A Questão do Turismo Sexual - Updated

Há de se dar valor aos reacionários direitistas religiosos pequeno-burgueses assumidos. Uma das coisas mais engraçadas dessa turma moderninha e pós-moderna, liberal e liberada, acadêmica e psicanalisada, politicamente correta e relativista, é que são todos muitos modernos e coisa e tal, mas só até certo ponto: quando você lhes cutuca um dos seus tabus, reagem como verdadeiros talibãs.

 Doce Veneno do Escorpião: o Diário de uma Garota de Programa

(Nunca esqueço do furor moralista causado, em plena festa de fetiche, todo mundo de couro e máscara, gente sendo pisada e chicoteada pelo chão, por um simples beijo entre duas meninas.)

Outro dia, uma amiga dessa turma, pós-doutora em Antropologia e que adora ter seus pés lambidos, moça moderna a toda prova, veio me dizer que estava preparando uma palestra sobre a "questão do turismo sexual". E eu perguntei:

"'Questão'?!" Isso não é meio que como falar da 'Questão Judaica' ou 'Questão Negra', ou seja, um termo que já de cara direciona a discussão?"

"Mas, Alex, o turismo sexual é um grave problema do Brasil de hoje!"

"Hmm. É? Não sabia, não. Por quê?"

  Mulheres da Vila: Prostituição, Identidade Social Eu Não Queria Isso!: a Prostituição Infantil

Aí ela começou a falar de pedofilia e aliciamento de menores, contando mil casos escabrosos: "Tem gringo vindo pra cá só pra comer menininhos de oito anos!"

"Sim, mas veja: o problema então não é o turismo sexual, é pedofilia e aliciamento de menores. São coisas completamente diferentes. Ser contra o turismo sexual por causa da pedofilia é como ser contra o sexo por causa dos estupros."

"Uma coisa é sexo entre pessoas adultas e outra aliciamento de menores."

"Então, vamos discutir a "questão da pedofilia" e a "questão do aliciamente de menores", que são crimes sérios que devem ser combatidos, e não a "questão do turismo sexual", senão parece que o problema são os gringos estarem vindo comer nossas prostitutas ou, pior, nossas prostitutas estarem seduzindo os pobres gringos."

"Muita gente começa com os maiores e passa pros menores..."

"Mas será válido criminalizar ou problematizar uma atividade perfeitamente legal, como a prostituição, só porque ela *PODE* levar a uma outra ilegal? Deveríamos então proibir o sexo, porque todo estuprador começa transando consensualmente e só depois começa a estuprar...?"

 Dialética do Turismo Sexual

Claramente, nosso povo tem talento para o sexo e há grande demanda mundial pelos nossos serviços. Já ouvi diversos estrangeiros comentarem que não existe prostituta como a brasileira: ela é quente, gostosa, linda, sensual, calorosa, parece uma namoradinha, enquanto as européias são como frias máquinas, vapt-vupt, negócios são negócios, no relógia, nem tem graça, etc.

Ou seja, país do futebol: pode. Berçario de super-models: nosso orgulho nacional! Capital mundial da cirurgia plástica: só comprova a excelência da nossa medicina! Meca do turismo sexual: cruzes, que vergonha!, que problema!, vamos resolver essa "questão"!

Update

Muita gente escreveu variações do seguinte comentário:

Acabo de perceber o qt sou moralista... Me pareceu extremamente absurdo alguem gostar da ideia de ter fama de produzir boas prostitutas. Devo ser mto conservador para logo imaginar se blogueiros tem mães,irmãs ou qualquer outra mulher que amem. Hoje se diz "sou brasileiro" e ouve "carnaval, ronaldinho, kaka"... vai ser legal ouvir "samba, ronaldinho, putas quentes" Ou sera soh a busca da fama virtual que parece ser a moda da decada? Bota a mãe em site gringo anunciando os serviços, ai sim vai ser possivel acreditar nessas ideias alienadas de que turismo sexual eh bom. E se nao pensa isso entao redigiu mto mal o texto.

Pra começar, sim, o sujeito é muito moralista e conservador.

Mas a resposta à sua provocação é bastante óbvia: não, eu não gostaria que minha filha fosse prostituta, mas também não gostaria que fosse enfermeira, faxineira, engenheira, seringueira, advogada, pagodeira.

A diferença é isso não quer dizer que eu ache que essas atividades sejam imorais, repreensíveis e que devam ser proibidas.

O mundo seria um lugar bastante inviável se as pessoas quisessem criminalizar todas as profissões que não desejassem para suas mães!

Depois de amanhã, a questão da prostituição.


Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.

