Querida Mãe,
Você sempre disse que eu era uma criança (depois, um adolescente, depois, um homem) debochado e irreverrente e que eu não tinha respeito, nem por você nem por nada. E eu respondia que você é que não sabia o que era respeito; que eu não concordava com você, nem te obedecia, mas que te respeitava, porque uma coisa não tinha nada a ver uma com a outra; que era possível discordar a vida inteira respeitando sempre o direito do outro de ter sua opinião.
Bem, depois de três anos dando aulas em universidades americanas, começaram a chegar as avaliações dos meus alunos. Sim, eu sou bom professor, sou organizado, sou paciente, ajudo todo mundo, chego na hora, explico bem a matéria, tudinho. Só fui mal num quesito: "O professor trata todos os alunos com respeito?"
Mãe, repara como a pergunta é cuidadosa: eles não perguntam, por exemplo, se o professor desrespeitou *você*, mas se ele trata *todos* com respeito. E, tenho que confessar, minhas notas nesse critério foram baixas em quase todas as turmas. E sabe qual é o pior, mãe? Sentei, matutei, e não consegui nem imaginar o motivo.
Aparentemente, você estava certa e todo mundo concorda: eu nem mesmo *sei* o que é respeito. Nem pra cima nem pra baixo. O que eles querem dizer quando dizem que eu não trato todos com respeito? O que é não tratar alguém com respeito? O que é tratar alguém com respeito? Não sei. Juro que não sei. Vou tentar descobrir.
Dizem que envelhecer é descobrir que os pais estavam certos em tudo. Será que estou ficando velho, mãe?
Beijos do filho que te ama,
Alex
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