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Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido

A discussão sobre o uso da palavra "nego" gerou, na minha opinião, a melhor caixa de comentários do LLL. Estudo raça no Brasil porque acho que essa é a questão mais importante do nosso país hoje. Eu teria muita coisa a dizer sobre o assunto (toda uma tese de doutorado, aliás) mas queria só enfatizar o seguinte ponto, tão absurdamente óbvio que me parece incrível ser objeto de discussão:

Quem decide o que é ofensivo é quem escuta, não quem fala.

Tenho uma amiga que odeia ser chamada de "cara". Não sei porquê. Não faz diferença. Eu sou carioca: falo "cara" de três em três palavras. É um sacrifício não falar "cara". Devo fazer um esforço para respeitar minha amiga, mesmo sendo seu estranhamento completamente aleatório e irracional, ou devo falar "cara" à vontade e foda-se?, ela que pare de ser fresca? O que VOCÊ faria? (O fato de eu morrer de tesão por ela não deve ser considerado na resposta da pergunta.)

Um dos verbos mais profundamente escrotos da língua portuguesa é "judiar". Não me ocorre nenhum exemplo, em nenhuma língua que eu fale, de uma palavra tão profundamente abjeta ainda em uso corrente, como se não fosse nada de mais. Uma aluna minha, judia colombiana, ficou tão chocada quando expliquei o significado na palavra (aparece em "O Auto da Compadecida") que eu, quase constrangido, pedi desculpas em nome da língua portuguesa. Ela está coberta de razão: é chocante. Traduzindo para o inglês dá pra se ter uma idéia do impacto:

"My son loves jewing the dog, he's so naughty!"

E, sim, a palavra é tão corrente na língua portuguesa que a maioria dos falantes a usa sem nenhuma malícia. Nem se dão conta de que estão usando o nome de um povo como sinônimo de fazer maldade. A questão é: isso justifica o uso da palavra?

A palavra é nojenta. Ela é ofensiva aos judeus (que sabem BEM o que está por trás dela) e, vocês me dão licença, é ofensiva inclusive a mim. Se você a usa sem perceber sua carga de malignidade, a solução é tomar consciência disso e parar de usá-la, NÃO bradar sua ignorância como defesa.

"Pô, Alex, você está americanizado, procurando chifre em cabeça de porco. Todo mundo chama o faxineiro lá do escritório de "pretinho", super na boa, somos amigões, até saímos pra tomar chope de vez em quando, eu SEI que ele não liga!"

Não importa se o apelido do "pretinho" foi dito super na boa, supercarinhosamente, como todo afeto e amor: o que importa é o que ELE acha. E ele não vai te dizer nunca, sabe por quê? Porque ele é o faxineiro, porque ele precisa do emprego, porque ele não quer criar problema com alguém da casta superior, porque ele já ouviu isso tanto que internalizou, etc etc. As razões possíveis são muitas, e nenhuma é boa. Só quem é negro sabe como é ser chamado de negão o dia todo por pessoas brancas.

"É muito fácil para alguém que é branco ... dizer que "imagine, hoje em dia não tem problema nenhum". Quem tem que dizer se tem problema são os negros. Quem algum dia já teve um apelido que não lhe agrada, do tipo "gordão", "banana", e é obrigado a ouvir isso o dia inteiro de pessoas que não têm a intenção de ofender (nem sempre dá pra saber) e acham que a pessoa não liga, deve ter alguma idéia do que estou falando." (Kitagawa)

Quem tem a raça certa e está do lado de cá do racismo nunca sentiu isso na pele, mas poderia pelo menos fazer o esforço de *tentar* entender.

Update

O Daniel, como sempre, matou a pau:

Disse hardy har har

"Racismo é crime. Se quem decide o que é ofensivo é quem escuta, ou seja, se quem define o crime é a vítima, então nunca há defesa possível pro acusado."

Talvez eu nunca tenha entendido o mundo, mas não é justamente a vítima que sempre define o crime? Ou melhor, se achando no papel de vítima (de racismo, roubo, estupro, calúnia, abuso de autoridade, perturbação do silêncio, ou sei lá), a pessoa vai lá e faz uma denúncia. Depois disso, cabe a um juiz decidir se a pessoa realmente foi vitima de um crime ou não. Não é porque a vítima se definiu como vítima que automaticamente o suspeito é culpado. Não é assim?

Ou são os criminosos que se declaram como tal? "Seu juiz, com licença. Sou um patrão que explora os empregados e desrespeita de maneira escandalosa a CLT. Poderia me multar, por favor?" "E eu pratiquei racismo contra este negrinho. Prenda-me, por obséquio."