 

16.06.08


Categorias: Comportamento, Cotidiano


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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

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Comentários:


Comentário de: Leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Muito bom! Em tom semelhante, mas sobre o tráfico de mulheres:
http://www.newstatesman.com/books/2008/03/sex-women-trafficking-agustin

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 08:04



Comentário de: Veiga

Bom.
Faltou considerar a internet que coloca nessa situação os 'não tão excluídos' assim, até porque a alfabetização digital, da forma como tem sido tratada, é um engodo; a geração "criada/educada" por 'esses' liberais e; convenhamos, atravessar oceanos para prazer sexual(??!!), tbm concordo que a "questão" não é o turismo.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 10:14



Comentário de: Paulo

Muito certa a sua opinião!!!
O que deve ser combatido é a "questão da
pedofilia e de estrupos.
O chamado turismo sexual existe, no Brasil,
porque a situação política de nosso país,
favorece a proliferação desta "profissão",
pois, com a simples venda do corpo, muitas
garotas e até rapazes, ganham muito mais do
que trabalhando em outras profissões, que
exigem preparação acadêmica, anos de investi-
mento em educação escolar, cursos de extensão,
etc., correndo-se o risco de não conseguir a
tão almejada projeção profissional.
Esta tão decantada e utilizada profissão, hoje,
não é destinada, tão somente, às pessoas sem
perspectivas profissionais. O mercado exigiu
que o perfil do(a) profissional evoluísse.
Hoje, temos vários(as) profissionais com
nível superior, pós, mba, além de bilíngues,
trilíngues e por aí adiante.
É uma "profissão" muito rentável, porém, de
curta duração (a exemplo de atletas esporti-
vos).
Então, a ordem é usar os atributos sexuais e
corporais o máximo possível, para ganhar o
máximo de dinheiro, pois, a concorrência está,
a cada dia, mais acirrada.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 10:55



Comentário de: Carlos R.

A prostituição visa gerar renda à quem a prati-
ca.Qualquer outro meio de exploração desse co-
mercio por terceiros deve ser ferreamente com-
batido pois é aí que inicia a criminalidade, -
inclusive a corrupção e exploração de menores.
Note que quem exerce essa atividade, tem que -
se vestir e se tratar mmmuito bem, garantindo
a melhor apresentação possível para sua promo-
ção - Temos que lembrar, que essa atividade de-
senvolveu-se para resguardar o recato das don-
zelas virtuosas dentro da ilibada familia tra-
dicional, diante dos arroubos imperativos da
masculinidade de seus pretendentes.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 11:23



Comentário de: Moraes

É realmente condenável a prática do estupro e corrupçao de menores no turismo sexual, porém há de se frisar que muitas vezes são os próprios pais que oferecem suas filhas e filhos no intento de ganhar $$$$, conforme já foi amplamente noticiado

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 12:15



Comentário de: SIMONE NECKEL

Com relação ao tema abordado, acredito que cada um faz do seu corpo o que bem entender....porém o que deve deve ser combatido é a exploração sexual de crianças e os casos de estupro que envergonham o Brasil e o mundo. Já a partir da maioridade cada um faz do seu corpo o que bem entender

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 12:27



Comentário de: Marcela Santos

Desculpa, mas esse comentário sobre a prostituição foi muito infeliz. Temos que ser contra prostituição, não importa se é adulto ou criança. prostituição é prostituição. Se fosse liberado, não seria as escuras e nem escondido. O comentário da coluna foi infeliz e grotesco quando elogiava as nossas "putas" e comparava com as estrangeiras. É repugnante, o modo como nós brasileiros queremos ser reconhecidos. Parece que o escritor é cafetão ou cafetina a ponto de elogiar tanto assim. Imagine se uma de nossas filhas vira psotituta. Como vc reagiria?

Resposta do Alex: como assim "se fosse liberado"? A prostituição É liberada! E não, eu não gostaria que minha filha fosse prostituta assim como não gostaria que fosse religiosa ou médica, mas isso não quer dizer que acho que essas profissões são moralmente repreensíveis ou que deveriam ser proibidas.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 13:27



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

"Há de se dar valor aos reacionários direitistas religiosos pequeno-burgueses assumidos. Uma das coisas mais engraçadas dessa turma moderninha e pós-moderna, liberal e liberada, acadêmica e psicanalisada, politicamente correta e relativista, é que são todos muitos modernos e coisa e tal, mas só até certo ponto: quando você lhes cutuca um dos seus tabus, reagem como verdadeiros talibãs."

Nunca vi ninguém que confere com a sua discrição dizer uma coisa dessas.

Eu conheço dois que fizeram de comentários parecidos:
O Alexandre Soares Silva, que não tem religião e é pornográfico pra caramba, e o Claudio Avólio, que também não tem religião e detesta nossa pequena burguesia.

Resposta do Alex: Jorge, não entendi muito bem. Como assim "alguém que confere com a minha descrição"? "Coisa dessas" o quê? "Comentários parecidos" com o quê?? Eu falei muita coisa, do que está falando? Não entendi nada!

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 13:28



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

E que comentário ruim esse da Marcela, hein? A prostituta vende o que tem para quem quer comprar. E não há dinheiro público envolvido (as "festinhas" em Brasília não contam). Queria eu que todas as transações comerciais aqui no Brasil fossem desse jeito.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 13:31



Comentário de: Te

"Uma coisa é sexo entre pessoas adultas e outra aliciamento de menores." Ela mesma não concorda com a sua frase? O Estado só deve se meter em caso de exploração de mulheres e corrupção de menores. Fora isso, as senhoritas estão vendendo o que é delas e ninguém tem que se meter. Será que sua amiga quer no Brasil a mesma hipocrisia que nos EUA?

