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Ser da Raça Certa (Parte I de IV)

Ontem, eu disse:

Quem tem a raça certa e está do lado de cá do racismo nunca sentiu isso na pele, mas poderia pelo menos fazer o esforço de *tentar* entender.

E vocês me perguntam: o que é ser da raça certa?

 Racismo na História do Brasil: Mito e Realidade  Psicologia Social do Racismo

Assim como rico de verdade é aquele que não sabe quanto dinheiro tem, ser da raça certa é ter a opção de não pensar em raça: é viver sua vida como se você fosse apenas o Zé ou Felipe, um economista ou um advogado: não um "negão", um "japaguaio", um "baiano".

Ser da raça certa é nunca pensar na sua raça como raça. Quem tem raça são as minorias, os negros, os japoneses, os índios. Você, não.

Não estou nem falando apenas sobre raça: ser da raça certa é nunca ser "o outro", mesmo que esse outro não seja racialmente determinado: não ser judeu, preto ou japonês, mas também não suburbano, caipira ou nordestino.

Ser da raça certa é fazer parte do grupo que está dentro, não do que está fora, olhando pelo vidro, com cara de pidão.

* * *

Ser da raça certa é nunca ser *interpelado* racialmente.

 Aparelhos Ideológicos de Estado  Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Sem entrar em altusserianismos, eis o que diz o Houaiss:

1. Dirigir-se a (alguém) com alguma pergunta ou pedido de explicação, em tom confrontativo. Ex.: interpelou-o sobre sua atitude omissa. 2. Intimar a prestar declarações, a dar esclarecimentos, em tribunais, cortes, parlamentos etc. Ex.: o Congresso interpelou o ministro das finanças

Na sala de aula de Joinville, ninguém pergunta ao menino loirinho de olhos azuis de onde ele é. Vai ver ele até não é dali, mas isso não importa: visualmente ele faz parte do grupo dominante. Ou seja, é normal - mesmo se vier de fora. Já um menino que pareça filho da Marcelia Cartaxo com o Gero Camilo vai ter sempre que dizer "de onde é", mesmo que tenha nascido ali, mesmo que sua família esteja em Joinville há três gerações.

Não estou querendo dizer que a pergunta "de onde você é" seja racista, mas ela é, por definição, excludente. Mesmo quando perguntada super na boa, com o maior carinho, o que a pergunta está fazendo é identificar o outro como "aquele que não pertence ao nosso grupo": "você, que tem uma cor diferente, um sotaque estranho, uma outra religião, de onde você é?"

Em Cuba, eu fiz o máximo para me passar por nativo. Tinha o mesmo biotipo e vestia as mesmas roupas. Entretanto, mesmo quando ficava calado, era uma derrota quando um cubano identificava em mim "o outro" e me perguntava amigavelmente de onde eu era. Tudo o que eu mais queria era nunca ouvir aquela pergunta. Por outro lado, quando estou na praia de Ipanema, tomando coco e aplaudindo o pôr-do-sol, de shorts e chinelos de dedos, e comentando que neguinho é sinistro, ninguém nunca veio me perguntar de onde eu era.

Quem faz parte do grupo dominante não precisa nunca explicar a si mesmo ou sua presença naquele ambiente: ela é um dado. Só quem é de fora, quem é da raça errada, precisa constantemente justificar sua existência: meus avós vieram da Paraíba na década de 50, etc.

Parece pouca coisa mas não é. Passar toda sua vida, em sua própria terra, explicando porque sua cor, seu sotaque, sua religião não são iguais a de todos os outros coleguinhas é o tipo da coisa que pode ou esmagar a alma de uma pessoa ou revoltá-la para sempre.

Update - Comentários que Merecem Fazer Parte do Post

E as vítimas são vítimas duas vezes, uma por serem, coletivamente, e não individualmente, inseridas num conjunto de estereótipos detratores e humilhantes ao longo da história, e agora por serem burras, inseguras, etc. Valha-me deus nosso senhor do bonfim, alguém salve essas almas "esclarecidas" que comentam aqui. Ou uma boa sessão de blue eyes, quem sabe. (Juliana)

(Amanhã... ser da raça errada é ser uma raça antes de ser uma pessoa... as camisetas "100% negro" e "100% branco" são igualmente racistas?... branquelo é xingamento?)

 Racismo: a Verdade Dói. Encare

* * *

Leia todos os posts dessa série:

Usos do Nego
Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Ser da Raça Certa I: Você É da Raça Certa?
Ser da Raça Certa II: 100% Branco
Ser da Raça Certa III: De que Cor É o Personagem?
Ser da Raça Certa IV: O Critério Eliminatório

Por favor, ajude a divulgar essa série. Se for linkar, linque todos os posts.

* * *

Essa série co-escrita por, debatida e articulada com, reescrita e revisada por Lulu - que, como todos sabem, sou eu. Vale muito a pena ler o outro blog dela - ou seja, meu.

* * *

Se gostou dessa série, recomende o blog aos amigos que possam gostar - não as amigos que dizem que pobre tem que ser desinsetizado, por favor! Se gostou de verdade e quiser ajudar, clique nos links desse post e compre alguma coisa lá no Submarino. É assim que eu pago as minhas contas. E que Machado de Assis lhe abençoe.

 

15.04.08


Categorias: Comportamento, Cotidiano, Raça

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Brancos Não Tem Raça

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: rodrigot

sei que é dos seus temas preferidos, motivos de estudos pro livro novo e tal... mas tá particularmente muito boa a forma que vc tem articulado e encadeado posts e comentários essas últimas semanas. obrigado.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 02:42



Comentário de: Alex Castro Email

putz, muito obrigado, faz um bem danado ouvir isso!

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 02:52



Comentário de: uma pessoa aleatória · http://aleatoriando.blogspot.com

isso me lembra uma frase que eu li recentemente algures: "ser pobre é não sentir-se parte do Todo".

o que explica por que as raças consideradas 'minoria' costumam ser socialmente marginalizadas.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 06:03



Comentário de: Norrin Kurama

Acho isso uma generalização exagerada demais. Eu tinha uma colega de sobrenome alemão, que era "a loura" da sala Quando se perguntava daonde ela era (era de Santa Catarina) não via isso como "da raça errada". Apenas como alguem que se destacava um pouco.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 08:09



Comentário de: Breno Kümmel

Passar a vida toda se explicando é horrível? Passei minha vida toda explicando como se pronuncia meu sobrenome (Químeu) e isso nunca me traumatizou. Acho que só ser diferente não é o bastante...

Se bem que odeio quando me perguntam se eu jogo basquete. Mas talvez seja porque QUASE TODO MUNDO me pergunta isso e eu odeio esporte.

