Dois Comentários que Valem por Um Post

Escrevi o texto Notícias pela Metade com muito cuidado. Mesmo assim, com dez anos de experiência em colocar minha cara a tapa na internet, eu sabia exatamente o que iria acontecer:

Por um lado,

se você não é cristão, não há razão nenhuma para criticar a classe média por não dá atenção a quem não é de classe média. Cada um que cuide do seu, não?

Veja bem: um jornal tem que informar o que interessa a seus leitores. Os leitores classe média do Globo se interessam por assuntos de classe média. A classe média não se interessa pelos pretinhos que morrem às duzias por dia. (Às duzias? Cacete! Eles morrem às centenas. Mas isso é outro assunto). Se a classe média não se interessa por um pretinho faveladinho atropelado, então porque o Globo deveria se aprofundar na notícia?

Imagino (sim, eu posso está errado, eu erro muito, mas isso é porque eu me arrisco muito) que é porque você acha que a classe média deveria se interessar pelas tragédias dos pretinhos favelados, tanto quanto se interessa pelas tragédias dos loirinhos de bairros chiques. E eu pergunto: Deveria? Por que?

E a resposta é (suponho): porque nosso sentimento de solidariedade em relação ao próximo, nossa revolta em relação à dor do ser humano, isso não deveria ser limitado pelo sentimento de classe. Deveriamos ter pelos pretinhos favelados o mesmo respeito e a mesma consideração que temos pelos loirinhos graciosos.

Bem, pensar assim é coisa de cristão. Ou de ateus que assimilam conceitos cristãos. Quem não é cristão ou não foi criado numa sociedade cristã, esse acha perfeitalmente natural e até mesmo justo o comportamento da nossa classe média. Afinal, o certo é guardar toda a dor e toda a revolta para os nossos. Quando acontece algo com alguém que não tem nada a ver conosco, não há realmente razão para chorar ou se revoltar, há?

E, por outro lado,

Meu Deus do céu Alexandre voce tinha que pensar melhor quando escrevesse coisas como: "É pra eu pensar "já vai tarde, menos um pra me bater a carteira!" ou "meu deus, que tragédia, a vida dessa família nunca mais será a mesma!"? entao se fosse um "pretinho" voce ficava satisfeito??? Sendo que pra ser pobre não precisa ser pretinho.

Bom de um cara que preocupava mais com a vida de um cachorro que ele mesmo abandonou durante à enchente do que com todas as vitimas humanas perdidas na mesma enchente, isso não me espanta nada.

Sim mas voce deve ter querido dizer: "de repente o pretinho foi atravessar a pista correndo porque estava fugindo da pessoa que roubou"... era essa a parte da noticia que voce reclamou que faltava ne. Entretanto, a noticia deve ter sido dada não tanto por causa da morte do pretinho ou branquinho, mas pelo engarrafamento que provocou o atropelamento.

Estou estarrecido ao ver que voce nao evoluiu NADA desde o episodio do poodle que o chines salvou até hoje.

 

18.02.08



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Comentários:


Comentário de: Jose

Li seu post original, não achei nada de mais. Está ótimo como todos.

O problema é que hoje em dia QUALQUER UM que escreve as palavras "preto" ou "negro" é patrulhado, é preciso ter cuidado. Qualquer coisa que tenha essas palavras mágicas é rotulada como racismo, independente do conteúdo.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 07:24



Comentário de: Andre

Pra ser solidario é necessário ser cristao? Acho que isso só é mais idiota do que achar que pra ser inteligente precisa ser ateu.

Voce achou mesmo que esse comentario merecia um (ou meio) post?

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 09:54



Comentário de: Daniel Barbosa Reynaldo

Bom, está claro que no caso do segundo comentário ou a pessoa não sabe ler ou estava com muito sono, porque entendeu tudo ao contrário. Já o primeiro é um imbecil mesmo, acreditar que solidariedade é uma exclusividade do cristianismo ultrapassa as raias do ridículo.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 10:04



Comentário de: rodrigot · http://deshnok.blogspot.com

O primeiro é só imbecil, mas o segundo comentário é incrível!
Você não desanima do seu trabalho e perde um pouco a fé na humanidade nesses momentos?