Realmente tem modernoso que só é até certo ponto. Que nem uma história do psicanalista Hélio Pelegrino: comunista, liberal e tal, mas um dia chegou em casa e a mulher contou que a filha tinha ido passar o fim de semana em Cabo Frio com o namorado. Já era noite, ele tava sem carro e sem o endereço de onde a filha tava. Pois ele pegou um táxi até a cidade e saiu pelas ruas gritando o nome da filha pra levar ela de volta.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 14:30



Comentário de: THAIS

Bom, a postituição no Brasil , acredito que e sim , falta de emprego no pais, devido a má distruibuição de reda, que e o grande fator que
impulsiona isso, se tivesse mais emprego, não teria tanta prostitutas assim, tem quem faz porque gosta GOSTA MAIS TEM QUEM FAZ porque precisa.
O QUE ACHO DISSO? AH, CADA UM FAZ O QUE QUER , QU
QUER DÁ , DÁ, A ... E DELA MESMO, MAIS TEM
CASO, EM QUE REALMENTE ,
A SITUÇÃO FINACEIRA, QUE FAZ CERTAS PESSOAS
A SEGUIREM ESSE REMUO, NEM CONTRA NEM
A FAVOR, CADA UM E DONO DE SI, NÃO TA MATANTO ENM ROBANDO TÁ BOM, ENTÃO , NESSE CASO NÃO TENHO NADA A DECLARAR POIS CADA UM E DONO DE SI.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 14:30



Comentário de: Zander Catta Preta · http://casadozander.com

Fala cara. Não deu para deixar de clicar no link da home do iG. Sensacional.

abraços e sucesso!

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 14:40



Comentário de: Breno Kümmel

Pô, Alex, não sabia que você tinha uma filha, quero dizer, várias filhas com essa tal de Marcela Santos. Que revelação, hein?

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 15:51



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

comentário de Te:

"as senhoritas estão vendendo o que é delas e ninguém tem que se meter."

Ué, se ninguém se mete, a venda não se consuma... ;•p

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 17:49



Comentário de: Xogum

Acabo de perceber o qt sou moralista... Me pareceu extremamente absurdo alguem gostar da ideia de ter fama de produzir boas prostitutas.

Devo ser mto conservador para logo imaginar se blogueiros tem mães,irmãs ou qualquer outra mulher que amem.

Hoje se diz "sou brasileiro" e ouve "carnaval, ronaldinho, kaka"... vai ser legal ouvir "samba, ronaldinho, putas quentes"

Ou sera soh a busca da fama virtual que parece ser a moda da decada?

Bota a mãe em site gringo anunciando os serviços, ai sim vai ser possivel acreditar nessas ideias alienadas de que turismo sexual eh bom. E se nao pensa isso entao redigiu mto mal o texto.

Resposta do Alex: você tem razão, você é muito moralista.

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 19:09



Comentário de: Ted Tarantula

sempre tive vontade de perguntar a essas vestais da moralidade publicca como G. Gil e o C.Veloso que estrelaram uma campanha contra o turismo sexual na televisão o que eles tem a oferecer as meninas além de uma vaga de escrava domestica em suas mansões, condição muito pior e que elas nao desejam por nada no mundo...

PermalinkPermalink 16.06.08 @ 20:16



Comentário de: Arthur

Turismo sexual existe no mundo inteiro, onde há ser humano há gente transando. Pedofilia e exploração da prostituição, sim, são crimes repugnantes. No mais somos todos amantes do prazer, uns gostam de pagar, talvez para demonstrar poder econômico ou simples fetiche, outros fazem apenas com quem gostam, tem um relacionamento sério. Isso vai da cabeça de cada um.

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 08:41



Comentário de: aguirre de aguirre · http://www@aguirre.com.br

estamos pasando a maihor vergonia en este pais por falta de respeito unos aos otro como politica, comentario,prostitução,robadeira en todo os sentido

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 09:26



Comentário de: aguirre de aguirre · http://www@aguirre.com.br

estamos pasando a maihor vergonia en este pais por falta de respeito unos aos otro como politica, comentario,prostitução,robadeira en todo os sentido como vai ficar este mundo si o mundo queim fais e nois mesmo

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 09:39



Comentário de: Ted Tarantula

nisso das profissões vc tem toda razão: se minha filha disser que quer ser advogada, vou sugerir a ela ir pra zona que é muito mais digno...

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 12:13



Comentário de: paulalee · http://www.amanteprofissional.com/blog

Alex, primeiramente muito obrigada, já coloquei um post no blog avisando do tema actual aqui e do tema da prostituição para breve, serão posts a não perder...

Quanto ao turismo sexual, muitos gringos procuram por prostitutas - menores ou não no Brasil. Sim, por que não o fariam, alguém quando viaja promete abstinência? Claro, de forma alguma estou defendendo a pedofilia, apenas querendo dizer que, se alguém de alguma forma estimula a pedofilia, se faz sexo com menores, seja estrangeiro ou não, não será mais ou menos pedófilo apenas em função da nacionalidade. O facto de estrangeiros irem ao Brasil procurando fazer sexo com menores não é um problema maior do que a existência da pedofilia e do aliciamento de menores.


