três novos textos meus:
elogio aos pés - "alex, por que você gosta de pé?"
quanto vale morar perto do trabalho - sobre as vantagens de caminhar
a vaidade do artista - uma reflexão sobre o que é ser artista hoje em dia
de vez em quando me perguntam:
alex, pq vc gosta de pé?
de vez em quando, respondo:
elogio aos pés, lá no papodehomem
falam muita besteira sobre o treze de maio.
por exemplo, a abolição não foi um "presente da monarquia". ela foi uma lei polêmica, democraticamente debatida e negociada passionalmente no parlamento, como qualquer lei hoje em dia, e a princesa isabel, ocupando interinamente o poder executivo, só fez sancionar a lei passada pelo legislativo, exatamente como dilma faria. a lei áurea, se foi presente de alguém (e não foi), teria sido do parlamento brasileiro.
enfim, abaixo, dois textinhos meus que podem surpreender você:
No Brasil, a medida que o século XIX progredia e o café se tornava muito mais lucrativo que outras culturas, os escravos brasileiros iam naturalmente se concentrando nas regiões cafeicultoras. Então, nas últimas décadas da escravidão, a esmagadora maioria dos escravos brasileiros se concentrava no Rio, São Paulo, Minas, permitindo que províncias como Ceará e Amazonas já decretassem suas abolições muitos anos antes da Lei Áurea. Em pouco tempo, começou a existir sim no Brasil, claramente, quase como uma linha no chão, as províncias que defendiam a escravidão e precisavam dela pra viver e as que praticamente não tinham escravos, ou onde os escravos não eram economicamente importantes. E havia MUITO MUITO medo que essa divisão levasse a uma guerra civil como a norte-americana. Durante as últimas décadas da escravidão, a elite escravocrata do sudeste se sentia cada vez mais acuada pelas províncias não- ou pouco-escravocratas do Norte.
Quando finalmente passa a Lei Áurea, ela é, na prática, uma imposição do Norte sobre o Sul.
um rascunho de um resumo de uma história da abolição
Em março de 1884, caía o primeiro dominó: a partir de uma iniciativa dos jangadeiros do porto de Fortaleza e depois de um maciço movimento popular, a província do Ceará tornou-se a primeira a se declarar livre de escravos:
"Ganhamos a primeira batalha," dizia um telegrama enviado pelos abolicionistas cearenses para a Gazeta da Tarde, do Rio de Janeiro: "Cientifique ao Imperador, cujo abolicionismo respeitamos, que, apesar da perseguição do governo, o Ceará está livre."Em breve, seria a vez do Amazonas também cair. Enquanto isso, escravos de diversas províncias fronteiriças estavam fugindo para o Ceará, em busca da liberdade - reprisavam-se no Brasil, para horror de muitos escravistas, os primeiros passos que tinham levado à Guerra Civil dos Estados Unidos. O paradoxo era cruel: por um lado, a concentração de escravos no sudeste era uma necessidade econômica, uma manifestação pura e simples da lei de oferta e da procura; por outro lado, em termos políticos, para manter a unidade do país e manter sua elite no topo, essa concentração de escravos no sudeste poderia ter efeitos trágicos. Somente em 1880 a elite escravista parlamentar consegue finalmente, através de uma brutal taxação do tráfico interprovincial, paralisar essa tendência.
leia os textos completos clicando nos links acima.
Meus textos da série sobre racismo são, de fato, totalmente irrelevantes. São lugares-comuns inócuos que todo mundo deveria estar cansado de saber. Podem ter alguma utilidade didática em sala de aula, iniciando debates, e olhe lá. A série só se justifica pelos comentários gerados.
O Brasil inteiro está exposto nesses comentários: o racismo brutal de uma sociedade hierarquizada, a denegação profunda que permite que esse racismo sempre se fortaleça, a tendência patológica de fugir do conflito a todo custo, o triste espetáculo dos privilegiados que acham que o privilegiado é sempre o outro.
