Amar Objetos Inanimados

De vez em quando, me perguntam de onde vêm meus textos, como nascem minhas idéias, essas coisas. É assim: eu ando pela rua, vejo um cara lavando seu carro com um amor que ele não deve dedicar a sua namorada, tiro um caderninho do bolso, anoto umas frases, chego em casa, desenvolvo as frases, escrevo um texto. Pronto.

Hoje, de pura preguiça e pra fazer um experimento literário, ao invés de escrever um texto bonitinho desenvolvendo as idéias, vou postar direto as frases que anotei no caderno. Afinal, as idéias já estão todas lá. Vocês que construam o texto em suas cabecinhas:

* * *

não entendo amor por objetos inanimados

lavando carro com caricias de amante, cuidando de livros, nao pode sublinhar, dobrar! compram computador mais bonito, carro mais lindo, olha o meu iMac!, que linhas arojadas!

valor de um objeto está no uso, não em si mesmo. objetos não têm valor intrínseco. beleza de shakespeare esta nas palavras, nao nas ilustracoes da edicao de luxo. se funcionarem bem, carro e computador poderiam ser quadrados como um cubo borg. e daí?

alex, a vida tem que ser bela!, como vc pode nao querer beleza na sua vida?!

mas eu quero! beleza nao vem de objetos, beleza nao vem do consumo!

beleza da minha vida nao vai vir de ter um computador lindo (se computadores pudessem ser lindos!), mas das pessoas que conheco, dos textos que leio e escrevo, da musica, da arte, do sexo, de fumar cachimbo em um dia de sol, de ver uma crianca brincar, nao das coisas que eu COMPRO!

Prazer das Compras: O Consumismo no Mundo Contemporâneo, O

 

22.04.08


Categorias: Comportamento, Cotidiano


Posts similares:
HOMEWORKING
cálculo de consumo sem computador de bordo? pergunte-me como.
C.Q.D.

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: thiago

Querendo ou não, todos as formas e cores provocam uma reação emotiva. Por isso, é possível que se enxergue beleza nas linhas e na funcionalidade de um produto.
Também projetamos memórias nos objetos. Momentos especiais, pessoas especiais, conquistas... O apego não seria ao objeto em sí, mas ao que ele representa.
A beleza está nas experiências. O simples observar de uma paisagem, objeto ou obra de arte é uma experiência.

Fui boa cobaia?

PermalinkPermalink 22.04.08 @ 23:23



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

A beleza não vem do consumo, claro. Mas objetos podem ser belos sim, e por isso terem valor em si mesmos, independente do uso. A prova disso é a existência de museus. Como é natural no ser humano amar a beleza, acabamos tendo algum amor por objetos sim.

Mas numa coisa você tem razão: amar objetos ACIMA das pessoas não faz realmente o menos sentido. Bom, talvez faça dependendo da pessoa.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 00:25



Comentário de: Edu

Eu amo meu pinto

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 01:26



Comentário de: Kitagawa

"Eu amo meu pinto"

Tá aí mais um exemplo de amor por
objetos inanimados.
Me desculpe, essa não resisti ;-)

Mudando o foco:

É aquela história. O cara compra carro
pra pegar mulher e acaba se apaixonando
pelo carro. Vira artista pra pegar
mulher e acaba devotando sua vida à
arte. Vira astronauta pra pegar mulher,
mas se emociona mesmo quando pisa na
lua.


PermalinkPermalink 23.04.08 @ 02:47



Comentário de: darth.

Ah pois é, eu cultuo os livros que compro, os cds, os dvds, acho lindo. Consumir e consumir, só o prazer de ter, ahh que gostinho bom, depois ostentar - nem que seja pra ninguém -, um prazer íntimo, uma sensação de poder. hoho

E não sei porque, confronto direto com o suposto ideal lá de minimalismo, conceitos do cinismo e a vida levada com o mínimo necessário, não chego a lugar nenhum, acabo comprando mesmo, satisfazendo-me, por mais fugaz que seja, espero que um dia, quando a maturidade por fim vier isso termine, veremos.

..

