Estou passando quatro meses no Brasil. Minha casa no Rio não tem telefone, internet, TV, rádio. A cada dois dias, quando bate a crise de abstinência, passo na casa do meu pai, dou um beijo nele, checo o email, ligo o msn, e ainda filo o almoço. Pronto.
Considerei brevemente assinar algum jornal de papel - a obsolescência em forma de objeto - nem que fosse só pra ter algum input externo depositado à minha porta, mas acho que não vale a pena o custo. O celular acabou se tornando meu único meio de contato com o mundo. Estou até mandando mensagens SMS, o que me faz sentir como se fosse um dos meus alunelhos de 18 anos.
Só tem um problema: aviso aos amigos que estou sem internet, coloco até o celular no blog (21 9503 5876) e, mesmo assim, nego fica me escrevendo email em cima da hora pra me convidar pra eventos na mesma noite, emails que só vou ler dias e dias depois. Ou não querem que eu vá ou perdeu-se mesmo o hábito de fazer simples telefonemas.
O efeito na minha produtividade tem sido impressionante. Só ontem eu li três livros (estou estudando pro meu teste de doutorado, em setembro), escrevi minha resenha pra Copa de Literatura, almocei com Liloló e saí à noite com uma amiga. Todos os meus dias têm sido mais ou menos assim: produtivos e socialmente intensos.
O mais estranho é a sensação de colocar a chave na fechadura sabendo que não vai haver nenhum novo input me esperando lá dentro. Na minha casa, estão meus livros e roupas, e a alegria sempre contagiante do Oliver, mas nenhum blog atualizado, email não-lidos, janela piscando no msn, feed de rss, últimas notícias da política americana, flashes do Globo Cidade, uma hora non-stop de música! Não tem nem mensagem na secretária eletrônica.
Minha casa se transformou em um refúgio da informação.
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Do The Onion: 48-Hour Internet Outage Plunges Nation Into Productivity
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