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Quando eu estava montando minha empresa, durante a saudosa bolha, decidi fazer um MBA intensivo por conta própria. Fui para a Barnes & Noble da 5ª com 50, em Nova Iorque, e fiquei lá por sete horas. Folheei todos os livros das seções de business, marketing, internet, etc. Li as orelhas, quarta capas, introduções e conclusões. Eliminei a grande maioria. Saí de lá com 300 dólares em livros. Um dos melhores investimentos que já fiz. Aprendi horrores.
Dois livros me marcaram especialmente: Motivational Management, de Thad Green, e 1001 Ways to Reward Employees, de Bob Nelson. Eles me ensinaram uma lição que muitos de vocês vão achar bobinha, ou óbvia, mas que eu precisava aprender.
Em um dos episódios de Star Trek, o Capitão Kirk reconta as Guerras Eugênicas do século XXI. A ciência havia criado homens geneticamente perfeitos, inteligentes, fortes, resistentes. O problema é que eles se sabiam perfeitos e tinham ambições à altura. Prontamente, começaram a guerrear um contra o outro pelo controle do mundo.
Em geral, quem tem o dom, tem a ambição correspondente. O perna-de-pau do XV de Limeira sabe que nunca será Pelé.
Administradores, gerentes, empresários, gente que se dispõe a embarcar na aventura empresarial, em geral têm ambição, determinação e espírito de liderança acima da média. E, por isso mesmo, para essas pessoas é às vezes difícil lidar com quem não é assim. E nem todo mundo é assim.
O autor de Motivational Management conta a história de uma funcionária insegura e incompetente. Ao conversar com ela para tentar resolver o problema, ele acabou descobrindo que ela havia sido humilhada pelos pais a vida inteira. Sempre que tentava fazer alguma coisa, atingir algum objetivo, suas ambições eram achapadas: você não vai conseguir, você é uma idiota, você nunca faz nada direito, sua burra! Até aquela época, ela com 61 anos e a mãe com mais de 80, sendo sustentada por ela!, a mãe ainda dizia regularmente que a filha não prestava pra nada. Com o passar dos anos, acreditou.
O comentário seguinte do autor poderia ser meu:
"Porque cresci em uma família de pessoas fortes e confiantes, que moldaram minha auto-confiança, eu sempre achei que todo mundo tinha crescido num ambiente assim e também tinham a auto-confiança para enfrentar praticamente qualquer coisa."
Tão óbvio e tão complexo.
Se não por humanidade ao menos por produtividade, cabe ao patrão suprir essa deficiência de auto-confiança que muitos empregados têm. Cabe ao patrão sentar ao lado do empregado e convencê-lo que sim, ele pode fazer o serviço, ele tem capacidade e você confia nele para fazê-lo.
Naturalmente, não só do chefe, mas do pai, do amigo, do professor.
Os homens perfeitos da ciência eugênica do pretenso século XXI só eram perfeitos pois foram feitos assim. E nós também temos o poder de fazer a mesma coisas pelas pessoas que estão ao nosso alcance.
* * *
A Te, que comenta sempre aqui no blog, foi minha funcionária nessa época. A maior prova de que sou um bom chefe é que ela é gata, nós éramos solteiros, e eu nunca dei em cima dela. Só depois, claro.
Perguntem pra ela que tipo de chefe eu fui, mas perguntem em privado, por favor, para que eu ainda possa me agarrar a algumas ilusões na minha vida.
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