Vocês já repararam que o mundo inteiro parece querer nos convencer a apagar o facho e assentar acampamento, casar e procriar?
Desde que Liloló me deu aquele anel e, mais ainda, desde que começamos a brincar de casinha no novo apartamento, eu tenho tido essas ganas incontroláveis de casar com ela. Como o alcoólatra diante da garrafa às quatro da manhã, eu fico secando o telefone, suando frio e pensando: "vou ligar pra ela agora e pedir ela em casamento! Não, não faz isso, não seja louco. Sim, vou sim, claro que vou, eu quero acordar com ela todos os dias. Larga disso, rapá!" Sei que casar é algo terrível e auto-destrutivo, mas não consigo me controlar. É mais forte que eu.
Pra piorar, Liloló é arisca como vira-lata profissional: não posso nem falar de casamento que ela sai correndo. Discutir relação, nem pensar. Classificar o que temos de namoro já é demais: somos amantes e olhe lá. ("Boa noite. Meu nome é Alex Castro e eu tenho um problema." Clap! clap! clap! "Eu estou há cinco dias sem ter vontade de casar com minha... er... com a mulher que estou comendo." Clap! clap! clap! "Força, Alex!" "É isso mesmo! Um dia de cada vez!" etc)
Enfim, não aguento mais. A cada filmeco mulherzinha, a cada episódio romântico de seriado bobão, eu já me derreto todo, começo a ter essas pulsões da morte casamenteiras, sonho em cuidar da casa o dia inteiro e esperar minha Liloló com o jantar pronto quando ela chega do trabalho, um horror, uma vergonha. Estou pensando em comprar a série completa de Married with Children em DVD, pra assistir um episódio sempre que estiver em crise, pra ver se corta o efeito. Alguém tem alguma outra sugestão de filmes pra descasar?
Ou então, quem sabe, vou passar outro fim-de-semana na casa da Claudinha.
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