysses nunca mais foi encontrado, mas o durão do Arafat foi encontrado andando sozinho pelo deserto alguns dias depois, único sobrevivente. Soube do assassinato da Daniela Perez quando estava na casa de uma amiga em Nogueira, na serra de Petrópolis, e fiquei chocado. Eu ouvia muito The Mamas & The Papas, Right Said Fred, REM, Fine Young Canibals e Queen. American Pie e Bohemian Raphsody eram as músicas que mais tocavam no meu carro.

Assisti Shadows & Fog, do Woody Allen, em um cineminha de Paris, antes mesmo dos americanos, pois ele estréia seus filmes primeiro na França, e é um dos meus filmes favoritos dele. Assisti The Last of the Mohicans em um cineminha de Haia e também se tornou um dos meus filmes favoritos, com um porém - não entendi metade do filme, pois quando os índios falavam em suas línguas nativas, as legendas eram em holandês.

* * *

Finalmente, aos meus 18 anos, eu passei o maior susto da minha vida. Pela primeira e única vez, entrei em pânico, perdi o controle e agi sem pensar.

Ipanema, sexta-feira, 13 de novembro, em frente à faculdade Cândido Mendes, indo assistir de novo Shadows & Fog. Elas entraram e fui estacionar o carro. Fiz merda. Bati no carro da frente. Fui tentar sair e bati no de trás. Fui tentar sair e bati no da frente e ele, por sua vez, bateu no carro que estava em sua frente. Cagada total.

As aulas da noite tinham acabado de acabar e todos os alunos da faculdade saíram do prédio para ver um gordo louco destruindo os carros de seus colegas e amigos. Rapidamente, fui cercado por uma horda de vândalos que começou a socar os vidros e balançar o carro. Saí correndo, mas tive que parar no sinal, 30 metros depois. Eles vieram atrás de mim e continuaram gritando, xingando, sacudindo o carro. O sinal abriu e acelerei.

Parei o carro e percebi o problema: meu pára-choque traseiro (com minha placa!) não estava mais lá. Mandei um amigo lá falar com o guardador e ele revelou que meu pára-choque ficou enganchado no pára-choque do Fusca que estava atrás de mim e um amigo dos donos de um dos carros batidos levou com ele. Fiquei semanas tenso, esperando um telefonema fatídico, mas ninguém nunca ligou.

Não sei o que foi feito do meu pára-choque. Nunca mais revi Shadows & Fog.

* * *

Completei 18 anos em um barzinho delicioso, embalado por músicas da década de 70, chamado The Londoner, na estação de esqui austríaca de Kitzbühel.

No meu aniversário de 19, passei a manhã na escola badalando com as amigas e não fui a nenhuma aula, saracoteei pela cidade com a Bel à tarde, e jantei com as amigas e a família à noite.

Não fiquei sozinho nem um só segundo. Nunca me senti tão amado. Foi um dos dias mais felizes da minha vida e final perfeito pros meus 18 anos.

* * *

E vocês? Como foram os seus 18 anos? Que tal fazer um post também?

Adendo

Escreveu o Permafrost:

Qdo eu tinha 18 anos era um perfeito idiota.

E, como acho que fica claro pelo post, eu também, eu também... E quem não era? Tem coisa mais medíocre do que já atingir todo seu potencial aos 18?

 

26.08.08


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Bruno Macedo da Silva

Estou nessa idade...e já estou me sentindo um idiota perfeito :)

Muito interessante sua vida :)
Desde quando você da aulas nos Estados Unidos e o que te levou a ir para la?

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 09:15



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Quando eu tinha 18 anos o São Paulo foi campeão.

Aconteceram outras coisas, mas um título do São Paulo tira a importância do resto.

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 10:53



Comentário de: joao~grando · http://joaogrando.wordpress.com

O importante quando se tem 18 anos e não ser chamado no exército, não ser virgem e, se for, não deixar que ninguém descubra isso (na época, claro, porque depois isso se fala até nos blogs...).

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 11:07



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.blogspot.com

Cara, ESSA DA NARJARA-TURETA VEIO DIRETO DA TV PIRATA!!! Guilherme Karan (Karam?) imitando Mailson da Nóbrega e mudando a moeda duas vezes no curso de um programa. Imperdível e clássico.

Eu também era um perfeito idiota. Ainda sou.

