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Usos do Nego - Updated de Novo

Algumas frases pinçadas de posts antigos do LLL:

"Sempre que faço algum post declarando meu amor pela minha cidade, nego se sente atacado, responde com mil pedras na mão."

"Caramba, se me amarrassem numa montanha russa, eu pagaria o dobro, o triplo do preço da ingresso pra sair dali - mas nego paga fortunas pra entrar!"

"Sinceridade é sempre boa indo; vindo parece que nego não gosta."

"Nego não acredita mas eu raramente leio blogs."

"Nego assiste Friends e Sex & The City e já acha que sabe tudo sobre cultura americana."

Lá na minha terra, usamos "nego" pra designar "pessoa em geral" - como nos exemplos acima. Para mim, como usuário da língua, é um termo já completamente não-racial, uma daquelas metáforas mortas que perderam qualquer contato com o seu significado original.

Tenho um amigo americano que discorda (ele é branco, sabe tudo de Brasil, fala carioquês fluente, gente boa toda vida) e dá o seguinte contra-exemplo: um colega, baiano e negro, o chama de "nego" e ele acha isso lindo, pois é um modo do amigo "incluí-lo em sua negritude." Já esse troço de chamar todo mundo de "nego", pra ele, pode ser considerado ofensivo e deve ser evitado.

Eu realmente fiquei confuso. Agora não sei se fui eu ou ele que não entendemos alguma coisa. Tentei explicar que "nego", nesse contexto, não é um epíteto: não se está virando pra alguém, branco ou preto, e dizendo "ô você aí, seu nego!" Nunca se refere a ninguém específico. "Nego" é usado como substituto de "as pessoas", "alguém", "gente".

Ou, usando um exemplo concreto, falar que "nego paga fortunas pra entrar na montanha-russa" NÃO evoca uma fila de afro-brasileiros esperando pra usar o brinquedo.

Em suma, minha teoria é que "nego" significando "as pessoas" não é ofensivo e já foi esvaziado de significado racial - pelo menos no Rio. A teoria dele é que o termo é racial, possivelmente ofensivo e não deve ser usado.

O que vocês acham?

A utopia brasileira e os movimentos negros

O melhor livro sobre raça e Brasil que esse estudante do racismo brasileiro já leu. Leia essa resenha do Idelber e depois volte pra comprar aqui pelo blog, e eu ganho uns caraminguás.

Update

Os comentários desse post, com raras e honrosas exceções, são praticamente um compêndio de todos os preconceitos brasileiros sobre raça, dessa nossa cegueira racial congênita, desse nosso desejo ansioso por uma democracia racial e da nossa antipatia por qualquer um que ameace nossa querida ilusão coletiva. Meu amigo não é um gringo ignorante politicamente correto; ele é um brasilianista brilhante que fala português perfeito, já morou no Brasil e já foi casado com brasileira - aliás, negra. Descartar assim tão rapidamente a interessantíssima questão que ele levanta já é um indicador de uma certa fobia racial brasileira. Eu fiquei dias e dias matutanto a questão antes de decidir colocá-la no blog para angariar opiniões.

Também não ficou bem claro pra mim porque as pessoas estão se dando ao trabalho de escrever comentários para dizer que "na Bahia o povo se trata de "meu nego" carinhosamente" quando o próprio texto já fala isso!, e também ressalta que a questão em pauta não é essa. Alias, eu acho profundamente problemático *chamar* qualquer pessoa por epítetos raciais, seja chamar o índio de índio ou o branco de negro. Eu não uso.

O comentário mais interessante foi, com certeza, do Daniel, que reproduzo aqui:

Em todos os exemplos que você deu, o "nego" é alguém que não concorda com você ou que tem atitudes estranhas, inexplicáveis, insuportáveis e/ou arrogantes. Alguém que serve de antagonista para que o contraste entre suas idéias e atitudes e as do "neguinho" ajude o leitor a entender o teu ponto de vista

Por algum misterioso e inconsciente mecanismo, esse antagonista, seja nos seus textos, seja em conversas informais pelo brasil afora, é chamado de "nego". Não de "sujeitinho" ou de "carinha", mas de "neguinho". Quem concorda ou age como você nunca vai cair na categoria de "neguinho".

Certamente quem usa essa expressão não está indignado com as atitudes da negraiada, nem pensa em termos de raça quando fala "neguinho não tem noção". Mas provavelmente esse costume deve ter uma origem, esfumaçada pelo tempo, onde havia um componente racista.

Graças a esse comentário, voltei ao antigo LLL, fiz uma busca por "nego" e realizei uma crítica literária cuidadosa de todos os *meus* usos da palavra. E, realmente, sou forçado a concordar com o Daniel. Entre dezenas de exemplos utilizados *por mim*, "nego" designa sempre "pessoas de modo geral" mas com um componente negativo. Não são "pessoas de modo geral" netras, mas "pessoas de modo geral que não são eu" ou "pessoas de modo geral que fazem as coisas como eu não faria".

A operação verbal, mental e cultural em jogo não é de inclusão de todos em um termo genérico e geral, mas de exclusão, criando uma separação entre nós e eles na qual o negro fica sempre excluído do normal e aprisionado na alteridade. Quem fala nunca se inclui no "nego": "nego" é sempre o outro, o estranho, o desconcertante, o desconhecido.

Update 2

Devo ser mesmo muito do contra. Bastou meus leitores tentarem me convencer que eu estava certo que eu imediatamente me convenci de que estava errado.

Conversei sobre o assunto com minha colega de sala, carioca, negra, linda e gente-boa toda vida, e ela também acha que a expressão "nego", como usada no Rio, é bastante racista.

O mais engraçado é que, mesmo assim, dois cariocas expatriados que somos, não conseguimos deixar de usar o termo. A conclusão peremptória da conversa foi assim:

"Nego é muito racista mesmo, é sinistro!"

* * *

Leia todos os posts dessa série:

Usos do Nego
Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Ser da Raça Certa I: Você É da Raça Certa?
Ser da Raça Certa II: 100% Branco
Ser da Raça Certa III: De que Cor É o Personagem?
Ser da Raça Certa IV: O Critério Eliminatório

Por favor, ajude a divulgar essa série. Se for linkar, linque todos os posts.

* * *

Essa série co-escrita por, debatida e articulada com, reescrita e revisada por Lulu - que, como todos sabem, sou eu. Vale muito a pena ler o outro blog dela - ou seja, meu.

* * *

Se gostou dessa série, recomende o blog aos amigos que possam gostar - não as amigos que dizem que pobre tem que ser desinsetizado, por favor! Se gostou de verdade e quiser ajudar, clique nos links desse post e compre alguma coisa lá no Submarino. É assim que eu pago as minhas contas. E que Machado de Assis lhe abençoe.

 

10.04.08


Categorias: Comportamento, Cotidiano, Raça

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Tudo tranqüilo em Bagdá

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Julia

Na minha família, os mais velhos sempre chamaram as crianças de "meu nego", "neguinha", do modo mais carinhoso possível, e não há negros na minha família. Eu sempre gostei, e acho um saco essa pentelhação PC.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 05:12



Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

Você está com a razão, e acho que todos aqui vão concordar.

O seu amigo americano está tão distante da realidade onde a palavra é usada que o argumento dele não conta. Isso se você não o inventou =P

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 07:57



Comentário de: Kenia · http://leitedecobra.blogspot.com/

Eu uso muito nego, neguinho no contexto ao qual você se refere, Alex. (Sou pernambucana). E concordo que esses termos perderam, há muito, a conotação racial. Mas nesses tempos chatos do politicamente correto, fico meio sem jeito quando falo e tem algum afro-descendente (acho o ó esse termo!) por perto.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 08:11



Comentário de: Mell · http://www.poesiadeesgoto.blogspot..com

Cara, eu acho que eu vivo numa redoma e não vejo essas coisas de preconceito.NÃO É POSSIVEL.

