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Ser da Raça Certa (Parte II de IV)

"Sabe que no colégio eu tinha um amigo negro, o único negro da classe, e tal. O apelido dele era Pelé. Todo mundo chamava ele de Pelé. Aí, um dia, meu pai me ouviu conversando com ele, ou falando dele, enfim, soube que eu tinha um amigo negro cujo apelido era Pelé. E me deu a maior bronca. eu fiquei bem mal, ainda por cima porque fui conversar sobre isso com ele, e ele falou que a mãe dele também odiava que todos chamassem ele de Pelé. Eu lembro que meu pai falou pra mim: pô, você chamar ele de Pelé, é a mesma coisa de chamá-lo de negro. E eu lembro que eu menti, falei que não... A gente chama ele de Pelé porque ele joga bem futebol! Mas eu menti porque fiquei bem envergonhada. Eu tinha uns doze anos. E essa minha mentira significa que eu entendi muito bem o problema de chamar o Pedro de Pelé. Percebi que chamar de Pelé por causa do talento futebolístico semelhante, ok. Chamar de pelé por causa da cor dapele semelhante, não. E, mesmo assim, um menino branco que jogasse futebol muito bem jamais seria chamado de Pelé, talvez até se ofendesse, seria chamado de, sei lá, que jogador de futebol era branco? Zico? Então, Zico."

* * *

 Mídia e Racismo

Quem é da raça certa só escuta epítetos raciais quando é o único, ou praticamente o único, em uma multidão de gente da raça errada - tipo dinamarquês no terreiro de candomblé em Salvador. E, mesmo assim, são epítetos bem diferentes. Afinal, uma raça é certa e a outra, a errada.

Esse povo que, de vez em quando, muito raramente, é chamado de "branco azedo" não sabe o que é passar o dia inteiro sendo chamado de "neguinha". Equacionar as duas coisas seria como equacionar "ei, você aí, limpando o chão" com "meritíssimo".

"Sério, não aguento mais essa palhaçada. Se eu chamo alguém de "negão" ou "baiano", eu sou um monstro do preconceito. Mas se me chamam de "branquelo", aí pode. Aliás, claro que pode! Sou branco mesmo, por que me incomodaria de ser chamado de branquelo? E por que não posso chamar o negão de negão?!"

Os "ruços", "branquelos" e "polacos" nunca foram preteridos numa vaga de emprego ou proibidos de namorar uma menina por causa da sua cor. Assim é fácil não se incomodar.

Já os epítetos equivalentes ("negona", "paraíba") podem ofender pessoas para quem sua própria raça é muitas vezes uma fonte de opressão e desvantagem. Nesse sentido, chamar alguém de "negão" equivale a tirar um pouco sua humanidade, explicitar que ele destoa da regra geral do grupo e já selecioná-lo para, basicamente, se fuder.

"Ah, não apela, Alex, isso é o maior preconceito! Se alguém usa uma camisa escrita 100% negro, ninguém reclama, é lindo, mas se eu sair na rua usando uma camisa 100% branco vão fazer o maior alarde, vou ser chamado de nazista, skinhead, preconceituoso, o escambau! Isso é justo, por acaso? É justo?"

Uma camisa "100% Branco" é de profundo mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia. "100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema.

* * *

"O que confere ao insulto sua força performativa não é a própria repetição, mas o fato de que ele é reconhecido como estando de acordo com um modelo, uma norma, e se liga à uma história de exclusão. ... A elocução implica que o falante é o porta-voz do que é 'normal' e trabalha para constituir o destinatário como tendo passado dos limites" (Jonathan Culler, Teoria Literária - Uma Introdução, cortesia da Laila)

* * *

 Racismo na História do Brasil: Mito e Realidade  Psicologia Social do Racismo

Ser da raça certa é nunca ser descrito em termos de raça, é ter raça neutra, não ter raça:

"Quem é o Paulo?"
"Aquele gordinho." ou
"É o careca." ou
"O de camisa azul." etc...

Ser da raça errada é sempre ser uma raça antes de ser uma pessoa.

"Quem é o Paulo?"
"Ah, é aquele negão ali."
"Qual? Tem dois."
"O altão."
"Ah."

Update - Comentários que Merecem Virar Post

Ai ai, se eu tivesse esse poder de síntese. Ao invés de perder esse tempo todo escrevendo longos textos, a historinha abaixo já expressa tudo o que eu tinha a dizer. Simplesmente perfeita:

"Lá para os idos de 2002, durante a campanha, as cotas estava no programa do Lula, numa porcentagem qualquer. Estava no terceiro ano, no colégio mais badalado da capital (uns 700$ a mensalidade na época), numa turma de 100 alunos, me vira a menina e reclama: "Mas para quê tanta vaga para negros? Olhe em volta, só tem 1 (hum!) negro aqui!".

Leia todos os posts dessa série:

Usos do Nego
Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Ser da Raça Certa I: Você É da Raça Certa?
Ser da Raça Certa II: 100% Branco
Ser da Raça Certa III: De que Cor É o Personagem?
Ser da Raça Certa IV: O Critério Eliminatório

Por favor, ajude a divulgar essa série. Se for linkar, linque todos os posts.

* * *

 Racismo: a Verdade Dói. Encare

* * *

Essa série co-escrita por, debatida e articulada com, reescrita e revisada por Lulu - que, como todos sabem, sou eu. Vale muito a pena ler o outro blog dela - ou seja, meu.

* * *

Se gostou dessa série, recomende o blog aos amigos que possam gostar - não as amigos que dizem que pobre tem que ser desinsetizado, por favor! Se gostou de verdade e quiser ajudar, clique nos links desse post e compre alguma coisa lá no Submarino. É assim que eu pago as minhas contas. E que Machado de Assis lhe abençoe.