PermalinkPermalink 17.06.08 @ 12:43



Comentário de: paulalee · http://www.amanteprofissional.com/blog

Há quase uns três anos atrás uma prostituta brasileira com o nome de Verli morreu com AIDS aqui em Portugal. O acontecimento foi um grande escândalo que ilustrou capas de jornais, até porque a Verli, assim como muitas outras, cedia à prática das relações sexuais desprotegidas com os clientes.

Tal exposição mediática - de algo que antes afinal já estava a olhos vistos, dado que os anúncios no jornal costumam ser claros no que diz respeito à oferta de contactos sexuais desprotegidos, ou seja, novidade nenhuma seria alguém ter AIDS e morrer se cede às relações desprotegidas nos tempos de hoje - inclusive prejudicou - ou aumentou o estigma - da prostituta brasileira, note que estou falando de um cenário - Portugal - onde no mínimo 70% das prostitutas são de nacionalidade brasileira (antes poderia dizer que já foi de 90%), dado que parecia que todas as prostitutas brasileiras eram miseráveis e sem qualquer tipo de conhecimento e por isso cediam todas às relações desprotegidas.

E na época em que isso aconteceu eu até falei: obviamente que não aprovo o comportamento da prostituta que cede às relações sexuais desprotegidas, obviamente que acho um crime ela fazer relações desprotegidas sabendo estar com AIDS, entretanto o cliente também não era de todo inocente, afinal nenhuma prostituta enfia uma arma na cabeça do cliente obrigando-o a ter relações sexuais desprotegidas, até a vantagem da força física ele tem, e bastava dizer que não ou levar o próprio preservativo se esta não o tivesse, porque, se vai fazer sexo com uma prostituta e sabe que ela também faz sexo com outros sem preservativo, é óbvio que sabia que podia pegar uma doença, a questão é que pensam sempre que só vai acontecer ao outro.

O problema não estava na prostituta - aquela que oferece os seus serviços - ou no cliente - aquele que busca tais serviços - mas no facto de haver tanto oferta quanto procura de relações sexuais desprotegidas nos tempos de hoje em que sabemos que se fizer relações sexuais desprotegidas poderá ter AIDS. Penso que da mesma forma acontece com essa 'questão' do turismo sexual, ninguém enfia uma arma na cabeça do gringo obrigando-o a fazer sexo com um menor de idade, a ir ao Brasil para fazer sexo com um menor de idade, entretanto a questão não é condenar o gringo ou o menor de idade, mas o facto de haver pedofilia e aliciamento de menores.

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 13:05



Comentário de: paulalee · http://www.amanteprofissional.com/blog

Falar em "turismo sexual" sempre faz pensar na prostituição, aquela prostituição que Clarice Lispector naquele livro que você tanto gosta, Alex,- eu também - A hora da Estrela, descreve de forma genial: "(...)uma dessas moças que em Maceió ficavam nas ruas de cigarro acesso esperando homem." (Sim, eu li esse livro depois de começar a ler o LLL).

Entretanto conheci também muitas meninas que, ao invés de se prostituírem para os estrangeiros no sentido de "ficarem de cigarro aceso esperando homem"... se casavam com eles. De forma alguma querendo generalizar dizendo que todas as brasileiras que se casam com estrangeiros o fazem por interesse, cada caso é um caso,... eu só estou falando que há sim, e todos nós sabemos, casos em que este interesse existe (e de forma alguma também querendo dizer que a brasileira é a única beneficiada, talvez seja a que menos ganha, assim como na prostituição ela também é a que menos ganha). Tanto que, afinal, há até empresas especializadas - agências de casamentos - em unir brasileiras com estrangeiros.

Conheci muitas meninas que se casaram com estrangeiros em troca da estabilidade financeira. E se uma pessoa tem um relacionamento que envolve contacto sexual com alguém - não importa se pela vida toda ou se por apenas uma hora - que não é por amor, por paixão ou nem que seja por tesão mútuo, mas movido principalmente pelo que vai receber em moeda, dinheiro ou bens - e não pela troca eu te dou amor você me dá amor, eu te dou sexo você me dá sexo - não será isso também prostituição?

Porque é muito fácil para as pessoas apontar o dedo para a prostituta que rebola de saia curta no outro lado da calçada, e se há tantos dedos apontados às prostitutas é justamente por isso, não por serem desonestas mas pelo contrário, por serem tão honestas, uma honestidade que choca os padrões actuais em que tanto se estimula a hipocrisia e as máscaras, por não precisarem prometer amor eterno a ninguém, por ser uma troca de interesses tão frontal, sem meios termos, sem cartas escondidas na manga. Uma pessoa critica não o "o quê", mas o "quem".