E já me adiantando, quem acha que 100% branco e 100% negro são equivalentes tem que ler um pouco de Bakhtin.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 09:27



Comentário de: andré

"E já me adiantando, quem acha que 100% branco e 100% negro são equivalentes tem que ler um pouco de Bakhtin."

acho esse tipo de argumento muito cretino.

é como dizer "olha, eu não sei porquê tenho esta opiniao nem como defende-la, mas vai lá ler esse cara que foi ele que me convenceu".

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 10:10



Comentário de: andré

Alias, é mais que isso.

Esse tipo de argumento, além de tudo, é absurdamente arrogante. Diz se alguém não tem a mínima opinião que voce é porque /com certeza/ não se informou o suficiente sobre o assunto. Só discorda mesmo quem não leu os mesmos autores que tu.

Ou seja, além de não acrescentar nada à discussão, é um argumento que mostra que voce é arrogante e não sabe defender suas próprias idéias. Dá pra ficar pior que isso?

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 10:17



Comentário de: Alex Castro Email

hmmmm, eu leio baquitin e nao entendi.... explicaí breno

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 10:21



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

"Passar toda sua vida ... explicando ... é o tipo da coisa que pode ou esmagar a alma de uma pessoa ou revoltá-la para sempre."

Só se o cara tiver um déficit de inteligência e bom-senso.

Eu, q sou uruguaio, passei a vida toda explicando a brasileiros típicos q não sou alemão nem descendo de alemães, q meu sotaquezinho não é gaúcho, ouvindo gente melhor informada me chamando de "cisplatino", "cucaracha" e "foragido", e chamando meu país de "cocozinho" (cagado pelo Brasil, claro).

Pergunta se eu ligo.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 11:12



Comentário de: Israel Vilas Boas · http://mutuca.wordpress.com

Alex,
Quem se traumatiza com isso se encaixa naquelas pessoas de quem você não gosta, os inseguros.

Sempre que eu viajo e percebem que não sou dali me perguntam de onde eu sou. Quando eu respondo, eu estou justificando a minha existência? Ou explicando? É como no tribunal, quando alguém alega estar drogado quando cometeu um crime e o juiz reduz um pouco a pena dizendo que as drogas explicam, mas não justificam o ato. Acho que é a mesma coisa.

Você diz que a pergunta "De onde você é?" é por definição excludente, mas ela pode ser incluente - não sei se esta palavra existe - também. Quando me perguntam de onde eu sou, isso mostra claramente que eu não do grupo - já que cheguei agora - mas também é um convite para ser dele. Assim que eu digo: "vim de tal lugar, estou fazendo isso ou aquilo" Aquela pergunta que você diz ser excludente me deu a oportunidade de me mostrar, como eu sou e minhas intenções e como você mesmo disse, a oprtunidade de atrair os meus iguais - em personalidade, em interesses e por quê não, os do mesmo lugar que eu.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 11:43



Comentário de: Breno Kümmel

Bakhtin diz que todo enunciado está inserido em um contexto histórico e social. As palavras, portanto, não têm correspondência "pura e direta" aos objetos e conceitos, e sim passam por toda a ideologia social corrente durante toda e qualquer comunicação.

Uma pessoa com a camisa 100% negro não quer dizer "estou afirmando que minha descendência é inteiramente africana", e sim é um enfrentamento, do tipo "a sociedade diz que eu deveria esconder o fato de ser negro, mas estampo isso na minha camisa porque não tenho vergonha disso". Por isso que um negro com avô branco não necessariamente estaria mentindo usando a camisa, porque não se trata da correspondência lógica que o enunciado teria ("100% negro", isto é, nem 1% branco) e sim de afirmar a sua raça num contexto em que ele deveria escondê-la ou pelo menos "atenuá-la", não chamar atenção para esta.

A mesma coisa com "orgulho gay". Não necessariamente a pessoa está dizendo "ainda bem que sou gay, não agüentaria ser heterossexual", e sim "a ideologia dominante diz que eu deveria ter vergonha de ser gay, e eu discordo inteiramente...".

Uma pessoa com a camisa "100% branco", está dizendo "não sou negro" em uma sociedade em que ser negro é uma coisa ruim, algo a ser sempre atenuado para "moreno", ou pior, "escurinho". O enunciado então toma um ar de "ainda bem que não sou negro", ou, pior, numa sociedade em que a mestiçagem é relativamente generalizada, pode ser interpretado como "sou puro, minha família não se sujou com índios ou negros".

Claro que a coisa não é tão definida assim. Pode acontecer do homossexual realmente ter orgulho de ser homossexual. Cada caso é um caso, ou como disse um colega meu "porra, bakhtin acabou com todas as minhas certezas".

A questão é que branco e negro é muito mais do que pigmento de pele. Tudo existe de forma conectada ao passado e a tudo que está acontecendo no presente. O isolamento é impossível. Nunca é "só isso".

Isso é na verdade mais ou menos o que o Alex vive reclamando de "pessoas ficarem lendo o que ele não escreveu". Isso acontece porque todo o texto sempre tem mais do que estritamente foi escrito. Os enunciados estão inseridos dentro de um contexto, de um embate interminável entre discursos.

---

Acho que o Alex está relativamente certo nessa coisa de ser "o outro", o "de fora", mas exagera um pouco. Nem sempre é ruim ser "o outro". Durante a infância tende a ser, (nas escolas tudo que é diferente vira apelido e piadinha), mas dependendo do contexto pode ser bom. A mulher linda num lugar onde só tem mulher feia definitivamente se destaca, e isso pode vir a ser bom pra ela (quem não conhece os favorzinhos "desinteressados" que nunca são recompensados?).

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:21



Comentário de: Alex Castro Email

"Bakhtin diz que todo enunciado está inserido em um contexto histórico e social."

Breno, excelente comentario mas, sei lá, eu não diria que Baquitin falou isso. Me parece meio óbvio até. Ele foi o primeiro a dizer isso? me parece dificil, mas realmente nao sei...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:30



Comentário de: Breno Kümmel

"é como dizer "olha, eu não sei porquê tenho esta opiniao nem como defende-la, mas vai lá ler esse cara que foi ele que me convenceu"."

Isso, aliás, foi um ótimo exemplo do que eu disse. Eu sei o porquê de eu ter esta opinião e sei defendê-la, só estava com preguiça de escrever a explicação (que é meio grandinha mesmo quando grotescamente resumida, como se pode ver aí em cima).

Você viu o meu enunciado e achou que eu estava "tirando onda", tentando me colocar acima dos que não leram bakhtin (algo do tipo "não sou um desses incultos idiotas"), como não é incomum de se ver quando alguém faz alguma referência a algum filósofo ("eu li nietzsche, você não, olha como sou melhor do que você").