 

16.04.08


Categorias: Comportamento, Cotidiano, Raça

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Ser da Raça Certa (III de IV)

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: andre

"Quem é da raça certa só escuta epítetos raciais quando é o único, ou praticamente o único, em uma multidão de gente da raça errada - tipo dinamarquês no terreiro de candomblé em Salvador."
.
"Ser da raça certa é nunca ser descrito em termos de raça, é ter raça neutra, não ter raça"
.
só eu vejo uma contradição aí?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 06:07



Comentário de: Pedro

Alex,

Excelente post!!
Algumas cenas verídicas que nunca me esqueço:

- 7a série. 2 garotos negros de 12 anos na escola discutindo aos berros: "Tu é mais preto que eu!". "Claro que não!", posicionando o ante-braço junto do ante-braço do outro. "Lógico, que TU é mais preto que eu!"

- Uma roda descontraída de vários adolescente brancos e 2 negros. O preto mais claro diz: "Mermão, eu sou preto....mas tu é AZUL, hein?!"....Risada de todos

Outro ponto que vale lembrar é que o racismo na nossa classe social é até brando (até porque é "socialmente deselegante"). Entre os mais pobres "Tinha que ser o crioulo!" é piada de todo dia.

Desculpem o comentário longo...

[]'s
Pedro

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 06:47



Comentário de: Pedro

Alex,

Seria legal se vc fizesse um post comparando o racismo americano com o racismo brasileiro. Seria legal ouvir o insight de um especialista.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 06:49



Comentário de: Thiago

"Ah, mas quem é o Paulo??" "Ah, é o Japonês lá"

Sabe o que eu acho graça?? Disso aqui: http://www.snopes.com/politics/obama/thesis.asp



PermalinkPermalink 16.04.08 @ 08:54



Comentário de: ser-luz

Oi, tudo bem? Há algum tempo acompanho seu blog e agora resolvi criar o meu. Sem pretensões literárias, que fique claro. Ficaria grato com a sua visita.
http://ser-luz.blogspot.com/

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 08:57



Comentário de: Breno Kümmel

Não acho que o "Paulo é o negão" seja necessariamente preconceituoso. Quando você pergunta "quem é X?" as pessoas usam um traço da aparência pra identificar dentre outras(careca, louro, o que tá com a camisa verde, etc).

É que nem falar que careca é careca antes de ser uma pessoa porque é o que usam para identificá-lo nessa situação. Abaixo o carequismo então! (ou seria cabelismo?)

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 10:06



Comentário de: Gabi

O nível de retardamento desse blog está virando caso de polícia.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 10:45



Comentário de: will

descobri o seu blog esses dias e ele tem sido de muita utilidade pra mim...
sou negro tenho 21 anos moro num predio no bairro do itaim e ja passei por muitas situaçãoes de preconceito e racismo q possa imaginar.
tenho muitos amigos brancos e quase nenhum negro (sempre fui o negro da turma)não por escolha mas o lugar onde vivo não tem muitas pessoas negras q frequentam os lugares q vou, se frequenta ou ta trabalhando ou só passando...
me identifiquei com muitas coisas escritas aqui como ser tratado por “negão” pelos amigos é uma situação q passo e de hoje em diante isso vai mudar. “Pq eu tomei conciência d q meus amigos praticam um racismo inconsciente”? não... pq eles tem q tomar consciência disso e se alguém não falar pra eles, tudo vai ficar “normal” e a educação dos filhos deles vai ser a mesma q receberam e assim por diante

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 11:51



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,

Acho q apesar dos racistas e anti-racistas se esforçarem pra gerar conflitos, com o tempo o preconceito contra o negro vai se dissipando naturalmente à medida em q os negros, mulatos &c vão se desenvolvendo socialmente.

Antes de publicar ainda hoje ou amanhã um texto no Dr Plausível sobre o assunto (em q espero colaborar mais um pouco pra sua tese de doutorado), lembro aqui de um cara q conheci num coquetel uns 10 anos atrás – o Sr Douglas Ribas, à epoca presidente da BIC (das canetas) na América do Sul já havia dez anos, negro brasileiro casado com uma mulata brasileira.

Note o contraste do q se lê no site na Rádio ONU:

"Para o ativista negro e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, os problemas enfrentados por negros no mercado de trabalho são enormes. E segundo ele, o preconceito se dá em vários setores, ainda que em alguns casos, os atos de discriminação sejam disfarçados.

"Já para o ex-presidente da empresa BIC na América do Sul, Douglas Ribas, a cor negra da sua pele não prejudicou em nada a sua ascensão profissional como empresário."


Talvez (creio eu) tenha ajudado o fato de a BIC ser uma empresa francesa, e portanto longe da hipocrisia q resulta de atitudes PC e seus tiros pela culatra, tipo tua nomenclatura proposta de raça "certa" e raça "errada". Mas sem dúvida o valor pessoal do cara foi o principal fator, não?

Troquei umas palavras com o Sr Ribas no coquetel, e digo com todas as letras: ele era uma pessoa tão altiva e centrada q me senti um completo sagüi ao lado dele.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 12:52



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

Pode ser impressão minha, mas tem vários comentários que eu leio e fico com a sensação de que a pessoa está se defendendo.

"Bom, sim, ok, eu já fiz algumas dessas coisas, já chamei meu amigo negro de pretinho (ele gosta, Alex!), já fiquei nervoso quando um garoto negro passou perto do meu carro e tenho nojo de cabelo pixaim... mas eu não sou racista não, é você que está inventando que fazer essas coisas é racismo! Só para fazer eu me sentir culpado, aposto! Sacanagem, Alex!"

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 14:42



Comentário de: Hugo · http://http;//ingenuidade.blogspot.com

"Uma camisa "100% Branco" é de profundo mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia. "100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema."


