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Qual É a Graça de Tanto Crime e Violência?

 Sangue Frio, A  Educação de um Bandido

Email que recebi:

"Gostaria de fazer uma sugestão para o LLL (que na verdade é um pedido pessoal de indicações): você poderia fazer uma lista com os livros indispensáveis e/ou os que você mais gosta sobre crimes? Veja, usei a palavra "crimes" para que a lista possa ser abrangente: detetive que desvenda algum, estudo sobre mentes criminosas (ex.: Truman Capote), bandidagem da boa (Edward Bunker) etc."

O pedido, em si, é interessante, mas a grande verdade é que não tenho interesse algum por crimes, bandidos, gangues, detetives ou mentes criminosas de modo geral. Nunca li os autores citados - nem tenho muito interesse. Dos livros na minha lista de favoritos (aqui na coluna da direita), nenhum é sobre crimes. Leio muitos livros policiais, mas estritamente pelos personagens: acompanhar Nero Wolfe e Archie Goodwin passando férias na Europa seria tão interessante (ou mais) do que vê-los resolvendo crimes. Idem idem para Holmes & Watson, Padre Brown, Fletch, Arsene Lupin, Maigret, Columbo, Monk, Bobby de Law & Order Criminal Intent, etc etc. Nesses livros e filmes, o crime é a coisa que menos me atrai: quero saber da dinâmica dos personagens.

 Monk  Lei & Ordem: Criminal Intent  Columbo  Sabedoria do Padre Brown, A  Sherlock Holmes: Edição Definitiva  Maigret e o Homem do Banco Confraria do Medo, A  Voz do Morto, A

Ou seja, sou a pior pessoa pra se perguntar isso. Fale com a Olivia e ela vai ter excelentes sugestões.

Mas, ainda assim, fiquei matutando aqui: qual é a graça do crime? Por que as pessoas se expõem continuamente a coisas das quais fugiriam na vida real, a coisas que não querem nem saber que existem, a coisas que passariam mal se vissem pessoalmente, a coisas que as destruiriam se acontecessem com um ente querido? Qual é o atrativo de tanto sangue, violência e morte?

Não venham acusar esse velho libertário de censura. Acho que as pessoas devem produzir e consumir o que quiserem. Videogames violentos não são causa, são sintoma. Eu não quero saber o que o gamemaníaco vai fazer quando sair da Lan house: eu quero saber porque ele entrou! Qual é a graça de passar horas e horas, e gastar reais e reais, fingindo que se está matando ou machucando gente?

Aos espectadores de filmes de ação, terror e mistério, eu pergunto: tanta morte ensina alguma coisa? Ajuda vocês a serem pessoas melhores? Comove? Diverte? (E aí já começamos a entrar em outra questão espinhosa: para que serve a arte, afinal de contas? Ou melhor, para o que utilizamos a arte?)

Bote a mão na consciência. Tente imaginar um outro mundo onde a violência não fosse glorificada. O que pensaríamos de gente que acha "divertido" duas horas de um maníaco com máscara de hockey matando pessoas, uma atrás da outra? O que essa idéia de diversão nos diz sobre o estado mental desse indivíduo? Você gostaria de ficar preso no elevador ou de dormir ao lado de alguém que se diverte com mortes em série? E, entretanto, fazemos isso todos os dias, não?

Como sempre, o maluco desajustado deve ser eu. Até hoje, eu não entendo a graça de parques de diversão ou maconha, por exemplo. Por que alguém paga para sentir medo? Por que alguém paga (e ainda arrisca prisão) pra ficar alto? Caramba, se me amarrassem numa montanha russa, eu pagaria o dobro, o triplo do preço da ingresso pra sair dali - mas nego paga fortunas pra entrar! Se acordasse me sentindo como se tivesse acabado de fumar um baseado, eu iria ao médico correndo, pensaria que estava morrendo, faria todos os exames, gastaria uma fortuna em remédios, pagaria o que fosse preciso para o meu mundo voltar à sua órbita - e nego sobe o morro e arrisca levar uma bala na cabeça pra ficar assim.

