Dois Links

Excelente entrevista de Bruno Chateaubriand à Veja. (Dica da B.) Não sei o que foi mais incrível: descobrir que o homem não é um retardado ou descobrir uma matéria nessas numa revista como a Veja. Trecho:

Tenho vontade de fazer coisas simples, do dia-a-dia. Por exemplo: nós viajamos muito para o exterior e, na fila da imigração, sempre observo que casais heterossexuais se apresentam juntos na hora de mostrar os passaportes. Se há algum problema com um dos dois, o outro socorre. Nós não temos essa segurança. Sempre entramos separados.

* * *

Uma semana depois da foto onde aparece uma socialite e uma outra-pessoa-não-identificada (mas a legenda só menciona a socialite), a mesma coluna publica uma foto de uma socialite e sua cachorrinha (e a legenda só falta dar o CPF e RG da cachorra). Não poderia haver um retrato mais claro, com legenda de tudo, da situação social do Brasil. Veja lá no Fósforo.

 

01.02.08



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Comentários:


Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

As duas legendas, juntas, são incrivelmente eloqüentes.

PermalinkPermalink 01.02.08 @ 16:48



Comentário de: Jorge

"Veja – Que outras manifestações de preconceito são comuns no seu cotidiano?
Bruno – Uma das mais comuns é a da socialite que nos abraça e, aos berros, diz para quem está em volta: "Eu adoro este casal!". É claro que ela não está querendo nos agradar. Está é querendo mostrar para os outros quão nobre ela é de aceitar esses "alienígenas"."

PermalinkPermalink 01.02.08 @ 18:42



Comentário de: Andre

(comentario q mandei no site q postou sobre as fotos das socialites, nada a ver com o bruno e sua entrevista)

O nome da empregada não apareceu na foto porque ele não importa pra quem procura essa coluna. Não tem nada a ver com ela ser “gente” ou não. Poderia ser uma rica anonima qualquer que, ainda assim, não teria o nome publicado por não ser uma socialite e não ter uma vida “interessante” o suficiente.

Quem procura essa coluna provavelmente queria saber o nome da cachorrinha da socialite e qual a marca daquela bolsa ma-ra-vi-lho-sa para comentar com as colegas. Me digam agora, revoltados: qual a relevancia do nome da empregada (ou de qualquer outra pessoa não-publica, não-celebridade) que apareceu na foto?

Eu entendo a metafora contida na foto, como ela representa a situação social no Brasil, onde supostamente os pobres são ignorados e os ricos são paparicados pelo governo. Só não entendo a surpresa e a revolta ao se deparar com as fotos e suas legendas.

Comentario do Alex: fale por vc, eu nao fiquei nem revoltado (sou muito cínico) nem surpreso (conheço o Brasil e a FSP há décadas)....

PermalinkPermalink 02.02.08 @ 00:15



Comentário de: Theo

De fato, só posso corroborar seu duplo espanto com a entrevista. O cabra pensa, e a Veja ainda publica!

PermalinkPermalink 02.02.08 @ 09:42



Comentário de: Te

Na Veja Rio que veio com esse número gostei da coluna do Tutty Vasques falando das cinderelas do Carnaval: as mulatas que o ano inteiro passam despercebidas em uniformes de empregada e que só no Carnaval tem sua chance de brilhar.
http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/editorial/m272/mulatas-borralheiras

Comentario de Alex: perfeito!

PermalinkPermalink 04.02.08 @ 20:59



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