Comentario do Alex: hahahahah, que bobagem! Fé na humanidade? como eu poderia perder o que nunca tive?

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 11:29



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Para ser solidário com quem nada tem a ver conosco é preciso ser cristão, sim. Antes do cristianismo as pessoas condenavam a solidariedade com estrangeiros. Isso diminuia os recursos para os parentes próximos.

É só pensar no caso do bom samaritano. Ele não deveria ter ajudado o homem ferido que encontrou na estrada. As pessoas da época pensavam assim. Se agora vocês pensam diferente, isso é por causa de Jesus.

Se você acha que não, Alex, então me mostre um texto ANTERIOR ao cristianismo que conte uma história semelhante à história do bom samaritano.

E quanto aos outros comentários, eu não vejo porque responder a idiotas que nem mesmo sabem ler. O Alex Lê Nietzsche. E Nietzsche também achava que solidariedade e compaixão com pessoas que nada têm a ver conosco era uma característica do cristianismo. Ele era contra.

Comentario do Alex: jorge, eu só acho meio problematico vc jogar no mesmo saco todas as culturas humanas que existiam antes da época de jesus...

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 11:35



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

CORREÇÃO

Onde eu escrevi: "Para ser solidário com quem nada tem a ver conosco é preciso ser cristão, sim."

Leia-se: "É preciso assimilar os valores do cristianismo."

São duas coisas diferentes.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 11:37



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com/

Menino!
Estou estarrecida com a falta de tudo do primeiro, e com a falta de noção do segundo.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 11:49



Comentário de: Te

Esses comentários chifre-em-cabeça-de-cavalo são hilários!

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 12:35



Comentário de: tatah

axo q as pessoas q comentaram isso soh
queriam expor sua opinião(opinião sem nenhuma
noção)...d qualquer forma naum axo q esses
comentários(comentários idiotas)merececem um
post.............
mais minha opinião sobre isso eh q nem todo
cristão(ou seja qm c diz cristão)c preocupa
cm os problemas dos outros e nem todo ateu naum c preocupa....conheço muitas pessoas q c dizem
cristão e naum estão nem aih cm a vida ou a morte
do próxima, ainda mais c ele for negro...e conheço muito ateu q naum soh c preocupa mais tbm exerce
trabalhos voluntários......ou seja o comentárioo naum tem nada haver cm a realidade.......(essa foii minha opinião)

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 13:01



Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

O primeiro comentário é uma grande bobagem (os dois aliás, mas enfim).

Quem acha que sentimentos morais elevados são invenção do cristianismo é BURRO. Não tem uma palavra mais amena para usar. E existem muitos e muitos "cristãos" de classe média que estão pouco se lixando com os pretinhos pobres.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 13:09



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Alex,

O que eu disse aqui foi a opinião de NIETZSCHE. NIETZSCHE detestava a cultura européia de solidariedade em relação a estranhos, de caridade com os fracos, de contenção de instintos, de direitos iguais para todas as classes. NIETZSCHE culpava o cristianismo por esses defeitos terem se tornados populares no ocidente. NIETZSCHE dizia que logo viria o super-homem, o feroz e cínico loiro de olhos azuis, que desmoralizaria com esses princípios cristãos. NIETZSCHE tem muito a ver com o nazismo.

E está certo NIETZSCHE, não? Se você acha errado o falto de compaixão e mesmo de atenção da classe média por mais um pretinho que morre, é por causa da parábola do bom samaritano. Isso se incorporou a nossa cultura, e mesmo as pessoas que rejeitam o cristianismo na prática seguem a moral cristã, sem saberem disso também.

NIETZSCHE também dizia que a Revolução Francesa era uma versão secular do cristianismo, o mesmo sendo o socialismo. E que todas as correntes do pensamento moderno, menos a dele próprio, NIETZSCHE, estavam contaminadas pelos defeitos do cristianismo.

Quanto aos demais,

Eu talvez seja caridoso e aceite perder tempo “debatendo” com vocês. Mas primeiro terão que me trazer um texto semelhante à fábula do bom samaritano ANTERIOR a Jesus Cristo.