Não era minha intenção, mas você logo enquadrou o meu enunciado dentro do discurso dos pedantes, algo que é apenas natural. Não posso pretender que meu enunciado "quem acha isso precisa ler Bakhtin" aí em cima seja apenas uma recomendação, porque ele está carregado de significados que dizem respeito ao contexto. Pessoas do meio acadêmico (de onde veio o Bakhtin) freqüentemente são pedantes, então não é um pulo enorme assumir que eu estava só sendo pedante e só comentei pra dizer que eu sou foda e não para acrescentar à discussão.

(acho que estou ficando prolixo, vou parar por aqui).

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:30



Comentário de: Alex Castro Email

Permafrost,

o fato de vc, individualmente, nao se importar invalida ALGUMA COISA do que eu falei?


PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:31



Comentário de: Alex Castro Email

bem, todo mundo deveria ser baquitin. eu leio esse puto e saio feliz, eletrificado, com vontade de escrever. eh impressionante o efeito q ele tem em mim...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:32



Comentário de: Breno Kümmel

É, eu sei que "todo enunciado está inserido em um contexto" é meio óbvio, mas você ficaria surpreso o quanto as pessoas não sabem disso ou não levam isso em consideração. Tanto é que eu tive que explicar que 100% negro não corresponde de forma direta a 100% branco. Já tive vários amigos falando "pô, vou fazer uma camiseta 100% branco, se 100% negro pode, 100% branco também pode". Claro que acho que não seria um crime de racismo (de ir pra cadeia inafiançavelmente e tudo mais), mas seria simplesmente insensível.

O que o bakhtin faz é levar isso ao extremo, pra ele tudo é relativo e contextualizado. Ele critica Freud porque o "charlatão de Viena" (nas palavras do Nabokov) assume que as idéias dele são completamente universais, que todas as mulheres em todas as culturas tem os mesmos complexos, quando na verdade a experiência de "ser mulher" na sociedade ocidental é totalmente diferente do que é em uma sociedade matriarcal, por exemplo.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:35



Comentário de: Alex Castro Email

breno, deixa eu me corrigir. na verdade, nada eh obvio, claro. o arco e flecha parece obvio mas foi uma revolucao maior que a bomba atomica. tudo tem que ser dito pela primeira vez. o que eu quis dizer eh que esse conceito hj obvio que vc atribui a baquitin me parece bem mais antigo q ele....

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:37



Comentário de: Breno Kümmel

É, o Bakhtin é meu herói também, Alex. A biografia dele escrita pela Katerina Clark e o Michael Holquist está entre as leituras que mudaram minha vida. Recomendo.

Diz na biografia que os alunos que se matriculavam nas aulas dele na universidade reclamavam que tinham que chegar uma hora mais cedo, porque senão não tinha como entrar na sala, de tantas pessoas que iam assistir sem estar matriculadas.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 13:43



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

"o fato de vc, individualmente, nao se importar invalida ALGUMA COISA do que eu falei?"

Invalidar, não invalida. Mas demonstra q vc deveria qualificar such sweeping statements como:

"Só quem é de fora ... precisa constantemente justificar sua existência ... Parece pouca coisa mas não é ... pode ou esmagar a alma de uma pessoa ou revoltá-la para sempre"

Em minha opinião, vc poderia qualificar assim: "Esse é o tipo de coisa q pode ou esmagar a alma de uma pessoa insegura, pouco inteligente, sem bom-senso e sem um talento compensatório, ou revoltá-la para sempre ou pelo menos até qdo aprender a dar a volta por cima e se impor através de suas qualidades individuais."

Sim, pois essa é a questão, não? Ou seja, a pessoa incomodada "se ofende" individualmente e não coletivamente. Se ela diz q "nego" ofende toda uma coletividade, está usando de um artifício retórico, pois ninguém pode representar individualmente uma inteira e complexa coletividade. Um incomodado ou um grupo de incomodados pode se declarar representativo, mas qqer outra pessoa teoricamente desse mesmo grupo pode muito bem gritar, "Devagar aí, cara-pálida. Não me represente." :)

No momento, tou concordando com o Carlos q comentou no outro texto: na questão do racismo, tua estadia nos Euá parece estar te colocando minhoca na cabeça: vc passou a confundir 'ofender' e 'incomodar'.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 17:40



Comentário de: monica · http://www.mozinha.com

CARALHO, gosto muito dos seus textos, do seu modo de pensar e como o coloca pra fora. Sempre claro, real e melhor, sem pudor e medo. É sempre um ENORME prazer vir aqui, e sair com seu link distribuindo pros amigos dizendo: Amo esse blog. E sempre ouço de volta: Que máximo, muito bom.

Parabén, Alex.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 17:56



Comentário de: Tatiana · http://www.desvairiosmentas,blogger.com.br

Enquanto você diz que chamar a atenção por ser diferente da maioria é uma forma de discriminação (no mau sentido da palavra), eu chamo isso de "diferenciação". Ser diferente e chamar a atenção por isso não significa ser oprimido nem "ter a alma esmagada ou se revoltar para o resto da vida".
Sou branquinha, loira de olhos azuis e morei cinco anos em Goiânia, terra em que a maioria esmagadora da população é composta por nortistas, nordestinos e descendentes de índios, e sempre ouvi a pergunta "de onde você é?". Isso jamais foi interpretado por mim como algo ofensivo ou discriminatório. Muito pelo contrário, para mim revela o interesse natural do ser humano em conhecer o que é diferente.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 18:00



Comentário de: Juliana

E as vítimas são vítimas duas vezes, uma por serem, coletivamente, e não individualmente, inseridas num conjunto de estereótipos detratores e humilhantes ao longo da história, e agora por serem burras, inseguras, etc. Valha-me deus nosso senhor do bonfim, alguém salve essas almas "esclarecidas" que comentam aqui. Ou uma boa sessão de blue eyes, quem sabe.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 18:20



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Juliana, se vc algum dia estiver em outro país, e for chamada de "barata" e teu país for chamado de "cocozinho" na tua cara, e vc *NÃO* der uma gostosa gargalhada (como faço eu), então vc não se valoriza acima das palavras. Acho q nunca vamos concordar eu e alguém q chama de "vítima" uma pessoa q "se ofende" qdo ouve o inespecífico "nego" numa frase solta.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 18:42



Comentário de: Juliana

Permafrost, a gente está falando de um pessoa que por acaso se ofende com uma palavra solta ou de racismo? Ou você quer diminuir a importância da questão porque?