Uma prostituta pode alugar o seu corpo sim, um corpo que lhe pertence, mas ela não dorme todos os dias na mesma cama com o seu cliente-esposo nem é obrigada a chamá-lo de meu amor na manhã seguinte. Ela é tão honesta que pode dizer "Dinheirinho na mão, calcinha no chão", sem precisar de falsas promessas, sem precisar de rodeios, sem precisar de eufemismos ou de ludibriar alguém para atingir os seus interesses.

(O único problema aliás, nessa coisa de falar sobre "prostituição", é que esta é uma espécie de estupro consentido, ou seja, você ceder o seu corpo para uma pessoa que talvez, afinal, você não o cederia se não fosse pelo dinheiro. Diferente por exemplo é do conceito de acompanhamento - escorting - em que a relação sexual pode haver sim, mas apenas com o consentimento das pessoas adultas envolvidas, ou seja, a escort, ao contrário da prostituta, não promete relações sexuais, mas a sua companhia, o seu tempo de companhia, e o sexo só vai acontecer se ela também tiver vontade de fazê-lo. Mas apesar de serem duas vertentes muito diferentes uma da outra - o escorting e a prostituição - ambos são muito honestos no que diz respeito à frontalidade: a escort promete tempo de companhia e sexo apenas se tiver vontade e o cliente que a procura concorda com isso; a prostituta promete sexo independente da sua vontade e o cliente que a procura também concorda com isso).

Falando sobre as relações movidas pelo interesse financeiro, a questão é que se aponta o dedo para a prostituta até por covardia, pelo simples facto de ela estar vestida como tal, quando, afinal, existe um outro tipo de prostituição muito mais desonesto que ninguém quer ver - ou que não vê porque esta ou este não se veste de prostituta(o) nem fica de cigarro aceso esperando homem - e que inclusive é capaz de ganhar mil aplausos.

Assim como falávamos da questão de que o problema não é o turismo sexual mas o facto de haver pedofilia e aliciamento de menores, com a prostituição no que diz respeito ao estigma e aos preconceitos é o mesmo: o problema não é uma mulher estar prostituta, mas se vestir como tal e assumi-lo, saberem sem qualquer margem de dúvida que realmente se prostitui aquela mulher ali que rebola de saia curta do outro lado da calçada - e isso apenas porque está vestida de prostituta ou desempenhando tal actividade, como se uma prostituta fosse só prostituta ou que o é 24h do seu dia ou também fora do seu ambiente de trabalho -, o problema nem é mesmo a prostituição mas o "quem", é ter esse "quem" exposto para apontar o dedo, aceitável é praticamente tudo nessa vida, mas desde que não esteja exposto, desde que ninguém veja ou que todo mundo finja não ver, desde que não se perceba e que ninguém comente sobre o assunto.


PermalinkPermalink 17.06.08 @ 14:06





machista bagarai alguns comentários aqui, hein?
ótimo post. como de costume, claro e direto ao ponto.

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 16:37



Comentário de: João

Mas Alex, o que você está sugerindo afinal?

Parece-me querer ver todos nós nos orgulhando
das virtudes meretrícias nacionais . . . Pois, então,
digamos que adotemos esta postura libertária:
que entronizemos um novo orgulho nacional,
estampado nos cartões postais ao lado do Corcovado,
que sejam criados uns três novos ministérios para tratar a atividade,
com direito a pacotes de investimento em propaganda,
melhoria das condições de trabalho, fiscalização etc,
um decreto criará até um feriado nacional para festejar nossa nova
arma competitiva no mercado mundial! . . . Suponhamos, pois,
tal cenário, e eu pergunto: que estrangeiro gostaria de vir
para um país que oficial e assumidamente se orgulha
de possuir the hottest bitches of the world?!

Não serão muitos e os que vierem acho que não preciso
explicar que tipo de gente será . . . Mas note: não estou, de
forma alguma, dizendo que centenas (ou mesmo milhares!)
de turistas não venham para nossas quentes e ensolaradas
plagas atrás de outras coisa senão de sexo . . . Apenas lhe alerto: se assumirmos
nossa vocação, nossos visitantes mais púdicos (e, presumivelmente, mais ricos),
nos esquecerão de vez e nossos novos hospédes, além de tendencialmente não se disporem
a consumir além do que vieram buscar -- consegue vê-los em algum museu? -- ainda serão bem
mais problemáticos do que quem só quer ver por onde passeava a Garota de Ipanema . . . Sabemos
da extrema proximidade entre o tráfico de drogas e a prostituição -- e aqui estamos falando de
pessoas que viriam aqui exclusivmente atrás de algo (semi-)ilegal sem seus países de origem --
e que, portanto, tenderiam a buscar outras liberações também . . . É uma ligação ainda mais teoricamente
imediata e praticamante freqüente do que aquela entre prostituição e pedofilia -- ligação essa que (diga-se) é sim válida
como forte contra-argumento as suas posições! . . .