Dá um baita medo.
Abaixo, uma seleção dos melhores textos da série:
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O Meu Preferido
- A Invisibilidade do Racismo
Em uma sociedade racista e desigual como o Brasil, afirmar não ver raça, não ligar pra raça, que raças não existem, que isso não tem importância, "que besteira você se importar com isso", etc, significa na prática tomar partido racialmente ao se aliar com a hegemonia invisível que *precisa* desse tipo de negação para sobreviver e prosperar. Não existe neutralidade possível: negar raça já é uma afirmação política que te coloca em um dos lados bem definidos de uma briga antiga. Negar raça já é intrinsecamente racista.
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Os melhores dos melhores (não deixem de ler esses):
- Alguns Números do Racismo
Resumo das conclusões principais do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, da UFRJ.
- "O Brasil Não É Um País Racista! Nosso Problema É Econômico!"
Não é preciso muitos dados e gráficos. Se você chega numa cadeia ou no fórum, e todos os juízes e advogados são brancos, e todos os réus são negros; se você chega num hospital, e todos os médicos são brancos, mas todos os faxineiros são negros; se você chega numa empresa e toda a diretoria é branca, mas a moça do café e o rapaz da xerox e o ascensorista são negros; então esse é um país racista.
- Pretos, Pobres e Polícia
O racismo É um problema sócio-econômico. O que mais vocês acham que o racismo é, meu deus? Um problema literário? Um problema culinário? Reclamar que alguém "falou de racismo deixando de lado o fator sócio-econômico" é como reclamar que alguém falou de inflação deixando de lado o aspecto econômico. Inflação É um fenômeno econômico: não tem como discutir, debater, estudar, pensar a inflação e, ao mesmo tempo, deixar de lado o fator econômico. Como isso seria possível?
- Racismo & Casamentos Interraciais
Somente o fato de o Brasil ter muitos casamentos interraciais não prova que o país não é racista. Pelo contrário, a dinâmica desses casamentos comprova, mais uma vez, a sobrevalorização do branco e a estigmatização do negro em nossa cultura racista.
- Negritude e Cabelo, Estética e Escravidão
A beleza é definida em termos das características físicas do grupo dominante. Ou seja, uma pessoa é mais bela quanto mais se parece com o grupo que manda, e é mais feia quanto mais se parece com o grupo que obedece. Dentre os negros e negras universalmente considerados como sex symbols, quantos têm características negróides marcantes e quantos parecem brancos de pele escura? Em outras palavras, a Halle Berry é uma negra linda por ser uma negra linda, ou é uma negra linda por ter cara de branca tostada?
Enquanto discutimos essa fascinante questão, os membros-da-raça-que-não-existe-mas-é-mais-escurinha continuarão sendo consistentemente preteridos em promoções, ganhando salários menores e não conseguindo alugar bons apartamentos. As raças podem até não existir geneticamente mas, durante uma blitz às onze da noite, os policiais já tensos e de armas engatilhadas, as raças são uma realidade bem palpável. Hoje, para todos os fins e efeitos, na vida real e nos estudos universitários, raças existem sim: não como um conceito biológico ou genético, mas sim histórico, sociopolítico, cultural.
- O Problema do Brasil É a Falta de Conflito Racial
Sangue correndo na rua é o que já não falta. A questão é: de quem?
- O Racismo Não É um Problema Individual
O baralho que herdamos dos nossos antepassados já está viciado para beneficiar sempre um tipo específico de jogador. Não basta somente que nós, os jogadores beneficiados, simplesmente não trapaceemos. É necessário trocar de baralho.
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Racismo e Cotas
- O Peso da História: A Escravidão e as Cotas
A História ainda é uma bola de ferro que os descendentes dos escravos arrastam pelos tornozelos. Os efeitos nocivos da escravidão continuam afetando os bisnetos de suas vítimas diretas. Dado que os efeitos nocivos da escravidão ainda se fazem sentir na pele dos descendentes das vítimas, não é tarde demais para serem indenizados pelo Estado.