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 13:14




Ler blog está virando um vício. Participar também. Bom, não sou do tipo passiva, gosto de agir, me envolver, fazer acontecer.
E hoje leio esse texto sobre ter 18 anos. E agora pouco, no blog da Jhuly Johns, vendo as fotos de uns ratinhos músicos, lembrei de quando tinha 18 anos e ganhei o apelido de "ratinha".
Foi a coisa mais fofa, engraçada e romântica que já escutei. Pelo contexto.
Foi nessa época que eu cortei o meu cabelo punk, o mais legal, bonito e prático que já tive. Aliás é realmente a única coisa que gostaria mesmo de ficar milionária: cortar meu cabelo punk de novo.
Profissionalmente não posso.
Aos 18 anos não tirava uma minissaia jeans que amava, que só deixei de usar porque se desfez.
Usava um brinco que fiz de uma pulseira, virou marca registrada.
Escutava Cure, Smiths, Clash, Garotos Podres e tudo que fosse gótico, punk, trash, ou qualquer coisa nessa linha.
Fui ao "Dezembro Negro" em SV.
Fazia fanzines anarquistas, subversivo, poético.
Conheci o amor livre, e descobri que o amor é possessivo, por mais libertário que seja.
Pegava carona pra ir à praia no Guarujá.
Entrei em Psicologia e larguei, prestei jornalismo então. Voltei a fazer teatro.
Fui morar sozinha em SP.
Aprendi a comer feijão.
Valorei (realmente) um prato de comida.
Estava mais ligada à produção artística e intelectual do que a relações amorosas. Apesar disso, ninguém acreditava que ficava mais tempo sozinha do que acompanhada.
Mais solidão do que paixão.
Conheci muita gente.
Escrevi muuuuuitas cartas.
Fiz amigos. Fiz "inimigos".
Era muito brava.
Queria ser independente. Era independente.
Paguei o preço.
Lutei pra ser compreendida. Não entendia muita gente. Acreditei na amizade. Vivi intensamente a amizade. Fui espontânea, sofri.
Me achava esquesita, com pernas muito compridas, braços compridos, desproporcional.
Era muito paquerada, mas nem notava.
Me achava sem atrativos físicos, mas por outro lado, nunca esquentei a cabeça com isso.
Andava quilômetros todos os dias, como se cada um deles fosse apenas um quarteirão.
Trabalhava, pagava faculdade, não sobrava nada e me divertia muito.
Tudo conspirava a favor, as coisas aconteciam. Viajei muito, conheci muitas pessoas, troquei muitas idéias. Agora o cabelo cresceu, os amigos se foram, os reencontros aconteceram, as lembranças ficaram. Mas a única coisa mesmo que tenho vontade de fazer que eu fiz aos 18 anos, é cortar o cabelo punk de novo.
Do restante, o passado é passado e vivo o momento, feliz.

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 13:46



Comentário de: Alex

Vida agitada hein? 'Muita coisa, muita coisa', como diria a minha colega de trabalho.

Somos todos perefeitos idiotas, aos 18 ou aos 81.

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 14:24



Comentário de: Alex Castro Email

bruno, vc eh meio esquizofrenico? tem multiplas personalidades?

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 16:38



Comentário de: Camomila · http://www.decamomila.blogspot.com

Segui seu exemplo, e tentei inventariar os 18.
Dureza...
Na era pré-internet eu passava as tardes na biblioteca da Cultura Inglesa, no Centro. E queria escrever um romance histórico, que terminaria com a morte dos personagens principais no incêndio
de Londres, em 1666.
Passei os 18 andando pelas ruas do Centro do Rio, no intervalo das aulas da faculdade, pensando nas fotografias que eu gostaria de tirar.
É isso. O projeto ainda está de pé. O Centro do Rio é que não.

PermalinkPermalink 26.08.08 @ 21:45



Comentário de: gustavo

engraçado, só faz 3 anos e eu não consigo rememorar meus 18 anos desse jeito, com riqueza de detalhes.

lembro que aos 18 tinha descoberto há pouco duas das coisas mais importantes da minha vida: sexo e literatura.

tinha acabado de entrar na faculdade.

era bem mais idealista e bem menos feliz do que sou hoje. dava aulinhas de informática e tinha uma vaga sensação de que iria mudar o mundo como professor de história, mas no fundo nunca realmente acreditei nisso.

lia mais, ouvia mais música boa, escrevia num blog, me achava geniozinho e era burro como uma porta.

era um perfeito idiota mesmo. eu era tão filho da puta, tão miserável, tão apequenado que hoje me arrependo mais das merdas que não fiz por absoluta falta de culhões do que das várias que fiz.

aos 18 anos te mandei essa pergunta pq vc era algo como o meu guru espiritual, o homem a ser seguido, e eu sinceramente queria saber o que vc fazia aos 18, pra que eu pudesse fazer algo parecido.

pois é.

adoro qdo vc reprisa esse post. sempre releio inteiro e me bate uma nostalgia forte desse eu de 2005, tão recente mas também tão distante. acho até que já comentei algo parecido em posts anteriores, sei lá.