Em suma: é decerto muito apreciável essa sua postura de Sócrates pós-pós-moderno denunciando as
hipocrisias, incoerências e subterfúgios do raquítico pensamento corrente moderno/pós- . . . Você, de
uma base ótima (a dúvida, o desprezo, o sarcasmo em relação à doxa) parte para a "boa luta"
de construir um raciocínio digno do nome -- mas falha antes da aletheia . . . Entrega-se logo aos
braços impuros desta Dama Fácil -- com tantos noms de guerre (Marxismo, Liberalismo, Cristianismo)
e um só verdadeiro: Ideologia -- e assim perde o ocasião e o tempo do santo matrimônio com a única
que nos merece: a Realidade . . .

E não, Alex, a realidade não é nada fácil . . .


PermalinkPermalink 17.06.08 @ 18:22



Comentário de: Kitagawa

Tudo muito certo.
Mas acho chato uma coisa:
Caso a atividade seja regulamentada
e "bem aceita" pela sociedade, é possível
que a prostituição acabe se tornando
um dos únicos meios naturalmente viáveis
para que garotas vindas das camadas mais
excluídas possam sair dessa condição e
se inserir no mercado de consumo.
Estudar pra que? Não se chega a lugar
nenhum estudando. Só sendo garota de
programa para sair da merda.
Enfim, moralismos à parte, não
gosto desse cenário que a grosso modo seria a de termos uma classe social
fadada a ter suas garotas servindo
sexualmente para endinheirados casados.
Claro, numa situação em que a
prostituição é mera opção entre tantas
outras, tudo certo. Nada errado com
a profissional que gsota do que faz,
ou da que não liga e acha que vale
a pena. Ora bolas, tem gente que
trabalha até com publicidade.
São escolhas pessoais.
O chato é a prostituição virar um
estigma para certas garotas que nascem
em deteminados contextos. Como se
a sociedade como um todo esperasse
isso delas, pois é a única coisa que
tem pra dar (literalmetne) para de
alguma forma se inserir. Essa situação
seria chata. Ou será que estou sendo
muito moralista?

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 21:41



Comentário de: Ted Tarantula

se tem gente que ganha a vida até como advogado...imagina!!!!!!!!
qual o problema no comercio do sexo???

PermalinkPermalink 17.06.08 @ 22:44



Comentário de: paulalee · http://www.amanteprofissional.com/blog

Gostei muito do comentário do Kitagawa (que não, não achei moralista) que quero comentar.

De forma alguma querendo justificar a prostituição ou criar uma vitimização exagerada, há certos momentos na vida que é "ou vai ou racha".

Eu trabalhava numa multinacional, tinha um cargo de chefia, fui sem sombra de dúvida - e sem querer pecar pela falta de modéstia - a melhor funcionária naquela empresa. Aprendi o trabalho ralando, suando a camisa, enchendo a cara de olheiras antes dos vinte anos, abdicando - essa é a única parte ruim - de fazer uma faculdade até quando passei no vestibular porque não tinha horários muito flexíveis nessa empresa, tinha que escolher, se trabalhasse não podia estudar, e não tinha ninguém para fazer de bengala enquanto não conseguisse um outro emprego para então poder bancar as contas enquanto eu estudasse... e não me arrependo, amava aquele trabalho, dinheiro não sobrava mas também não faltava, não tinha uma vida com luxos, mas o arroz com feijão já não faltava, tive épocas piores, até no sexphone ganhava muito menos.

Bom, aí comecei a sofrer assédio no trabalho. Um assédio tão forte que eu cada vez via que ou dava para o meu chefe o que ele queria - dava no sentido literal - ou então perdia o emprego. Se eu tivesse interesse nele, tudo bem, mas não tinha. Contratar um advogado, colocar uma empresa na justiça? Ah tá, eu era ingénua mas nem tanto, há coisas que não funcionam, se calhar em pleno Rio de Janeiro com um calor de 42º graus vou ser acusada de estar provocando apenas por não usar calça comprida. E ainda por cima tinha o meu pai, ele ia ficar fulo e dar tiro de espingarda no meu chefe, o negócio não ia prestar, ia complicar ainda mais, melhor era guardar a situação em segredo e tentar "dar o meu jeito".

Além disso, dar o que o meu chefe queria não era garantia alguma que manteria o emprego que eu tanto amava por tanto tempo, seria até burrice da minha parte, dar o que ele queria faria perder o encanto, a minha importância, bastava aparecer uma com a bunda maior que ele me descartaria da empresa de qualquer forma, tanto que uma vez, já fulo comigo por eu rejeitá-lo, começou a seleccionar novas candidatas para ocupar o meu cargo - ele não disse que era para isso, mas pelo anúncio e pelo que exigia no currículo entendi que era, outra funcionária me confirmou - não conseguiu ninguém porque eu, trapaceando, entrei na sala e disse que ia ajudar nas entrevistas, e fiz perguntas bem difíceis para as candidatas apenas porque saberia que elas não iam ser assim tão boas para responder, aí cutucava nele: "Está vendo? Como vai contratar alguém assim?" ou algo do tipo "Viu a carta comercial que essa mulher escreveu? Alguma credibilidade teríamos se uma carta comercial fosse escrita assim?", "Não se desiluda, vamos encontrar uma boa funcionária", eu dizia com sarcasmo, mas sempre reprovando as candidatas - teve uma que me exigiu uma grande habilidade para achar um defeito nela - e veja só já o interesse dele, a função podia ser desempenhada por uma pessoa de qualquer sexo, mas no anúncio ele já pedia apenas por mulheres.

