Os Americanos e o Tráfico Negreiro (Histórias de um País Escravocrata)

Slave Ship Alabanoz

Em meados do século XIX, a Grã-Bretanha proibiu unilateralmente o tráfico de escravos no Atlântico e se deu o direito de abordar qualquer navio suspeito de estar carregando escravos.

Já os Estados Unidos, país escravista, ainda sem o poder que teria mas já cheio de panache, negou à Grã-Bretanha o chamado "direito de visita". Na verdade, todo mundo negou, claro, inclusive o Brasil, mas, quando era país marronzinho, os ingleses abordavam à força. Daí veio a Questão Christie, blá blá. Engenho: Complexo Econômico Social Cubano do Açucar Vol II/III, O - 0  MANUEL MORENO FRAGINALS

O que acontecia então era que muitos navios negreiros viajavam com dois ou mais registros nacionais, e dependendo de quem os parasse, poderiam alegar ser do país mais conveniente.

Agora, uma historinha tirada do magistral O Engenho, de Fraginals:

Em 1839, os negreiros Eagle e Clara, navegando sob a bandeira norte-americana, foram abordados pelo cruzador britânico Buzzard. Quando ficou comprovado que ambos os navios não eram norte-americanos, e sim espanhóis, as tripulações foram levadas à Serra Leoa, julgadas e condenadas. Engenho, O MANUEL MORENO FRAGINALS

Agora vem a parte boa. O governo norte-americano, que aparentemente não tinha nada a ver com a história, apelou da sentença, alegando que ambos os navios foram abordados quando não se sabia que eram, na verdade, espanhóis. Ou seja, o cruzador britânico tinha violado a sacrossanta proteção da bandeira norte-americana. A ação da Marinha Inglesa colocava assim em perigo todas as embarcações norte-americanas, que poderiam ser arbitrariamente abordadas para comprovar se eram realmente norte-americanas ou não.

A ação durou anos, os negreiros acabaram absolvidos e o governo norte-americano ainda foi indenizado. God bless America.

* * *

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13.07.08


Categorias: Política, Cuba, Raça


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Comentários:


Comentário de: Iuri Lammel · http://www.iurilammel.com

No link http://www.pbs.org/moyers/journal/06202008/watch2.html há uma entrevista sobre a escravidão nos EUA em meados dos anos 1930 (isso mesmo, 1930, e não 1830). A entrevista é muito interessante, e explica em parte o porquê dos negros norte-americanos ainda manterem uma desconfiança sobre políticas de raças naquele país.

PermalinkPermalink 13.07.08 @ 01:16



Comentário de: Breno Kümmel

Muito bom esse post. Me lembrou um pouco o George Carlin "We're damn good at bombing the hell out of brown people".

PermalinkPermalink 13.07.08 @ 11:52



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr/

É chato nascer num país moreno, não é, Alex?

Eu estou conformado com isso.

PermalinkPermalink 13.07.08 @ 18:12



Comentário de: João Philippe · http://blogdocetico.blogspot.com

Estou nesse momento ouvindo Eek A Mouse, fumando um e pensando em quão grande foi a contribuição negra para a cultura do continente americano. Algo de bom teria de resultar desse inferno todo, né?

PermalinkPermalink 13.07.08 @ 23:49



Comentário de: bruna de oliveira silva dias

quero saber como acontecia o trafico negreiros,e tambem quem eram os traficantes negreiro,e que paises se envoveram com o trafico negreiro por favor mer responda

PermalinkPermalink 07.11.08 @ 21:28



Comentário de: bruna barreto

o trafico negreiro acontecia por espanhóis que vendiam os escravos ;dã!!!!!

PermalinkPermalink 06.05.09 @ 09:45



Comentário de: explorador · http://sjgfjhg

é...

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 17:44



Comentário de: explorador · http://sjgfjhg

e bjkabsjkhcgjusvgjhgvjhgsdvgsjhguygasguaygagjagjgauygcfuayg SOU XINOKA AJSHFJASGSGFVIYUWTF8WYDOIQUDOIAUOIDUAOUDAOJDAHSDUAHSJAHJGFCJAGJAG NAO A LETRAS XINOKAS OLHA...

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 17:45



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