PermalinkPermalink 27.08.08 @ 00:45



Comentário de: Iara Alencar · http://iara-alencar.blogspot.com

:(
:(
ixi, acho que viveu mais seus dezoitos anos que eu com meus 28 :(
Eu tenho problemas em falar algumas palavras não é gagueira, é algo que não sei explicar, eu estou falando, falando e ai, do nada, eu páro e nao consigo mais terminar e pimba, perco totalmente a concentração e nao sei o que eu estava falando, nao sei explicar o que é isso.
Defina folha seca?? eu hein!! :)

bem, aos 12 cheguei da roça, fui trabalhar de casa em casa e estudar.
aos 18 eu entrei na faculdade de Economia, eu achei que fosse mudar o mundo e que após 5 anos, com meu suado diploma nas mãos eu seria uma respeitada economista e teria um bom emprego.
o tempo passou, eu nao mudei o mundo, e continuo ganhando a mesma coisa que nos tempos de estagiária.
nada mudou, so o fato de eu ter um blog e saber como se dá a inflação.
mas é muito pouco.
isso é tão ruim, achar que a vida não valeu a pena.

PermalinkPermalink 27.08.08 @ 01:05



Comentário de: chloe · http://cubedice.blogspot.com/

Você estudou na escola britânica ou americana? tenho 17 anos, estudo na escola britânica, e me identifiquei IMENSAMENTE com o seu post. Inclusive faço a maioria das coisas que você fazia e gosto de muitas que gostava. Acabo de descobrir seu blog de maneira bem esquisitinha e adoraria conversar... Não sei o que fazer da vida. Quem é você? Beijos

PermalinkPermalink 27.08.08 @ 02:05



Comentário de: João Ricardo da Silva

Você só pode estar com esclerose múltipla, que já chegou nos dedos, impedindo-o de produzir textos novos, e fazendo este blog viver de repostagens.

PermalinkPermalink 27.08.08 @ 03:23



Comentário de: André

Me pergunto se não há alguém que, ao ler esse post, tenha pensado: "então foi você, barbeiro filho da puta!"

PermalinkPermalink 27.08.08 @ 15:57



Comentário de: Pedro

Meus 18 anos!?
Putz, passei no vestibular, achei que meu futuro estava garantido, passei no cefet, entrei no senac. Aulas só iam começar em abril.
Aos meus 18 anos entrei na faculdade, conheci gente parecida comigo,conheci minha futura ex-namorada, nunca pensei que iria ter tanta confusão por causa de uma só mulher.Conheci minha atual namorada(começei a namorar com ela a cinco dias atrás) fiz um grande amigo que viria a ser meu "inimigo" no ano seguinte.
Começei a ser eu mesmo sem ligar muito pros outros, engraçado como as pessoas que me conheceram antes e depois dos 18 tinham e ainda têm uma visão totalmente diferente de mim.
Vi um beijo homossexual, até o momento sabia que eles transavam, mas beijar era muita safadeza! Engraçado que virariam meus melhores amigos.
lembro de ter lido cem anos de solidão, um dos melhores livros que já li!
lembro dos problemas familiares, da doença da minha avó.
Foi aos 18 que começei a ter uma vida sexualmente ativa e a aceitar que também tinha atração por homens.
Fumei maconha, começei a fumar cigarros com certa freqüência.
Virei mais consciente dos meus limites e mais autoritário.
Ah, aos 18 anos era extremamente impulsivo..enfim vivi!




PermalinkPermalink 27.08.08 @ 21:37



Comentário de: Glauber K

"Meus 18 anos" o melhor post do LLL

PermalinkPermalink 02.09.08 @ 02:09



Comentário de: tarciso · http://www.luiztarciso.net

Eu não saberia manejar com tamanha destreza as palavras para descrever com tamanha poesia as venturas e agruras - e foram muito mais agruras - daqueles meus dezoito anos. Só sei que tive que esperar uma eternidade pra chegar pois só a partir dali alcançaria alguma autonomia que talvez pudesse me livrar da miséria de então. O jantar era um ensopado do almoço acrescido de fubá. Minha mente era um enorme rebuliço e mesmo não sabendo direito quem era, já sabia muito bem quem eu queria ser. Lia muito, minha mãe brigava comigo durante a adolescência porque não largava um livro antes de terminá-lo, às vezes, lá pelas tres da madrugada. Adentrava silenciosamente o universo dos livros e embora permanecesse impassível, interiormente eu ria, chorava, torcia pelos heróis e vilões... Não me recordo da grande maioria dos detalhes daquela fase e tenho apenas uma certeza, tudo o que eu queria era fugir daquela ilha do tempo... Mas isso já faz tempo, muito tempo...

PermalinkPermalink 04.09.08 @ 15:41



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
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  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
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