Talvez o mais inacreditável seja a relação entre sexo e violência. Deve ser porque não sou pai, é a única explicação. Como pode uma sociedade tentar ao máximo proteger suas crianças do sexo (um ato natural e lindo, mágico e necessário, a origem de toda a vida, algo que queremos que nossas crianças um dia pratiquem com prazer e responsabilidade), mas ao mesmo tempo as expor a doses quase psicopatas de violência (algo que não queremos que jamais faça parte de suas vidas, nem como vítimas, nem como perpetradores)? Não faz muito tempo, os americanos quase surtaram coletivamente porque um seio (um seio, meu deus!) de Janet Jackson escapou para fora do sutiã e foi visto, em cadeia nacional, por milhões de crianças - que assistem em média a seis homicídios por dia. "Não temos problemas com torturas e decapitações, mas precisamos proteger nossas crianças daquele peitão!"

Sério. As perguntas não são retóricas. Alguém me explica? Por favor?

 Kill Bill  Cães de Aluguel

Será que os dramas e emoções da vida normal não bastam? Estaremos restritos a tediosas crianças que perdem sapatinhos ou a nojentos banhos de sangue e tripas?

Tire a violência absolutamente gratuita da obra de Tarantino e o que sobra de filmes como Cães de Aluguel e Kill Bill? Qual é a graça de sentar no cinema e ver a Uma Thurman (ou o Charles Bronson, ou o Clint Eastwood, ou o Jason, ou um tubarão branco, ou o Predador, ou um vírus apocalíptico, ou uma nova era de gelo, ou um navio afundando, etc) matando uma pessoa atrás da outra? Aliás, é impressão minha ou 80% do cinema é sobre alguém ou alguma coisa matando gente em série? Qual foi o último filme realmente bem sucedido que não incluía nenhuma morte violenta, ou que não tinha alguma morte como ponto fundamental da trama?

Qual foi o último filme que você viu que celebrava a vida, caralho?!

 Coleção Charles Bronson Dirty Harry Predador Titanic  O Dia Depois de Amanhã  Sexta-Feira 13 Parte 6 Tubarão Extermínio

Update

Meu irmãozão Biajoni, de belíssimo leiáuti novo, escreve sobre esse post lá no blogui dele:

foi um post-kiwi: peludinho por fora, frutinha por dentro.

Update II - O Exagero

Reparem que não estou criticando a violência como tema artístico em si. A arte engloba tudo. Violência é um tema artístico tão válido quanto o amor, o trabalho, a doença, o destino, a morte. O que me espanta é predomínio do tema: nossa produção cultural parece viver praticamente só de violência.

Sempre que critico alguma obssessão por X, me aparecem alguns praticantes de X se sentindo atacados, como se eu tivesse falado deles. É como eu fazer um post sobre aqueles gordos mórbidos que comem compulsivamente e um bando de idiota vir encher minha caixa de comentários dizendo coisas como:

Ei, seu idiota, como você ousa falar mal de quem come? Eu como três vezes por dia e não tem nada de errado comigo! Você tem é preconceito contra as pessoas que comem! Você é feio e bobo!

 

28.01.08


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Thiago

Ué... só seguir o mesmo raciocínio do post da Claudinha (quero dizer, o raciocínio não é o mesmo, mas a premissa, de que essas coisas tem total lógica)

Mas são coisas diferentes, a repulsa do sexo e a adoração a violência.

Acho que é um jeito de ter uma 'familiaridade' com a coisa. Se coloca em uma situação 'controlada' (que cabe também no exemplo da montanha russa - um dos poucos brinqedos de 'carnival' que eu 'tolero') para algum propósito.