Acho que o lance dessa conversa não é esse. O lance é respeito mesmo. Prestar atenção em como o que a gente diz e faz afeta os que estão perto, e como reagir a isso. Não tem nada a ver com censura, com PC, com deixar de dizer algo por medo do que vão achar. Muito pelo contrário: dizer e estar aberto a ouvir também.

Amanhã... Como saber se você está do lado certo ou do lado errado do racismo...

A utopia brasileira e os movimentos negros

O melhor livro sobre raça e Brasil que esse estudante do racismo brasileiro já leu. Leia essa resenha do Idelber e depois volte pra comprar aqui pelo blog, e eu ganho uns caraminguás.

* * *

Leia todos os posts dessa série:

Usos do Nego
Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Ser da Raça Certa I: Você É da Raça Certa?
Ser da Raça Certa II: 100% Branco
Ser da Raça Certa III: De que Cor É o Personagem?
Ser da Raça Certa IV: O Critério Eliminatório

Por favor, ajude a divulgar essa série. Se for linkar, linque todos os posts.

* * *

Essa série co-escrita por, debatida e articulada com, reescrita e revisada por Lulu - que, como todos sabem, sou eu. Vale muito a pena ler o outro blog dela - ou seja, meu.

* * *

Se gostou dessa série, recomende o blog aos amigos que possam gostar - não as amigos que dizem que pobre tem que ser desinsetizado, por favor! Se gostou de verdade e quiser ajudar, clique nos links desse post e compre alguma coisa lá no Submarino. É assim que eu pago as minhas contas. E que Machado de Assis lhe abençoe.

 

14.04.08


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Judiando da Gringa - Muitos Novos Updates ao Texto
Repercussão da Série sobre Racismo
Ser da Raça Certa (Parte II de IV)

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: thiago p

Realmente parece óbvio que quem decide o que é ofensivo é quem escuta, não quem fala.
Agora, sendo isso verdade, os outros irão decidir o que podemos ou não falar?
Chamar alguém de preto, judeu, gordo, pode ser ofensivo para a pessoa, mas, como você falou, cara também pode ser, e branquelo, e viado, e até inteligente, bonito, gente-boa.
Atravéz desse pensamento, não me deixa de ocorrer que os dois caminhos lógicos possíveis são:
1- a proibição de todo tipo de adjetivo
2- a total não proibição.
O que é difícil de aceitar é algum idiota político decidir o que pode ser dito e o que não pode segundo as idéias que ele retira do seu ânus.
Você tem falado do racismo e seu papel na sociedade brasileira, mas qual a sua posição quanto a lei? A favor da igualdade radical, ou de reparação por questões históricas (o que não deixa de ser um tipo de desigualdade)?

"Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real" ?

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 01:10



Comentário de: Alex Castro Email

"A favor da igualdade radical, ou de reparação por questões históricas (o que não deixa de ser um tipo de desigualdade)?"

Hã, eu sou a favor dos dois. Uma coisa anula a outra? Eu acho que todas as raças são radicalmente iguais, mas que os descendentes de escravos merecem reparações...

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 01:22




Complicado... Falando em preconceito:

Tenho um amigo homossexual que é o primeiro a xingar alguém de fresco, quando o cara, por exemplo, não gosta de determinado tipo de comida. O que acontece aqui? A palavra entrou no vocabulário. E se ele não faz questão, quem vai fazer? A maioria sabe que ninguém fala por mal.

Resta saber se vamos parar de user não sei quantas palavras porque algumas pessoas não gostam.

Alex, estou linkando seu blog para poder vir aqui com mais freqüência, OK?
Abraço!

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 01:41



Comentário de: Allan · http://cartadaitalia.blogspot.com

*judiar* é como *denegrir*

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 06:03



Comentário de: hardy har har

Deixar de falar certa palavra perto de alguém que já manifestou não gostar dessa palavra: cortesia. Deixar de falar uma porção de palavras preventivamente porque pessoas hipotéticas podem vir hipoteticamente a não gostar delas: irracionalidade.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 11:01



Comentário de: Rafael · http://voxnoctis.blogspot.com

Não acredito que você fica repetindo que é a "melhor caixa de comentários do LLL". Ou você está longe de ter feito qualquer reflexão séria sobre linguagem, ou está zoando com seus leitores...

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 11:15



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Se vai entrar nessa de "reparações" no Brasil, comece do começo: os indígenas. Os negros foram apenas vendidos por outros negros, transladados e obrigados a trabalhar de graça: seus descendentes estão agora livres, morando num país q eles mesmos consideram melhor q o de origem, se desenvolvendo e progredindo passo a passo. Muitos negros/as são bonitos/as e inteligentes e deixam pra trás a maioria dos brancos.

Já os indígenas, foram dizimados, suas terras foram tomadas, sua saúde comprometida; seus descendentes ou são mantidos em reservas delimitadas ou vivem à margem execrável da sociedade em grande parte pelo motivo fútil de q eles estão longe do ideal de beleza herdado da Europa e da África.

