Ontem, Barack Obama veio à Nova Orleans e fez um comício na minha universidade. Eu estava lá.
Gosto do homem. Votaria nele e tudo. Mas quando me pergunto por que, confesso que não sei exatamente. Ele não tem experiência administrativa, discorda de mim em quase todas as principais questões e não fez um décimo da oposição que deveria ter feito ao Bush. (Descubra qual candidato concorda com você em mais coisas)
Ah, mas ele é tão carismático, não é? Ele não é quem nem esse povo que está aí! Ele vai mudar tudo de verdade!

(fotos desse post, fonte: The Times Picayune)
Deve ser o meu lado cínico mas, mesmo gostando do político, eu me sinto manipulado ao ouvi-lo falar. São todos iguais: o mesmo carisma, as mesmas piadinhas, as mesmas promessas, a mesma empolgação, o mesmo tom de voz. Parece uma lavagem cerebral coletiva.
Por ser Nova Orleans, não deve ter sido o seu discurso-comício-padrão, mas não faltaram promessas rocambolescas, de que em seu governo ele resolverá tudo pessoalmente, os diques serão reconstruídos, os paus dos homens e os seios das mulheres aumentarão e uma nova era de ouro se iniciará na vida de todos. (Não consegui deixar de pensar nesse vídeo maravilhoso do The Onion)

(eu fiquei nessa fila desde às seis e meia da manhã, num frio de nove graus)
Na política americana, não há lutas radicais entre extremos opostos do espectro sociopolítico. Todo são de direita, uns mais, uns menos: estudaram nas mesmas universidades e, depois da eleição, se encontram no mesmo country club, sem ressentimentos, nada pessoal, somos todos profissionais.
Barack faz parte do mesmo clubinho, mas dá a impressão de não fazer. Existe algo de Collor em sua atitude e, mais importante, na atitude de seus eleitores. Muita gente está se envolvendo em política pela primeira vez por causa de Obama, gente cheia de esperança que ele vai ser algum tipo de Salvador da Pátria, que ele é diferente, que nada mais será como antes!
Esse país não está acostumado a messianismo político. Caso Barack seja eleito, vai ser muito interessante acompanhar o baque da empolgação americana. Assim como Collor, assim como Lula, o que acontecerá quando os americanos descobrirem que Obama é somente mais um político como os outros?
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