No meu estágio tem uma menina negra, uma faxineira negra e uma secretária negra.Ninguém tem preconceitos em relação a elas.E a estágiaria chama todo mundo de preta."vem cá preta, tenho q te mostrar uma coisa'
e ning. se sente ofendido.

Isso é muito irreal pra mim, porque não tenho preconceito contra negros e sim contra gente má educada. tenho nojo, medo e aversão.

gente que dança créu no Ônibus, que zoa a SENHORA IDOSA que esta descendo chamando ela de bagaço, dizem que nem o motorista ia comê-la.Odeio essas pessoas e morro de medo delas.Por coincidência, os de hoje ram negros.mas se fossem brancos ia ser a mesma coisa.

Também tenho prenconceito com pessoas que parecem que não lavam a roupa, nem tomam banho. Mas levo numa boa os que falam errado.Em sua grande maioria não tiveram a mínima culpa.

Juro, essa coisa de se ofender por ser chamado de nego, nega, preto, preta.Tanto por parte nos neros, como dos ditos brancos ( pq no Brasil são mto poucos os que não tem uma pintada afro no sangue.)

prontofalei.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 08:57



Comentário de: Lucas · http://lucasteixeira.com

Sou carioca também, então não tenho muita coisa pra adicionar.

Creio que as pessoas nem ao menos liguem a palavra "nego" à pessoas pretas, se você for perguntar pelas ruas aí.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 08:58



Comentário de: Mell · http://www.poesiadeesgoto.blogspot..com

*Juro, ñ entendo essa coisa de se ofender por ser chamado de nego, nega, preto, preta.Tanto por parte nos neros, como dos ditos brancos ( pq no Brasil são mto poucos os que não tem uma pintada afro no sangue.)

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:01



Comentário de: Pedro · http://growing-up.blogspot.com

Sem sair do "tópico" proposto; concordo em gênero, número e grau.

Conheço uma história engraçada: um amigo uma vez trabalhou em estúdio com uma dupla de "funkeiros" conhecida (um deles morreu, olha a dica! rs), que ia com a patota toda pra lá. Um dia alguém (tipo, qualquer um mesmo, do estúdio ou não) mexeu na configuração da mesa de som e alguém mandou um "neguinho é foda".

O segurança da dupla, com 2m de altura e 150kg, ficou puto da vida. "Porque NEGUINHO é foda? Não pode ter sido um branquinho não?"

Acho que só vê racismo aí, nesse caso, quem quer.


PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:17



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Os PCs são ingênuos demais.

Agora nos Euá tem essa moda de dizer 'African-American' pra tentar tirar o pejo histórico da escravidão. O próprio termo é pejorativo e arrogante. Ele supõe q a pessoa default é 'American'. Mas se vc diz q um negro é originalmente 'African', então alguém originalmente 'American' deveria ser o índigena de lá; e portanto 'African-American' deveria designar a mistura de negro com índio, o cafuzo Euaense. OU seja, 'African-American' é uma mistura de termos de categorias diferentes juntados pra parecer q são categorias iguais.

Qdo descobrirem q dá pra abreviar pra 'Afr-Am', o termo 'afram' vai ser usado como sinônimo de 'nigger', como em: "Shut up, you dirty old fuckin' afram!"

Aliás nem precisa tanto. Se vc quer insultar, basta dizer 'African-American' com entonação de nojo e fazendo um careta no meio de uma frase com entonação normal, como em: "Yesterday my little son made two ***African-American*** friends. Isn't that cute?"

Os PCs acham q dá pra impôr limites à capacidade humana de insultar. Qdo as pessoas tentam forçar uma situação, o tiro sempre sai pela culatra.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:20



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.blogspot.com

Alex, existe uma terceira possibilidade. "Nêgo", usado nos seus exemplos e no nosso carioquês, entra como núcleo de sujeito. Já no exemplo do seu amigo americano e no baianês, entra como vocativo.

Ou seja: se *você* usa a palavra, está sendo genérico. Mas, se um baiano a usa de modo afetuoso, está se dirigindo especificamente a alguém: "meu neguim, pega ali o açúcar em cima da mesa pra mim?".

Acredito que nenhum dos dois usos seja ofensivo. Acredito também que o uso de "nêgo" como vocativo *possa* ser interpretado como ofensivo por quem desconheça a intenção afetuosa da palavra.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:31



Comentário de: interessante.h

Aqui no sul, pelo menos na fronteira onde eu morro, não se usa essa expressão, talvez o pessoal da capital a use. Eu sempre achei os negros mais preconceituosos que os brancos, a maioria dos embates nesta área de cor, nasce de algum negro que tem preconceito aos brancos. Aqui também acontece muito com os mestiços indígenas e mestiços de origem espanhola (argentinos e uruguaios).

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:42



Comentário de: gustavo

'nego' nesse contexto não é ofensivo nem no rio, nem aqui em recife e imagino q em nenhum lugar do país.


PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:43



Comentário de: Erico Pimentel · http://www.supergrom.com.br

Acho que seu amigo americano deve ficar fora desta questão.É muito dificil pra um gringo (mesmo especialista em Brasil) se posicionar sobre isso pelo tamanho e diferentes culturas existentes em nosso pais. Tenho amigos negros, baianos e todos usam nego como uma forma carinhosa de se referir à outros amigos. É isso...racismo é ficar de onda com essa historinha...conversa fiada!

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:48



Comentário de: Milton

Depende do contexto, li o que vc escreveu, referindo-se a uma designação geral, meu pai por exemplo, usava esse termo com absolutamente todos que ele mantinha contato: "O nego, como vc está?". É um termo antigo para designar as pessoas, e as pessoas mais velhas usavam muito isso, nossa sociedade atual tá muito "bitolada" com esse conceito de ser politicamente correto, coisa que nossos ancestrais não tinham, essa sociedade esta ficando neurótica, em todo caso, depende do contexto, ou seja preste atenção com as pessoas que vc esta se relacionando, e julgue se o termo é adequado para usar. Tenho feito assim e esta dando certo até aqui.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:54



Comentário de: rafael

Concondo com vc meu nego.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 09:59



Comentário de: denis césar teruya

o pior preconceito não está no termo usado ou falado... está nas atitudes de muitos empresários e profissionais de recursos humanos que contratam poucos negros... alías, o maior preconceito não é racial, é social, pois o branco pobre também sofre muito preconceito na sociedade... se aparecer o pelé ou o alexandre pires na rua, todos vão querer um autógrafo deles...


PermalinkPermalink 10.04.08 @ 10:13



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com/

Não acho que tenha cunho pejorativo, não!

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 10:19



Comentário de: Daniel · http://www.danielaraujo.net

Concordo com você, mas depois de ler o post pensei o seguinte:

Em todos os exemplos que você deu, o "nego" é alguém que não concorda com você ou que tem atitudes estranhas, inexplicáveis, insuportáveis e/ou arrogantes. Alguém que serve de antagonista para que o contraste entre suas idéias e atitudes e as do "neguinho" ajude o leitor a entender o teu ponto de vista

Por algum misterioso e inconsciente mecanismo, esse antagonista, seja nos seus textos, seja em conversas informais pelo brasil afora, é chamado de "nego". Não de "sujeitinho" ou de "carinha", mas de "neguinho". Quem concorda ou age como você nunca vai cair na categoria de "neguinho".

Certamente quem usa essa expressão não está indignado com as atitudes da negraiada, nem pensa em termos de raça quando fala "neguinho não tem noção". Mas provavelmente esse costume deve ter uma origem, esfumaçada pelo tempo, onde havia um componente racista.