Bom, então nessa mesma época ouço uma proposta para ser prostituta e penso: qual será pior, ser prostituta para vários homens ou prostituta de um homem só, saber exactamente o que ganho como prostituta ou talvez me prostituir para o meu chefe e não ganhar m*rda nenhuma e ficar sempre nessa corda bamba, submissa aos desejos dele?

Aí você soma tudo e pensa que pode estar dando murro em ponta de faca, as coisas nunca são como você quer. Não aceitei logo de cara, mas tive muito medo de perder uma boa oportunidade, medo inclusive de passar a minha vida inteira me queixando sobre como poderia ter sido se não tivesse perdido essa oportunidade. Oportunidades - nem mesmo as ruins - surgem toda hora.

Mas se alguém pergunta: se me arrependo de ter aceitado? Desde o primeiro dia até ao dia de hoje. O que não anula o que aprendi, o que conheci, etc., coisas que não aprenderia de outra forma, o que não anula inclusive o que possa ter feito de bom, mesmo enquanto prostituta, porque o que sou enquanto pessoa não se anula ou invalida, sou o que sou como prostituta da mesma forma que seria o que sou se fosse médica ou advogada.

Hoje inclusive conheço homens maravilhosos e que me respeitam, sim, me respeitam, mas isso foi um trabalho de anos para conseguir me impor, ninguém começa sabendo se impor como sei hoje.

Se me arrependo é justamente porque, apesar de ser sim o que devia ter feito naquela altura, há coisas que uma pessoa não precisa passar. Não que o sexo seja sempre ruim, não que eu nunca tenha tido um orgasmo com um cliente - estou nem aí se é cliente ou não, se estiver com vontade de ter um orgasmo não vou tê-lo por qual razão? - mas porque os desafios foram muito maiores do que antes pudesse ter suspeitado. E porque as feridas, quando doem, doem lá no fundo.

Concordo com o Kitagawa quando ele diz que é aceitável quando uma pessoa faz algo por opção ou por querer, mas não com o estigma. Entretanto também é preciso lembrar que as redes de tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual focam justamente nesse grupo, no grupo de pessoas sem recursos, no grupo de pessoas que, como eu, tinham uma série de sonhos e uma responsabilidade para comigo e para com os outros.

Aí a menina aceita não por opção, mas por não ter mais nenhuma outra opção, por afinal infelizmente nem sempre haver garantias que ela conseguirá algo mais da vida. É claro que ela vale muito mais, é claro que ela não é apenas o seu corpo e o seu sexo, mas quem disse que vai haver tantas outras oportunidades para além desta em que o interesse está no seu corpo e no seu sexo? Ela pode passar a vida toda esperando, não é uma garantia. Aí que entra o momento do vai ou racha, ou você fica esperando ou você paga para ver (o "paga" é algo que ela descobre quando chega ao país de destino). Se ela tem sim outros potenciais mas se é com o seu corpo e com o seu sexo que vai conseguir ou pensa conseguir algo na vida, por que não usar o seu corpo e o seu sexo quando é tudo o que tem como garantia ou como quase-garantia? Alguém vai me oferecer um emprego apenas porque estou desempregada e tenho conhecimento e experiência em tal área em que seleccionam candidatos? Se fosse assim não haveria desemprego. Alguém vai pagar as minhas contas enquanto estou desempregada? Sou eu, eu que sozinha tenho que fazer alguma coisa, e se só resta o meu corpo e o meu sexo como garantia eu prefiro usar o meu corpo e o meu sexo do que ficar esperando por um milagre, do que deixar alguém morrer de fome apenas porque eu, ai que moralista sou, querer me dar ao luxo - devia ser um direito de todos, mas para quem tem baixas condições é um luxo - de não alugar o meu corpo.

Para quem tem baixas condições a frase mais realista é "algo tem que ser feito e tem que ser feito já", não dá para ficar esperando milagre, deixando todo mundo morrer de sede enquanto se pensa se se fura ou não um poço ou se se analisa se fazendo um buraco ali vai encontrar água ou não.

O triste da história não é uma pessoa ser capaz de se prostituir, mas ela ter que se prostituir como única alternativa, única alternativa não em função de ela não ser capaz de mais nada, mas porque as suas outras capacidades não ganham tanto interesse que garantam condições de subsistência imediata.

Mas eu não acho "bonitinho" ser prostituta, digo, não sem maturidade para tal. Transar com um cliente não é a mesma coisa que transar com um namorado, nem o mesmo que transar com um carinha que você só viu uma vez na sua vida, mas que transou com ele porque ele te escolheu - sentiu atracção por você - mas você também o escolheu. Transar porque a princípio apenas o outro te escolheu, independente de você querer ou não... não é coisa fácil. Não é coisa fácil você estar num bordel ou numa "casa" onde se põe de lingerie no meio de um monte de meninas, aí dá um sorrisinho de plástico, uma rodadinha para que ele possa ver o seu corpo, aí o cara te "escolhe", aquele cara para quem você apenas deu uma rodadinha vai transar contigo, e ainda por cima você tem que ficar contente porque afinal de contas foi a escolhida.