Um amigo meu muito se irritava com isso. Dizia sempre que, se não queria ser prejudicado pela cor da sua pele, tampouco queria ser tratado como criança, como "coitadinho". Imagino que ele não gostaria nem um pouco de ter uma atitude racista sua perdoada unicamente porque ele faz parte da "raça errada".

O que você pensa disso, Alex?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 14:44



Comentário de: Alex Castro Email

Hugo, eu digo a mesma coisa que disse nesse comentario de ontem:

alguma vez eu disse que toda pessoa (qualquer pessoa) deve ser obrigada a sentir isso ou aquilo? cada pessoa lida com sua raça e com os preconceitos que sofre como quer. cada um sabe onde lhe aperta o sapato. conheço negros que dizem nunca ter sofrido preconceito.

a questão é: e daí? o fato de haver negros que lidam bem com isso, que não se incomodam, que não sentem, quer dizer que o problema não existe? ou que os que sentem, em consequência, são inseguros e fracos?

errado é querer legislar os sentimentos dos outros, dizer que todos têm que ser assim, ou os que se sentem assado são fracos ou reclamões.

vc nunca se sentiu vitimizado? parabens. agora, vamos tentar fazer alguma coisa em relacao as pessoas que sao vitimizadas. tem muitas.

se formos por aih, eu vou dizer que o estupro nao eh um problema, e nao deve ser criminalizado, pq afinal eu nunca fui estuprado! e tem mais: essas mulheres que foram estupradas sao uma relcamonas, elas que usassem saias maiores!

a minha pergunta é: em que a existencia de negros que dizem nunca ter sentido preconceito invalida uma virgula do que eu falei?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 14:54



Comentário de: Alex Castro Email

perma,

eu juro que nao estou entendendo. sua historia do presidente da bic é linda mas o que ela tem a ver com, ou invalida, qualquer coisa do que eu disse? é como eu estar falando que o assédio sexuak é um crime a ser combatido e vc me trouxesse uma mulher que diz nunca ter sido assediada. E daí?

Em primeiro lugar, pela natureza do crime, ele pode ter sido assediada e não ter nem se dado conta. Em segundo lugar, ela pode nunca mesmo ter sido assediada.

A pergunta é: e daí? O que isso quer dizer? Onde vc está querendo chegar? Que assedio não é crime ou que não é errado? que as vitimas do assedio foram culpadas pelo assedio que sofreram? que nao devemos ajudar/entender as vitimas? que nao existem vitimas?

Repara q nao estou colocando essas palavras na sua boca, estou perguntando... mas confesso que nao vejo onde mais vc queira chegar quando eu falo de um crime X e, como resposta, vc me traz alguem que nao foi vitima do crime X. oras, e dai?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:04



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

"100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema.

É mesmo uma identidade subalterna? Eu (e estou vendo que muita gente) discordo disso. Mas você (e quem usa uma camiseta dessa), então, concorda? Realmente é uma identidade subalterna?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:24



Comentário de: Hugo · http://http;//ingenuidade.blogspot.com

Alex, vou ver se deixo mais clara minha dúvida: você acha válido algum membro da "raça errada" ter uma atitude racista contra alguém da "raça certa"? Acha que uma atitude racista de alguém pode ser perdoada unicamente porque esse alguém faz parte da "raça errada"? E usar uma camisa "100% negro" não é uma atitude racista?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:25



Comentário de: .

A questão Alex é que o seu exemplo da mulher assediada não bate com os exemplos de racismo de seu post.

É claro que apresentar uma mulher que nunca foi estuprada a uma que foi e dizer que esta é reclamona não tem sentido, mas esse seria o último nível de racismo.

Veja:

"Quem é o Paulo?"
"Ah, é aquele negão ali."
"Qual? Tem dois."
"O altão."
"Ah."

E se fosse:

"Quem é o Paulo?"
"Ah, é aquele JAPA ali."
"Qual? Tem dois."
"O altão."
"Ah."

Não mudou nada. Nesse contexto o interlocutor procura alguém que não conhece, então nada lógico do que descrever o outro por uma característica de fácil identificação.

Apelidos: "nego", "japa", "gordo" podem ser tão ofensivos ou carinhosos dependendo de seu contexto que fica difícil generalizar como você está fazendo.

O seu exemplo do estupro só caberia se fosse um caso de racismo mais forte. Não dar emprego a um cara por sua cor, não vender produtos por causa disso e etc.

Veja aqui nas suas palavras uma coisa:
"Já os epítetos equivalentes ("negona", "paraíba") PODEM OFENDER PESSOAS PARA QUEM SUA PRÓPRIA RAÇA É MUITAS VEZES FONTE DE OPRESSÃO E DESVANTAGEM. Nesse sentido, chamar alguém de "negão" equivale a tirar um pouco sua humanidade, explicitar que ele destoa da regra geral do grupo e já selecioná-lo para, basicamente, se fuder."

O ponto que acho que muitos estão querendo mostrar é justamente esse. Há na sociedade - grosso modo, por favor - duas visões sobre os negros: A de que eles são inferiores e a de que não são. É a vítima que determina qual das duas será verdadeira PRA ELA. Se ela interpretar "nego" como sendo insulto, então ela concorda com os que dizem que negros são inferiores e está contribuindo para perpetuar o preconceito. Os que dizem que negros não são inferiores deveriam ser os primeiros a não se incomodar quando são chamados assim.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:42



Comentário de: Alex Castro Email

foi mal, nao respondo comentario de quem nao assina... desculpa, é birra minha mesmo.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:45



Comentário de: Alex Castro Email

andre,

quem acha que ser negro, no brasil, não é ser subalterno, está em denial grave de 500 anos da nossa história... serio, se alguéma acha que, nesse nosso país racista, um negro e um branco valem a mesma coisa perante a lei, que tem os mesmos direitos e que são tratados iguais, eu não tenho nem argumentos. Pra mim, isso é um dado da discussão.