Ou seja, talvez tanto você quanto o americano tenham razão!

de qualquer maneira, como nos lembra aquela piada dos barbeiros e judeus que você mesmo conta, o racismo está onde a gente menos espera, escondido em atos e frases cotidianos que a gente nem presta atenção.

Enfim, sei lá.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 10:23



Comentário de: Carla

Alex, na Bahia as pessoas usam "nego" como os cariocas usam, e "neguinho" de forma mais debochada, NUNCA significando chamar o outro de preto. Ainda tem o "meu nego" ou "minha nega", expressao carinhosa e muito possessiva que sinaliza que aquela figura e sua, nao importando se e namoro ou casamento. Quando o seu amigo ai e chamado de nego, so significa que o cara gosta dele, so isso.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 10:42



Comentário de: MARINA DE MORAES

Neguinho, o preconceito já está em achar que usar a expressão "nego" é preconceito, porque se usasse a expressão "branco" seria?, acho isso tudo uma grande besteira, nego, neguinho, negão, neguinha, nega, negona, no meu conceito são maneiras carinhosas de tratar uma pessoa, independente da cor do "nego!.
Marina

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 11:12



Comentário de: Letra Morta · http://letramorta.blogspot.com

Andei pensando nisto um tempo atrás e foi São Bezerra da Silva que me acudiu com o seu brado de guerra: "VAGABUNDO é mal!". O "vagabundo" permite que você ofenda a todos de forma indistinta e sem ser acusado de racismo.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 11:23



Comentário de: Letra Morta · http://letramorta.blogspot.com

Falha nossa: mal -> mau

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 11:26



Comentário de: Sapires

Cara, realmente muito bom o comentário do Daniel e o seu update. O racismo se impregna nos costumes de maneira que é muito difícil de se detectar e , acho que não impossível, retirar.

O fenômeno que ocorreu com o "nego", "neguinho" - que aliás eu sempre uso no mesmo sentido que você- deve ser semelhante ao que aconteceu com a palavra "judiar". Começa com o preconceito com um grupo, toma novas conotações e as pessoas esquecem-ou querem esquecer- a origem da palavra.
Realmente interessante.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 11:28



Comentário de: Carlos Santos

Concordo com você. Costumo chamar de "nego" as pessoas do meu convívio, principalmente os amigos, que são em sua maioria, brancos. É uma forma carinhosa de me referir a eles. Tenho um irmão negro e chamo ele de "negão" numa boa e ele, apesar de ser o único negro em uma família de brancos, nunca se sentiu ofendido. E olha só: na padaria que freqüento todos os dias tem um chapeiro, que é negro, que se chama Francisco. Adivinha como ele gosta de ser chamado? Quem disser "Chico", vai errar feio. Ele prefere ser chamado de "Preto".

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 11:43



Comentário de: Flavio

Pois é...nego fica dizendo que não tem preconceito, mas...essa estória de "meu nego" como expressão de carinho, né? Pois sim! Eu particularmente acredito haver aí um tratamento que expressa um sentimento de posse. Tudo bem, minha mãe pode me chamar de "meu filho". Meu pai também. Nós dizemos "meu amigo" ou "meu irmão". Observe que, dependendo da palavra que acompanha (irmão, pai, filho, nego) a expressão carrega um sentimento diferente (lógico). Acredito que, dependendo da palavra que acompanha, uma pessoa que faz isso (usa o pronome possessivo) tenta, de certa forma (ou errada!) 'diminuir' o interlocutor ou colocá-lo numa posição inferior: "voce é meu. Eu sou seu dono (ou pai), tenho poder sobre voce". Inconscientemente, talvez, a pessoa quer se autoafirmar, se sentir segura, forte, no contexto. Desqualificar o interlocutor é uma estratégia muito usada para esse fim.


PermalinkPermalink 10.04.08 @ 12:06



Comentário de: Daniel · http://www.danielaraujo.net

Ora veja só! Obrigado! Servimos bem para servir sempre :)

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 12:08



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

Sobre o update:
concordo que realmente existe esse negócio de usar a palavra "nego" de uma forma a mostrar como o outro faria (o "nego" é sempre um cara que faz algo que você não entende; o que ele faz nã tem sentido, etc.), mas deixar de usar a palavra por causa de uma possível carga preconceituosa é se deixar pautar pelo politicamente correto.

Aliás, isso me lembrou esse post aqui:
http://www.jesusmechicoteia.com.br/2007/01/23/pergunta-12/
Esse post fala sobre a mesma coisa, apenas substituindo o "nego" pela imitação de retardado. Acho isso tão ofensivo quanto falar "nego".

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 12:16



Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

Ué, ao descartar o americano eu estou apenas fazendo o que você sempre diz, desconfiar da veracidade de tudo o que você escreve. Afinal, você é um ficcionista.

Um bom personagem sempre precisa de um sidekick, e esse americano serviu muito bem para a questão em debate.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 12:21



Comentário de: Luis

concordo com vc, negão

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 13:46



Comentário de: Allan · http://cartadaitalia.blogspot.com

Concordo com o comentário do Daniel.

Sou carioca e tive que aprender a não usar "nego" quando fui morar em Sampa. Depois, morei por 12 anos em Salvador e descobri o outro uso do "nego". Ou seja, o *nego* que você usas é um bairrismo nosso (os cariocas) que pode ser interpretado de modo diferente fora do Rio.

Se cuida, Alex, nego tá sempre esperando uma oportunidade pra te dar paulada. :)

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 14:42



Comentário de: Te

Eu tive uma tia-avó que seu apelido era Nega, todos a chamavam Tia Nega. E era daquelas ruças de cabelo avermelhado (chamar de ruço é ofensa?).
Por outro lado, já ouvi usarem paraíba no lugar de neguinho e talvez por que sou filha de nordestino e oriunda de região de migrantes nordestinos me soou estranho. Não ofendeu, mas estranhei.


PermalinkPermalink 10.04.08 @ 14:56



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Boa do Daniel.

"Nego" não é só usada pra falar de quem faz ou pensa diferente de vc. Tbm é usada pra falar de quem se ferra, e até generalizar sobre situações em q vc mesmo já se ferrou. Tipo, "Aquilo é uma arapuca. Nego entra e tem q deixar as calças."

Mas eu não fuxicaria um preconceito no uso de "nego". É bom tomar cuidado: ficar identificando preconceitos é em si enfatizar o próprio preconceito, é pautar-se pelo preconceito.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 15:22



Comentário de: gugala · http://www.gugaalayon.blogspot.com

nego ser racista por isto, cara

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 17:36



Comentário de: Raphael Sebastian

O contexo racial está relacionado a forma e o momento em o "Nego" é empregado tanto na linguagem quanto na escrita. Relaciona-se com a aceitação indiviual de cada ser.E partindo desse ponto de vista as analises devem ser feitas...

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 18:00



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex
Qual eh a moral da historia entao? Que vc nao vai mais usar "nego" porque outras pessoas acham que eh racista?

Varias expressoes foram criadas com base no racismo mas nao sao mais para muita gente. Se alguem falar que a coisa ta preta sem implicar racismo, sera que algo precisa ser feito?

Acho sim que isso eh tipico do exagerado politicamente correto que nasceu aqui nos EUA e esta sendo pouco a pouco exportado para o Brasil. Nao entendo no que isso ajuda qualquer uma das partes. Quem realmente eh racista vai se fazer entender muito mais por acoes do que por termos dubios.

[]s

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 18:01



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Bem dito, Paulo.

"Nego é muito racista mesmo, é sinistro!"

sinistro = canhoto

HAHAHAHAHAHA

Não dá pra fugir...

