Em todo texto meu, existe um truque, um jogo de mãos, uma prestidigitação. Estou sempre tentando provocar um estranhamento, causar uma reação, levantar uma dúvida que faça vocês questionarem suas idéias - nem que apenas para confirmá-las depois de pensar um pouco.

Um grande livro sobre as diferenças entre a Direita e a Esquerda
Houve uma reação interessante ao texto das mulheres de esquerda e de direita:
E outra, não diria que a Margarete é uma mulher de direita. Ela é só uma mulher normal, sei lá, até de centro. Pois se você conhecesse uma direitista, com certeza não diria que preferia elas.

Fale-se o que se quiser, mas Hobsbawm, pra mim, é o paradigma da esquerda pensante.
Parte dos leitores achou que sacaneei muito a pobre da Rosa e que peguei leve com a Margarete, e ainda disseram coisas assim: a Rosa é uma mala mas a Margarete é normal!
E eu ri muito, pois é como alguém dizer que comer com pauzinhos é estranho mas comer com garfo e faca é normal. Oras, você pensa isso porque VOCÊ cresceu comendo com garfo e faca!
O discurso conservador e reacionário de Margarete é tão representativo (embora não tão caricato, admito) quanto o de Rosa. Se você achou normal, sinto lhe informar, talvez você nem saiba ainda (Margarete, por exemplo, não sabe!), você é de direita. Bem vindo ao clube.
O amigo Dr Plausível comentou:
Alguém já disse ali o q achei: a segunda não é de direita; é só despolítizada. O interessante ali é q vc implicitamente aceitou o rótulo de "de direita" q a primeira daria à segunda, já q quem "não está contra eles, está com eles".
O pior é que é verdade. Se você considera que a direita conservadora representa o sistema e a esquerda, uma reação ao sistema, então, sim, todo despolitizado é de direita. Se ele é despolitizado porque olha o nosso mundo injusto e desigual e acha que é isso aí, que está tudo lindo, não tem porque se meter em política para consertar o que já funciona, então ele é de direita e nem sabe - como Margarete. Se ele é despolitizado porque sinceramente nunca pensou nisso e não liga para o assunto, então, ao não apoiar a reação, ele tacitamente apóia o status quo e é de direita também. A maioria dos despolitizados é uma mescla dessas duas categorias.
Reparem que não existe nenhuma crítica aí à direita. Na verdade, existe, mas estou criticando igualmente a esquerda e a direita. A graça é que, enquanto o pessoal de esquerda bate no peito pra celebrar a sua esquerdopatia, grande parte da turma de direita está em estado de denegação profunda - certamente pela carga negativa que a palavra "direita" ainda tem no Brasil.
Política é um saco, eu odeio política, mas é preciso ser muito ingênuo para não perceber que virar as costas à política JÁ É uma atitude política e significa dar seu apoio ao sistema vigente, qualquer que ele seja.
Os alienados políticos de Cuba são todos comunistas. Não tomar uma atitude concreta contra o regime do Fidel JÁ significa dar seu apóio tácito a ele.
A faca corta pros dois lados.
No Brasil, só quem se admite de direita é a extrema-direita, aquele povo que entende o Olavão e deixa comentários empolgados no Tio Rei. Como reconhecer alguém de extrema-direita? É simples. São aqueles que vão ler esse post e pensar (ou pior, comentar) que, no Brasil, então, ser despolitizado é ser de esquerda, pois vivemos sob um semi-tirânico regime lulista-stalinista ditado pelo Foro de São Paulo. Entenderam?
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