Mas recomendo esse livro, que tem dados e tabelas a sair pelo ladrão:

http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=217126&ST=SE&franq=136855

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:49



Comentário de: Alex Castro Email

Hugo,

aí vc vai ter que definir racismo. Racismo, pra mim, é o crime de discriminar alguém por causa de sua raça.

Chamar o Pedro de "negão" não é racismo. Racismo seria lhe negar um emprego por ser negro. O fato das pessoas chamarem ele de "negão" só demonstra que ele é da raça errada, ou seja, que ele é visto primeiro como um negão e, depois, como um ser humano, pai de família, advogado, etc.

Vocês estão usando racismo como se fosse adjetivo. Nesse sentido, vão dizer que o meu texto é racista, porque ele fala sobre raça.

Eu já disse o que eu acho: como expressão de revolta de um povo oprimido, eu acho a camisa 100% Negro perfeitamente válida. Já a Camisa 100% Branco me parece de um mau-gosto tremendo, e eu não usaria, e provavelmente não daria papo pra quem usa. Mas isso já não está dito no texto?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:55



Comentário de: hardy har har

Estou com você, Andre. Não vejo negros como tendo uma identidade subalterna, nem mesmo como sendo diferentes; vejo-os como meus iguais. Por isso espero que eles, assim como eu e todos os seres humanos do planeta, façam o melhor possível com as cartas que lhes foram dadas e com o que seu desejo lhes dita. Não sei como eu poderia beneficiá-los tratando-os como pessoas que precisam de tutela. Pra defender que haja certas proteções, você necessariamente precisa afirmar que aquele grupo de indivíduos é menos capaz. Eu me recuso a achar que os negros são menos capazes, mas eu é que devo estar levando fama de preconceituosa.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:55



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Alex,
Como já disse, não invalida, mas demonstra q vc precisa qualificar teus sweeping statements.

É claro q existem preconceitos, mas um branco feio e burro sofre dez vezes mais do q um preto belo e inteligente. E é claro q os preconceitos são um problema pros preconceitados, mas o caso q citei demonstra q existem outras razões pra certos negros serem preteridos, razões estas q os teriam preterido mesmo se eles fossem brancos. O exemplo tbm demonstra q, pro negro, ficar discutindo interminavelmente e denunciando supostos atos de racismo não é a melhor estratégia de desenvolvimento individual OU coletivo. Pro negro, é uma perda de tempo. O negro q se dá bem é aquele q vai à luta de igual pra igual com o branco.

Parece q vc não tá lembrando q no Brasil racismo É CRIME. ¿Lembra da história q te contei? Uma conhecida minha, ítalo-brasileira, dava aula de português nos Euá em 1984. Numa prova, uma aluna tirou nota abaixo da média. A aluna – negra – acusou a professora de ter lhe dado nota baixa por racismo. A reação da professora foi "¿uééé?" Se o ofendido é quem define a ofensa, essa aluna imbecil poderia resolver processar a professora e ter perdido o tempo, energia e dinheiro de muita gente por um motivo totalmente escroto.

E essa analogia q fizeram com o estupro não tem nada a ver. Um cara pega uma mulher na porrada e enfia o pau à força nela, e ¿isso equivale a uma "discriminação disfarçada"? Aí vc emenda pra "assédio sexual", q é até uma boa analogia, mas apenas qdo realmente houve assédio. Isso de dizer q a mulher "pode ter sido assediada e não ter nem se dado conta", dá licença, né? Nesse ponto a analogia se perde totalmente. Se ela foi assediada e não percebeu, então ela NÃO foi assediada, ora pois não?

Me lembra da outra história q te contei: Dois anos atrás nos Euá, um menino de QUATRO anos foi abraçar a professora do maternal e ao fazê-lo ficou com a cara no meio dos peitos dela. A professora chamou a polícia e fez uma denúncia de assédio sexual. Novamente, Se o ofendido é quem define a ofensa, qqer imbecil pode dizer QUALQUER coisa, como de fato acontece.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 15:57



Comentário de: Alex Castro Email

perma,

eu acho BEM possivel uma pessoa ser vitima de assedio sexual e/ou preconceito racial sem se dar conta. é inerente à natureza do crime.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 16:19



Comentário de: hardy har har

Por causa do post acima, Alex, vou assinar com um e-mail válido só porque gostaria muito de uma resposta. Que a gente não concorda, é evidente, mas você acha que eu estou mentindo quando digo que não faço diferenciações? E você não aceita que as opiniões contrárias à sua aqui possam ser muito bem pensadas e racionais, e nada "confusas"?

(o nome não mudo, porque é meu apelido. meu nome é Hardiana, acredite se quiser. o seu era Cruz Almeida até bem pouco tempo, então acho que você há de entender.)

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 17:04



Comentário de: Alex Castro Email

HHH,

hahaha, mas eu pelo menos me dei o trabalho de criar um pseudonimo que nao fizesse as pessoas se sentirem tolas na hora de falar comigo... :) e nao, nao acho que vc esteja mentindo. nao falei isso hora nenhuma. e nao, vc nao parece confusa. era isso que vc queria saber de mim? :)

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 17:09



Comentário de: marcos

hardy har har,

claro que todos são iguais e blá-blá-blá, o problema é que os negros começam o jogo sempre com o mico preto (para ficar na idéia de "cartas" do seu comentário).