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 18:44



Comentário de: Alex Castro Email

perma,

eu não me ofendo com nada. Em cinco anos de blog, deus sabe que já tentaram quase tudo. Mas o fato de eu não me ofender não quer dizer que eu não reconheça os insultos como insultos, e que não entenda quem se ofenda.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 18:54



Comentário de: Juliana

Ou em que ponto da história Trabalho de Uruguaio, Cabeça de Uruguaio, Cor de Uruguaio, boca, nariz, cabelo de uruguaio, Fanatismo Uruguaio, ou quem sabe uruguaiar foram usados como insulto? É muito fácil não se ofender quando se está numa posição de poder- econômico, intelectual ou legal igual ou superior. Toda relação de agressão é uma questão de poder, a questão aqui é justamente quando não é uma briguinha de escola, mas de se impedir o crescimento, o desenvolvimento, o bem estar do outro. Sim, eu acho especialmente cruel dizer que além de tudo, agora quem se ofende é burro e inseguro. É como dizer que a vítima do estrupro pediu para ser estuprada porque estava de mini saia. É vil.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 18:58



Comentário de: Alex Castro Email

"Sou branquinha, loira de olhos azuis e morei cinco anos em Goiânia, terra em que a maioria esmagadora da população é composta por nortistas, nordestinos e descendentes de índios, e sempre ouvi a pergunta "de onde você é?"

Tatiana, eu morreria feliz se esse texto conseguisse transmitir uma única coisa: que ser a única branquinha, loirinhas de olhos azuis (o paradigma da beleza dentro da raça dominante da civilização dominante) num grupo de marronzinhos NÃO É a mesma coisa que ser a única neguinha, de olhos escuros e cabelos pixaim, no meio dos brancos.

Se eu conseguir que um único branquinho que seja tenha a *sensibilidade* de se colocar no lugar do outro e *tentar* (só tentar, não precisa nem conseguir) entender como é, as horas que perdi já terão valido a pena.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 19:00



Comentário de: Juliana

E desculpem-me os typos, é a correria mesmo.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 19:07



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Juliana, estamos falando de "pessoas q se ofendem com uma palavra solta" sim; o papo começou pq um euaense implicou q usar a palavra "nego" é racista; o Kitagawa sugeriu q quem define a ofensa é o ofendido; aí o Alex tomou emprestado dos Euá toda aquela lenga-lenga sobre "nigger". Mas como já se comentou aqui, racismo é crime no Brasil. Logo, se vc considera q "nego" é racista, então está propondo o ABSURDO q o uso dessa e de outras palavras é crime, qdo seria muito melhor pra todos os negros e todos os vocabulariamente discriminados se eles simplesmente gargalhassem e continuassem comprovando seu valor intrínseco com seu auto-crescimento, e esfregá-lo na cara dos verdadeiros racistas.

O racismo tem ibope demais. Há preconceitos muito mais fortes, insidiosos e destrutivos do q o racismo.

tinyurl[dot]com/5vmu35
tinyurl[dot]com/6yqy5p

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 19:14



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Alex,

Note q aquilo q anteriormente seria classificado no Brasil como "incomodado", passou a ser chamado (por influência dos Euá;) de "ofendido", e agora, nesse comentário vc já está falando de "insulto".

Hm...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 19:18



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Alex,

Vc também tá mudando teus parâmetros ad hoc segundo a conveniência. Nessa resposta à Tatiana, vc contradiz o q disse no próprio artigo:

"Não estou nem falando apenas sobre raça: ser da raça certa é nunca ser "o outro", mesmo que esse outro não seja racialmente determinado: não ser judeu, preto ou japonês, mas também não suburbano, caipira ou nordestino.

...

Ser da raça certa é nunca ser *interpelado* racialmente."

Mas aí, prà Tatiana, vc diz:

"ser a única branquinha, loirinha de olhos azuis ... num grupo de marronzinhos NÃO É a mesma coisa que ser a única neguinha, de olhos escuros e cabelos pixaim, no meio dos brancos"

¿Por que não fala logo: branco é sempre "a raça certa" em qqer lugar e negro é sempre "a raça errada" em qqer lugar?

¿Quem está sendo racista, afinal? ¿Quem está dizendo q é melhor ser branco do q negro em qqer lugar e situação?

Aha, sai dessa agora, nego. :)

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 19:27



Comentário de: ana

Permafrost, vc está confundindo causa com consequencia, e como a Juliana disse, essa tipo de raciocinio pode levar a coisas como culpar uma mulher por ser estuprada, ou uma pessoa qualquer por ser assaltada. Insegurança não é causa de alguma coisa, é consequencia, consequencia de uma historia de vida inteira sendo rebaixado, consequencia de ser visto como estranho, errado, nojento desde uma época em que não se tem capacidade de lidar com isso. Em lembro de uma vez que estava na sala de espera do médico e tinha uma senhora, super simpatica comigo, ai chegou uma menina linda, fofa, de uns 3 ou 4 anos de idade, negra, a senhora passou a olhar para a menina e para mim que brincava com ela com nojo, ignorava a menina e só falava comigo, aos poucos a menina começou a agir mais agressivamente, e mais tristonha. Foi quando eu realmente percebi o que o racismo causava numa pessoa: essa menina não tinha condições de saber que aquilo não era pessoal, e deve ter passado por isso muitas vezes na vida, sem ter maturidade pra compreender que o outro é que estava errado, só podia perceber ser tratada diferente, sentir-se mal, sentir raiva. Isso marca muito uma pessoa, isso pode tornar alguém paranoico, inseguro, triste, raivoso, incapaz de fazer muitas coisas. E veja: pode é um condicional, não é algo que vai necessariamente acontecer assim, mas o Alex usou pode no texto.
Sobre Freud ele nunca entendeu que nem todo mundo cresceu, nem toda mulher experimentou ser mulher na Viena vitoriana, burguesa, machista, reprimida que ele viveu.
Vc fala de ser americano demais, mas está usando um conceito extremamente forte na cultura americana que é da força de vontade, da autodeterminação, e esse conceito ao inves de resolver o problema só cria mais um: uma pessoa que se sente mal por ser diferente, além disso ainda deve sentir-se mal pq isso é culpa dela mesma por não se segura, adianta de que?
Eu sou uma pessoa que mesmo sendo branca, paulista, paulistana, e ter morado em SP minha vida toda, sempre me perguntam de onde eu sou, eu me divirto com isso, me divirto com ser diferente, isso tem seus custos, mas eu posso fingir que pertenço ao grupo, um negro não pode, não tem essa opção, e nunca sabe de onde pode vir um ataque gratuito apenas pq sua pele tem mais melanina...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 19:56



Comentário de: Norrin Kurama

Os negros são frequentemente discriminados. Mas é por serem diferentes, da raça errada, segundo a tese do post, ou por serem negros? Se é por serem negros isso nega a tese deste post específico.

Concordo com o Permafrost, são duas ideias que se excluem, ou ser da raça errada é ser diferente ou é ser negro.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 20:47



Comentário de: Alex Castro Email

nao imagino que seja tao dificil de entender que os negros sao discriminados por serem negros, que é a raça errada por definição no nosso pais, um povo que foi trazido acorrentado e escravizado, humilhado e explorado por anos, e até hoje consistente mais pobres do que qualquer outro grupo brasileiro.