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 18:08



Comentário de: Edward

O amigo americano citado é algo que deveria ter sido excluido do texto final, pois o significado lá é agressivo e ofensivo, nada tem a ver com o Brasil, segundo, minha avó alemâ chamava meu avô, alemão (mesmo...) de nego, então faça o favor né...
Terceiro, que tal acabar com a sujeira, a palhaçada política, o pobrismo, com o mosquito pelo menos, aí quando as crianças pararem de morrer por causa de um mosquito idiota, quem sabe aí podemos pensar no "nego", beleza? Então vamos trabalhar.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 19:35



Comentário de: Lilian Cipriano

Se chamar alguém de nego, dentro de qualquer contexto é racismo, então o que dizer das pessoas que são chamadas de "ô lôra", "e aí Véi?", "italiano" (por ser branco).
O racismo está nesse casa em quem o sente. Sou morena e tenho em minhas raízes pessoas negras, chamo minhas 2 melhores amigas que são negras de "minhas negonas" e elas adoram.
Deve ser por que não são preconceituosas.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 21:08



Comentário de: olavo

estou com Mell. e não abro! é isso aí, disse tudo. sou negro e costumo usar a expressão ("nego é capaz de"...etc. e tal, por exemplo) e não vejo conotação racista. mas talvez seja uma coisa que "se esfumaçou no tempo" como disse alguém também. mas não adianta, horroroso, mesmo, é gente sem educação, grossa, chucra como as que Mell relatou.

ps.: "o problema do racismo é do racista, não meu..."

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 21:28



Comentário de: hamilton coutinho

Os exemplos usados para ilustrar a hipótese revelam um preconceito residual. Mas, aqui no Rio, usa-se coloquialmente quando nos referimos a terceiros indefinidos, por exemplo - "Em dia de clássico, neguinho chega cedo no Maraca..." ou "Abrou o sol, nego vai pra praia..." Em outros lugares este terceiro indefinido (sul de Minal) é substituido por "caboco" ou "caboclo". Todavia, acho que fora daqui (Rio) não é bem recebido ou entendido.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 21:38



Comentário de: Doralucia Pereira

Já me chamaram de "branquela azeda" kakaka. Não gostei é claro. Mas amo quando me chamam carinhosamente de "nêga". Tb. chamo meus querido(a)s de nêg(a)>.Para mim, a expressão nêgo é um querer mais que bem querer.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 21:43



Comentário de: fm

De uma certa forma seu amigo americano tem razão.
Por outro lado, são infinitas - exagero- as palavras que ganharam novos significados através do tempo.
E as palavras mudam sua forma a sintaxe e também o significado.
A palavra vilão, que no significado original se referia ao habitante de uma determinada vila, ganhou com o tempo, devido ao preconceito que na época havia contra os pobres moradores das vilas, o sentido de grosseiro, malvado.
Cretino deriva de uma palavra francesa que significava cristão, por causa do uso do eufemismo 'pobre cristão', expressão que era usada para os loucos, aos poucos foi ganhando o sentido de louco.
É claro que os tempos são outros, para a desgraça das evolução espontânea das palavras e da língua.
Contrariando a afirmação de alguns comentaristas , eu sou paulistano e uso frequentemente nego, neguinho na construção de frases e nunca tive problemas com meus amigos negros, que aliás também fazem uso frequente como recurso de linguagem.
Porém é bom observar que, por exemplo, Chico buarque usou o termo numa de suas musicas. '... Vinha nego humilhado, vinha morto-vivo, vinha flagelado de tudo que é lado vinha um bom motivo pra te esfolar..., e também Edu Lobo com seu "Upa Neguinho", que mesmo com sentidos diferentes, nos dois casos o sentido é pejorativo.
Eu não afirmo que o termo tenha apenas o significado pejorativo, mas que nasceu com este sentido não tenho dúvidas.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 21:46



Comentário de: MXR

Outra explicação que se extrai dessa reincidência do termo "nego" está no seu aparente apego à pobreza lexical. Você parece recear lançar mão de estruturas sintáticas mais sofisticadas e de palavras menos vulgares. A princípio, deixa-nos em dúvida se é desleixo ou apenas insuficiência de recursos lingüísticos. Mas, com paciência, podemos perceber que estas alternativas se esvaem sob os seus lampejos de criatividade e inspiração. Por exemplo, este post foi bem construído e, ao que parece, longamente meditado. Os argumentos demonstram certa maturidade, e as palavras escolhidas dão força à idéia.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 22:15



Comentário de: Garagos

Talvez o seu amigo tenha associado o uso do termo "nêgo" com o termo "nigger" que nos EUA é tem uma forte conotação racista quando usada por um branco em relação a um negro. Aqui no Rio td mundo que eu conheço fala nêgo, mas sem nenhuma intenção racista,não vejo problema nenhum nisso e continuarei a usá-lo.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 22:24



Comentário de: Gustavo B.

Interessante. Nao sabia que o uso de nego e variantes ao se dirigir a alguem mais proximo é tao difundido.
Ja o uso como coletivo, aqui em Salvador, nao se limita a comportamentos negativos, embora seja mais utilizado dessa forma. Ja neguinho é muito usado ao se referir a comportamentos libertinos em geral ("neguinho ja gosta de uma sacanagem") ou outros mais negativos como a malandragem ("ta pensando que neguinho é besta?"), nao so no sentido indefinido, como tambem no específico ("neguinho sem vergonha"). Mas talvez uma terra onde entre os cumprimentos mais usados sejam "Digaí, negao", "Colé, nego véi" e "Fala, nigrinha" (outro termo interessante) nao sirva muito de parametro.

PermalinkPermalink 10.04.08 @ 23:21



Comentário de: Ivan

Faz tempo que gostaria de dar minha opinião; o r racismo esta na pessoa que interpreta, pois me c chamam de gordo "que sou" alemão "pois sou loiro"então quem o faz é racista? claro que não tenho amigos que chamo de negão e assim nos tratamos,acho tudo uma ipocrisia de quem pensar que é racismo chamar alguém preto,nego,negão.O que vale é o que eu penso não o que os outros acham que eu devo pensar.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 00:28



Comentário de: Hamilton Magalhaes

Esse tipo de polêmica é inócua. Aqui em BH é
comum referir-se a alguém como nêgo ou neguinho.
Mas como já dito, perdeu-se no tempo tal conotação.
Pois, vale tanto para brancos, negros, japa ou indios.
Por sinal, de uns tempos para cá, ficou parecendo
que, no Brasil, só tem duas raças. De uma hora para outra, só os negros foram injustiçados. Japonês não comeu o pão que o diabo amassou quando veio par cá. Vide o filme de Tisuka Yamasaki. Ou dos primeiros europeus que foram praticamente escravizados no início do séc. XVIII.

Mas vejamos outras polêmicas do mesmo naipe.
Não pode falar homossexualismo porque conota doença. Mentira.
TURISMO, ALTEROFILISMO, CULTURALISMO, PANTEISMO, SOCIALISMO, COMUNISMO, ESTRELISMO, BRILHANTISMO e uma série de outras.

Essa conversa de politicamente correto já encheu o raio do saco. Fruto de pseudo-intelectuais que
nunca pararam para refletir o que dizem, e tentam se impor pela coação e ameças. Como o resto também pouco reflete, essas bobagens ficam propagando-se por aí.