Os termos 'índio', 'selvagem', 'maloca' têm conotações muito piores do q 'nego'.

Comece do começo.

Ou então, podemos brincar indefinidamente de "We had it tough" (vide Monty Python).

www.youtube.com/watch?v=Xe1a1wHxTyo

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 11:21



Comentário de: pedro

quem tem que dizer é o ofendido? soa bonito e é intuitivamente atraente, mas há dois problemas:
a) o caso de internalização/adaptação - gays que chama o outro de fresco/minorias que internalizam sua inferioridade etc. e aí? o camarada pode dizer que não se incomoda e tal...mas vale tomar a palavra "at face-value"? se o bourdieu vale pra alguma coisa, é pra mostrar que há tipos de violência simbólica muito mais insidiosos...
b) o outro lado da moeda: então QUALQUER coisa que uma pessoa falar vale? pego o exemplo da sua amiga. no caso, não faz sentido implicar etc porque é uma relação pessoal. mas se uma maioria organizada determinar que "banana" é um nome pejorativo pra fruta entao todo mundo tem que se adequar? sei lá. todo o princípio não se sustenta na idéia de que a pessoa tem que JUSTIFICAR a ofensa? ou eu to sendo habermasiano demais?
é clar que tem casos meio hors concours... um negro se sentir ofendido por "pretinho" ou o que for é algo que todos nós temos que abaixar a cabeça e termos vergonha. o mesmo vale para judeus. (acho muito engraçado o papo classe-media que diz "mas EU nunca tive escravos!").

e é óbvio que a vida é muito mais sutil e que nao dá pra erigir regras gerais abstratas que vão dar-jeito-no-mundo, mas acho que os pontos acima pelo menos servem de embasamento

(acho impressionante como nego vem comentar - aqui e alhures - só pra dar um exemplo X qualquer da vida pessoal e automaticamente cria uma regra geral a partir dele e condena todo mundo que discorda. pqp)


PermalinkPermalink 14.04.08 @ 11:38



Comentário de: hardy har har

Puxando o gancho do Pedro:

"todo o princípio não se sustenta na idéia de que a pessoa tem que JUSTIFICAR a ofensa?"

Esse é um problema, não? Racismo é crime. Se quem decide o que é ofensivo é quem escuta, ou seja, se quem define o crime é a vítima, então nunca há defesa possível pro acusado. Nesse cenário, todo acusado é culpado e pode seguir imediatamente pra cadeia. Felizmente, as leis não funcionam assim.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 11:57



Comentário de: Carlos

Cara, vc já reparou o tamanho da "prisão" - para usar o seu termo - em que vc está se colocando?
É a versão anabolizada por treinador russo da sua "prisão aceitação": vc não só fica se policiando para não falar algo, como fica se policiando para não falar algo que vc acha que ***deveria*** ofender algum grupo generalizado de pessoas.
Evitar falar da mecha vermelha nos cabelos da moça ( http://www.sobresites.com/alexcastro/prisoes/aceit.htm )é estar preso na "prisão aceitação", mas por outro lado se deve evitar usar palavras que não têm em absoluto nenhuma denotação negativa ou racista no uso comum porque elas etimologicamente remetem a algum suposto pensamento racista e portanto deveriam escandalizar ouvidos pios (e se o escândalo não é expresso é certamente porque a suposta vítima é tão coitadinho, mas tão coitadinho que não consegue falar)...
Não estou te cobrando coerência, não (mesmo pq vc nunca prometeu nenhuma...), mas confesso que para este leitor aqui os EUA estão te fazendo muito mal.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 12:04



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

É claro que raça não é uma questão importante. Crime é mais importante. Quantos morrem por causa da raça? Quantos morrem por causa do crime?

Um negro só seria ofendido por causa da raça se a raça fosse importante para ele. Se ele mesmo fosse racista. Eu não me sinto ofendido por piadas de branco por que não dou importância a ser branco. Um negro que não dá importância ao fato de ser negro não se sentiria ofendido por nenhuma piada de negro.

O objetivo da tentativa de criar um certo "orgulho negro" entre os negros é criar conflitos, que serão piores para todos, negros e brancos. Conseguirão, criar esses conflitos. Tornar a questão racial uma questão importante não será bom para ninguém. O tempo é o senhor da razão, como dizia o Collor, o tempo irá confirmar o que digo (já que parece ser irreversível que a questão racial ganhe cada vez mais importância, artificialmente).

E o Paulo Francis teve uma namorada judia que vivia fazendo piadas com o verbo judiar.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 12:53



Comentário de: Kenia · http://leitedecobra.blogspot.com/

Bom, se a questão é tomar cuidado com verbos como "denegrir", "judiar" e também com a utilização de termos como "nego", " neguinho" etc., creio que devemos suprimir também do nosso politicamente correto vocabulário expressões tais como: "dar um branco", "amarelar", "programa de índio", só para ficar em algumas.
Certos estavam os homens (e mulheres!) das cavernas!