Também tem o fato de que graça teria Sherlock Holmes ou Agatha Christie para resolver o mistério de quem colocou o dedo no chantily do bolo?


PermalinkPermalink 28.01.08 @ 21:32



Comentário de: Olivia · http://verbeatblogs.org/forsit

você deu uma bela duma generalizada, e acho que talvez eu tenha qq coisa a dizer sobre os policiais. quando o crime é investigado, etc, etc. de certa forma, o que atrai as pessoas pra isso não é a violência em si, mas sim a vontade de justiça.

do resto, tubarão, kill bill e essa sopa toda que você fez aí, eu não acho a menor graça. as pessoas devem assistir isso pelo mesmo motivo que assistem, sei lá, jornal nacional. jornal nacional é um troço muito chato. eu prefiro as investigações fictícias.

PermalinkPermalink 28.01.08 @ 21:33



Comentário de: Renata P. · http://www.popculturefreak.com

Eu não saberia explicar boa parte do que você perguntou aí - são muitos e muitos estudos que tentam desvendar isso -, mas a parte sobre montanha russa e maconha me parece mais simples: são reações químicas do organismo. Sei lá quais neurotransmissores/etc são bloqueados ou quais substâncias são liberadas, a verdade é que o barato da maconha e da montanha russa é o que deve atrair esses fiéis todos. E você pode dizer que esse barato não te atrai, que causa mais náusea que bem-estar, mas não é o que acontece com a maioria...

PermalinkPermalink 28.01.08 @ 22:29



Comentário de: Filipe

Cara, não tenho resposta pra nenhuma das suas questões, mas o post foi muito bom! Parabéns seu gordo f.d.p. inteligente!

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 00:01



Comentário de: Lucas

Continue assim e eu te compro um livro.

Sobre os jogos violentos, eu jogo basicamente pq é um jogo que me diverte, não creio que me sinta feliz por matar gente. Eu jogaria com o mesmo prazer se as balas fossem bolinhas e você tivesse que jogar o oponente pra fora e ele cairia num monte de merda. Mas não fazem jogos assim. Aliás, já vi em lan house neguinho se sentindo o traficante jogando Counter-Strike, mas é basicamente porque dá sensação de poder. Mesma situação dos garotos que imitam cantores de rap (e de muitos cantores de rap).

Não sou um fã de filmes em geral, assisto às vezes. O único filme que pode ser classificado como "de morte" que eu vi e gostei foi Jogos Mortais, mas gostei mais pela trama. Também, mesma coisa da sensação de poder e da adrenalina.

Montanha russa, novamente, adrenalina. E às vezes peer pression.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 00:21



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com/

Ué, me parece bastante simples. Eu vejo esse tipo de coisa não para me tornar uma pessoa melhor, mas para não me tornar uma pior. Quase todo mundo carrega um mundo de agressividade, escondido e acorrentado num canto escuro qualquer. É bom dar uma dose saudável de violência para esse bicho de vez em quando, e não tem melhor jeito de fazer isso do que de mentirinha, no cinema.

E outra: não é porque uma coisa é moralmente repulsiva que ela não pode ser esteticamente interessante.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 00:36



Comentário de: Mell

Vamos por parte.

A foto do livro do Trumam Capote... este está n
minha lista de livros.Li a 'Bonequinha de Luxo'
pq sou fascinada pela Audrey Hepburn e morro de
curiosidade de ver ele escrevendo algo tão distindo.
Até porque o filme sobre ele aguçou mais minha
curiosidade.

Adoro Conan Doyle e Agatha Chirstie, leio sempre.
Mas não pelos crimes em si, e sim pelo modo como
a história se desenrola,com um pequeno estudo
da mente de cada personagem, e o que moveria eles
a cometer um crime(ou a não cometê-lo).Adoro de verdade.Mesmo que Agatha Christie se encontre num limbo literário, ninguém lembra mais dela.