A língua é dinâmica e não fica parada no tempo. As pessoas passam e os significados não são presos aos significantes. Atrás desse discurso existe o
autoritarismo que busca inibir novas formas de
pensar impondo conceitos que não resistem a um
simples questionamento.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 00:32



Comentário de: Kitagawa

Bom, eu era do conselho editorial de uma revista de HQ e numa das historias, feita por um cara branco lá da Bahia, a protagonista, uma branca, que não era má nem nada, dava um tapa numa amiga negra sem justificativa e depois se vangloriava para outro personagem "vc devia ver o tapa que eu dei na cara daquela nega idiota". Falei pra mudar. Ele argumentou que "nega" lá na Bahia é normal, etc. Dane-se, a revista vai circular em São Paulo (no final acho que saiu assim mesmo). Um dos caras que participaram da revista, um paulista, negro, confirmou que quando leu, ficou incomodado. Não falou nada na hora, mas ficou. Eu que também não sou branco, entendo melhor essas coisas. Porque o problema não é só com a gente, mas também com nossa mãe, nosso pai, nossos irmãos.

Enfim: não importa se vc não tem a intenção de ofender, nem se vc não acha ofensivo. Quem vai decidir mesmo se é ofensivo ou não são os outros. Não é porque eu acho que dar tapa na cara um gesto não ofensivo que devo me sentir no direito de distribuir tapas na cara de todo mundo e decidir se eles se ofendem ou não. Nem estou falando o que as pessoas devem falar ou não. Mas não é quem fala que decide se é ofensivo ou não, é o ouvinte.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 05:09



Comentário de: Kitagawa

O que o Daniel falou é verdade: eu sou paulista, uso "nego" frequentemente, e já tinha percebido que raramente era num contexto positivo. Tento evitar, mas o habito é forte.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 05:14



Comentário de: Kitagawa

O mesmo vale para a questão do "respeito" tratado no post anterior. Não é vc que decide se está sendo respeitoso ou não, é o outro. Se vc não tem a intenção de desrespeitar, mas mesmo assim as pessoas se sentem desrespeitadas, há um claro problema de comunicação. Eu tenho a mania às vezes de soar meio rude, inconscientemente até. Quem me conhece sabe que sou assim mesmo, que não é (sempre) despeito, e riem disso até. Mas quem nao tem tanta intimidade não é obrigado a saber disso.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 05:31



Comentário de: Thiago

"Conversei sobre o assunto com minha colega de sala, carioca, negra, linda e gente-boa toda vida, e ela também acha que a expressão "nego", como usada no Rio, é bastante racista.

O mais engraçado é que, mesmo assim, dois cariocas expatriados que somos, não conseguimos deixar de usar o termo."

Parece a "mulher de direita" falando sobre o aborto...


PermalinkPermalink 11.04.08 @ 08:21



Comentário de: nanny

Sou baiana, e aqui é normal
chamarmos os amigos e as pessoas mais proximas
de nego, nega, neguinho e neguinha, é uma expr
essão de carinho e em momento algum ofensiva, so
negra e varias pessoas me chamam assim e nem por
isso me sentir pior q/ os outros,na minha opinião é
um termo racista....A verdade é que precisamos
parar para analisar outras formas de racismo e não
um adjetivo que sempre foi usado desde o inicio da nossa historia.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 08:42



Comentário de: Cá Rabello

Nossa, bom saber que no geral as pessoas não ligam "nego"`ao critério de raça ou cor, pq eu uso muuuito essa palavra, é algo como dizer "cara" (aquele cara), ou coisas assim. Somos normais!!! rsrs

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 08:43



Comentário de: nanny

não é um termo racista, todo mundo utiliza esse
adjetivo, pra expressar de uma forma geral e não apenas a utilização para uma pessoa ou raça.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 08:47



Comentário de: Cá Rabello

Na verdade, uma mesma palavra pode ser usada
prá elogiar ou ofender, mas quando falamos
"nego", não estamos falando de negRos, mas sim usando um termo que já não tem mais tanta conotação
com a raça, apenas uma palavra comum.
Tenho muitos amigos negros, que se chamam
(entre si) de negRinho, ou negRinha, mas aí
entra o R.
"NEGO" é apenas um substantivo, chamo meu
marido de "meu nego", e ele é branco!

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 08:49



Comentário de: Pedro · http://growing-up.blogspot.com

Hmmm, fui até pensar na questão levantada pelo Daniel (e de certa forma, até apresentada por mim antes).

Eu uso nego em qualquer situação: "Fulano, tô marcando festa aqui em casa, diz pra nego chegar a partir das 20h". Ou então "Aumentaram o preço da cerveja no boteco. Avisei que vai ficar vazio porque nego não é trouxa não."

Como também falaram, quem quer achar racismo acha. Não que isso queira dizer que não existe...

(de certa forma, falar que o americano foi casado com uma brasileira - E NEGRA! - também poderia ser visto assim, não?)


PermalinkPermalink 11.04.08 @ 09:09



Comentário de: denilson · http://11/04/08@ 09:12

usamos nego em tudo que se refere a outras pessoas os meus melhores amigos são negros,e não tou nem ai.
estou numa festa vejo uma mulher gostosa o primeiro comentario vou pegar essa nega, não importa se ela é loira, morena ,japonesa, coreana ou qualquer outra cor sempre vamos usar o termo nega. tem uma cara de olho na mesma mulher que você, chegamos para ele sai fora nego, e nega e minha.eu evito o maximo chamar pessoa pelo apelido. fico sem graça,então pergunto.
oh nego qual seu nome?
se isso for errado, a humanidade pode se enterrar em um buraco bem fundo cada um sozinho para não termos contatos uns com os outros. ai não teremos negos,negas,amigos,companheiros,filhos,parceiros,e viveremos isolados para sempre,sem falarmos uns com os outros com medo de ofender alguem com uma simples palavra.eu te amo, meu amor,minha nega.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 09:23



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.blogspot.com

Creio que também exista outro ponto importante, Alex. É bem melhor uma palavra que para muitos perdeu seu significado racista consciente por entrar para o lugar comum (mesmo tratando o outro como “o diferente”;), do que outra palavra que acaba se tornando um tabu – uma ofensa sempre por acontecer quando ela é dita (como preto). Evitar uma palavra pode tirá-la do lugar comum e transformá-la em uma ofensa. Ou você conhece alguém que utilize a palavra “judiar” (“Aquela menina judiou de mim”;) pensando na sua origem: “judeu”? É bem melhor ela ter caído agora para a vala das palavras que não servem mais como um ataque direto.

Vale dizer, atualmente eu percebo um fenômeno deveras interessante na utilização de palavras na hora de designar um negro. Creio que para evitar serem taxadas de racistas, as pessoas chamam qualquer negro de moreno. O que é péssimo, pois se perde muito na clareza do que está sendo dito. Quando alguém fala “Você viu a nova morena que começou a trabalhar aqui?”, nunca se sabe se a pessoa está se referindo a uma nova moça branquela com os cabelos pretos, uma mulata ou uma negra. Bem... você sabe melhor do que eu o quanto as palavras podem ser complicadas...


PermalinkPermalink 11.04.08 @ 09:50



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.blogspot.com

Q coisa estranha... eu fecho o parênteses depois de uma aspas e o parênteses vira uma smile de piscada... Isso pode fazer com que “se perca muito da clareza do que está sendo dito”...

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 09:53



Comentário de: Ariane

aqui em são paulo o uso do 'nego' não tem a conotação carinhosa que dizem ter na Bahia não...é sempre para se referir ao outro distante, o anônimo, o desconhecido, que não se aprova totalmente. Como 'neguinho adora uma fila', 'nego chega aqui e já vai mexendo em tudo' e por aí vai...mas prá mim o pior, o pior de tudo mesmo é quando vejo chamarem 'carinhosamente' negro de alemão. Putz, que vergonha!E acho pior ainda é o negro aceitar, não dar logo uma espinafrada no cidadão...

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 13:54



Comentário de: rafaell

"Ah! Não me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado."

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 16:38



Comentário de: Carlos Ramalhete · http://www.hsjonline.com

Creio que o seu amigo americano exagerou um pouco, talvez devido justamente à hipersensibilidade dos politicamente corretos quanto à escolha de palavras.