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 13:07



Comentário de: Maria

Não que devemos nos sentir culpados pelo que não aconteceu. Tendo bilhões de pessoas no mundo, qualquer coisa é ofensiva para alguém. Devemos então parar de falar todas as coisas que acharmos que possam ser ofensivas? Seria impossível. É claro que frente a uma reclamação do ofendido não repetiremos a ofensa. Mas se por algum motivo x a pessoa não reclama, não tenho nenhuma obrigação de adivinhar, já que ela própria escolheu que x é mais importante. Que aguente então, oras.

Não entendo como uma pessoa branca pode se sentir ofendida sendo chamada de branca, ou um negro se sentir ofendido sendo chamado de negro, ou um homem sem dentes se sentir ofendido sendo chamado de sem-dentes numa frase obviamente sem intenção de ofensa, como já aconteceu comigo com "aquela mulher negra", em que a mulher em questão se virou pra mim com espanto "não, eu sou morena!". Nem mesmo entendo um preto se sentir ofendido sendo chamado de preto ao invés de negro, sendo que o branco é chamado de branco e não caucasiano. Tudo isso pra mim não faz sentido, só mesmo tendo vergonha dessa "condição" (não gosto dessa palavra, remete a doença... mas não encontrei outra).

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 14:25



Comentário de: Priscilla

Outra palavra que é dita de forma tranquila atualmente é "denegrir" - quando o termo foi criado para caracterizar comportamentos ditos de negros no período colonial.

Triste e frequente.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 16:08



Comentário de: Maria

Ah, uma expressão que ouço muito por aqui e não acho que as pessoas que dizem tenham percebido o significado é "fazer negrice"

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 16:28



Comentário de: Kenia · http://leitedecobra.blogspot.com/

Sério, Priscilla? Pois eu pensava que "denegrir" viesse do latim e não do período colonial... Vivendo e aprendendo... Massa.
Mas então, quando eu disser, por exemplo, que a tintura era forte demais e denegri meus cabelos a mais do que queria isso será tão triste assim? Talvez para mim, sim, que não estou a contento com as minhas madeixas, mas o preconceito fica onde???

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 16:35



Comentário de: Pensador

Concordo com o "Thiago P" acima: "Realmente parece óbvio que quem decide o que é ofensivo é quem escuta, não quem fala.
Agora, sendo isso verdade, os outros irão decidir o que podemos ou não falar?"

Um modo mais imparcial de se deterimnar essa questão é de valorizar o CONTEXTO no qual a suposta palavra ofensiva foi proferida, pois isto anula a interpretação de quem supostamente se acha ofendido\a e de quem profeiru tb. Preto, branco, amarelo, vermelho, são cores. Judeu é uma etnia. E assim sucessivamente. Porém se o contexto envolvema situação de ofensa, de litígio, então essas palavras podem ter função ofensiva sim. Não sei se estou errado... Mas como está acima, quem pode remover o direito de outrém proferir ou se expressar livremente, quando isto é constitucional? Outra pessoa, certamente que não, mas uma situação, um contexto, podem delimitar as palavras sim. O ego, a vaidade, não. Abraço!

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 18:37



Comentário de: Kitagawa

"Agora, sendo isso verdade, os outros irão decidir o que podemos ou não falar?"

A partir do momento que alguém chega pra vc e deixa claro que aquilo que vc diz o ofende, cabe a VOCE decidir se continua a ofende-lo ou não. Voce também pode tentar esclarecer que não tem a intenção de ofende-lo e a partir daí talvez ele passe não se sentir ofendido com o que vc diz. É um problema de comunicação, de regras de convivencia, que estão cheios de sutilezas. Pois não depende só do termo que vc emprega em si, mas também quem voce é, que tipo de intimidade vc tem com o interlocutor, que tipo de "moral" vc tem com ele, em que contexto vc diz, etc. Vc chamar um brother seu de "gordão" é uma coisa, outra coisa é algume que ele não conhece ou mal conhece lhe dirigir a palavra dessa maneira, "ei, gordão!". Imagino que um gay chegar pra outro amigo gay e chama-lo de bicha deve ser engraçado, mas um desconhecido hetero chama-lo de bicha no meio da rua é outra coisa completametne diferente.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 18:43



Comentário de: Norrin Kurama

Eu até deixaria de usar uma palavra com alguem que eu soubesse objetivamente que não gostava, caso essa pessoa tivesse importância pra mim. Mas não genericamente, caso eu saiba que a palavra em si não é ofensiva.