Quanto aos filmes Deus me livre, odeio filmes assim, morro de medo de descobrir q meu vizinho é psioopara e vai me matar com uma serra elétrica.É sério.Morro de medo.

E o último filme que vi que celebrava a vida foi 'Amelie Poulain' pela enésima vez ontem à tarde.

A propósito, acho que as pessoas vêem filmes de terros porque mesmo odiando se tais coisas acontecessem com elas ou pessoas queridas, iam adorar se fosse com pessoas que não conhecem.Já viu que povo não pode ver desgraça na rua que para pra olhar?E isso não é ser fofoqueiro, pq só param mesmo quando é desgraça.
Mas nem todos são assim, eu passo direto, sou muito cagona...

Enfim...

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 08:19



Comentário de: regina

Os americanos parecem ter pavor de nudez, mesmo que nao seja sexual, e de sexo, mesmo que nao seja violento (especialmente se nao for violento). O link abaixo e interessante porque ilustra essa ironia de que violencia seja aceitavel e nudez nao.

http://news.bbc.co.uk/1/hi/entertainment/7210826.stm

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 08:38



Comentário de: Christian Pires

Caro alex,

acompanho seu blog a um considerável tempo, e
é a primeira vez que comento, e o meu
comentário não tem nada a ver com o contúdo
do post, é pra pedir que você me indique
alguns sites ou blogs pra estudo de lingua
inglesa.

Grato,

Christian Pires

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 08:55



Comentário de: Ricardo Machado

Mas qual é a graça de passar horas por dia lendo a respeito de pessoas que não existiram e fatos que não aconteceram? Eu sempre achei ficção tão chatinho; a realidade é muito mais interessante...

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 09:32



Comentário de: Leonardo

"Qual foi o último filme que você viu que celebrava a vida, caralho?!"

Eu ri muito nessa parte...

Não tenho nada contra um filme / livro que tenha uma morte ou outra... Se voce for pensar bem, até o "Rei Leão" tem mortes... Mas realmente concordo que existem muitos excessos. A arte não pode ser como o "Linha Direta" mas também não pode ser um eterno "Moulin Rouge"

Abraços Alex... Adorei o post e o assunto.


PermalinkPermalink 29.01.08 @ 09:52



Comentário de: Marcelo Urbano

Eu acho que a explicacao paira entre catarse e o eterno medo da morte.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 10:53



Comentário de: J.

A morte faz parte da vida, não faz? Deixá-la de lado, a meu ver, é viver errado.

E, bem, assisto a filmes de Freddy Krueger e Jason (que não são muito mais realistas que desenhos do Pica-Pau, são?) desde os, sei lá, sete anos de idade, e nunca matei ninguém. Aliás, não mato animal nenhum. Nem para comer.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 10:54



Comentário de: J.

Continuando...

De qualquer forma, já não digiro tão bem a violência no cinema, por mais estilizada que seja, quanto quando era criança. Talvez a morte deixe de ser inocente quando entramos em contato direto com a realidade.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:05



Comentário de: azrael · http://verboetverbum.blogspot.com

Acredito q a nossa atração pela violencia seja pela natureza animal que temos e talvez por sermos contantemente moldados a vida inteira para nos "adequar" a sociedade, reprimindo muitas vezes o que sentimos, nossos impulsos e instintos. E qdo podemos "viver" uma coisa proibida que é a violencia atraves de um personagem ficticio, meio que extravasamos muito de nossas frustraçoes na morte das jovens bonitas e carinhas marombados nas laminas implacaveis do nosso "personagem enquanto encarnaçao do eu"

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:06



Comentário de: Pedro · http://growing-up.blogspot.com

Ah, só vim dizer que se você tirar a violência dos filmes do Tarantino, te sobra a podolatria, Alex! Tá reclamando? rs





PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:44



Comentário de: rodrigot

"Tire a violência absolutamente gratuita da obra de Tarantino?"
Os personagens, meu caro, os personagens. :D

blog novo com força total, hein?