Assim como não há nada de humilhante e coitadinho intrinsacamente em ser nordestino, mas quando ele chega em São Paulo, ele encontra uma carga de preconceito forte oriunda de anos e anos de imigração de nordestinos sendo utilizados em subempregos.

Os negros sao discriminados por ser negros, pois o negro é justamente a raça mais errada desse nosso pobre país.

uma loira em meio a um grupo de negros vai ser A diferente, mas não vai ser humilhada, menosprezada, etc. Ser loira é bom. Loira não tem cabelo ruim. Jesus, quando é pintado nos quadros, é loirinho de olhos azuis. As bonecas com que as criancas brincam sempre são loiras e brancas. É o nosso padrão estético ideal.

A quantidade de preconceito e denegação rasteiros necessarios para se escrever alguns dos comentários que surgem aqui me parece simplesmente inacreditavel.

Mas, realmente, culpar a vitima por ser vitimizada é quase que o cumulo. Estou curioso pra ver se vai ficar pior. Tem mais 3 posts na série, vejamos.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 20:58



Comentário de: Daniela

Bom, vou propor uma outra analogia só para ver o circo pegar fogo.
Estou no Chile, o país mais machista da AL.
Aqui o divórcio foi aceito em 2005, filhos de mães solteiras têm sua condição estampada no nome, entre outras bizarrices.
Eu sempre vejo ou ouço alguma coisa que me lembra disso:
- Sempre que vou ao shopping comprar alguma coisa que não seja roupa, alguém me pergunta onde está o meu marido para pagar a conta;
- Todo mundo se admira de eu trabalhar fora do meu país mesmo sendo casada;
- Já ouvi dezenas de comentários do tipo "proposta indecente" por ser uma mulher brasileira trabalhando no Chile, sozinha.
Se eu entendi bem os comentários do Alex, eu estou do "lado errado", o lado que tem que se justificar a cada momento.
O Alex classifica os comentários entre racistas ou não racistas, como se o racista fosse sempre intencional. Percebo que muitos do teor ofensivo não é intencional, e dificilmente me sinto atingida por um comentário desses.
Agora, quando percebo uma vontade de ofender/magoar/menosprezar (aí vai de cada um - mais ou menos sensíveis), minha reação imediata é desqualificar o comentário e o comentarista (ok, eu não sou flor que se cheire).
Mas acho que vocês estão colocando muito preto e branco em um assunto que tem 16 milhões de cores (literalmente).
Fui.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 21:09



Comentário de: hardy har har

Nem todo mundo vê vítima onde você vê vítima. Portanto, não faz o menor sentido você falar que estão "culpando a vítima por ser vitimizada". Eu diria é que vocês estão inventando crime que não existe.

Sempre lembrando que continuo falando de palavras, somente palavras. Sticks and stones may break my bones etc, sabe? Você mesmo diz que não se ofende à toa, que não se abala com xingamentos, que ninguém consegue te atingir, não é? Por que é que os negros não podem se dar a esse luxo?

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 21:30



Comentário de: ana

Hardy, acho que ninguém ta dizendo que não podem se dar a esse luxo, podem, a questão é que não deveriam precisar, o ser humano não deveria ser obrigado a passar o dia todo racionalizando ou não ligando pras coisas que acontecem ao seu redor, não deveria ser obrigado a ser lembrado o tempo todo que boa parte do mundo acha que ele é um bosta, que acham que é incompetente, etc, etc, etc...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 21:39



Comentário de: ana

O cazzo é que as pessoas esperam que negros, gays, mulheres, qualquer coisa que aquele grupo considere um diferente ruim têm que ser mais estóicos que os resto da humanidade, e caso não sejam, problema deles, culpa deles...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 21:43



Comentário de: Alex Castro Email

nego eh humilhado, sacaneado, preterido em trabalhos, ganha menos, ouve desaforo.... e nao pode nem achar ruim!

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 21:48



Comentário de: Maria

Sobre as camisetas 100% negro/100% branco:

Eu concordo que há uma grande diferença. Mas essa é mesmo a melhor forma de receber igualdade? Se diferenciando? Isso não ajuda somente a ser tratado como mais diferente ainda?

O meio mais fácil de tratarem-te como igual é se diferenciando? Não acredito nisso.

Isso não traz igualdade. Trás compensação. Mas isso não criaria um círculo vicioso?

O desejo é igualdade ou vingança?

PS: Sou negra, só para constar.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 21:54



Comentário de: hardy har har

Ana, não estou falando de estoicismo, não. Você não concebe que existam negros por aí pra quem essas coisas simplesmente não têm essa importância toda? Que realmente não se abalam ao ouvir palavras tortas? Que estão em outra? Estoicismo, pra esses, seria ter que carregar o peso de um passado sofrido e a bandeira do oprimido o tempo todo. Aposto que quem não se abala com palavras é muito mais feliz e produtivo e contribui muito mais ativamente pra queda de vários preconceitos.

É claro que num mundo ideal ninguém jamais seria contrariado, desrespeitado, chateado, nunca. Mas isso é possível? Não. Não sendo possível, o que é mais útil: continuar insistindo pra que ninguém nunca te contrarie ou tirar a contrariedade de letra e seguir em frente?

Eu sou mulher e me considero feminista. Faço coisas que muita gente ainda acha que mulheres não devem fazer. E daí? Eu faço. Vivo ouvindo piadas e opiniões sérias que põem em dúvida a inteligência feminina. E daí? Isso só me faz ver a falta de inteligência de quem falou. Essa postura é de força. A postura proposta aqui é de fraqueza.


PermalinkPermalink 15.04.08 @ 22:17



Comentário de: Maria

As pessoas não são robôs.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 22:28



Comentário de: hardy har har

Eu te devolvo a pergunta, Alex: pra você, um negro pode não achar ruim ouvir desaforo? Ele tem esse direito? Ou todo negro tem obrigações para com a causa?

Você ouve desaforo e se gaba de nem ligar. Você não deseja essa paz de espírito pros outros?

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 22:29



Comentário de: Alex Castro Email

"Eu te devolvo a pergunta, Alex: pra você, um negro pode não achar ruim ouvir desaforo? Ele tem esse direito? Ou todo negro tem obrigações para com a causa? Você ouve desaforo e se gaba de nem ligar. Você não deseja essa paz de espírito pros outros?"

você bebeu? alguma vez eu disse que toda pessoa (qualquer pessoa) deve ser obrigada a sentir isso ou aquilo? cada pessoa lida com sua raça e com os preconceitos que sofre como quer. cada um sabe onde lhe aperta o sapato. conheço negros que dizem nunca ter sofrido preconceito.

a questão é: e daí? o fato de haver negros que lidam bem com isso, que não se incomodam, que não sentem, quer dizer que o problema não existe? ou que os que sentem, em consequência, são inseguros e fracos?

errado é querer legislar os sentimentos dos outros, dizer que todos têm que ser assim, ou os que se sentem assado são fracos ou reclamões.

vc nunca se sentiu vitimizado? parabens. agora, vamos tentar fazer alguma coisa em relacao as pessoas que sao vitimizadas. tem muitas.

se formos por aih, eu vou dizer que o estupro nao eh um problema, e nao deve ser criminalizado, pq afinal eu nunca fui estuprado! e tem mais: essas mulheres que foram estupradas sao uma relcamonas, elas que usassem saias maiores!

a minha pergunta é: em que a existencia de negros que dizem nunca ter sentido preconceito invalida uma virgula do que eu falei?