"Nêgo", "neguinho", etc., usado como sujeito *e* como vocativo (quando é indubitavelmente carinhoso) não é exatamente *negativo*, mas sim uma expressão de alteridade. "Nêgo" ou "neguinho" é o outro, é o que não é "a gente", é o que faz o que a gente não faria... ou que nos completa.

Em outras palavras: quando a gente diz "nêgo", a gente está normalmente dizendo "alguém que não eu". Só para acabar de pirulitar a cabeça dos politicamente corretos, eu diria que "nêgo" é oposto a "a gente", mas que isso não significa nem nunca significa ou que negros não sejam gente. :)

O nosso "a gente", no sentido de "nós", funciona um pouco como as auto-denominações das tribos indígenas, que são quase sempre um sinônimo de "ser humano". É uma maneira de expressar os componentes de um grupo, de criar uma "espécie", uma "natureza" (no sentido de "natureza humana") própria daquele grupo. "A gente faz assim".

O "nêgo" é o outro, é o que "faz assado". Mas o "nêgo" ou a "nêga" também é o diferente-bom. "Minha nêga" (que é loura...) me completa, e quando eu a chamo assim eu estou afirmando que a alteridade entre ela, aquela pessoa, e eu, esta pessoa, é valiosa.

Não saberia dizer se o outro é "nêgo" por ter sido, um dia, preto, ou se o uso de "nêgo" como indicador de alteridade começou como uma forma de negar que se seja negro, mas creio que não haja nenhum sentido racista na palavra hoje, tal como não há em "judiar".


PermalinkPermalink 11.04.08 @ 17:54



Comentário de: Rodrigo Rego · http://www.desembolog.blogspot.com

E o que dizer da bandeira da Paraíba, que estampa "Nego" garrafalmente?

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 18:35



Comentário de: onarixtopa

Eu sempre uso o termo nego na seguinte frase:
"Devo não pago, nego enquanto puder."


PermalinkPermalink 11.04.08 @ 18:53



Comentário de: Kitagawa

Carlos, li e reli o que vc disse, mas a aprtir de sua proprias palavras, chego à conclusão contrária à sua: a expressão, sim, tem conotação racista e segregacionista na sua origem e no seu uso (pelo menos aqui no Sudeste, suponho)

É muito fácil para alguem que é branco (nem sei se é o seu caso) dizer que "imagine, hoje em dia não tem problema nenhum". Quem tem que dizer se tem problema são os negros. Quem algum dia já teve um apelido que não lhe agrada, do tipo "gordão", "banana", e é obrigado a ouvir isso o dia inteiro de pessoas que não tem a intenção de te ofender (nem sempre dá pra saber) e acham que vc não liga, deve ter alguma idéia do que estou falando.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 18:56



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.blogspot.com

Rodrigo,

Eu logo pensei na bandeira da Paraíba (foi a PRIMEIRA coisa em que pensei), mas atgé hoje não sei a origem nem o significado, então me calei.

Ulisses,

Concordo: se você se proíbe de usar o adjetivo por medo das conotações, você está subtraindo a palavra da língua, inclusive nas vezes em que não há as conotações. Sabe como eu faço? Nunca descrevo a pessoa pela cor, até que me perguntam pela aparência física. Aí vou dizendo: um rapaz, mais novo do que eu, mais alto também, de camisa azul e óculos... Vou dando volta até, finalmente, mencionar que é negro. Se perceberem antes, sorte minha, que não precisei ir até o final.

Descobri que não sou eu que discrimino os negros. Descobri que as pessoas prestam é atenção ao vocabulário umas das outras, inclusive o meu. Descobri que não importa se discrimino ou não, o que importa é que não posso usar certas palavras. Então não as uso enquanto não puder usar.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 19:10



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.blogspot.com

Perdão. "Enquanto puder não usar" é que é o certo. E não tenho como verificar meus erros de digitação (como o "atgé") em metade das coisas que digito: a tela só mostra a metade esquerda do meu texto; na direita, o teclado vai mas a tela não. (Alex: bug do Interney?)

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 19:13



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

A posição dos q consideram 'nego' racista é insensível a diversas outras variáveis q levam nego a dizer 'nego'. Uma delas é esta:

Se vc não pode/não quer usar 'nego' numa frase como esta:

"Nego não acredita mas eu raramente leio blogs."

¿q palavra de duas sílabas sem artigo vc vai usar?

Não existe. A palavra 'nego' preenche uma lacuna importante, útil e interessante. Deixa como está. Daqui a 100 anos, 'nego' pode dotar a língua com um significado totalmente original.

PermalinkPermalink 11.04.08 @ 22:41



Comentário de: Renata

Gente... O "nego" da bandeira da Paraíba é do verbo negar, não da raça... A expressão está lá em lembrança à atitude do governador João Pessoa (que hoje dá nome à capital do Estado), que na década de 20 negou o apoio do Estado a Júlio Prestes em sua candidatura à presidência, apoiando Getúlio Vargas. Resumindo, João Pessoa morreu assassinado acabou ganhando a homenagem na bandeira do Estado.


PermalinkPermalink 11.04.08 @ 22:43



Comentário de: João Paulo · http://sratoz.blogspot.com

... E Renata matou. Como eu disse antes, desconhecia origem e significado e temia dizer besteira. Sempre tive dúvida se era "nÊgo" ou "nÉgo".

Obrigado, Renata.

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 00:00



Comentário de: Fe

Euu raramente uso nego, normalmente eu uso povo, acho mais divertido, eu achava que chamar alguem de meu neguinho era somente carinhoso mas o comentario de alguem me fez realmente pensar que tenha um sentido realmente esclavagista... por exemplo, a minha tia avo mais querida, é chamada de tia nega, (ela nao é negra) ela ajuda muito todo mundo e agora eu penso que o nega vem do fato dela ser servil a todos, e nao querida... Tenho as minhas duvidas, mas nao é uma coisa que me incomoda porque, se nao incomoda ela que é diretamente ligada, nao vai me incomodar...

Eu só queria levantar uma questao, praticamente todos os meus amigos negros aqui de sao paulo, sao apelidados de negão, mas as mulheres nunca, jamais sao apelidadas de nega, negona... Seriam as mulheres mais sensiveis ao racismo ou é só uma forma de respeitar elas?

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 07:18



Comentário de: Fe

Os meus erros de sintaxe me assustam... é dificil nao poder ler o comentario na integridade e poder corrigir... fica a lesma lerda da ideia original

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 07:21



Comentário de: ld

fui criado no rio .. eu uso "nego" e "neguinho" direto... normal, sem nenhum tipo de significado racial. "nego" são "os outros".


PermalinkPermalink 12.04.08 @ 08:56



Comentário de: hardy har har

Se você for se pautar pelo que acha que os outros podem vir a pensar, você se paralisa. Nada melhor do que ter bom senso, fazer aquilo que acha certo e desenvolver uma boa couraça pra não se abalar com bobagem. Já vi dizerem por aí e é verdade: as pessoas estão cada vez mais se tornando de cristal.

O politicamente correto é uma praga; basta ler fóruns de discussão americanos sobre qualquer assunto pra ver que ele causa confusão mental, enfraquece as pessoas e aniquila o bom senso. Torço com força pra que isso não vire moda no Brasil.

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 10:34



Comentário de: Norrin Kurama

Não concordo que se use "nego" sempre com conotação negativa. "Nego é foda" significa geralmente que fulano é competente, esperto (pode ser mau tambem, é genérico). "Minha nega" ou "meu nego" significam "meu (minha)querida/o.

Depende do contexto.