E acho que quem sabe o que quer dizer é quem fala. Se outro muda (em sua mente) o sentido do que você falou, não é sua culpa.

Um caso real: Uma mulher nordestina foi apresentada a um português que a cumprimentou "que linda rapariga". Antes que ela desse um tapa no português o pai dela a segurou e explicou que em Portugal, ao contrário do nordeste, rapariga não é puta.

Nem sempre se pode dar razão só a quem ouve.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 18:46



Comentário de: Swirly

O Henry Sobel tem uma opiniao sobre o assunto:

“O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra ‘judiar’, estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro”
(Sobel, Henry. “Os ‘porquês’ do Judaísmo”. Congregação Israelita Paulista. São Paulo, 1983)

Mas nao podemos esquecer que o cara (nego, sujeito, criatura) foi pego roubando gravatas....

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 19:06



Comentário de: Jar

Nessa linha aí, o pior verbo não é o judiar, mas sim o denegrir, cujo significado e carga preconceituosa também são óbvios.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 20:40



Comentário de: Daniel · http://www.danialaraujo.net

Disse hardy har har

"Racismo é crime. Se quem decide o que é ofensivo é quem escuta, ou seja, se quem define o crime é a vítima, então nunca há defesa possível pro acusado."

Talvez eu nunca tenha entendido o mundo, mas não é justamente a vítima que sempre define o crime? Ou melhor, se achando no papel de vítima (de racismo, roubo, estupro, calúnia, abuso de autoridade, perturbação do silêncio, ou sei lá;), a pessoa vai lá e faz uma denúncia. Depois disso, cabe a um juiz decidir se a pessoa realmente foi vitima de um crime ou não. Não é porque a vítima se definiu como vítima que automaticamente o suspeito é culpado. Não é assim?

Ou são os criminosos que se declaram como tal? "Seu juiz, com licença. Sou um patrão que explora os empregados e desrespeita de maneira escandalosa a CLT. Poderia me multar, por favor?" "E eu pratiquei racismo contra este negrinho. Prenda-me, por obséquio."

Acho que o lance dessa conversa não é esse. O lance é respeito mesmo. Prestar atenção em como o que a gente diz e faz afeta os que estão perto, e como reagir a isso. Não tem nada a ver com censura, com PC, com deixar de dizer algo por medo do que vão achar. Muito pelo contrário: dizer e estar aberto a ouvir também.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 20:42



Comentário de: Daniel · http://www.danialaraujo.net

Não sei de onde veio o smile no comentário acima. Foi uma judiação que neguinho fez com o meu comentário.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 20:44



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Daniel,
Sem querer, vc concorda com hardy har har e, por tabela, o Alex também concorda:

Vc mesmo disse aí: "cabe a um juiz decidir se a pessoa realmente foi vitima de um crime ou não"; ou seja, quem define o crime é o código penal através do juiz. O incomodado apenas se declara como vítima na expectativa de ter reconhecido o mérito de sua queixa.

Ou seja, não é qqer incomodado alegando ter sido ofendido por uma picuinha q vai definir o incômodo como ofensa. O "código penal" tácito do convívio social se chama bom-senso.

O q o Kitagawa e o Alex estão propondo, no caso em questão, é deixar o bom-senso de lado e cegamente reconhecer o mérito de qqer queixa, contanto q o queixoso se declare ofendido.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 21:17



Comentário de: hardy har har

Não, Daniel, quem define crime é o código penal, e as definições não são elásticas. Não basta você se sentir vítima de um crime pra que ele seja crime.

Desde o início eu disse que o importante é o bom senso e a cortesia. Acontece que está se propondo aqui que certas palavras necessariamente ofendem pessoas negras. Mas ofender pessoas por serem negras, veja bem, é crime, crime de racismo. Ou seja, está se propondo que uma frase inocente como "nego não acredita, mas raramente leio blogs" seja considerada criminosa.

Se vale a máxima "quem decide o que é ofensivo é o ofendido", quem decide o que é racismo é quem se sente discriminado e fim de papo, rasguem o código penal. As justificativas do autor da suposta ofensa não valem nada, porque o ofendido se sentiu ofendido. Racionalizar sobre o uso corrente e não discriminatório da palavra não vale nada, porque o ofendido se sentiu ofendido. Nenhuma variável no mundo vem ao caso se o ofendido se sentiu ofendido.

É assim mesmo que vocês querem que o mundo funcione?

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 21:25



Comentário de: Daniel · http://www.danialaraujo.net

"Não basta você se sentir vítima de um crime pra que ele seja crime."

Pois é, foi o que eu disse.

"O q o Kitagawa e o Alex estão propondo, no caso em questão, é deixar o bom-senso de lado e cegamente reconhecer o mérito de qqer queixa, contanto q o queixoso se declare ofendido.