Alex,

tenho uma historinha meio relacionada:

Lá para os idos de 2002, durante a campanha, as cotas estava no programa do Lula, numa porcentagem qualquer. Estava no terceiro ano, no colégio mais badalado da capital (uns 700$ a mensalidade na época), numa turma de 100 alunos, me vira a menina e reclama: "Mas para quê tanta vaga para negros? Olhe em volta, só tem 1 (hum!) negro aqui!".

Para muitos a realidade de vida é essa, não tem nem contra quem expressar o racismo e o preconceito.

(E não, não aconteceu nos cafundós de Santa Catarina, e sim no Espírito Santo.)

Abraço

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 17:35



Comentário de: hardy har har

Pela parte que me toca, sim. Mas como muitas outras pessoas aqui não me pareceram nada confusas, acho que seu "confusos" (seguido de um "iludidos" implícito) foi só golpe baixo mesmo no post lá de cima. Ah, eu sempre tive a impressão de que você acha bem legal "fazer as pessoas se sentirem tolas". Tantas pegadinhas e tal...

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 17:43



Comentário de: Alex Castro Email

HHH,

Eu sou um monstro mesmo. Recomendo a todos que me deixem falando sozinho...

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 17:46



Comentário de: ana

Alex, entendo o que vc quer dizer no texto com a primeira identificação da pessoa ser a cor da pele, ao inves de se identificar como pessoa, indentifica-se e é identificado como negro antes de qualquer outra coisa. Eu entendo isso, até pq me identifico como pessoa antes de ser mulher, e vejo que isso não é comum, e me irrito quando me classificam como mulher antes de qualquer outra coisa, pq nessa perde-se até a capacidade de empatia com o outro, pois não são seres humanos, mas coisas diferentes. Mas eu tenho uma dúvida quanto ao exemplo que vc usou: eu sempre estranho quando alguém vai descrever um negro e não fala que ele é negro, quando me descrevem falam que sou uma menina baixinha de cabelos enrolados, eu sinto que essa tentativa de não falar de cor é mais preconceituosa, me incomoda, se o cara tem cabelo laranja todo mundo fala, mas se é negro isso é escondido, sendo que é uma boa caracteristica para a identificação visual, não falar me parece esconder, me parece negar, negar a té a existencia de negros,me bate como mais preconceituoso. Posso estar errada, preciso pensar mais a respeito do assunto.

Sobre o que alguém falou sobre japoneses, orientais de modo geral tbm sofrem bastante de preconceito no Brasil e em outros paises ocidentais, e as pessoas nem tem vergonha disso.

Como estava falando ontem, a primeira coisa pra se resolver um problema é assumir que ele existe, que é real, é não culpabilizar o individuo por um problema que é coletivo. E o que eu entendo que o Alex está falando aqui é de um problema coletivo, um problema da sociedade como um todo, é uma tentativa de expor que esse problema ainda existe mesmo que escondido, disfarçado sob o politicamente correto, sob pequenas ações, e o tempo todo as pessoas nos comentarios voltam-se para individuos específicos...

Sobre a questão da vitima definir o crime, sim isso é verdade, mas muitos crimes, ou comportamentos não éticos tbm são definidos pela intenção, é o que no direito se chama de dolo, vc pode ser culpado sem intenção (culposo), ou pode haver a intenção de cometer o crime, que é um agravante (doloso). E nesse sentido, Permafrost, as pessoas podem ser vitimas de preconceito, de uma intenção preconceituosa, e não perceber essa intenção. Eu vejo isso sempre, pois só sofri discrimação por ser mulher depois de adulta, e percebo que muitas coisas que me irritam profundamente, mesmo sendo o mesmo preconceito, não são percebidas por outras mulheres que tem como papel de identificação primaria ser mulher. Pra elas é normal, é assim que mulheres são tratadas, pois elas aprenderam assim.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 18:13



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com/

"É claro q existem preconceitos, mas um branco feio e burro sofre dez vezes mais do q um preto belo e inteligente. E é claro q os preconceitos são um problema pros preconceitados, mas o caso q citei demonstra q existem outras razões pra certos negros serem preteridos, razões estas q os teriam preterido mesmo se eles fossem brancos."

Hummm, essa frase sua me lembrou de um colega de faculdade que eu tive. Nenhum brasileiro chamaria ele de negro, mas a aparência dele era definitivamente nã--branca. Ele era tudo isso que você falou: um baita gatinho (todas a mulhereda era doida para pegar ele) e ele era um dos alunos mais articulados e esforçados da turma. Mas eu me lembro bem num dia em que nós estavamos discutindo o assunto de raça e ele falou que, mesmo ele detestando droga (ele nem sequer bebia), ele e o irmão já estavam acostumados a serem parados pela polícia e revistados.

Ou seja: ele provavelmente vai levar vantagem sobre muito branco burro e feio por aí, mas nenhum desses brancos sabe o que é ser freio de viatura.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 18:14



Comentário de: Kitagawa

Antes que distorçam mais minhas palavras:

-Quem fala a suposta ofensa pode, sim, não ter a intenção de ofender e tem a legitimidade de dizer isso "entenda, não tive a intenção". Ele só não tem poder de decidir pelos outros se eles se ofenderam ou não com o que voce disse. Se alguém se ofende, isso é um fato. Não que ele esteja certo, que tenha fundamento, que tenha mérito ou razão. Vc falou algo e ela se ofendeu, talvez numa atitude sem fundamento, ma se ofendeu. O que não faz sentido é atribuir a quem fala o poder de decidir se os outros se ofenderam ou não. Mesmo porque, o ato de se sentir ofendido é um sentimento, não é de todo racional, é algo que até certo ponto não se controla. É o coração pulsar mais intensametne, o sangue subir, etc.

