Pergunta da Kat:
Is Carnaval inherently frivolous? Or can it depict complex topics, even horrifying and abhorrent events, without trivializing those events?
O manifesto (chamemos de manifesto para lhe dar legitimidade, pois ele merece) de Paulo Barros, o carnavalesco censurado, defende não a liberdade de expressão, mas a legitimidade do carnaval como forma de arte reconhecida:
As salas de cinema e os salões dos museus são os espaços mais adequados para que o povo reflita sobre as barbaridades do homem? Considerar "escárnio" desfilar como tema tão contundente na Marquês de Sapucaí é descredenciar uma das mais importantes manifestações culturais brasileiras.
Realmente, lugar de assunto sério é no museu ou na livraria. Na passarela, deus me livre, como mulatas bundudas sambando, seria escárnio e desrespeito, censura judicial neles!
Pergunta aos leitores: será o Carnaval capaz de abordar temas sérios sem carnavalizá-los, ainda mais quando o próprio termo "carnavalizar" já é utilizado como sinônimo de "transformar em confusão"?
Pergunta do Breno:
Sinceramente... acho que é frívolo sim. Não que não exista lugar no mundo pra coisas frívolas... Porque tudo tem que ser sério, ponderado e profundo pra ter valor?
Não consigo imaginar mulatas bundudas sambando num campo de concentração, ou durante um experimento "científico" em que se arranca o olho de um judeu para colocar no cavidade ocular recém-esvaziada de outro pra ver se "ainda funciona".
Já teve algum desfile baseado em um evento trágico? Se bem que chamar o holocausto de evento trágico é eufemismo...
Hmm... Espera... Deixa eu pensar... Está aqui na ponta da língua... Péra! Pronto, já sei!
E eu me pergunto: quantos carros alegóricos sobre a escravidão já foram judicialmente censurados no Brasil?
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