Aluisio de Azevedo

Aluísio de Azevedo é considerado o fundador e o maior praticante do naturalismo no Brasil.

O Mulato (1881) conta a história de Raimundo, um médico mulato que volta para sua cidade natal depois de estudar na Europa. Ele é bonito, inteligente, sensível e, principalmente, branco. Seu único defeito parece ser o sangue negro que lhe corre secretamente nas veias. Quando seu segredo é descoberto, a cidade se volta contra ele e Raimundo é morto: por melhor, mais educado, mais bondoso que seja o indivíduo, a herança africana é sempre problemática e fatal.

O Cortiço, apesar de publicado após a Abolição (1890), tem como personagens principais Bertoleza e João Romão, casal-símbolo da história colonial brasileira. O português explora a escrava, a convence de que é livre, a toma como amante e a põe para trabalhar. Por fim, quando ascende socialmente e Bertoleza não lhe é mais útil, encarrega-se de reescravizá-la. O episódio, que poderia ser uma denúncia da exploração colonial, é ambíguo: por um lado, João Romão é visto com desprezo pela voz narrativa; por outro, Bertoleza é retratada como pouco mais que um animal, bruta, passiva, estúpida. A personagem escrava, mesmo que explorada, é desumanizada ao longo do romance, o que chega a quase justificar a exploração do protagonista. Outro casal paradigmático é formado pelo português Jerônimo e pela mulata Rita Baiana: acompanhamos sua transição progressiva de trabalhador diligente em vagabundo alcoólatra, influenciado pelo ambiente violento e pela mulata promíscua.

O retrato dos afro-brasileiros em ambos romances acaba por construí-los como um elemento nocivo à civilização, capaz de corromper até mesmo o melhor dos brancos, justificando assim sua alteridade e sua exploração.

 Mulato       Cortiço

 

05.06.08


Categorias: Livros


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Comentários:


Comentário de: Te

Me dá licença de fazer um acréscimo ao resumo de O mulato? Raimundo foi morto por que quis se casar com a prima, uma branca histérica em busca de um marido, que estava grávida dele.
Soube de O presidente negro do Monteiro Lobato? Relançaram o livro e estão tentando vender como um exercício de futurologia do autor. Uns dizem que é uma história racista, outros que faz ironia com o racismo. Vou ver se eu leio e tiro minha conclusão.

PermalinkPermalink 05.06.08 @ 11:17



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr/

Bem, eu não li o mulato. Mas eu li o cortiço. E, pelo menos nesse, o autor não poupa ninguém. Brancos, negros, mulatos, todos são uns filhos da puta, idiotas que só não fazem ainda mais maldades por preguiça ou burrice.

Mas o mais importante não é isso. O mais importante é: Azevedo mentiu, por acaso? Será que a história do Brasil não prova que somos incapazes de qualquer coisa mais elevada além de trabalhar o mínimo necessário para pagar a farra do fim de semana?

O Lula se livrou de Heloisa Helena do mesmo jeito que João Romão se livrou de Bertoleza.

PermalinkPermalink 06.06.08 @ 18:15



Comentário de: kenga de taua

por favor me arranje um homem pois estou seca e arranje logo pois vou ficar louca muito tempo sem transar.bjoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

PermalinkPermalink 16.09.08 @ 19:54



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