-Dito isso, acrescento que existe, sim, a possibilidade não só de alguem ofender outro sem ter a intenção, mas também do outro se sentir ofendido mesmo sabendo que não houve a intenção. O problema, com os jargões que estão originalmente ligados a praticas ofensivas e discriminatorias, é que nunca dá pra saber com certeza a intenção de quem fala, pois os seres humanos não conseguem ler mentes. Dependendo do nivel de desconfiança de quem ouve, pode ficar a duvida se o cara é um idiota que não sabe o que diz ou se está querendo lhe insultar veladamente. Muitas vezes dá pra sentir que é um desprezo inconsciente, ou até mesmo um desprezo "normatizado", o que é muito pior. O cara solta esses jargões, do tipo, "neguinho" meio que pra botar o "neguinho" no seu devido lugar. Isso, as minorias sentem até na pele. Podem às vezes estar racionalmente equivovadas, mas sentem. Nesses casos, o "Bom senso" diz que, se não temos a intenção de ofender, é melhor não agirmos como as pessoas que ofendem por ofender mesmo.

-Alguém aí já pregou que se deve simplesmetne tapar os ouvidos para as ofensa, engolir em seco e seguir em frente. Isso depende de cada um. Eu, uma vez, fui pro interior de Minas e lá não tem japones. Fui bem tratado de maneira geral, mas sempre aparece um idiota, que nesse caso, ifcou pulando na minha frente imitando golpes de carate, ou o jaspion, sei lá, no meio de uma festa. Eu só olhei e fingi que achei graça, segui em frente. Mas sinceramente, acho que o correto seria ter lhe dado uma chave de braço e quebrado os dedos da mão.

-Nunca quis levar esse assunto a nivel criminal. Pra mim o nivel aqui deveria ser o da etiqueta, das pequenas regras de respeito que desenham uma boa convivencia.

-O engraçado é que muita gente aqui que jura usar "nego" direto e sem a intenção de ofender, e defendo o direito de usa-lo nunca usaria o termo ao se dirigir a um negro pessoalmente (salvo nos casos que se trata de um amigão).

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 18:30



Comentário de: Israel Vilas boas

Tá bom, tá bom, fui eu quem fez o comentário "anônimo". Pô, só por que eu estava com preguiça de escrever o nome fiquei no vácuo! =)

Responde aí agora, nem que seja pra discordar. Assim vejo que meu comentário serviu pelo menos pra divertir. =|

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 18:34



Comentário de: NILTON

Esse assunto e o nível de discussão está
de alto nível.
Sem baixarias e etc...
Democracia é isso. Continuem nesse nível.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 18:47



Comentário de: Gabi

"Ou seja: ele provavelmente vai levar vantagem sobre muito branco burro e feio por aí, mas nenhum desses brancos sabe o que é ser freio de viatura."

E os brancos (ou chineses, japoneses, coreanos, maoris, mamelucos, mil etcéteras) também comem poeira do teu conhecido mulato gatinho e inteligente em muita coisa. Aposto que ele não sabe o que é ser excluído por ser burro/mediano ou feioso.

Que mundão mais variado o nosso, não?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 19:37



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Kitagawa,
Acho q vc quis dizer, "DEPOIS de distorcerem minhas palavras"...
:)

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 19:46



Comentário de: Gabi

E, além disso, Alessandra, do teu exemplo poderíamos erroneamente deduzir que o cara é parado EXCLUSIVAMENTE por ser mais escurinho ou negro. Como se o policial que parasse o cara pensasse claramente assim: "preto = criminoso".

A maioria esmagadora dos pobres no Brasil é negra/mulata. Entre os pobres, devido a inúmeros fatores, sabemos que há muitos crimes, principalmente aqueles relativos a roubos. Logo, a pessoa não é parada SOMENTE PORQUE É NEGRA. O raciocínio do PM não é "caralho, pode pegar que COM CERTEZA fez merda PORQUE é preto" e sim "preto = pobre, logo preto = criminoso".

Essa é uma parte de que ninguém fala.

Não quero entrar no mérito do ovo e da galinha, dizer qual a porcentagem de status sócio-econômico e qual a de racismo que entram na equação do problema. Só estou dizendo que ignorar esse fator é o que muita gente aqui anda fazendo. Todo mundo põe a discriminação no saco "racismo" e pronto, se esquecendo (o que eu acho INCRÍVEL!) que a gente no Brasil (e sem dúvida não somente aqui) associa AUTOMATICANTE negros a pobreza, e portanto a pessoas inferiores ou "coitadinhas", na melhor das hipóteses, ou a pessoas de má índole que podem apelar para o crime, na pior das hipóteses.

É como a historinha do cara negro e riquíssimo que foi comprar uma Mercedes, e que todo mundo já deve ter ouvido. O vendedor da loja da Mercedes-Benz veio mostrar um catálogo de caminhões pra ele. E muita gente usa essa historinha para apontar o quanto o cara da loja era racista.

Putaquepariu, é muita cegueira.

O nosso racismo é INFINITAMENTE diferente do que o dono do blog quer nos fazer acreditar. Deixar de lado o fator sócio-econômico é, na minha opinião, algo que ninguém que se diz estudar um assunto a fundo deveria fazer.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 19:48



Comentário de: Ilson Luz · http://Ilson Luz

Um certo dia caminhando por uma rua de minha cidade uma senhora de aproximadamente sessenta anos, olhou para trás olhou para minha pessoa e puxou a bolsa para sua frente e apurou o passo como eu senti que ela desconfiou de minha pessoa, presentindo que ela estava em pânico atravessei a rua, neste momento ela sem olhar para trás atravessou no mesmo sentido que eu quando ela viu que estava na mesma calçada que ela desperada entrou em uma lancheria, e eu segui o meu caminho o pessoal que estava na lancheria chegou até a porta e ficaram me olhando e os encarei tambem, até porque eu como cidadão nada devo.
É constante Na rede supermercados PARAISO na cidade Pelotas a perseguição de seguranças a pessoas que tenham a cor negra eu notei certa vez quando fui fazer compras onde havia pessoas de cor branca e e de cor preta, eu por ser preto seria o mais suspeito de lhes roubar! perderam um cliente espero que percam vários da cor negra ou todos aqueles que que nãoo gostem e não sejam preconceituosos.
Preconceito existe, não somente pelo por algumas pessoas da raça brancas, por uma minoria de pessoas da raça negra, que se acham Cor parda clara.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 21:40