Entretanto, e por ter um blog onde falo muito sobre a prostituição, acabo recebendo muitos e-mails de pessoas que dizem querer entrar na prostituição e que fazem as suas escolhas achando que isso é algo bem "normalzinho", bem fácil, "uma profissão como outra qualquer", quando não o é, principalmente não o é no princípio. "Meu pai não quer aumentar a minha mesada por isso vou ser garota de programa", "Meu marido me traiu então vou ser prostituta", "Não me promoveram na empresa então vou ser prostituta", "Quero conhecer homens ricos e bacanas então vou ser prostituta... mas de luxo", é mais ou menos assim o tipo de vários e-mails que recebo diariamente - claro, há alguns em que há uma justificação mais aceitável - ou seja, muitos e-mails parecem apelação, qualquer coisa uma pessoa decide hoje ser prostituta com ainda menor cuidado que usaria para decidir se ia ser médico ou advogado, às vezes no que diz respeito ao interesse financeiro não por estar numa condição em que é você que tem que fazer alguma coisa, não por ter pessoas que dependem de você... mas como uma forma de punir ao outro - pai, marido - por não ter lhe dado aquilo que acham que deviam ter recebido deles, quando isso é ser mimado, é achar que todo mundo e o mundo deve lhe dar o que quer, se não der faz uma chantagem usando o próprio corpo. Porque para ser médico ou advogado uma pessoa ainda estuda, ainda conhece pessoas do meio... Mas para ser prostituta na maioria das vezes não se conhece ninguém, não há informações sobre o meio, e mesmo tendo essas informações, no quarto é só você ali com o cliente, você tem que se desenrascar, não dá para atender uma pessoa enquanto consulta um livro ou pergunta alguém pelo telefone o que deve fazer.

Sou contra isso, contra a apelação, contra a imaturidade, contra o facto de achar que a prostituição é fácil, achar que a sua vida não vai mudar nadinha se for prostituta por uns tempos, porque muda tudo, mesmo quando você continua sendo a mesma pessoa.

PermalinkPermalink 18.06.08 @ 01:24



Comentário de: E · http://leite-de-pato.blogspot.com

Em cheio, Alex.
Tem conceitos que estão tão arraigados nos corações e mentes que mesmo pessoas inteligentes não percebem coisas tão óbvias quanto a diferença entre a prostituição em geral e a prostituição de menores.
Seus textos são 8 ou 80. Não dá para ficar indiferente. Adorei este.
Quando detestar algum com toda a força comentarei.

PermalinkPermalink 26.06.08 @ 17:21



Comentário de: adrielle drih

eu não tenho nada a declarar só quero faze parte desse site com vcs posso?
bjss me adicionem ....

PermalinkPermalink 18.07.09 @ 11:33



Comentário de: Táia

Se há casos de estrangeiros transando com menores, o turismo sexual automaticamente passa a ser um problema. Para mim, a religião católica passa a ser automaticamente um problema quando os padres comem os meninos seminaristas. Porque o catolicismo portanto é hipócrita. Da mesma maneira, o turismo sexual é um problema porque envolve crimes como abuso a crianças. Não são coisas isoladas, mas intrínsecas. Entendeu agora?

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 13:36



Comentário de: Draupadi · http://didascaliae.blogspot.com

bom, não li os comentários [e as vezes digo graças a deus por conseguir nao faze-lo], mas confesso que a questão ainda me deixa meio tortinha...
quando eu descobri o quanto o brasileiro [falo dos homens, já q ainda nao transei com mulher... mas obvio q o comportamento do homem brasileiro na cama é um reflexo (e reflete tbm) o das mulheres, já que sexo se faz a dois - no minimo, neam?)
bom, voltando, qdo descobri por comparação o qto o brasileiro é bom no negocio e o quanto eu, portanto, deveria ser boa no negocio (melhor que grande parcela de outras nacionalidades) pensei: uau, que orgulho!
Daí qdo me perguntavam sobre o fato de grande parte das prostitutas do mundo serem brasileiras eu sentia muito, muito orgulho, como se pensasse 'a gente trepa bem mesmo, que bom'... como se a existencia de um maior numero de prostitutas brasileiras refletisse nada menos que nossa competencia no mercado (e nao apenas problemas sociais, ja que mulheres q precisam se prostituir há em todo canto do mundo).
Até que me aproximei de alguns posicionamentos feministas e comecei a pensar sobre o qto o onus da prostituição recai predominantemente sobre a mulher.. aí comecei a pensar sobre o meu posicionamento anterior... se estava sendo hipocrita ou se estava agindo conforme o 'pimenta no olho do outro é refresco' [piroca fedorenta no cu da outra é refresco], e confesso que agora nao sei muito bem em que acredito =S
velho, to meio bebada, escrevo melhor depois =S

PermalinkPermalink 21.10.09 @ 23:10



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