Veja na arte:
http://letras.terra.com.br/dora-vergueiro/352856/
http://letras.terra.com.br/eliane/395312/
http://nega-do-babado.musicas.mus.br/letras/968490/
http://pitty.musicas.mus.br/letras/813342/
Com o sentido de "meu caro", "companheiro":
http://www.portalmidis.com.br/letras/v/velhas-virgens/letras-velhas-virgens-letra-essa-tal-de-tequila.htm

Você vê racismo onde quer.

Mais:
http://www.portalmidis.com.br/musicas/ivete-sangalo/letra-ivete-sangalo-balada-quente.htm
http://recantodasletras.uol.com.br/letras/879645

Vamos proibir essas músicas e multar as gravadoras? O pensamento PC acaba nisso.

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 11:12



Comentário de: Norrin Kurama

Tá, eu sei que você, Alex, não está defendendo a censura. Só que tem gente que partindo dai acaba defendendo.

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 11:14




Francamente, viu...
Aqui em Recife também chamamos as pessoas de "caba", vindo de "cabra". Quer dizer que estamos chamando as pessoas de animas quadrúpedes? O jeito é chamar de "burro", pra ver se o sujeito fica ofendido com alguma razão.

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 16:38



Comentário de: kelly · http://abundacanalha,blogspot.com

ooh, yeah, o racismo existe. mas não no uso do "nego". há tempos debati com um colega professor dsc, just like me, que defendia que cariocas eram negativistas (hein?) pq a gente começa toda e qualquer frase com um não. prestenção. aqui no rio vc pergunta: ei, vc acha q está calor? eu (generico) respondo: nao, eu acho q sim. ou melhor: num debate, começamos TODAS as frases com um não. tipo assim (outra mania carioca). não. o que eu acho é que nao falamos nao

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 20:07



Comentário de: kelly · http://abundacanalha,blogspot.com

nego pira na batata, resumidamente

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 20:08



Comentário de: Daniel · http://www.danialaraujo.net

Quem tem que dizer se a frase é racista ou não é quem ouve, não quem fala. Essa foi a coisa muito importante que o Kitagawa falou. Isso é uma questão muito séria de respeito pelo outro, e não envolve nem censura nem "politicamente correto".

Aliás, o "politicamente correto" é uma merda justamente por isso: quem está decidindo que "afro-americano" ou "verticalmente prejudicado" é respeitoso ou não é quem está falando, não quem está ouvindo.

Acho que isso é o mais dificil, a gente se colocar no lugar do outro e ouvir o que a gente mesmo fala com distância. Dizer "nego" pode não ter nada a ver em algumas situações e causar sérios constrangimentos em outras. E provavelmente nessa situações constrangedoras não vai adiantar nada correr para corrigir: "Afro-americaninho não tem a menor noção, mesmo"

Comentario do Alex: Daniel, a gente parecido. Estou escrevendo um post enorme, desde ontem, justamente sobre essa sacada do Kita.

PermalinkPermalink 12.04.08 @ 22:09



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Q grande bobagem. Quem tem q dizer se a palavra ou frase é preconceituosa ou não é quem diz, pois a INTENÇÃO quem tem é quem diz e não quem ouve. Essa lenga-lenga de "quem ouve é q decide" abre as comportas prà vitimização sem fim dos coitadinhos. Isso é q é PC.

O PC é um tipo de marketing, essa coisa tonta de pasteurizar tudo, de sacrificar a variedade em prol das vendas.

PermalinkPermalink 13.04.08 @ 00:31



Comentário de: Priscila

Li seu texto e todos os comentários e me recordei de que há alguns anos atrás chamei uma amiga (branca, por sinal...) de "minha nega", carinhosamente, e fui duramente criticada e acusada de racismo por uma moça negra a quem eu não conhecia e que ouviu a conversa. Me defendi como pude, expressei minha opinião de não ter usado o termo de maneira pejorativa, mas a moça não se convenceu, e armou um escândalo, dizendo que o termo em si não deveria ser usado nunca.
Agora, um outro lado: sou descendente de poloneses, e desde pequena convivi com expressões como "cor-de-polaco", "polaca azeda", "tinha que ser polaca", etc...Na maioria das vezes utilizado de maneira carinhosa, na verdade o termo polaco tem raiz pejorativa também, visto que os poloneses ao chegar ao Brasil viviam em condições de miséria,e muitas polonesas acabaram se prostituindo, sendo o termo "polaca" utilizado como sinônimo de prostituta. Se eu me incomodo de ser chamada de polaca? Não mais do que ser chamada de neguinha. Acredito que o contexto em que se usa os termos em questão é mais significativo que os termos utilizados em si. As generalizações ("toda loira é burra", "todo neguinho é preguiçoso") é que me deixam preocupada...

Afinal, acho que sou uma polaca nem tanto azeda assim...rs...Mas hoje em dia tento tomar mais cudado devido à suscetibilidade alheia.

PermalinkPermalink 13.04.08 @ 02:17



Comentário de: Mari

Sem entrar na questão de, se a palavra como é dita hoje, é sinal de preconceito, mas sim pensando no argumento do Daniel de que a palavra teria perdido a carga de seu contexto original (como em judiar), eu tenho uma imprensão semelhante a do flávio (lááááá em cima) de que, quando usado de forma carinhosa, tem uma conotação de posse e de hierarquia, o que de certa forma, pode também indicar o preconceito de suas origens.

PermalinkPermalink 13.04.08 @ 17:54



Comentário de: Rodrigo Rego · http://www.desembolog.blogspot.com

Agora já sabemos então o real significado da palavra "nego" na bandeira da Paraíba.

Mas durante o tempo em que não sabia, nunca encarei o termo estampado na bandeira como ofensivo, sempre considerei uma homenagem. Claro que se estivesse na bandeira de Santa Catarina seria deboche.

Então, mesmo que a decisão de se sentir ofendido ou não caiba somente a quem ouve, como diz o Alex, acredito que boa parte dessa decisão se baseia na identidade de quem fala.

Dificilmente quem se sente ofendido com um "nego" de um carioca branco vai sentir o mesmo de um baiano negro.

PermalinkPermalink 14.04.08 @ 10:51



Comentário de: gustavo

engraçado é o big brother, que em todas as edições sempre tem catorze homens brancos e só um preto. e em todos, sem exceção, o negro perde o nome: vira o "negão".

pensando sobre isso, lembrei que qdo passei 1 semana no exército, lá em campinas, era de uso corrente chamarem os norte-nordestinos de "aratacas". mesmo sendo uma palavra, até onde eu saiba, totalmente desprovida de negatividade atual ou histórica, qdo se referiam a mim como arataca e não como simplesmente gustavo, eu me sentia um outsider no meio desse povo sudestino que se acha dono do lugar. talvez tenha sido a primeira vez em que me tenha ocorrido essa sensação de exclusão, mesmo que vindo amigavelmente de quem falava.

mas ainda vejo um abismo enorme entre o "nego" das suas frases e o "negão" do big brother". talvez pq o preconceito do segundo seja mais recente que o primeiro.

peraí que vou ali pensar mais um pouco.

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 10:11



Comentário de: Zeca

"Nego" é usado como substituto de "as pessoas", "alguém", "gente".

Claro que não. Nego é alguém que está fazendo algo que vc não faria. Nunca se usa isso para salientar algo positivo, é sempre alguém com uma perspectiva errada ou alguém sem discernimento. É racismo light...

PermalinkPermalink 19.04.08 @ 15:43



Comentário de: Ana Carolina

Alex, na minha familia se usa nego e nega para designar crianças. Ex: minha avó (até hoje...) quando quando me pede alguma coisa, diz: "nega, traz pra mim aquela sacola?". Não tem nada a ver com raça nesse caso...

