De vez em quando, me perguntam de onde vêm meus textos, como nascem minhas idéias, essas coisas. É assim: eu ando pela rua, vejo um cara lavando seu carro com um amor que ele não deve dedicar a sua namorada, tiro um caderninho do bolso, anoto umas frases, chego em casa, desenvolvo as frases, escrevo um texto. Pronto.
Hoje, de pura preguiça e pra fazer um experimento literário, ao invés de escrever um texto bonitinho desenvolvendo as idéias, vou postar direto as frases que anotei no caderno. Afinal, as idéias já estão todas lá. Vocês que construam o texto em suas cabecinhas:
* * *
não entendo amor por objetos inanimados
lavando carro com caricias de amante, cuidando de livros, nao pode sublinhar, dobrar! compram computador mais bonito, carro mais lindo, olha o meu iMac!, que linhas arojadas!
valor de um objeto está no uso, não em si mesmo. objetos não têm valor intrínseco. beleza de shakespeare esta nas palavras, nao nas ilustracoes da edicao de luxo. se funcionarem bem, carro e computador poderiam ser quadrados como um cubo borg. e daí?
alex, a vida tem que ser bela!, como vc pode nao querer beleza na sua vida?!
mas eu quero! beleza nao vem de objetos, beleza nao vem do consumo!
beleza da minha vida nao vai vir de ter um computador lindo (se computadores pudessem ser lindos!), mas das pessoas que conheco, dos textos que leio e escrevo, da musica, da arte, do sexo, de fumar cachimbo em um dia de sol, de ver uma crianca brincar, nao das coisas que eu COMPRO!
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