- Livre Concorrência e Ação Afirmativa
Uma das críticas mais comuns à Ação Afirmativa é quanto a injustiça inerente a dar vantagens desproporcionais a um grupo em detrimento dos outros. Mas será que as pessoas acham mesmo que o sistema é justo e meritocrático... e que as malvadas cotas estão chegando para destruir essa perfeita igualdade?! Oras, o sistema não é meritocrático e não é justo. O objetivo das cotas é proporcionar uma vantagem adicional aos grupos que são consistentemente excluídos.
- Sem a Discussão sobre as Cotas, Como Saberíamos Quem São os Racistas?
O discurso anti-cotas não é por definição e necessariamente racista, mas acaba se tornando terreno fértil para que alguns dos mais comuns e silenciados preconceitos raciais brasileiros vejam finalmente a luz do dia e sejam (pasmem!) articulados em público sem vergonha alguma.
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Série Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
O objetivo da série Raça não é promover no leitor uma reflexão individual sobre seu racismo enquanto pessoa, mas sim compreender melhor como funciona o racismo institucional e constitutivo da sociedade brasileira. Se essa reflexão for feita, cada um também vai naturalmente refletir sobre seu papel individual nesse estado de coisas - sem que seja preciso instituir uma caça às bruxas nem pelos "racistas" de verdade e muito menos pelos racistas dentro de nós.
I - A Invisibilidade do Privilégio
Nossa elite não se vê como elite e nossos privilegiados não se vêem como privilegiados. ... Quando você cresce rodeado por algo - nesse caso, privilégio - aquilo vira a regra contra a qual o mundo é comparado. Nossa vida é sempre a normal, ou melhor, a normativa: as outras é que são menos ou mais alguma coisa. ... O processo funciona mais ou menos assim: você evita os mais pobres (por serem francamente desagradáveis, não?), considera sua vida normativa, e só conhece em detalhes as rotinas dos mais ricos. Resultado: você não se acha nem rico nem privilegiado nem de elite; privilegiado é o Luciano Huck, que tem uma jacuzzi em cada cômodo da casa! Sério, eu vi na Caras.
II - O Ônus da Elite
Afinal, se sou privilegiado, então existe alguém que não é. Que privilégios eu tive que essas pessoas não tiveram? Qual é a origem sociohistórica dessa assimetria? Se essa assimetria é tão gigantesca como parece, então será que faz sentido falar em sociedade meritocrática? ... No Brasil, a elite-que-não-se-admite-elite (porque a palavra virou xingamento) só sabe desfrutar da delícia de ser elite mas não aceita mais o ônus: rejeita as obrigações morais e responsabilidades históricas que a elite de qualquer sociedade sempre possuiu.
III - Os Privilégios da Classe Média
Talvez seja essa a maior marca do privilégio: saber que a polícia está do seu lado, que vai defender seus interesses, que vai te ajudar no que for possível. No Brasil, só a elite é inocente até prova em contrário.
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!
É por isso, entre outras coisas, que o Brasil não é um país meritocrático. É por isso, aliás, que o próprio conceito de meritocracia não faz nenhum sentido, pois meu mérito individual nunca é só meu, mas está sempre corrompido ou viciado pelos méritos acumulados dos meus antepassados, na minha família, dos meus compatriotas. É por isso, entre outras coisas, que mesmo um cidadão de classe média baixa, daqueles que fala coisas como "é um absurdo eu gastar uma fortuna em escola particular e plano de saúde, e depois ainda ser escorchado pelo governo que não faz nada por mim!", ainda assim é um tremendo de um privilegiado em comparação à massa de cidadãos brasileiros que não teriam renda pra pagar nem escola particular e nem plano de saúde.
Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
Nenhum leitor desse blog é culpado pela escravidão, pelo racismo, pela desigualdade. Esses problemas são mais antigos que nós e sua culpa transcende qualquer indivíduo. ... Ser responsável por solucionar um problema é muito distante de ser culpado por ele. Somos responsáveis porque esses problemas não podem mais ser ignorados, afetam nossas vidas todos os dias e um dia vão explodir na nossa cara.
II - Governo, Raça e Privilégio
Quando falo de racismo e privilégio, alguns leitores pensam que estou clamando por ação governamental ou propondo políticas públicas, e respondem que é um absurdo o governo querer se meter no problema das raças, que o governo não tem nada a ver com a desigualdade, que o papel do governo é outro, etc. Governo, governo, governo. Não deixa de ser engraçado: porque não estou falando de governo em momento algum.
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"
"Tá, professor. Entendemos o problema. Priorizar as raças é ruim porque fortalece o racismo mas promover a mestiçagem é ruim porque estigmatiza quem quer assumir suas raízes. Mas qual é a solução então? Qual é a resposta? O que fazemos?"
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O Racismo e a Palavra
- Usos do Nego
Usar o carioquíssimo "nego" ("pô, aí, negozinho tá pirando na batatinha") é racista?
- Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Não importa se o apelido do "pretinho" foi dito super na boa, supercarinhosamente, como todo afeto e amor: o que importa é o que ELE acha. E ele não vai te dizer nunca, sabe por quê? Porque ele é o faxineiro, porque ele precisa do emprego, porque ele não quer criar problema com alguém da casta superior, porque ele já ouviu isso tanto que internalizou, etc etc. As razões possíveis são muitas, e nenhuma é boa. Só quem é negro sabe como é ser chamado de negão o dia todo por pessoas brancas.
- Lá Se Foram os Negrinhos - Politicamente Correto e Liberdade
Polzonoff e eu dividiríamos bravamente a mesma trincheira, conversando sobre livros favoritos entre as salvas de morteiro, empenhados em combate renhido contra os fascistas nojentos que quisessem impedir uma editora de publicar um livro chamado "O Caso dos Dez Negrinhos".
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Série "Ser da Raça Certa":
I: Você É da Raça Certa?
Ser da raça certa é nunca pensar na sua raça como raça. Quem tem raça são as minorias, os negros, os japoneses, os índios. Você, não. ... Ser da raça certa é fazer parte do grupo que está dentro, não do que está fora, olhando pelo vidro, com cara de pidão. ... Ser da raça certa é nunca ser *interpelado* racialmente.
II: 100% Branco
Uma camisa "100% Branco" é de profundo mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia. "100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema.
III: De que Cor É o Personagem?
Ser da raça errada é precisar ser descrito. Se o personagem for da raça certa, ela não fará parte da descrição, pois os leitores JÁ irão visualizá-lo assim. Quando você lê um romance chinês, todo mundo na sua cabeça tem cara de chinês.
IV: O Critério Eliminatório
Ser da raça certa é saber, com certeza absoluta, que a família da sua nova namorada não vai querer vetar o relacionamento só de olhar pra sua cara, antes mesmo de você abrir a boca.
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História da Escravidão
- Os Defeitos dos Negros Americanos
Ou seja, os defeitos e vícios que trazem os negros americanos é justamente serem cidadãos, homens orgulhosos e altivos, conscientes de seus direitos. Cruzes, o Brasil quer distância dessa gente!
- Os Americanos e o Tráfico Negreiro
Em meados do século XIX, a Grã-Bretanha proibiu unilateralmente o tráfico de escravos no Atlântico e se deu o direito de abordar qualquer navio suspeito de estar carregando escravos. Já os Estados Unidos, país escravista, ainda sem o poder que teria mas já cheio de panache, negou à Grã-Bretanha o chamado "direito de visita". Na verdade, todo mundo negou, claro, inclusive o Brasil, mas, quando era país marronzinho, os ingleses abordavam à força. Daí veio a Questão Christie, blá blá.