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:48



Comentário de: rodrigot · http://deshnok.blogspot.com

Hoje de manhã li o seguinte trecho num livro a caminho do trabalho, cai como luva no tema:

"
Nós não iriamos assistir a eventos esportivos nem qualquer outra competição se não nos dessem alguma forma de satisfação básica. Precisamos de aventuras.
(...)
Na ioga, o objetivo é alcançar a paz interior à custa de tudo o mais. Como observou Freud em 'O Mal Estar na Civilização', qualquer pessoa que alcance plenamente os objetivos de uma tal disciplina, 'sacrificou a vida'. Em troca de quê? 'Terá apenas alcancado a felicidade da quietude'. Parece mal negócio.
" - Max Gunther

É curioso pq ele discorre por algumas paginas sobre a necessidade humana de viver riscos e blabla, gostaria de transcrever mais, mas tá bom assim.

Talvez seja um tema que vc escreveria o oposto mas é uma narrativa bem ao teu estilo.. :)

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:59



Comentário de: Manoel · http://www.perguntasainda.weblogger.com.br

Partindo do básico: será que matar é um prazer? Acho que sim, e assim como o tabu do incesto é importante pra nossa cultura e civilização (e por isso calamos, por ser vital e espinhoso).
Talvez não falarmos sobre isso (se falássemos seria melhor??) torne o assunto atraente, como tudo que é oculto e proibido. Talvez o desejo de morte seja subestimado na espécie. O que explicaria a 'inexplicável' tendência destrutiva e auto-destrutiva da espécie.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 11:59



Comentário de: Carlos

Bom, meu ponto de vista é um pouco tendencioso nesta questão de morte, pois trabalho com ela: sou perito criminal. Confesso que freqüentemente, quando vejo "adoradores da morte" (góticos e quetais) me dá vontade de botá-los na viatura para ajudarem a tirar um podrão de dentro do rio. Todo mundo, alguns dias depois de morto, fica parecendo o filho bastardo do Tim Maia com aquele senador (ou deputado?) Heráclito Alguma-coisa, só que fedendo, e muito. Se passar uns dias boaiando, então, dá para acabar com qualquer romance com a morte.
Mas voltando ao tema, creio que o que atrai as pessoas nestas formas de estilização da morte é justamente o fato de ela não ser verdadeira. Filme não tem cheiro, cadáver de filme não arrota podre quando é virado, não está debaixo e em volta de uma maçaroca de larvas de mosca, com as alegres mamães e papais-mosca voando em volta e tentando pousar na cara da gente.
A morte de filme é mais uma forma de acentuar catárticamente a vida: olha só, o bandido morreu, mas o herói está vivo. O bandido acabou, de forma relativamente limpinha - pode ter litros de sangue vermelhão, mas não tem cheiro, não apodrece. Mesmo no CSI, que é tido por nojento, nunca vi nada que seja sequer perto do nojo que é na vida real.
Creio que o apelo seja talvez justamente a forma "limpa" e estética em que a morte é apresentada, somada a um certo determinismo moral. Note como mesmo quando o parâmetro "moral" é amoral (em um Tarantino da vida, que aliás detesto), ele serve a um fim; as mortes nunca acontecem do nada, como freqüentemente ocorre na vida real.
Eu encontro a cada plantão mortes que não têm nenhuma razão de ser: um idiota correu demais, perdeu o controle e atropelou crianças indo para a escola (ele vai pagar uma cesta básica como pena, aliás). Do mesmo modo, vejo outras que poderiam ter acontecido e não aconteceram (hoje mesmo atendi um local em que um rapaz bateu de frente de moto em um carro que corria na contramão e só quebrou uma perna; o carro se enrolou em volta do tanque da moto, e a parte da frente dela virou um emaranhado de metal retorcido. Ontem de manhã, foi outro em que um ônibus acertou a perna de um motoqueiro, que morreu. A moto teve um amassadinho no tanque).
A morte, na vida real, é imprevisível; no cinema - especialmente quando já se sabe como funcionam os roteiros do cinemão - e no videogame, ela é completamente previsível e perfeitamente encaixada em tudo. Ela faz sentido, mesmo que o sentido seja provar que nada tem sentido. Ela dá alívio, assegura que "é assim mesmo que é, ou que era para ser".
Por ser a morte do outro exposta de forma estética e ordenada, ela parece tirar o peso da morte do espectador ou jogador. De uma certa maneira, assim, ela celebra a vida, tal como a resolução da história de detetive celebra a justiça partindo de uma injustiça. É até mais fácil de perceber isto nos policiais "hard-boiled", em que o ceticismo do detetive só faz aumentar o valor da justiça que ele busca.
Quanto à nóia de sexo & crianças, leia a Humanae Vitae ( http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html ), que já dá umas boas dicas. O ponto principal é que se sexo é playground, criança é indesejado. Se a criança é desejada/amada/querida, etc., deve-se esquecer o sexo, ou ele deixa de ser playground. Quanto a isso, vale também reparar na publicidade (que, como tem que funcionar, está sempre mais antenada que as ciências humanas ao que realmente está na cabeça da população), especialmente de moda: se tem criança, o clima é etéreo, negando a corporalidade; se tem adultos (jovens adultos, em idade reprodutiva, é claro; se fugir disso é para chocar pela diferença, à la Bennetton), a sexualidade é até agressiva.
Bom, chega. Bom ver que vc voltou a escrever. Continua em frente.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 13:03