Nossa, eu não tinha entendido isso não. Tinha entendido que a proposta era levar em conta como o interlocutor está se sentindo em relação ao que se disse. E a partir disso repensar o que foi dito. Mesmo que seja para reafirmar que não se mudará uma vírgula.

Já nos aconselhava o ditado a "não falar de corda em casa de enforcado". Não a "não falar de corda em nenhuma ocasião, jamais, pois algum parente do enforcado, ou pessoas excessivamente sensíveis, podem ouvir e nos processar". Inclusive, se você for amigão do enforcado e tiver certeza que a galera não se incomoda, mande bala. Mas me parece que seja bom-senso pelo menos tentar ter certeza de que o pessoal REALMENTE não se incomoda.

Fica a pergunta: quem está comentando em discordância ao post, por ter se sentido incomodado ou até ofendido pelas palavras do Alex, preferiria que ele nunca tivesse dito estas coisas, que ele reiterasse ou retirasse o que disse, ou pelo menos levasse em conta as opiniões contrárias antes de tocar nesse assunto de novo?

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 22:48



Comentário de: hardy har har

Ok, Daniel, então você não concorda, com o Alex, que quem decide o que é ofensivo é quem escuta e não quem fala, certo? É só trocar as palavras ali em cima: não basta você se sentir ofendido pra que a coisa em si seja uma ofensa. Você pode simplesmente ter se enganado, ou ter entendido errado, ou ter pegado o bonde andando, ou ser melindroso demais. Essas coisas acontecem.

O Alex está, sim, falando que é melhor não falar de corda em nenhuma ocasião. Ele também está sugerindo que quem não reclama ou não se ofende quando se fala de corda tem algum problema.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 23:18



Comentário de: hardy har har

Só pra esclarecer e um pouco também pra encerrar minha participação aqui: eu não estou falando de racismo, estou falando de linguagem. Foi assim que começou tudo isso, com o post do 'nego'. Acho que a coisa está tomando outro rumo agora, um rumo que já não me interessa tanto. Eu entendo que o seu barato, Alex, são as questões de raça, escravidão, História, etc. Meu barato são as palavras. Por isso, quando o povo começa a propor que não se fale isso, não se use aquilo, evite-se aqueloutro, é aí que eu tenho vontade de protestar. Quero cada vez mais palavras e possibilidades pra brincar, não menos. É isso.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 23:30



Comentário de: flaviaQ

Cara,

eu jurava que o verbo Judiar (no sentido da maldade) vinha de Judas que tinha sido escrotinho com Jesus!

Eu achava que o Judiar só tinha a ver com judeus se usado com o sentido de estar sendo pão duro pão duro.

Vivendo e aprendendo.

Beijos
Flavia

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 00:30



Comentário de: thiago p

Alex,

Creio que você leu meu comentário erroneamente. Eu falei de igualdade radical, no sentido de que o tratamento dispensado será igual em todos os sentidos para todas as partes. Não falei igualdade racial, como me parece que você tenha lido...

Pelos comentários acima fica claro que o "bom senso" tem grande influência no comportamento das pessoas. Mas como eu não creio em bom senso, sou a favor de uma lei radicalmente igualitária.

Como não é possível determinar todas as situações em que alguém possa se sentir ofendido, sou a favor de uma liberdade de expressão irrestrita para todos.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 00:32



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com/

Putz! Nunca tinha pensado em "judiar"...

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 00:40



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PermalinkPermalink 10.08.08 @ 05:07



Comentário de: Moisés Nazareno · http://www.moisesnazareno.blogspot.com/

Parece-me bem, amigos, mais válido o exercício do bom senso, da cortesia, do respeito e, num sentido mais religioso, o amor de filhos e filhas de Deus, para se sentir quando, o que, e como falar a outra(as) pessoas, do que discusões sobre o código penal para se discutir a questão.Todos nós sabemos quando uma palavra foi dita "carinhosamente" ou quando foi dita com a intencão de ofender. Ofendidos devem reclamar seus direitos, e ofensores, mesmo que não sintam que ofenderam,devem deixar o ofendido decidi como quer ser tratado, ate mesmo porque todos nós temos claro em nossas mentes como queremos ser tratados. Portanto é louvável o esforço para entender como as pessoas com as quias convivemos gostam de ser tratadas e tratá-las como querem.

Abraços

PermalinkPermalink 21.09.08 @ 12:08



Comentário de: Rafael

Não importa se o apelido do "pretinho" foi dito super na boa, supercarinhosamente, como todo afeto e amor: o que importa é o que ELE acha. E ele não vai te dizer nunca, sabe por quê? Porque ele é o faxineiro, porque ele precisa do emprego, porque ele não quer criar problema com alguém da casta superior, porque ele já ouviu isso tanto que internalizou, etc etc.
=========================================
Essa parte do seu texto é bem racista (e arrogante). É não acreditar na capacidade da outra pessoa de perceber o que ocorre com ela por causa da sua origem, é duvidar da condição de sujeito (e não objeto) por causa da raça.