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 22:41



Comentário de: ana

Hardy, quando se trata de vitimas de abuso, e racismo é um abuso, a primeira coisa a se fazer é reconhecer esse abuso, reconhecê-lo como real, como algo marcante, como algo que existe e muda quem sofre.
Não vou falar das outras fases aqui pq o povo não ia entender, mas não se pode pular fases, elas tem uma ordem necessária, e só com essa ordem é que o problema pode ser resolvido, se vc, como mulher ja passou poor essas fases: ótimo. Mas como se pode ver nos comentarios aqui, não é o que acontece com o racismo, não é o que acontece com todas as pessoas.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 22:43



Comentário de: Alex Castro Email

alias, hardy har har, eu acho muito desagradável me dirigir a alguem que assina um nome como esse e nao deixa email valido. suas colocacoes sao otimas. apesar de eu discordar das suas opinioes, dah pra ver que é uma pessoa articulada e seria, que estah dialogando com o texto e nao está baixando o nivel. dito isso, eu nao consigo, eh mais forte que eu, me dirigir a alguem ou dialogar com alguem que nao deixa email valido e assina um pseudonimo bizarro desses. sinta-se a vontade pra deixar quantos comentarios quiser, sua presenca engrandece o debate, mas se fizer perguntas diretas a mim, eu nao vou responder. se quiser conversar comigo, de pessoa com nome e sobrenome pra pessoa com nome e sobrenome, sinta-se a vontade para me mandar um email ou me adicionar no msn. mas conversar com hardy har har nao dá, serio. o permafrost assina um nome ridiculo, mas eu sei quem ele é, tenho ateh seu telefone, é um grande amigo... abracos, ou beijos, caso seja mulher....

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 22:48



Comentário de: hardy har har

Eu não bebo, Alex. E se eu te fiz uma pergunta, foi logicamente porque você nunca tinha dito aquilo que eu queria saber. Você achou que minhas perguntas eram retóricas? Não eram.

Quanto ao resto do que você escreveu, eu não sei o que pensar, porque tem muito pouco a ver com tudo que eu escrevi ou penso.

Ana, faz sentido. Torçamos pra que a fase de superação chegue o mais breve possível, então.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 23:02



Comentário de: Gustavo B.

Texto realmente muito bom, parabéns. Se os três restantes estiverem à altura, será uma das melhores séries do blog.

E os comentários estão um espetáculo à parte. Nao li todos por absoluta falta de tempo. Na verdade nunca li, mas, se tivesse rss, assinaria só para acompanhar essa discussão. Estou grasping o estado atual do racismo e preconceito em geral de uma forma que nao conseguiria através de nenhum trabalho/obra/whatever.

Me assombra a incapacidade das pessoas se colocarem no lugar das outras. Eu nao preciso ser mulher para entender as dificuldades que enfrentam habitualmente, em especial no trabalho. Por isso mesmo, esperava uma compreensão/identificação infinitamente maior da ala feminina.

Exagerando na analogia, alguns comentários parecem o de um rei falando "Nunca me senti discriminado!".

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 01:05




alex, tenho lido os posts mas ainda não tinha fuçado nesses comentários. céus, parece que a inteligência na maioria dos comentários está inversamente proporcional à inteligência dos posts! cacete, quem é burro não entende que não entendeu. obrigada pela paciência e continue sempre... hahaha
("esmagar a alma", que belo jeito de colocar a coisa.)

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 01:41



Comentário de: Priscila

Oi Alex ^_^
Eu sou loirinha, de olhos azuis, e nasci no sul, o que me faria ser da "raça certa" no "lugar certo", segundo o contexto histórico do nosso país. Mas eu já me senti vitimizada sim, mesmo com esse histórico, pois como afirmei em comentário no post anterior sobre o tema, sou descendente de poloneses (ou seja, sou chamada de "polaca", raça que apesar de clarinha é considerada inferior por descendentes de alemão, por exemplo). Já ouvi muitos comentários pejorativos a respeito da minha descendência (polaca azeda, tinha q ser polaco, coisa de polaco, cor de polaco), mesmo por parte de parentes do meu ex-namorado, descendente de uma família alemã orgulhosa de suas origens "puras". Da mesma maneira, já fui chamada de 'polaquinha" ou "galega" de maneira carinhosa, e mesmo por isso acredito que a intenção de quem fala EM CONJUNTO com a sensibilidade de quem escuta é o que define o verdadeiro racismo. Mesmo que a pessoa não se ofenda ao ser chamada de "neguinho", se o termo tiver sido utilizado de maneira a generalizar um comportamento como sendo inerente à raça referida, é racista.
Sei que o preconceito que já sofri por ser "polaca" (não, geralmente não me incomodo com os comentários a não ser que perceba maldade neles...) nem se compara a magnitude do preconceito velado à raça negra no Brasil e no mundo. Já fui ao nordeste, e realmente, uma pessoa branca recebe de uma maneira geral tratamento muito melhor do que um nordestino receberia aqui no sul do país. Só quis relatar minha experiência para que algumas pessoas percebam que um branco pode sim sofrer preconceito por ser de determinada descendência branca não tão "adequada" ao meio quanto outras.
Quis tb colaborar para esse debate tão interessante que tenho acompanhado atentamente nos últimos dias...
Bjs ^_^

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 03:33



Comentário de: Alex Castro Email

priscila, a brancura tb eh complicada. na europa, por exemplo, portugueses e espanhois (os nossos brancos!) sao vistos como praticamente mulatos...

mas alguém falar de preconceito racial contra negros e uma loira de olhos azuis se levantar e contar das suas dificuldades de ser "polaquinha" é como alguém perder um filho e eu consolá-lo dizendo, "sei como é isso, eu já quebrei o braço uma vez..."

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 03:50



Comentário de: hardy har har

Gustavo B., só pra esclarecer: sou mulher e já me senti discriminada várias vezes, e obviamente reconheço que trocentas outras classes de pessoas são discriminadas pelos mais variados motivos. O que estou propondo é que é melhor lidar com a discriminação impondo seu valor pessoal e individual no dia a dia - um + um + um + um são muitos - do que parar a cada ofensa percebida pra lamentar e reclamar e invocar todas as ofensas passadas.

