Quando fiz faculdade, tinha uma senhora burríssima na minha turma. Ela se sentia completamente inferiorizada perto de mim e algumas vezes ficava agressiva. Um dia, ela se emputeceu e bradou, no meio da turma:
Você se acha muito inteligente, não é?
E eu respondi, com muita calma e sinceridade: não me acho, não; só pareço assim comparado à cavalgaduras como a senhora.
Foi um momento chato.
Eu Cresço É na Comparação
Eu gosto de ficar sozinho.
Quando estou sozinho, entro em contato comigo mesmo e todas as minhas limitações e defeitos afloram. Quando estou sozinho, tenho noção perfeita de tudo o que me falta aprender, sobre mim mesmo, sobre a vida, sobre a arte. Quando estou sozinho, eu me sinto o último dos homens. Sinceramente, não me acho nem um pouco inteligente, nem um pouco talentoso, nada. Sou um pobre mamífero com um longo caminho a percorrer.
Meu problema são os outros. Eu cresço é na comparação.
Converso com as pessoas e fico horrorizado com sua pequenez. Elas são burras, incultas, preconceituosas, medrosas.
O medo talvez seja o que mais me me surpreende. Vejo adolescentes abdicando dos seus sonhos por medo do futuro, procurando carreiras seguras, pensando em emprego estável. Vejo quase todos tomados por um irresistível medo da vida. Pior, medo de si mesmos, de descobrir quem realmente são.
Eu juro que não me acho nada de mais. Mas basta passar duas horas com os humanos que começo a me considerar quase um buda. Meu ego ameaça alçar vôo e eu me sinto mal, minha própria arrogância me intoxica, e bate aquela necessidade de ficar sozinho de novo, de tentar reencontrar a perspectiva de minha própria pouca importância.
Quando fujo das pessoas não é por não gostar delas, mas por não gostar da pessoa que eu me torno perto delas.
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Você se acha muito inteligente, não é?
E eu respondi, com muita calma e sinceridade: não me acho, não; só pareço assim comparado à cavalgaduras como a senhora.