Vivem me perguntando: "afinal, o que é literatura?", "Paulo Coelho é literatura?", "Agatha Chrstie é tão gostoso de ler, por que não é literatura?", "Livro legal não pode ser literatura?" *puxa a camisa* "Responde, tio!"
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Semana passada, eu tirei o fim de semana para escrever para o blog. Em dois dias, escrevi 57 páginas (15 mil palavras) de bons textos, textos de idéias, textos sobre pessoas, textos controversos e articulados. Esse fim de semana agora, eu tirei para o meu romance. Depois de 13 meses de trabalho, tenho prontas 34 páginas (11 mil palavras). Alguns amigos e leitores não entendem a discrepância: como pode uma coisa ser tão rápida e outra, tão lenta? E eu fico pensando que talvez não entendam exatamente o que é literatura.
Não, eu também não sei o que é literatura. E, se soubesse, não iria cagar regra pra vocês: nem os críticos literários conseguiram se decidir ainda quanto a uma definição unânime de literatura. Como sempre, então, vou falar só de mim: das diferenças entre meus textos de ficção e não-ficção.
Em minha não-ficção (inclui meus livros de crônicas Radical Rebelde Revolucionário e Liberal Libertário Libertino, a maioria dos textos desse blog e minhas colunas para a Tribuna), a linguagem é somente uma ferramenta para o enredo ou para o argumento. Sim, ela é trabalhada cuidadosamente, mas apenas para melhor transmitir o conteúdo sendo expresso. A linguagem, em si, não é uma atração. O texto não-ficcional não chama atenção para o fato de ser texto: idealmente, ele é invisível. 
Em minha ficção (inclui meu romance Mulher de Um Homem Só e meu livro de contos Onde Perdemos Tudo), a linguagem é parte intregrante do espetáculo. O texto literário é aquele que não quer ser transparente: ele lembra ao leitor, o tempo todo, de que a linguagem é uma convenção humana, uma criação traiçoeira. A literatura é complexa e sempre se apresenta em forma de enigma: quanto mais parece simples, menos o é. Se for, ou não é literatura ou você perdeu alguma coisa. Enquanto a historinha acontece na superfície (o príncipe dinarmarquês que vê um fantasma, o homem que vira inseto, o defunto que narra do pós-tumulo), muito mais coisa acontece abaixo, em camadas mais e mais profundas, no espaço vazio entre as letras, nas entrelinhas: o texto literário é justamente aquele que não se limita a contar uma historinha. Todo texto literário também tem algo de poesia: as palavras não transmitem apenas um conteúdo, elas são o conteúdo. O som, o ritmo, a voz, as lacunas, as aliterações, as metáforas, tudo é proposital. Em um texto literário, até os hífens são deliberados: cada palavra conta, principalmente as não ditas.
O sentido do texto de não-ficção é o argumento exposto ou a história narrada. Já o texto literário é aquele que borbulha de sentido em cada vírgula.
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Por exemplo, o leitor literário, bom entendedor, que sabe ler nas entrelinhas, vai sacar logo a mensagem principal desse texto: titio Alex está levando uma surra do seu romance. Ai ai, escrever pro blog é mais fácil, paga melhor e tem gratificação instantânea... Mas e a arte?
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Acabei de postar a terceira versão, ainda incompleta, de A Morte do Cachorro, primeira história o meu romance em andamento Empregadas & Escravos. Para quem tem acesso, o link é esse: preciso de feedback urgente! O blog do livro é só para convidados: basta estar logado no Google/Blogger/Orkut para entrar. Quem comprou meu livro Onde Perdemos Tudo tem direito a convite, basta pedir.
Aproveite e dê uma olhada nos meus livros:
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