Comentário de: Márcio E. Gonçalves

"Qual foi o último filme realmente bem sucedido que não incluía nenhuma morte violenta, ou que não tinha alguma morte como ponto fundamental da trama?"

A Trilogia De Volta para o Futuro.
Caso raro de filme de ação onde o herói não usa armas nem mata ninguém.

Comentário do Alex: três filmes sensacionais.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 14:13



Comentário de: Mari

Sobre o prazer que se encontra em ver violência, acho que o sociologo Norbert Elias teria algo bacana a te dizer sobre isso. Acho que Elias diria que é um reflexo da etapa do processo civilizador em que estamos agora (obviamente estou sendo muuuuito reducionista, mas isso é só um comentário).

O autcontrole das necessidades fisiológicas (rs)já estaria muito desenvolvido e por isso sexo seria algo vergonhoso de se expor. As crianças devem aprender a controlá-lo desde cedo porque é assim que adultos civilizados se portam (?). Não se deve mostrar sexo ou erotismo em público assim como não se deve fazer xixi em público. Aqui a lógica seria mais ou menos essa, e a vasão desses impulsos deveria acontecer entre 4 paredes.

Outro ponto importante do processo civilizador é o controle da violência. Esse impulso ainda está muito na superfície. Enquanto o controle pesado dos impulsos fisiológicos iniciaram-se ha séculos, o controle da violência intra-nação ainda não foi alcançado em muitos países, o internacional por pouquissimos (se por algum)e esses seriam reflexo do pouco controle sobre a violência que exercemos sobre nós mesmos. Ainda não estaríamos aptos a ver esse impulso como vergonhoso porque há menos de um século, e ainda hoje em alguns países, o impulso da violência era visto como algo engrandecedor e suas consequencias como uma espécie de troféu.

No caso de não poder dar vasão a esses impulsos porque eles são ilegais e puníveis, as pessoas dão vasão a eles consumindo a violência "virtual", seja em forma de jogo, livro, filme, ou mesmo alguns esportes.

Não acabei o raciocínio, e já estou discordando de algumas coisas que eu falei, mas bem, era pra ser só um comentário curto. Recomendo "O processo civilizador vol.1" e "Os Alemães" de Elias. Eles dão uns insights legais sobre esses assuntos.