Com a primeira parte do texto eu concordo. O que importa é o que ELE acha. Mas daí afirmar que ele nunca vai dizer, que cabe a alguém que conhece mais sobre racismo (i.e. vc ou outra pessoa que estudou mais sobre o assunto) dizer quando é ou quando não é, acredito que seja demais. Pode ser porque eu tenho um pouco mais de fé nas pessoas (inclusive nas que sofrem preconceito), mas acredito que elas teriam condição de responder e responderiam com sinceridade à questão.

PermalinkPermalink 25.09.08 @ 09:10



Comentário de: Claudia Prado

Não quero , trazer mais conflitos...Mas acbo por trazer...
Ser Negro, a raça errada, Ser Branco a raça certa...mas e a raça mais ou menos...
E ter que explicar o tempo todo a msitureba que papai e mamãe fez ao te conceber...e explicar que a mistureba mesmo ,pra valer foi a vovo alemã com o vovo escravo , e ouvir as pessoas contextualizar vovo como rebelde , comentario como:
Ah! Estava com o pezinho na senzala, a vovo ,que menina rebelde.
E dai explicar a historia de amor que justifica a preferencia ao negrao VoVo.negro esperto que fugiu com a branca
Ah! e ouvir desde menininha que tive sorte em nascer com o cabelo liso , mas ainda assim, n'ao permitiu que eu fosse poupada das perguntas
Voce e neta de indio? Ninguem reparava no nariz batata , somente a cor da pele e do liso dos cabelos .
E hoje Negra ou Branca + ou menos que sou, casei com loiro de olhos verdes,meus dois filhos sao bem brancos at[e mais que meu esposo e ouço com frequencia
Nossa parece que o Rogerio (meu esposo) fez os filhos sozinho...
Quando ele fala que é o pai, tranquilo
quando falo que sou a mae , tenho que apresentar documentos.
e os elogios são
que lindos são seus filhos , tão branquinhos...
mas nada pessoal ...
nada racial

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 15:46




Ainda nao terminei de ler a série, estou no início desse post. Só queria dizer que "judiar" nao é a única. Existe "denegrir", tonar negro e tals. Me parece tao chocante quanto.

PermalinkPermalink 05.11.08 @ 19:06




Eu tenho uma amiga curitibana (bem, tenho vários) que é branquinha como leite, de ascêndencia européia e essa coisa toda. E ela é MUITO minha amiga mesmo. Ela gosta muito de mim e eu gosto muito dela.

Uma vez ela começou a falar coisas como "ei, neguinha", "pode parar neguinha", "viu como essa neguinha tá metida?" sempre em tom de galhofa, sempre rindo, sempre alegre.

Mas aquela coisa me incomodou muito. E olha que a minha mae branca me chama de preta, pretona, pretinha, muitos dos meus amigos me chamam de nega, preta, nunca entendi ou senti como ofensa.

Mas o contexto interfere. Aliás Van Dijk fala muito isso. Fico vendo essas discussoes aqui e lembro muito dos livros dele. Vc conhece? Ele é analista do discurso e estuda imprensa e representaçao de minorias, acho que vc deve conhecer sim.

Eu fui ao lançamento de um livro dele na USP dia 24/11 e vou fazer um post sobre isso.

Mas voltando...me lembro bem de um exemplo super bobinho da minha professora de AD no máster: vc pergunta se precisamos comprar cerveja e eu respondo que há 4 na geladeira. Vc entende que precisamos ou nao? Eu disse: nao (nao bebo cerveja) e todos os meus colegas disseram que sim pq 4 nao dá pra nada.

Vai ao encontro disso de que "quem sabe se é racista é quem ouve".

Voltando à minha amiga: disse pra ela que nao queria que a minha raça fosse posta em evidência o tempo todo, que nao me incomodo e até gosto que me chamem de preta, pretinha, nega, mas da maneira como ela falava, nos contextos que ela usava era racista e me agredia.

Ela pediu desculpas e nunca mais repetiu.

PermalinkPermalink 05.11.08 @ 19:24




24/10 :p

PermalinkPermalink 05.11.08 @ 19:29



Comentário de: Katherine

É claro que vai soar racista - sempre soa se vem de uma branquela.

Mas, se a ofensa depende sempre de quem ouve, não é igualmente errado afirmar que branco que se ofende por ser chamado de branquelo azedo, de branco de merda, de todo o jazz, não devia se ofender nunca e não conhece racismo?

