Fotografando Pés (I)

Sempre que publico fotos de pés, alguém me faz a mesma pergunta: “Puxa, como é que você consegue convencer as mulheres, hein?”

A pergunta me incomoda por dois motivos. Em primeiro lugar, pelo machismo implícito, como se as mulheres fossem umas tontas que eu precisasse convencer com minha lábia a fazer algo que, deus me livre!, nunca fariam.

Em segundo lugar, pela canalhice implícita, como se fosse algo malicioso ou matreiro, como se eu as estivesse enganando ou roubando ou me aproveitando delas. O tom seria o mesmo se me perguntassem: “Puxa, como é você conseguiu bater a carteira dela, hein?”

Eu sou um homem simples. Se eu vejo algo que eu quero, vou e peço. Peço para tirar fotos com a mesma simplicidade e honestidade com que peço aos meus leitores para me mandarem livros de presente ou para comprarem no Submarino.

Dá quem quer. Aceito os nãos, agradeço os sins e digo sempre a verdade.

* * *

Funciona assim. Eu vou andando pela rua, vejo uma mulher linda e fico bestificado. A beleza feminina ainda é uma coisa que me maravilha, fascina, confunde. Uma mulher autenticamente linda é um milagre da criação, é o ápice do humano, é o mais perto que podemos chegar do divino.

(Liloló gosta de lembrar que, depois da primeira vez que transamos, eu levantei da cama, dei um passo atrás e fiquei simplesmente contemplando-a em silêncio por longos minutos, como quem contempla uma maravilhosa e perfeita obra de arte - o que ela, naturalmente, é.)

Enfim, quando a situação é propícia, quando ela não está com um homem, quando não parece estar com pressa para nada, eu ando até ela e pergunto: “Oi. Você me deixaria tirar uma foto sua?”

Se ela diz não, ou se demonstra qualquer sinal de impaciência, medo, susto, hesitação, se olha em volta procurando um policial, etc, eu agradeço, me desculpo e vou embora. Não olho pra trás, pra ela não achar que estou vigiando-a, mas também não saio correndo, pra não parecer que estou fugindo da cena do crime. Não é não, e fim de conversa.

Em Nova Orleans, 1 em 50 dizem sim. No Rio, 1 em 10. Em Havana, 1 em 5.

* * *

Quando a resposta é sim, eu tiro a foto, agradeço e digo: “Eu gosto de tirar fotos de pés e você tem os pés lindos. Você me deixaria tirar umas fotos deles?” (reparem que é tudo sempre rigorosamente verdade, sem meias-verdades ou omissões ou truques)

Muitas perguntam: “Pra quê?”

E eu respondo: “Pra mim. Pra eu guardar. Pra eu colocar no meu site, se você deixar.” (mais uma vez, tudo verdade)

Algumas vezes, perguntam: “Por que meus pés?”

E eu respondo: “Porque são lindos.” (sempre verdade)

São raras as mulheres que dizem sim à primeira foto, mas não me deixam fotografar seus pés. Quanto mais adornos têm nos pés, quanto melhor é a pedicure, melhores as chances.

Pronto. Não é mais complicado ou mais sujo ou mais canalha que isso. Nunca tento convencer ninguém. Seria uma invasão e um desrespeito. Cada mulher é um adulto inteligente e independente que pode tomar suas próprias decisões. Não é não, e fim de conversa.
Enquanto ela parece que está gostando e se divertindo, eu vou tirando mais e mais fotos. Quando percebo que está cansando ou olhando pro relógio, eu agradeço, pergunto se posso colocar na internet e, se a resposta é sim, pergunto que nome querem que eu use, para não usar seus nomes verdadeiros. Algumas me deixam colocar só os pés, sem seus rostos.

Em Cuba, como a pobreza é maior, eu pergunto também se posso lhes dar algum dinheiro em agradecimento, mas a resposta quase sempre é não.

E vou-me embora.

* * *

Com o tempo, a reputação ajuda.

Algumas vezes, eu chego num grupo e alguém fala: “o Alexandre gosta de tirar foto de pé” ou então “semana passada o Alexandre tirou foto do meu pé”.

Ao ouvir isso, alguma mulher inevitavelmente diz uma de duas coisas:

“Puxa, eu tenho o pé super feio!” e eu respondo, quando é o caso: “quem foi que te disse um absurdo desses?” (Por que tanta mulher acha que tem o pé feio, meu deus?)

Ou então dizem: “já disseram que eu tenho o pé lindo,” e eu respondo, quando é o caso: “pois são lindos mesmo”.

E daí por diante.

Já aconteceu algumas coisas de eu sair com mulheres e elas depois reclamarem: “Puxa, passei a tarde inteira com você aquele dia, e você nem quis fotografar/beijar/etc meus pés! Me senti rejeitada!” Faz a fama e deita na cama.

Clarice, a primeira mulher com quem transei, nunca mais me deixou ver seus pés depois que terminamos. Disse que se sentiria nua. Mas, um belo dia, seis anos depois, me chamou pra ir à sua casa e pediu uma massagem nos pés. Adivinhem o que aconteceu pelo resto da noite?

Continua amanhã...

 

26.02.08



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Comentários:


Comentário de: Theo

hmm... seria aquele "sins" (logo antes da Cinthia) ato falho?

PermalinkPermalink 27.02.08 @ 06:46



Comentário de: tatah

c tivesse mais de 18 anos,deixaria fotografar
meus pés..eles naum são muitoo bonitos, mais
eh melhor ter eles do q naum ter nenhum....

PermalinkPermalink 27.02.08 @ 15:12



Comentário de: Silvia · http://prasemprepitchula.blogspot.com

Sabe o que me chamou a atenção? Não são exatamente fotos de pés, mas sim de "sola de pé"!

PermalinkPermalink 27.02.08 @ 22:18



Comentário de: joao1976

a sola é a melhor parte dos pés...é com elas que as moças gigantes esmagam os pequenos mortais normaizinhos merecedores...quando querem matar de primeira, pisam com aquele calo que os sapatos de salto evidenciam, na sola, logo abaixo dos dedos

PermalinkPermalink 29.02.08 @ 09:53



Comentário de: brunno muniz

os pés da jezebel são absurdamente sensuais,algo divino! é observar esses pézinhos e sair de órbita de tanto prazer e
entusiasmo. parabens à princesa jezebel.

PermalinkPermalink 29.07.08 @ 00:56



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