- Leis para Inglês Ver
Caso único na história do mundo, quando o governo imperial finalmente decidiu, por motivos próprios, terminar com o tráfico, passou uma outra lei, em 1850, basicamente proibindo o que já era proibido pela lei de 1831 – mas, dessa vez, é sério, hein, gente? Olha, não pode mais. De verdade. Mesmo.
- Será Muita Forçação de Barra Comparar Domésticas com Escravos?
As desculpas paternalistas, familiares e carinhosas que os patrões usam pra restringir a liberdade de movimento das empregadas são sempre muito criativas. ... Difícil de imaginar uma história como essa acontecendo em um país sem um forte passado escravista.
- A Revolução Haitiana
A Revolução Haitiana não ser parte do currículo obrigatório de História é um absurdo. Ela foi um dos acontecimentos mais decisivos e marcantes da história mundial. Sem conhecer a Revolução Haitiana, não dá pra entender NADA sobre a História das Américas no século XIX.
- A Tática do Deixa-Disso
Fomos a última nação ocidental a abolir a escravidão - e *ninguém* era a favor dela. Nas discussões sobre o assunto, não se vê (como nos Estados Unidos) partidários da escravidão defendendo o sistema ou pregando a inferioridade do negro. ... Convenhamos: já tentamos essa tática. Há cento e tantos anos, o Brasil enfia a cabeça na areia, diz que é uma democracia racial e que não existe problema. Claramente, não funcionou. É hora de mudar de tática.
- A Ausência do Escravo da Lei Brasileira
Fomos uma das maiores e mais extensivas economias escravistas do mundo, dependíamos de escravos para nossa própria sobrevivência, a escravidão nos definia enquanto cultura - e, mesmo assim, incrivelmente, e nossa Constituição e nosso Código Civil jamais mencionaram a escravidão. Nem mesmo para defini-la. Especialmente para não defini-la. ... Como poderia funcionar uma sociedade complexa e sofisticada como o Brasil oitocentista, uma economia totalmente dependente do escravo, uma cultura completamente bacharelista, se não havia uma definição legal de escravo?
- Definindo a Escravidão: Afinal, O Que É um Escravo?
Se não existia definição de escravo, então também não existia essência de escravo. Ou seja, a escravidão não era um SER, era um FAZER. Não existia teoria, somente a prática. Escravo é quem agia como escravo, escravo é quem era escravizado. Consequentemente, quem não agia como escravo, quem não se deixava escravizar... não era escravo! Pois, afinal, tirando o agir como escravo, de que outra maneira saberíamos quem era escravo e quem não era?
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Uma aula de racismo e literatura sobre uma poesia de Castro Alves
- Lúcia, de Castro Alves
- Conversando sobre "Lúcia", de Castro Alves
- Ainda sobre "Lúcia", de Castro Alves
- Três Leituras de "Lúcia", de Castro Alves
No fim, realmente, a literatura sempre nos ensina mais sobre quem somos, como vemos o mundo e quais são nossas idéias pré-concebidas, do que sobre o texto em si.
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Racismo e Teatro
- Negrinha, de Monteiro Lobato (Cadernos de Teatro, 6)
Um pouco da história da representação da escravura nos palcos brasileiros, e uma resenha da recente montagem de Negrinha, com Sara Antunes.
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Sobre Livros e Autores
- Na Verdade, as Idéias Estão no Lugar
Uma análise do influente artigo "As Idéias Fora do Lugar", de Roberto Schwarz, trazendo para a discussão outros autores como Joaquim Nabuco, Sidney Chalhoub, Alfredo Bosi e Ricardo Salles.
- Gilberto Freyre e Casa Grande & Senzala
Uma das melhores coisas que já escrevi.