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

Gabi, é EXATAMENTE a mesma coisa, com uma desculpa diferente. Ou você acha que a maioria dos pobres e miseráveis são negros ou, vá lá, afrodescendentes (aff) por acaso? Não é um caso de ovo ou galinha, porque nesse caso é muito fácil de provar que o racismo gerou a escravidão que gerou a pobreza dos negros hoje.

Para falar em termos bem claros e não PCs, meu amigo não tinha cara de pobre. Ele estudava na PUC, não se vestia de mano, não tinha pinta de maconheiro. Ele foi parado por ser preto o suficiente para ser suspeito.

Pode ser fato que a maioria dos criminosos violentos são homens negros jovens? Sim, e acredito que seja verdade mesmo. Isso significa que a maioria dos homens negros jovens são criminosos? Não, mas são tratados com frequencia como se fossem. Isso é racismo. Tchã-naaam!!

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 22:25



Comentário de: Gabi

Alessandra, é um tipo de preconceito, sem dúvida. O que eu queria salientar é que ele não tem raiz SOMENTE no preconceito racial. Se tu atribui uma característica a uma raça , tipo os japoneses são bons em matemática, os negros gostam de música ritmada, samba, timbalada, sabem dançar etc, isso não é NECESSARIAMENTE preconceito, não com a carga negativa que a palavra tem. Quer dizer, só é se for algo que for pejorativo para alguém em determinada circunstância. Nunca vi japonês que fosse bom com números reclamar do estereótipo. Capaz do cara se achar geneticamente superior em termos de QI. Idem pros negros que fizeram a fama como passistas, sambistas, jazzistas, funkistas e demais istas. Muito pelo contrário, isso só fez a música dos caras ser reconhecida como do caralho. Tu imagina um Funkadelic feito por branquinhos? Eu não. Ia ser uma bosta.

Tudo isso pra te falar que, bom, se a maioria dos criminosos na Papuda é mulato/negro (ou sei lá o quê;), é natural que as pessoas, a sociedade em geral, já façam o automatismo. Essas mesmas pessoas podem ter amigos negros, ajudarem pessoas negras e se ofenderem muitíssimo com comentários racistas, mesmo que elas mesmas sejam brancas. Então eu só pediria um pouco mais de discernimento. Tudo isso para dizer dizer que existe, sim, tipos de racismo. Enfiar tudo no mesmo saco é meio perigoso. O dono do blog diz que usar palavras de uso corrente é um tipo de racismo. Também deve achar os exemplos que tu deu como prova irrefutável de racismo entranhado na sociedade. E aí, imagino, já tá tudo no mesmo saco do cara que proíbe a filha de namorar um negro. Sinceramente, acho isso a maior roubada.

Para entender qualquer fenômeno social é preciso não ter medo de ficar splitting hairs. Isso que o dono do blog tá fazendo nos posts parece muito bonito, mas no fundo ele só tá criando uma divisória e uma cegueira ainda maior.

Contagem regressiva para me tacarem pedra e me chamarem de racista, de me acusarem de estar achando desculpa para o racismo e coisas do tipo: 10, 9, 8...

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 23:28



Comentário de: andré

não há dúvidas que o brasil é um país preconceituoso; haja vista que todos aqueles que se intitulam não negros, nem tampouco afro-descendentes dizem não ser preconceituosos, mas a primeira reação que tem é a ofensa racial, quando estão diante de intrigas com pessoas sejam, elas negras, nordestinas, etc.
já pude perceber que quando um negro passa a fazer parte de uma família de pele menos escura, a hostilidade surge.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 23:52



Comentário de: Antonio Santos Aquino

Definitivamente não somos um povo racista. Sabe porque? Primeiro é preciso saber o que é racismo. Racismo não é isso que dizem para nos dividir.Vevemos muito influenciados pelos Estados Unidos e pela Africa do Sul paises reconhecidamente racistas com leis racista que só agora estão sendo corrigidas.Temos a comprensão errada que somos a continuidade da Monarquia Portuguêsa. Não somos. Com a proclamação da República todos foram chamados a criar um novo país em que todos fossem iguais perante a lei. NOSSO DIREITO É POSITIVO VALE O QUE ESTA ESCRITO NA CONSTITUIÇÃO. Assim sendo nossa igualdade não se baseia NA RAÇA. NOSSA IGUALDADE É JURÍ;DICA. Nós brasileiros não temos dívida com a raça negra nem com outra raça. QUEM ESCRAVISOU ÍNDIOS E NEGROS FORAM OS POTUGUESÊS. Com a República nos separamos intitucionalmente de portugal e da familia real. O apelido SÓ FERE QUANDO É OFENSIVO. QUANDO CHAMAMOS ALGUEM DE PRETO, NEGRO, PORTUGA BRINCANDO NÃO É NADA DEMAIS. Vejam o presidente Lula chama dona Marisa de GALEGA e não é ofensa. Os que se dizem negros(não existem mais negros e brancos puros no Brasil)deviam orgulhar-se de serem chamados negros, negão, neguinho. DEVEM ACABAR COM FRESCURA DE SEREM SEMPRE OS PERSEGUIDOS OS COITADINHOS. TODOS SOMOS IGUAIS JURÍ;DICAMENTE. Se alguem lhe prejudicar, vá para justiça que ela lhe dará seus direitos. SÓ NÃO DEVEMOS IMAGINAR QUE SOMOS UMA SOCIEDADE PERFEITA. TEMOS QUE AJUDAR A APERFEIÇOÁ-LA. E DEIXAR DE FRESCURA, DE FRESCURA.DIGO DE FRESCURA! A VIDA ESTÁ AÍ PARA VIVERMOS E SER FELIZES. MESTIÇOS, CAFUZOS MULATOS, MAMELUCOS,NEGROS, ÍNDIOS, BRANCOS E TODA ESSA RAÇA MISTURADA.