Homem é bicho triste. fato

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 03:02



Comentário de: Elen Mateus · http://notleast.blogspot.com/

Esse lance todo aí me fez lembrar uma observação bastante pertinente do prof. Albino Rubim (UFBA),que esteve aqui no Maranhão há poucos dias ministrando um curso. quando ele discursa sobre a transversalidade da cultura com a economia e vice-versa e papapá, ele cita um exemplo legal: o valor de um carro hoje não é determinado pela parte mecânica/física; o que determina valores pro consumo daquele objeto é o design, é a marca, elementos do campo dos bens simbólicos.

Enfim, a imbricação do mercado com o campo cultural resulta no fato de hoje as mercadorias - os bens materiais mesmo - não serem mais apenas mercadorias, e sim objetos de desejo de consumo e de prazer pelo consumo.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 03:15



Comentário de: Samireco

Se não entende a relação que o homem cria com objetos é porque você é burro.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 09:55



Comentário de: Taina · http://deprofundis7.blogspot.com

Algumas coisas adquiriram um certo valor, não
por elas em si, mas pelas pessoas que esses
objetos representam. Como se fossem uma
extensão de amados seres.
Sinto-me acolhida por palavras expressadas
nesse espaço. E você é bonito.
Tenha uma boa vida.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 11:13



Comentário de: Breno Kümmel

Algumas pessoas não podem ser tão seletivas na hora de eliminar fontes de felicidade.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 12:25



Comentário de: Bear

Tem gente que ama o próprio vibrador.
(pensando: vibrador é inanimado?)

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 13:51



Comentário de: Erika

"...vejo um cara lavando seu carro com um amor que ele não deve dedicar a sua namorada..." Ficou ótimo gostei!

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 17:21



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com

Adorei isso!
Assino embaixo!

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 22:28



Comentário de: João Paulo · http://sratoz.blogspot.com

Alex,

Você é a segunda pessoa que vejo que, para se referir ao formato de um cubo, apela para um cubo borg. A primeira sou eu.

É claro que eu tenho que te parabenizar, mas é porque é aquela coisa de se projetar no outro, de gostar quando é igual a nós etc.

De resto, meu vínculo nunca é com objetos nem lhes dou atenção. Meu problema é que objetos despertam memórias e simbolizam as pessoas que mos deram, então às vezes é difícil jogá-los fora.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 23:09



Comentário de: Eduardo

Eu ri com o Kitagawa porque eu pensei na mesma piada. xD

Mas vai ver que só quem ama objetos assim é quem não teve amores por gente. Ou é meio carente, sei lá. Todo mundo tem necessidade de amar algo.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 23:13



Comentário de: Te

Boa, Kitagawa!
Coisa mais estúpida passar fim de semana limpando, lustrando ou testando o motor de carro. Acho que o Allan Sieber desenhou um tipo desses para sua série O super campeonato mundial de idiotas.

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 15:53



Comentário de: Andre Rafael · http://www.ladica.blogspot.com

Legal seu ponto de vista, mas ainda acho mais legal estar num ambiente agradavel (como um cachimbo num dia de sol), cercado de coisas bonitas.

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 22:30



Comentário de: Zeca

Será mais um post cagando regras para a humanidade. O que importa é ser feliz, se o sujeito é feliz acariciando um carro, tanto melhor. De libertário, esse blog tem muito pouco.

PermalinkPermalink 26.04.08 @ 09:55



Comentário de: calphalon commercial nonstick · http://calphalon.net78.net/

jslmrbd gnlzvq sjpmad

PermalinkPermalink 05.06.08 @ 01:55



Comentário de: angélica

Embora concorde em parte com o que você acha, Alex, é possível amar objetos inanimados sim, pois a aparência e utilidade objetivas desses remetem à satisfação subjetiva. Prova disso é o amor (ou outro verbo que se aproxime desse) que tenho por coisas sem nenhum valor econômico. A propósito, o que diabo é cubo borg?

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 00:07



Comentário de: Domingos Vidal · http://colecaoliterariadomingosvidal.zip.net

Sou um escritor e já lancei um livro sobre
objetos inanimados: o lápis e a caneta, in-
titulado, "MEMÓRIAS DE UM CASAL DA LINHA".
Gostei muito da sua maneira de perceber a vi-
da.
Valeu!
Abraços.

PermalinkPermalink 01.01.11 @ 14:15



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Declaração de Princípios de Alex Castro

Próximo post: Mudar o Mundo pelo Consumo

um blog sobre literatura, empatia e desapego

sobre mim

contato, bio, fotos, livros, compre

Busca

    Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site