Ótimo post, como de costume :)

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 14:56



Comentário de: Zeca

O tema mais freqüente na nossa cultura não é a violência, mas o amor. Os filmes bem-sucedidos sem violencia que vc quer certamente tem este tema central.
O amor no cinema me incomoda mais que a violencia. Por que as pessoas geralmente nao buscam os vilões como modelos, mas buscam as mocinhas, buscam os galas. E uma fabrica de perspectivas irreais, aquele livro do Nick Hornby, High Fidelity, toca um pouco nesse assunto.
Quanto à violência, filmes buscam identificação do público, um assassinato de alguém inocente é talvez a maior injustiça concebível. Quanto mais a injustiça, maior o herói, maior a catarse, maior a bilheteria.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 16:47



Comentário de: Marcio

Bom... Deixa eu ver... Não sei dar nehuma resposta convincente sobre o fascínio pela violência, embora eu mesmo seja fascinado. Call me morbid, mas gosto de ver uma sangueira fictícia, como essa última (suponho que não seja a única) adaptação pro cinema de Titus Andronicus, com o Anthony Hopkins.

Os livros policiais eu leio por que gosto de mistérios (que, como na citação do Borges que você postou, "participam do sobrenatural" ou algo nesse sentido) e pq gosto de inteligência.

Quanto a bons filmes que não têm morte, ou que têm mas não a celebram:

12 homens e uma sentença
Antes do Amanhecer
Lantana
Quase Famosos
Os sete samurais
Dodeskaden
Beleza Americana
Samsara [desse eu acho que você vai gostar especialmente. Tem a cena de sexo mais criativa que eu vi no cinema, e a fala final, da esposa do ex-monge budista que não sabe o que quer da vida, é arrasadora]

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 18:20



Comentário de: Bruno · http://lembrancaeterna.wordpress.com

Filmes violentos são interessantíssimos justamente por mostrarem uma faceta (talvez nossa, talvez só da sociedade) que nos fascina, repele, amedronta e atrai ao mesmo tempo. Todos nós, em algum momento, já pensamos em 'fazer justiça com as próprias mãos'.

Também adoramos o embate de pessoas alheias, seja lá por que razão. Faz parte do circo humano de se interessar por conflitos.

Gosto de filmes violentos tanto quanto filmes que, como você disse, 'celebram a vida'. 'Mais Estranho que Ficção' é um filme que celebra a vida - e eu me emocionei com ele.

http://lembrancaeterna.wordpress.com/2007/01/13/a-frase-e-a-chuva/

Sei que gosto de filmes violentos porque muitas vezes me sinto atraído pela situação. Fico me questionando se gostaria de estar na situação do personagem principal, lutando contra o que quer que seja que ele está lutando, ou mesmo me sentir na pele do assassino que mata por razão ou não.

Uma das melhores séries americanas é 'Dexter' (tema de um post meu muito em breve... basta só eu assistir mais para ter uma opinião mais formada). A idéia de um serial killer que mata só quem merece morrer é fantástica. Gostaria muito de poder passar um dia na pele de alguém assim - sem remorso nem piedade de alguém que de fato não merece dividir o oxigênio que nós, 'do bem', respiramos.

O ser humano é muito, muito filho da puta. E se nos podamos de nossas vontades guturais pelo bem da sociedade, é bom demais ver no cinema, ou em livros, ou na televisão, um retrato de uma realidade que lutamos contra. Não por vontade, mas por necessidade de nos inserirmos, em paz, numa sociedade.

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 20:25



Comentário de: Kitagawa

Bom mesmo é fumar unzinho e assistir filme violento. Da hora!