PermalinkPermalink 17.04.08 @ 08:00



Comentário de: Luiz

É óbvio que existe racismo no Brasil; afinal existe no mundo todo. Todavia, o que me parece também bastante claro é que, apesar disso, o Brasil talvez seja o país que melhor soube integrar as diferentes raças.
Palpitante, aliás, o tema em questão, pois nos últimos anos tem havido certo equívoco por parte das autoridades brasileiras.
A discriminação positiva é uma política de estado que já foi superada há algum tempo: afinal discriminação, positiva ou não, é discriminação! No entanto, alguns governos pouco inspirados insistem em revisitá-la.
Essa estratégia mal calculada (ou não) provoca conflitos desnecessários na sociedade e, além de não resolver o problema do preconceito, amplifica o problema do racismo.

PermalinkPermalink 17.04.08 @ 09:03



Comentário de: Gilson

Racista no Brasil, é quem nunca estudou história e não sabe que temos sangue misturado de todas as "raças" - falar em raça me lembra animais, quando perguntamos de que "raça" é este cachorro, gato, cavalo - eu não sou nem acho que seres humanos sejam animais... ou melhor existem seres humanos "animais" ... os racistas.

Abraços

PermalinkPermalink 17.04.08 @ 10:11



Comentário de: Luiz

Caro Alex,
Acho que seu comentário (16.04.08 @ 15:49) talvez mereça um reparo.
Perante a lei, todos somos iguais. Nesse aspecto ela é bem clara.
Isto não significa, no entanto, que essa igualdade normativa implique numa igualdade real. Trata-se, nesse ponto, de um problema de eficácia da norma e não de validade.
Quanto à sociedade brasileira, concordo plenamente contigo: ela é realmente racista. Na minha opinião, sensivelmente menos racista se comparada a outras sociedades com as quais pude conviver, entretanto racista (Sabe como é, dois errados não fazem um certo).
De qualquer forma, meus parabéns pela discussão!

PermalinkPermalink 17.04.08 @ 10:46



Comentário de: calphalon cookware · http://calphalon.net78.net/

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PermalinkPermalink 05.06.08 @ 01:25



Comentário de: Sarah

Alex,

Concordo plenamente com você sobre a camisa do 100% negro. Já havia discutido esta questão com amigos e acho que o negro tem todo direito de usá-la e o branco, nenhum. Simplesmente pelo fato destas duas raças não terem uma equiparação social. Não podemos tratar de formar igual duas raças que são vistas de forma diferente pela sociedade. Portanto, se um branco usasse tal camisa, seria puro racismo sim! E se um negro a usa, não é. Concordo com você!

PermalinkPermalink 08.10.08 @ 01:01



Comentário de: Leandro S Mascarenhas Ribeiro

"Uma camisa "100% Branco" é de profundo mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia. "100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema".

Estou acompanhando os posts dessa série e estou ai adorando... os comentários dos leitores, como vc já fez bem questao de ressaltar, são praticamente um show à parte! parabéns!! gostei do blog...

mas, so pra vir a antítese, acho que essa sua afirmacao acima, transcrita por mim foi forçada.... é combater o "errado" com o "errado"... é a mesma coisaq que a feminista reclamando do machista.

[]s

PermalinkPermalink 28.02.09 @ 09:56



Comentário de: Arthur Eisenheim

Engraçado o pessoal aqui né... O cara não pode usar uma camiseta 100% negro, pois ele esta "exaltando" sua raça, e pelo que entendi o cara que usa isso, esta sendo preconceituso contra as "outras raças".

Logo pelo que entendi, nesse momento o negro é um igual, ele tem que ser igual a mim, e não usar uma camiseta dessas, ele se quiser ser tratado como igual tem que agir como um igual. E bla bla bla.

Porém os senhores estão esquecendo que na hora do cara ser discriminado numa vaga de emprego, o patrão lá não considera ele um "igual", na hora que o ser azulão começar namorar com sua linda filhinha de olhos azuis ele já não é mais um igual né? Acho que vocês que "acham" errado a manifestação de orgulho racial, de raças realmente vitimas do preconceito, deveriam reavaliar seus conceitos e serem justos. Pois se for pro cara ser igual, que seja igual em tudo.

Por gentileza se alguém responder esse tópico me manda um email avisando, é rapidinho 1 minuto só.

punk.leste@hotmail.com

PermalinkPermalink 18.06.09 @ 01:43



Comentário de: Camila

aaaaaai!!
Quanto comentários racistas!!! Que nojo, que nojo, que nojo...

Como você aguenta respondê-los, Alex???
Eu mandava tudo se fuder!!!

PermalinkPermalink 26.10.09 @ 22:19



Comentário de: Camila

¬¬ Que é o imbecil que tá confundindo feminismo com machismo??

Oh, é claro que uma mulher lutando por direitos femininos - fim de violência doméstica, date rape etc - é igual a um cara que trata as mulheres como objetos que existem só para servirem sua libido e que não possuem metade da sua capacidade, não é???

...ignorância e burrice deveriam conhecer limites.

PermalinkPermalink 26.10.09 @ 22:22



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
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  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
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  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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