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Poder Fazer e Dever Fazer
É engraçado como a nossa auto-imagem raramente bate com a imagem que projetamos.
Apesar de eu me considerar um libertino, ou seja, alguém que não se deixa prender pela moral vigente e está sempre disposto a tentar coisas novas, eu também me considero um celibatário, romântico, moralista, quase abstinente e com desejo sexual abaixo da média.
Meus leitores, por outro lado, parecem me ver como um sátiro amoral e insaciável, cuja vida é uma eterna suruba.
E, mais engraçado ainda, as reações dos meus leitores, sim, me fazem pensar que os insaciáveis são eles.
Por exemplo, quando contei a história da menina que, apesar de ser bonita, inteligente, simpática, etc, eu não quis comer, teve leitor indignado. Se a menina não tinha nenhum defeito eliminatório grave e queria dar pra mim, não comi por quê?! Que absurdo!
E eu fico pensando que isso é como dizer que essas pessoas comeriam qualquer comida que não estivesse visivelmente podre. Um comportamento obsessivo e perturbador.
A mesma coisa acontece quando falo de casamento aberto e as pessoas escutam promiscuidade. Devem ser daquelas que vão à churrascaria rodízio e comem até explodir, achando que poder fazer é o mesmo que dever fazer.
Condenado à Solidão
O que me excita em uma mulher é sua cabeça, sua personalidade, suas taras. Não há a menor possibilidade de eu transar com uma mulher que eu não conheça razoavelmente bem. Nunca transei com ninguém por quem não estivesse ao menos moderadamente apaixonado.
Durante os três anos do meu "promíscuo" casamento aberto, eu tive um único relacionamento extra-marital, oito meses de paixão intensa, uma mulher com quem eu tinha profunda conexão mental, cultural, sexual.
Quando eu estava me separando, uma das minhas melhores amigas chegou pra mim preocupada e perguntou se eu realmente fazia questão desse negócio de relacionamento aberto. Eu nunca tinha considerado a questão nesses termos e parei pra pensar.
Se você se junta com alguém é pra poder ser mais do que era, nunca menos. Não sei se conseguiria me apaixonar por uma mulher que quisesse me reprimir, me limitar, cortar minhas asas.
E minha amiga fez uma previsão sinistra: poucas mulheres desejariam, aceitariam ou se sujeitariam a algo assim. Meu pool de mulheres disponíveis, onde pescar uma futura companheira, seria mínimo. Em outras palavras, prepare-se para envelhecer sozinho.
Confesso que essa conversa me deixou bastante apreensivo.
E não é só isso. Cada pessoa tem vários critérios, eliminatórios e desejáveis, conscientes ou não, que só fazem restringir ainda mais seu pool de futuros companheiros.
Por exemplo, meus critérios eliminatórios são:
Fetiche - se não for tarada e pervertida, não rola. Baunilha só no milk-shake.
Senso de humor - pra me aturar.
Força - nada mais brochante do que uma mulherzinha viadinha, dependente, submissa, de personalidade fraca.
Ao contrário do que muita gente pensa, inteligência e cultura não são critérios eliminatórios, somente desejáveis, assim como:
Bons modos à mesa
Domínio de três ou mais línguas
Saber o que é bouillabaisse, cassoulet e espevitadeira
Noções básicas de esqui na neve
Piña colada and getting caught in the rain
(Ou seja, mulheres burrinhas, por favor não se acanhem.)
Enfim, saí da conversa pensando: fudeu, estou condenado a bater punheta até morrer. Das três bilhões de mulheres no mundo, não devem haver nem dez mil pra mim, quatro no Rio e nove em São Paulo.
(Se eu pelo menos fosse bissexual, talvez tivesse mais opções, mas homem é um bicho muito desagradável. Não estou descartando nada mas o cara teria que ser feminino, imberbe e não querer enfiar nada em nenhum dos meus orifícios. Mandem seus currículos: candidatos serão analisados caso a caso.)
Felizmente, as previsões funestas da minha amiga não se realizaram. Como eu digo na Prisão Conformismo, se mostrar é a melhor maneira de desencavar seus iguais. Não sei se existem realmente só treze mulheres pra mim no eixo Rio-São Paulo, mas sei que, graças ao blog, boa parte delas entrou em contato comigo. Nem por um segundo me senti sozinho.
Pelo contrário, no ano seguinte à minha separação, eu me apaixonei, e fui amado, por três mulheres sensacionais, maravilhosas, perfeitas - todas tão exasperadas quanto eu com os humanos e também achando que jamais encontrariam alguém como desejavam, como precisavam.
Continua amanhã... Enquanto isso, recomendo clicarem nos links acima: são alguns de meus melhores artigos sobre sexo e relacionamentos.
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