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 22:59



Comentário de: FM

Olá caro Libertino,
Creio que cheguei um pouco atrzado neste debate, mas...
Gosto imensamente do blog, embora eu seja resistente em relação a certas opiniões.
Neste post , por exemplo, que me levou a pensar na comparação de Henri Bergson entre o 'homem de habito' e a vaca no pasto, em Eisentein e sua produção de pensamento em oposição à paralisia do pensamento, suponho que você estrapolou.
E depois de ler seu comentário lá no Biajoni, a coisa piorou.
Senti uma certo estímulo a nos entregar às belezas de nossas almas.
No post você enfiou no mesmo saco coisas destintas.
Primeiro; Sobre o uso da violência nas artes que se pautam apenas numa naturalidade, na violência como geração espontânea. Que para mim nada mais é que um produto de um gênero jornalístico. Um jornalismo descontextualizado. Um folhetim , um teleshow. E leve isso ao cinema e a literatura e dê o nome que lhe for apropriado.
Mas nem por isso menos perigoso.
O problema deste recorte é o valor agregado; O denuncismo.
Há sempre algo ou alguém desajustado que ameaça um grupo de limpinhos, alguém que está preocupado em destruir os nobres valores de umas almas tranquilas. De uma comunidade 'do bem'
Essa visão de violência eu também desprezo. Embora por outros motivos.
Mas meu caro, não há quem 'carregue muitos' sem que leve consigo uma certa violência.
É bom lembrar que Jesus destruiu as 'barracas' dos comerciantes daquele templo.
Sem dizer da violência maior que é a violência de ressuscitar um morto.
A alma é uma ficção muito bonita, mas a realidade é mais pungente.
Segundo; No seu Buillabaisse Crioula Moral você refogou tudo junto, gente como Luis Buñuel, Godard, Tarantino, o legítmo filho de Godard, Bush e Oliver Stone com seu Assassinos por Natureza e balas perdidas na Rocinha. E uns não fizeram mais que esvaziar, pela zombaria e pela estética pop a violência do cinema, ou do way of live americano.
Não vou muito longe, Glauber Rocha em "Estética da Fome' e 'Estética da Violência' oferece uma visão importante sobre as maneiras de abordar a violência, que junto com seus filmes, contradiz em muito sua piedade expressa, em sua declaração à la WALT WHITMAN, lá no Biajoni.
Gosto muito deste poeta , mas se ele vivesse neste século ele iria vibrar com a violência com que Buñuel enfia a faca naquele olho em Cão Andaluz...

PermalinkPermalink 29.01.08 @ 23:25



Comentário de: marcos

Lembrem-se que um crime não necessariamente é violento. Em filme, 11 homens e um segredo, só pra ficar num óbvio, é exemplo.

PermalinkPermalink 04.02.08 @ 17:18



Comentário de: Rafael Cruz

O Filme Homem-Aranha, que é maravilhoso, tratá da morte do modo que ela realmente é. Dolorosa, é por causa dela que há uma mundança radical na conduta dos interlocutores do filme.
No primeiro filme muitas pessoas morreram, já no segundo registram-se duas mortes. Uma delas, a do Doc. Ock, altruista.
No terceiro filme lembro-me "apenas" de uma morte.
De qualquer forma não mortes celebradas, em nenhum dos três filmes. Tanto é que já ouvi pessoas falarem mal desse filme, dizendo que o Homem-Aranha não derrotou, "de verdade" seus inimigos.
Vai entender a cabeça do povo.

PermalinkPermalink 06.02.08 @ 16:11



Comentário de: calphalon commercial · http://calphalon.net78.net/

nkoze dbjvkh jhac psutev

PermalinkPermalink 05.06.08 @ 01:57



Comentário de: Bruno Macedo da Silva

Não sei responder sua pergunta, mas refletirei sobre ela...
Teus textos me fazem pensar sobre várias coisas, gosto do que escreve.

PermalinkPermalink 10.07.08 @ 09:27



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Meus Livros à Venda:

  • Radical Rebelde Revolucionário
  • Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

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Livros Recomendados

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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
  • 39. Levi, Primo. É Isto Um Homem? [Itália, 1946] Jun.
  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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