Também me assombra a incapacidade das pessoas de se colocarem no lugar dos outros. Existem várias formas de se pensar e agir. Não é um cabo de guerra com dois lados só.

Aliás, vocês deviam ser mais claros e falar "me assombra a incapacidade das pessoas de se colocarem no lugar dos negros". Sim, porque todas as outras queixas de discriminação ouvidas aqui até agora foram imediatamente desdenhadas. É ou não é pra reconhecer a razão do ofendido? É ou não é pra se colocar no lugar do outro?

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 09:24



Comentário de: Permafrost · http://tripaforra.blogspot.com

Juliana,

"a questão aqui é justamente quando não é uma briguinha de escola, mas de se impedir o crescimento, o desenvolvimento, o bem estar do outro"

Moro no Brasil há quase 50 anos ["ah, então já é brasileiro, né?"] e ouvi essas coisas sobre minha uruguaidade durante todos esses quase 50 anos. Semana passada, um colega músico tirou sarro da Província Cisplatina; antes de ontem (aliás, o q me motivou a escrever aquilo) o zelador de meu prédio, q conheço há menos de 5 meses, bateu à minha porta e disse, "Ô alemão, tem uma coisa aqui pra vc assinar." O zelador é mulato (talvez curiosamente, todos q me chamam de 'alemão' são negros ou mulatos ou outros mestiços) e com certeza nunca lhe passou pela cabeça q eu talvez não goste de ser confundido com alguém de um país q iniciou duas guerras mundiais, causou milhões de mortes inúteis e engendrou alguém como Hitler. Não é esse o caso, mas ¿e se fosse?

E ¿de onde vc tirou q um preconceito contra minha uruguaidade não foi obstáculo a meu "crescimento, desenvolvimento e bem estar"? Eu continuo tão pobre como era qdo fui parido. Se os negros podem falar de "atos de discriminação disfarçados", isto é, sem evidências, ¿por que é q eu não posso tbm atribuir meus insucessos a atos de discriminação disfarçados? [aliás, eu sempre suspeitei; basta eu dizer q meu sotaquezinho não é de gaúcho mas de uruguaio q já vejo o rosto de quem me indaga formular a pergunta "então, ¿o q é q vc está fazendo aqui?"; as pessoas mais espontâneas chegam mesmo a perguntar em voz alta; minha resposta é gargalhar e dizer "eu moro aqui"]

Tem mais, ¿só o negro tem passe livre pra se traumatizar com "briguinhas de escola" (como vc colocou)? ¿Q dizer do índio, q mencionei aqui e foi sumariamente ignorado como SEMPRE foi durante toda a história do Brasil, desde muito antes de os negros chegarem? O Alex diz q "o negro é justamente a raça mais errada desse nosso pobre país"; e apesar de eu repetidas vezes ter citado o índio, ninguém nem tchuns. Claro: toda esta conversa é mais uma importação de termos e prioridades dos Euá, e lá não tem índio "brasileiro", tem? Então.

As pessoas nunca sequer notam o abominável insulto na expressão índio "brasileiro". Perto disso, "nego" é só uma piadinha.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 13:34



Comentário de: Gabi

Concordo com o Permafrost. Pros índios tá todo mundo se fodendo. Tem que preservar a culturinha, gente. Tem que tratar feito neném. Os negros só puderam se erguer, se miscigenar e agora bater panela reivindicando as coisas porque ninguém os tratou como nenenzinhos. Muito pelo contrário, foi bem "te vira aí, nego". Agora, os indiozinhos? Até hoje vistos como burrinhos, incapazes, inassimiláveis - ou o raciocínio contrário, que é um pecado assimilá-los, porque senão vamos matar aquela cultura toda bonitinha.

Se eles pudessem ser integralmente assimilados à nossa cultura como foram os negros, vocês iam ouvir um chororô que faria esses posts todos aqui parecerem piada de mau gosto. Porque pelo menos ia ser um chororô que faz sentido.

PermalinkPermalink 16.04.08 @ 20:03



Comentário de: Gustavo B.

hardy har har,

O que você diz no primeiro parágrafo, por coincidência, é basicamente o que conclui o Doutor Plausível no post de hoje (http://drplausivel.blogspot.com/2008/04/o-racismo-entre-aspas.html).

Creio que exista uma falha nesse raciocínio. E também uma... chamarei de idéia ingênua, por falta de termo melhor. A falha é que, em especial para os negros, não há como impor seu valor pessoal por absoluta falta dele, em grande parte decorrente da falta de ferramental necessário. Embora não me considere negro, em parte por ser avesso à rótulos, em parte porque, em uma cidade negra como Salvador, não sou o que pode se chamar de negro. Talvez moreno um pouco queimado, como diria Jorge Amado. Mas a questão é: eu sequer estaria lendo e comentando neste blog, se não tivesse a sorte de nascer em uma família com mais recursos que a média das famílias negras, pois teria estudado em escolas públicas, sem acesso a meios de me desenvolver, com outra visão de mundo e objetivos de vida. Ou seja, no final it all comes down to ser pobre ou não. E os negros, em sua maioria são pobres, devido, entre outros fatores, a um fato citado pelo próprio Doutor Plausível: "A quase totalidade dos negróides brasileiros são descendentes de escravos. Isso pode parecer um dado importante no desenvolvimento coletivo dos negros brasileiros após a abolição – pois com a abolição o q o governo fez foi dizer, "OK, agora q vc é livre, se vira sozinho; não temos mais nada a ver com teu bem-estar"."

A ingenuidade, decorrente da opinião acima, vem da idéia de que basta prover igualdade de oportunidades para que todos mostrem do que são capazes, sem considerar a necessidade de uma instrumentação física e mental mínima.

Quanto ao vocês do seu último parágrafo, eu passo adiante :), pois em nenhum momento desdenhei qualquer queixa de discriminação, acho todas válidas, apenas com pesos e impactos diferentes. Acho que a tendência das pessoas é falar dos negros por ser a maior população e a mais prejudicada. Não vi esse último censo , mas acredito que mais da metade deve ter se declarado negro ou pardo.