Comentario do Alex: o fato de Nietzsche ter falado algo e o fato de eu ler Nietzsche nao quer dizer que eu concorde. nao estou debatendo com você. mas acho que devia ler mais historia antiga se acha que a caridade foi inventada pelos cristãos...

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 13:13



Comentário de: Zeca

Jorge Nobre,
Basta lembrar as tragédias gregas e a catarse. O próprio Aristóteles na Poética diz que a catarse é o resultado de um sentimento de temor e compaixão. Ou algo próximo a isso. E olha que Aristóteles nem leu o Novo Testamento.
Que tinha o público a ver com Édipo? Jocasta que se dane. Mas se o público pensasse assim não haveria tragédia, não foi comigo, não é tragédia. No entanto, o público se envolvia. Já era humano. 500 anos antes de Cristo. Você é que está procurando justificativas para não ser.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 18:56



Comentário de: Zeca

Aquiles tem compaixão ao entregar o corpo de Heitor na Ilíada, quando o velhinho que esqueci o nome lhe pede.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 19:18



Comentário de: Helder da Rocha · http://www.helderdarocha.com.br/blog/

Um cão arrisca a vida para salvar um animal humano, mas quando o animal humano arrisca-se por esse cão (ou simplesmente se preocupa por ele), havendo outros humanos (quaisquer humanos) em perigo, é tratado como um degenerado. A impressão que se tem é que a ética cristã não evoluiu NADA desde a fábula do bom samaritano.

PermalinkPermalink 18.02.08 @ 20:03



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Eu vou explicar a parábola do bom samaritano.

Eu não queria fazer isso porque as pessoas se ofendem quando alguém explica para elas o óbvio. Elas ficam pensando: “esse aí acha o tal e que nós somos idiotas”. Por isso, eu não queria ter o trabalho de explicar.

Mas o que posso fazer quando o trabalho se faz necessário?

Ignorar a necessidade é muito pior do que correr o risco de ofender alguém.

Então, mãos a obra!

Um homem foi assaltado e abandonado ferido na estrada. Passou um levita, em tese um homem de grande virtude, e ignorou o homem ferido. Depois passou um sacerdote, em tese um homem santo, e ignorou o homem ferido. Depois passou um samaritano, em tese um inimigo do homem ferido. Presume-se que o homem ferido fosse um judeu. Judeus e samaritanos eram inimigos. Havia rivalidade entre os dois povos por diferenças teológicas, e também étnicas. Mesmo assim, o samaritano teve compaixão do homem de um povo inimigo. Recolheu o judeu, o levou para uma hospedaria, e ainda pagou pelo seu tratamento. Fez isso por um estranho, membro de um povo inimigo.

Não há equivalente a essa fábula antes de Jesus Cristo.

Um ou outro elemento, talvez, mas não com a essência completa: a necessidade de compaixão pelos nossos inimigos, quando nossos inimigos necessitam dela, e a possibilidade de um estrangeiro ser capaz dessa compaixão enquanto homens respeitáveis do nosso próprio meio não a têm.

Agora que expliquei a parábola do bom samaritano, esperarei com toda paciência que me tragam um exemplo equivalente.

Um vem me falar de Aristóteles, aparentemente sem saber que Aristóteles considerava a compaixão um estado doentio e achava que a tragédia servia como uma espécie de purgante – a intenção era se livrar da compaixão (e mesmo assim não cita um caso concreto, não dá o nome de nenhum personagem na literatura grega). O outro me falar de Aquiles e Heitor, mas a) Heitor já estava morto; e b) para ser um equivalente a parábola do bom samaritano seria preciso que houvesse um ou dois personagens troianos que mostrasse desprezo por Heitor e Homero deveria contrastar esse desprezo com a suposta piedade de Aquiles.

Enfim, continuo esperando.

