Aluísio de Azevedo é considerado o fundador e o maior praticante do naturalismo no Brasil.
O Mulato (1881) conta a história de Raimundo, um médico mulato que volta para sua cidade natal depois de estudar na Europa. Ele é bonito, inteligente, sensível e, principalmente, branco. Seu único defeito parece ser o sangue negro que lhe corre secretamente nas veias. Quando seu segredo é descoberto, a cidade se volta contra ele e Raimundo é morto: por melhor, mais educado, mais bondoso que seja o indivíduo, a herança africana é sempre problemática e fatal.
O Cortiço, apesar de publicado após a Abolição (1890), tem como personagens principais Bertoleza e João Romão, casal-símbolo da história colonial brasileira. O português explora a escrava, a convence de que é livre, a toma como amante e a põe para trabalhar. Por fim, quando ascende socialmente e Bertoleza não lhe é mais útil, encarrega-se de reescravizá-la. O episódio, que poderia ser uma denúncia da exploração colonial, é ambíguo: por um lado, João Romão é visto com desprezo pela voz narrativa; por outro, Bertoleza é retratada como pouco mais que um animal, bruta, passiva, estúpida. A personagem escrava, mesmo que explorada, é desumanizada ao longo do romance, o que chega a quase justificar a exploração do protagonista. Outro casal paradigmático é formado pelo português Jerônimo e pela mulata Rita Baiana: acompanhamos sua transição progressiva de trabalhador diligente em vagabundo alcoólatra, influenciado pelo ambiente violento e pela mulata promíscua.
O retrato dos afro-brasileiros em ambos romances acaba por construí-los como um elemento nocivo à civilização, capaz de corromper até mesmo o melhor dos brancos, justificando assim sua alteridade e sua exploração.
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Zatoichi
Valeu Romão!
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