PermalinkPermalink 17.04.08 @ 23:07



Comentário de: Priscila

Oi Alex, concordo com vc, por isso mesmo inseri no meu comentário o
"Sei que o preconceito que já sofri por ser "polaca" nem se compara a magnitude do preconceito velado à raça negra no Brasil e no mundo."
Veja lá no meu comentário!
É óbvio que minhas dificuldades são muito menores, mas existem, e foi só isso que quis atestar...rs...Desculpe se pareci uma "pobre menina rica" reclamona, só quis expressar que ser "da raça certa" não é tão fácil assim, e depende de mais coisas além da cor da pele. Mas acredito que assim como o negro tem o direito de se manifestar e se defender dos preconceitos, eu tenho o mesmo direito, mesmo que o preconceito que eu sofra seja em escala bem menor.
Perder um filho e ter um braço quebrado são dores diferentes, em instâncias diferentes, portanto não podem ser comparadas. O que entendo pelo seu comentário pode ser expressado com uma comparação diferente: é como se vc dissesse que uma vítima de assédio sexual não pode se identificar com uma vítima que foi estuprada, porque foi "menos vitimizada" que a outra.
Vc comentou que "Se eu conseguir que um único branquinho que seja tenha a *sensibilidade* de se colocar no lugar do outro e *tentar* (só tentar, não precisa nem conseguir) entender como é, as horas que perdi já terão valido a pena." O que eu quis expressar com meu comentário foi que é possível que um branco passe por preconceito racial, SEI que é em escala bem menor, mas que isso me torna mais hábil para identificar os meus próprios termos preconceituosos, e tentar não utilizá-los, para não ferir a sensibilidade de ninguém.
Começo a acreditar que dentro da maioria dos comentários minha raça só seria certa se eu fosse negra, e que por aqui ser "branquinha de olhos azuis" seja a raça errada, que não nos dá direito de reclamar pelo "privilégio" que temos de ter nascido com uma determinada cor.
Não posso me defender, porque sou menos vitimizada? ^_^
Continuo acompanhando os posts, e de uma maneira geral gosto da maneira como o assunto vem sido conduzido. ^_^
Bjs afetuosos!

PermalinkPermalink 18.04.08 @ 14:57



Comentário de: carol

porra, mas tá demais mesmo essa série, hein? paguei um pau pra vc agora, alex.

PermalinkPermalink 18.04.08 @ 22:24



Comentário de: eduardo

Querem a verdade? Não a absoluta, mas um lado da verdade? Ok, vamos lá.
A forma como entendendemos, como interpretamos o racismo e as suas mais diversas manifestações precisas variar, adaptar-se de acordo com o contexto. caso contrário iremos todos enlouquer. as vezes precisamos sim, ver o mundo em branco e preto porque, em determinados momentos é assim que ele vem para nós. quando um direito é violado. da mesma maneira precisamos ter uma espécie de senso do ridículo quando sentimos que estamos levantando a bandeira de uma causa cega. é muito melhor sim, ser uma branca
no meio de um bando de nativos africanos que possivelmente a classificará como uma especie de deusa do que ser um crioulo em um cidadezinha do sul dos eua que odeia negros e não pode nem ouvir falar em
miscigenação.
acho também que precisamos urgentemente estender
a mão, e dar a oportunidade do estreitamento
a relações com pessoas que são diferentes
da gente e que não estão nem aí para o racismo.

sou negro e morei por 2 anos no Japão e o que
eu mais ví por lá, foram pessoas interessadíssimas
em querer saber de onde eu vinha, não
para me separar, não para me excluir, mas sim
para de alguma forma me fazer parte
integrante deles.

talvez tudo seria diferente, e a minha
experiência fosse ruim, se eu ficasse com
uma expectativa negativa em relação ao que
os japoneses pensassem de mim e da cor da
minha pele.

precisamos aprender a pensar no racismo,
e esquecê-lo quando a ocasião permite
e exige.

precisamos nos focalizar na idéia de que
somo humanos acima de tudo e que existem
pessoas que compartilham deste mesmo
pensamento.


PermalinkPermalink 27.05.08 @ 11:55



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PermalinkPermalink 10.09.08 @ 01:06




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PermalinkPermalink 10.09.08 @ 18:21




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PermalinkPermalink 11.09.08 @ 00:39




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PermalinkPermalink 11.09.08 @ 13:31




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PermalinkPermalink 16.09.08 @ 13:59



Comentário de: Rafael

A pergunta " de onde vc é" pode até ser excludente, mas isso é algo inerentemente ruim? Na maior parte das vezes acredito que deve ser encarada como neutra, uma vez que é natural que, diante de uma pessoa que é considerada estrangeira essa seja a primeira coisa que venha à mente perguntar.

A questão material do racismo (a desigualdade de renda e oportunidade entre as raças, etc) me parece muito mais importante que decidir quais palavras seriam racistas (mesmo que a pessoa não tenha intenção de usá-la no contexto racista). Os mecanismos de perpetuação da desigualdade racial material podem até passar em parte pelo discurso utilizado, mas a contribuição desse seria pequena se comparada à outros fatores (como desigualdade na oportunidade educacional).

Quando o discurso não mais fizer sentido porque o mundo não corresponde a ele, então ele (o discurso) será abandonado. Talvez hajam resquícios, fósseis desse racismo na linguagem, mas ao não conhecer a origem desse resquício o racismo deixa de se perpetuar a partir dele. O caso do verbo judiar é bom, uma vez que muitas pessoas não associam-no aos judeus, e uma vez que os judeus não sofrem tanto atualmente (pelo menos no Brasil) quanto sofreram em épocas passadas .

PermalinkPermalink 24.09.08 @ 21:35



Comentário de: nursing · http://geoyzpw.408ez.com/nursing5737.html

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PermalinkPermalink 20.10.08 @ 17:22




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PermalinkPermalink 21.10.08 @ 09:24



Comentário de: nursing · http://afzcgr.sts7.com/nursing218.html

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PermalinkPermalink 21.10.08 @ 12:12



Comentário de: Paulo

Admiro sua indignação e atitude, mas discordo de apenas uma coisa: Raça certa.
Nao sou antropologo, sociologo, ou qualquer "ologo" que faria meu comentario valer muito mais, porem vejo essa historia de RAÇA uma coisa muito estranha, não somos cachorros, gatos ou passarinho para termos raças, existem brancos, negros, orientais e etc, que são apenas cores, tons diferentes, dentro somos todos iguais e no final das contas existe apenas uma raça, a RAÇA HUMANA.....

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:29



Comentário de: Patricia · http://polveredistella.blogspot.com

Esse seu post me fez pensar instantaneamente no Canadá. Aqui o preconceito é baixo pela educação do multiculturalismo e pela imigração que é alta(aproximadamente 250 mil novos imigrantes entram no país por ano). Entretanto é comum vc ver alguém perguntar a uma pessoa asiática, latina ou indiana quando ela chegou por aqui. Pode ser que essa pessoa seja já a 3ra geração, mas a pergunta sempre vem por causa da cor. Enquanto que brancos são automaticamente assumidos terem nascido aqui. E só quando falam com sotaque é que se percebe que são imigrantes. As minorias visíveis no Canadá são chineses e indianos. Sabe o que mais me entristece? Que o preconceito vem mais de imigrantes do que de quem nasceu por aqui. Imigrantes chegam aqui e dizem que vêem mtos" asiáticos, onde que estão os canadenses "da gema"... mas perguntaram isso no lugar errado. Aqui, como no Brasil a miscigenação é enorme!

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 05:33



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
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