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As Mulheres Sabem Dizer Não, Mas Não Sabem Ouvir Não
Uma mulher pode provocar e excitar um homem, se esfregar nele, levá-lo pra casa, tirar sua roupa, manipular seu pau, arreganhar sua boceta pra ele entrar lá dentro e, então, um segundo antes do pobre infeliz se engatar, dizer: "ah, agora não, perdi a vontade!", e adivinhem, se o desgraçado meter o pau ali, ainda vai preso por estupro, esse maníaco sexual!
(Felizmente, isso nunca aconteceu comigo, mas já cheguei na metade do caminho.)
Não estou reclamando. Concordo que as mulheres tenham o direito de dizer não até o último nanosegundo: eu apenas gostaria que esse direito também fosse extendido aos homens - se não a todos, pelo menos a mim. Eu, pelo contrário, quase sempre sinto que, se eu der o primeiro passo, terei que ir até o final.
Eis o que, de fato, já aconteceu comigo: eu conheço uma pessoa e fico interessado. Pode ser homem ou mulher: nessa etapa, o interesse é o mesmo, é uma vontade de passar mais tempo com essa pessoa, de conhecer sua vida, de aprender sua personalidade, de ouvir sua voz. Sou escritor, me alimento de histórias como os mortos-vivos de cérebros.
Algumas vezes, eu me engano e a pessoa não é nem um pouco interessante. Isso é raro. Eu sou bem seletivo.
Na maioria das vezes, as pessoas são interessantes mas um ou dois encontros já bastam para satisfazer minha curiosidade, para que eu as conheça tão bem quanto poderia desejar.
Em algumas raras vezes, eu reconheço na outra pessoa (por enquanto, só mulheres, mas não tenho preconceitos) aquelas raras qualidades que eu busco em um parceiro romântico e eu tento seduzi-la, encantá-la, atraí-la.
O problema é que, na nossa sociedade atual, um homem que chama uma mulher pra sair (especialmente se dá uns beijinhos nela) tem obrigação de levá-la para a cama, se ela quiser.
"Está achando que tenho cara de palhaça?! Quer dizer que você me trouxe até aqui, cozinhou pra mim, beijou meu pé, me encheu de vinho, enfiou a língua na minha orelha, agora vai ter que me comer, seu filho da puta!"
Gostaria de poder dizer às mulheres algo que elas vivem dizendo aos homens: eu te chamei pra sair porque queria te conhecer melhor; quando conheci, descobri que não tenho interesse romântico ou sexual por você; vamos ser apenas bons amigos.
Uma, uma única vez, eu transei com uma mulher por delicadeza, por achar que tinha irresponsavelmente deixado a situação chegar em um ponto no qual seria terrivelmente indelicado dar uma de mulherzinha e dizer "no means no".
Foi uma das piores experiências da minha vida. E completamente inútil. Ela quis a segunda, e o momento de indelicada rejeição que eu me sacrifiquei pra evitar acabou acontecendo igualzinho.
Enquanto muitas mulheres rotineira e propositalmente atiçam homens para quem sabem que não vão dar, eu, talvez por excesso de sensibilidade, tenho pudor em demonstrar interesse por uma mulher que sei que não vou querer comer.
Caga-Regras
Por fim, um lembrete: de vez em quando, me acusam de caga-regras, de defensor de bandeiras, de querer convencer os outros. Especialmente sobre casamento aberto.
Poupem-me. Vocês se dão importância demais. Não quero convencer ninguém de nada.
Se eu puder viver a minha vida como eu quero, estou pouco me lixando como vocês vivem as de vocês.
Feitos Um para o Outro
Esse post é dedicado à Liloló, pra eu nunca esquecer que minhas mulheres perfeitas não apenas existem como também estão procurando por mim.
Nunca acreditei que as pessoas fossem feitas umas pras outras. Achava que era só uma frase romântica vazia. Agora, entretanto, começo a lhe dar um certo valor.
Porque somos nós que fazemos a nós mesmos, um longo processo de criação e metaformose que dura a vida toda. Assim como o pássaro macho abre seu penacho azul geneticamente projetado para atrair as fêmeas, nós também nos construímos, conscientemente ou não, para atrair de forma mais eficiente o tipo de pessoa que mais nos interessa. No fundo, no fundo, talvez não exista nada mais importante na vida do que isso.
Então, de um modo bem real, e bem romântico até, algumas pessoas são feitas umas pras outras sim.
Eu te amo, minha linda loira louca.
* * *
Vale a pena clicar nos links do texto e ler uma verdadeira antologia dos meus melhores artigos sobre a relação homem-mulher. As primeiras duas partes, de ontem e de hoje, são reescrituras de textos antigos (clássicos, disse o Bia, sempre generoso); amanhã e sexta, dois textos inéditos dando continuidade a esse assunto.
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