PermalinkPermalink 22.04.08 @ 10:27



Comentário de: Jefferson Oliveira

é ou não é racismo?


eu usar a seguinte frase:

em um jogo de ragnarok online colocar no forum:

"xXazuraXx min ajudo pacas azurando os nego"

PermalinkPermalink 21.05.08 @ 12:55



Comentário de: Rafael

Eu seria o primeiro a reconhecer que existe sim racismo e discriminação no Brasil, e que esses são responsáveis pelas condições deploráveis da comunidade afro-brasileira na atualidade.

No entanto, acho que seu amigo americano brasilianista está transpondo o significado da palavra "nigger" dos EUA para o "nego" brasileiro. Digo isso porque ele acha natural uma pessoa negra chamar ele assim, mas acha ofensivo quando uma pessoa não negra a usa. A palavra "nigger" nos EUA é muito ofensiva, sendo usada por racistas para se referir aos negros, mas ao mesmo tempo foi apropriada pela comunidade afro-americana como vocativo entre eles e somente por eles. Resumindo, lá quando um negro usa a palavra "nigger" é normal, mas quando uma pessoa de outra raça a usa está sendo racista. É como as coisas funcionam lá no grande irmão do norte.

Até aí tudo bem. O problema é transpor esse significado (com quem pode e quem não pode usar a palavra) ao "nego" brasileiro, que não tem essa conotação. Peço ao seu amigo americano e a outras pessoas que lerem esse texto a irem para a Argentina ou a falarem com um argentino. Lá, no irmão do sul, a palavra "negro" é usada como forma carinhosa de tratamento, sendo que há muito poucos negros por lá. Na verdade a maioria das pessoas chamadas de "negro" ali (como el Negro Ahumada - jogador de futebol - ou Negra Sosa - cantora) não são nem um pouco negras. Seriam eles racistas? Ou seria apenas uma outra cultura, com costumes não tão bem compreendiosa por pessoas de fora (mesmo que vivam lá por um bom tempo)?

PermalinkPermalink 24.09.08 @ 18:15



Comentário de: Rafael

E eu uso "nego" pra se referir a mim mesmo. Assim:

Eu fui lá no estádio do Morumbi ver o jogo, mas me arrependi. Nego não pode ir lá de terno que já é taxado de playboy e mauricinho.

Quem é o nego desse texto? Fica implícito que sou eu. Mas vai ver sou apenas eu que uso assim.

PermalinkPermalink 24.09.08 @ 18:18



Comentário de: Sarah

Acho que é porque a palavra "nigger" nos EUA é tido como preconceito extremo. Uma americana que morou uma vez na minha casa disse pra eu NUNCA falar essa palavra. Quando eu disse "ni..." ela respondeu "NÃOOO, NUNCA FALE ISSO!!".

PermalinkPermalink 08.10.08 @ 01:22



Comentário de: Sarah

Ah sim, aqui na Bahia chamar de "neguinho" é carinhoso. Todos os brancos se chamam de neguinho.

PermalinkPermalink 08.10.08 @ 01:23



Comentário de: Roger

onde eu vivo, é muito comum as pessoas chamarem para os outros de meu preto, meu nego, independente de cor. não há vestígios de racismo na fala de quem profere. Creio que essa preocupação já passou do tempo. se ficarem pensando que tudo que se fala tem fundo racista. no brasil o que mais tem é "nego" misturado, uma salada de cor, tipo,jeito, forma e como é que ainda ficam querendo falar de raça?? que raça é a do povo do brasil??? ora, vão plantar mandioca...

PermalinkPermalink 24.10.08 @ 15:07



Comentário de: Patricia · http://polveredistella.blogspot.com

Racista ou não, eu não gostaria de ser chamada de "minha nega". Sei q em alguns lugares do Brasil foi incorporado ao vocabulário como: cara, "ô patrão", e outras coisas, mas acho que isso é ofensivo sim a quem ouve. Não se vc está falando com um amigo digamos, sendo ele negro ou branco, mas no geral, em dizendo "neguinho", geralmente é para satirizar/exemplificar pelo ofensivo.

Eu particularmente não falo nego, ou cara,ou qq dessas formas de comunicação. Não para ser PC, mas simplismente pq eu não aguento conversar com alguém que numa frase, 3 palavras são cara, "na moral" ou qq outra q se use hj em dia. Um amigo australiano meu, vive usando "shit" como sinonimo de coisa, ou f* para enfatizar algo. Eu falei pra ele q ele conversasse assim com os amigos dele, e me deixasse de fora.

Preconceitos todo mundo tem. Ainda não achei alguém q não tenha nenhum. Sejam eles sobre raça, status, opção sexual.

Interessante seus posts. Vou voltar pra ler mais tarde.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 05:18



Comentário de: odivaldo cipriano da costa

Há anos que coleciono frases cujo sentido da palavra nego e neguinho é preconceituosa.Estou pensando em fazer um livro sobre o assunto.

PermalinkPermalink 04.12.08 @ 15:50



Comentário de: odivaldo cipriano da costa

Há anos que coleciono frases cujo sentido da palavra nego e neguinho é preconceituosa.Estou pensando em fazer um livro sobre o assunto.

PermalinkPermalink 04.12.08 @ 15:50



Comentário de: Alberto Mario da Rosa

Primeiro, quem fala usando "nego", na minha opinião, é uma pessoa displicente. Talvez pelo fato de ouvir poucas pessoas usarem essa expressão, aqui em Porto Alegre, mas sempre que vejo/ouço/leio alguém usando essa palavras, é como se acendesse uma lâmpada de 500 watts e um sinal se estampasse no céu: "essa é uma pessoa de pouca cultura". Ou, "o que ela está falando não é de muita importância". Acho uma gíria baixa, rasteira.
E, convenhamos, é fácil ver que essa expressão é utilizada sempre num contexto negativo. Uma forma de depreciar o outro, o possuidor da opinião contrária, o do outro lado da cerca.
E aquelas pessoas que se chamam de "nego" ou "nega" em casa - ou conhecem pessoas que se tratam assim - nesse caso, as expressões são usadas em um sentido completamente diferente. Não dá para justificar o uso dessa expressão dizendo "ah, eles mesmos se chamam de nego".
E os que dizem que "ah, mas os maiores racistas são os próprios negros", bom, daí não dá pra discutir mesmo. Dessas pessoas de pouca luz, quero distância.

PermalinkPermalink 07.05.09 @ 20:48



Comentário de: Menina Eva · http://www.interney.net/blogs/cintaliga

Relendo este texto antigo. Continuo sem saber se é ou não racismo.

Como o Daniel falou maravilhosamente, é possível que os dois estejam certos. Que a origem da palavra é racista, o negro como o outsider; porém, esse significado racista se perdeu e hoje a palavra é neutra, até mesmo inocente.

Agora, cá pra nós: o povo dizendo que você refletir e pensar sobre o assunto é que é preconceito, é de arder, hein?

PermalinkPermalink 26.08.09 @ 19:58



Comentário de: clotilde zingali · http://www.clotildezingali.blogspot.com

moro em Joinville. concordo contigo. aqui é como no Rio: nego, neguinho, negão - sem nenhuma conotação de preconceito :)) é chapa, pessoa, queridão!
adorei teu blog e especialmente a entrevista no Digestivo.. ando reunindo material para falar sobre esse assunto net/literatura.
grande abraço, Clô

PermalinkPermalink 13.10.09 @ 10:50



Comentário de: marcio americo · http://www.meninosdekichute.zip.net

Voce demonstrou seus resquicios racistas, praticamente todos temos, ao usar o termo: "negra, linda" porque explicar que a negra é linda... quando voce fala de suas amigas brancas, voce explica: branca, linda... é como se voce justificasse: é negra mas é linda.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 11:50



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
  • 39. Levi, Primo. É Isto Um Homem? [Itália, 1946] Jun.
  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
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