A lógica devia funcionar para os dois lados. O que me parece contradizer uma fala como "Quem tem a raça certa e está do lado de cá do racismo nunca sentiu isso na pele, mas poderia pelo menos fazer o esforço de *tentar* entender".

(:
(O chato é sempre ter que ficar me explicando. Não, eu não acho que não existe racismo no Brasil - bem pelo contrário, ele existe. Eu só defendo que vem de todos os lados para todos os lados, como aliás todas as formas de preconceito, e que é bom atentar a todas e nunca criminalizar uma só. É pra isso que ser humano serve, né? Pra ficar se julgando.)

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 17:28



Comentário de: Alex Castro Email

katherine...

vc está coberta de razão - ao dizer que vai soar racista....

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 17:39



Comentário de: Katherine

Desenvolve, Alex. Que ia soar racista eu sei, também já vi muita gente sendo chamada de homofóbica só porque não achava que gays eram especiais. Mas quero entender por que você concorda.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 18:43



Comentário de: Madalena · http://www.somemadeleines.blogspot.com

Alex, vc tem razão. São os piores comentários já postados em seu site. Parabéns por ter causado isso. Sinal que seus posts eram muito necessários. Bjos

PermalinkPermalink 25.11.08 @ 09:42



Comentário de: van

acho essa colocação muito extremistas.

claro que há casos em que ocorre um sentimento de exclusão por parte da pessoa que recebe um apelido como "negão", mas não é assim em todos os caso.

se a pessoa valoriza sua identidade negra, ela pode até gostar se ser tratada assim.

na minha sala de aula, só havia uma garota loira na sala, e a gente chamava ela de loira. Era uma forma de individualizá-la, de destacar uma peculiaridade dela, não de excluí-la. Nem ela, nem ninguém, achava isso ofensivo.

Então por que obrigatoriamente um negro tem que se sentir mal ao ser chamado de "negão"?

É claro que há uma história de preconceito e injustiça social contra o negro, mas há contra loiras também (burra, objeto, etc), então esse não deve ser considerado o único fator....

E não me venham com argumento de escravidão, pois esse foi um evento que, é óbvio, nenhum de nós esqueceu, mas também nenhum de nós teve contato, portanto não considero que isso possa definir nossas ações ou sentimentos...


Prontofalei!

PermalinkPermalink 13.05.09 @ 01:13



Comentário de: giovanne

Morei dois anos em Porto Alegre e lá ,acreditem vários negros se tratam com o termo "macaco",acreditem, sem acharem q estão ofendendo um ao outro por exemplo:e aí macaco vamo pro grenal!,e ñ se importam dá a impressão de que pra estes ,o termo"macaco", compreende a palavra negrão tbem muito usada por eles e com orgulho.Sou casado com uma negra e gaucha e certa vez qnd ainda a estava conhecendo presenciei um dialogo q me chamou atenção no viva voz ela falava com uma colega em porto alegre,"e aí macacaaa!! qnto tempo",a colega prontamente respondeu "pô negrona tô morrendo de saudade"sem demonstrar nenhum tipo de ranço com o termo q havia sido usado, fiquei assustado pois por aq isto custaria talvez até um processo,então a orientei q por aq (no rio)os negros ñ se tratavam desta forma q era pra ela ter cuidado pois se usasse este termo num dialogo com um negro ela poderia arrumar uma discussão.Há tambem a torcida do internacional q por ser um clube popular de maioria negra (há tbem muitos brancos) se auto denomina de macacada ,o apelido nasceu numa tentativa do rival(gremio de maioria branca e forte influencia argentina) em humilhar a torcida colorada q prontamente adotou o apelido.então fica a pergunta,a ofensa está na palavra ou na forma q é utilizada?e voçê é humilhado ou se deixa humilhar?

PermalinkPermalink 13.07.09 @ 22:02



Comentário de: M4IN · http://www.andreymiranda.carbonmade.com

Nego, neguinho, negão
Gordo, gordinho, gordão
Magro, magricela, magrão
Cabeça, cabeçudo, cabeção

Qualquer pseudônimo ostentado a uma característica saliente em uma pessoa é de caráter ofensivo, pois superlativa de tal maneira como sendo um diferencial nada amigável.

Tive um amigo que não sentia problemas ao ser chamado de negão, segundo ele, seus amigos não o chamavam de forma ofensiva. Então eu bradei: "Se precisássemos de apelidos, na Carteira de Identidade teria essa opção."

Na maioria das vezes, os apelidos surgem, de fato, de um "defeito". Em um grupo de magros com apenas um gordo, fatalmente esse terá um apelido que o caracterize como tal: Bolinha, Gordinho...

Com o tempo, tais apelidos deixam de ter um caráter amigável, principalmente na área profissional, onde apelidos são considerados informais demais.

PermalinkPermalink 25.08.09 @ 02:34



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
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  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
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  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
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  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
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  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
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