PermalinkPermalink 19.02.08 @ 10:52



Comentário de: Zeca


A compaixão de Aquiles não foi com Heitor, mas com o velho, para que pudesse enterrar o filho com dignidade e honra. Se o filho era inimigo, o pai não deixava de o ser.
Será difícil encontrar uma história idêntica anterior, mas o elemento principal está lá.
Não citei nomes e eventos porque são absolutamente desnecessários, qualquer tragédia grega os tem. Qualquer uma. O que Aristóteles pensava sobre a compaixão não interessa nesse caso, o exemplo foi dado para mostrar a EXISTÊNCIA da compaixão como sentimento humano.
Também o budismo tem a compaixão como virtude central, não preciso dizer que as origens são diferentes e que levou muitos séculos até que um tomasse conhecimento do outro.
Se quiser outra história há a fábula do Leão e do Camundongo de Esopo. O Leão é predador do Camundongo, mesmo assim o poupa. Depois o Camundongo retribui o favor o salvando.
Enfim, muita arrogância e teimosia, pouco conhecimento e pesquisa.

PermalinkPermalink 20.02.08 @ 18:15



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Muito bem.

Na Iliada, primeiro Aquiles mata Heitor vigando Patroclo. Depois, Aquiles profana o cadáver de Heitor. Então, Apolo intercede por Heitor junto aos Deuses. Hera se irrita, pois ela declara que não se pode ter a mesma consideração por Heitor e por Aquiles, como pretende Apolo. A palavra final é de Zeus, e ele considera que Hera tem alguma razão: realmente Heitor e Aquiles não podem receber o mesmo tratamento, depois de mortos. Mas, como Heitor tinha sido camarada com os deuses enquanto vivo, Zeus admite que alguma honra Heitor merece, mesmo que menos do que Aquiles.

Segue o trecho:

Then said Jove, "Juno, be not so bitter. Their honour shall not
be equal, but of all that dwell in Ilius, Hector was dearest to
the gods, as also to myself, for his offerings never failed me.
Never was my altar stinted of its dues, nor of the
drink-offerings and savour of sacrifice which we claim of right.
I shall therefore permit the body of mighty Hector to be stolen;
and yet this may hardly be without Achilles coming to know it,
for his mother keeps night and day beside him. Let some one of
you, therefore, send Thetis to me, and I will impart my counsel
to her, namely that Achilles is to accept a ransom from Priam,
and give up the body."

Vejamos então a parábola do bom samaritano:

Lucas 10:25-37

E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Eu acho que não é preciso ser gênio para saber que Aquiles não tratou Heitor como a ele mesmo. E mais importante: se Heitor merecia alguma consideração, certamente não merecia o mesmo tratamento que Aquiles. E ainda mais importante: Heitor foi honrado depois de morto principalmente porque ele tinha feito muitas oferendas aos deuses, que provocaram piedade em Aquiles. No caso do bom samaritano, a compaixão que ele sentiu foi totalmente gratuita.

Deve dá para entender que não as duas fábulas não são equivalentes. E que o samaritano é muito mais meritório, do ponto de vista da moral cristã, que é a moral que o ateu Alex Castro adota. Se não adotasse a moral cristã, porque se incomodaria com a falta de interesse da classe média pelas dores dos pobres? (Mas se os pobres não se interessarem pelas dores da classe média eles estão desculpados... aí, o Alex e outros ateus não seguem a moral cristã, mas isso já é outra história).

E agora, Aristóteles:

2. A tragédia é a imitação de uma ação importante e completa, de certa extensão; deve ser composta num estilo tornado agradável pelo emprego separado de cada uma de suas formas; na tragédia, a ação é apresentada, não com a ajuda de uma narrativa, mas por atores. Suscitando a compaixão e o terror, a tragédia tem por efeito obter a purgação dessas emoções.
Não deve ser impossível (embora, para certas pessoas, muito difícil) concluir que Aristóteles desaprovava o sentimento da compaixão, o objetivo da tragédia sendo, para ele, livrar a platéia de tal sentimento.

A parábola do bom samaritano tem o objetivo contrario ao que Aristóteles pretendia que as tragédias tivessem. Jesus Cristo pretendia incentivar a compaixão, e não reprimi-la.

Ai, isso já está longo demais. Sigo esperando.

PermalinkPermalink 22.02.08 @ 10:28



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