- O Livro do Ano: The Racial Contract, por Charles W. Mills
O racismo é um sistema político e uma estrutura de poder baseados em um Contrato Social (na verdade, um Contrato Racial) no qual os membros da raça dominante formam um acordo tácito de, ao mesmo tempo em que garantem para si a maior parte das riquezas/oportunidades/etc da sociedade, também consentem em não ver o próprio sistema, criando assim a "alucinação consensual" de um mundo sem raças, meritocrático e igualitário, que passa a mediar sua interpretação da realidade. Nem todos os brancos são signatários do Contrato Racial, mas todos são beneficiários.
- Não Somos Racistas, de Ali Kamel (enfim, lido!)
Na mesma linha de Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia, o romance de fantasia Não Somos Racistas, de Ali Kamel, se passa em uma terra mítica e utópica, onde não existe racismo e impera a mais estrita meritocracia. O livro é polivalente: pode ser lido tanto como humor ("rárá! não acredito que esse cara falou mesmo isso!") ou terror ("e pensar que esse homem é o diretor de jornalismo da Globo!", mas é diversão sempre garantida.
- Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial, de Demétrio Magnoli
Ele se diz sociólogo mas, de ouvi-lo falar, o homem não parece ter cursado nem Sociologia I. Eu quase diria que ele dá um verniz acadêmico a muitos dos mais comuns preconceitos raciais brasileiros, mas ele não soa nada acadêmico. Em termos de raciocínio e discurso, ele é muito, muito pior do que o Ali Kamel - tem apenas menos poder. Chegou a me dar calafrios de nojo em alguns momentos.
- Nosso Racismo É Um Crime Perfeito: Kabengele Munanga
O racismo é uma ideologia. A ideologia só pode ser reproduzida se as próprias vítimas aceitam, a introjetam, naturalizam essa ideologia. ... Há negros que introduziram isso, que alienaram sua humanidade, que acham que são mesmo inferiores e o branco tem todo o direito de ocupar os postos de comando. ... Há racismo, mas sem racistas. Ele está no ar... Como você vai combater isso? ... Nosso racismo é um crime perfeito, porque a própria vítima é que é responsável pelo seu racismo, quem comentou não tem nenhum problema.
- Um Debate Sobre Racismo
Primeiro, Demétrio Magnolli escreve um artigo no Estadão sobre alguns alunos auto-declarados negros aos quais foram negados os benefícios das cotas universitárias. No artigo, ele aproveita pra enxovalhar o Prof Kabengele Munanga, antropólogo da USP, e um dos homens que mais entende de racismo no Brasil. E vem a resposta, claro.
- Racismo à Brasileira, por Edward Telles
Um dos melhores livros sobre raça que já li: basicamente, um apanhado de números, estatísticas e experimentos cujo objetivo é combater o "anedotismo" das discussões sobre o assunto.
- Caetana Diz Não, de Sandra Lauderdale Graham
Um dos meus livros preferidos sobre a escravidão no Brasil. Sem teorias nem tabelas, argumentos ou academês. Só a história real de duas mulheres na sociedade escravista.
- O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco
Nunca vi análise mais corajosa, mais lúcida, mais combativa, mais atual.
- A Centralidade da Liberdade no Pensamento Ocidental
Uma resenha, em inglês, comparando dois livros-chave sobre escravidão e relações raciais, enfatizando o modo como o conceito de liberdade, tão importante no pensamento ocidental, só faz sentido quando oposto à experiência da escravidão: Black Atlantic, de Paul Gilroy, e Slavery and Social Death, de Orlando Patterson.
- Os Sertões Explica o Brasil
- A Importância Tautológica de Os Sertões
- O Atavismo de Euclides da Cunha
A cada vez que um brasileiro se orgulha dos feitos do Pelé ("coisa nossa!") mas se pergunta porque "eles" têm que vir logo à "nossa" praia!, a contradição constitutiva de Euclides se perpetua. Os Sertões é um clássico porque sua contradição interna ainda é a mesma que a nossa - "nossa" de todos os brasileiros, aliás. Sua fratura exposta é a mesma que ainda nos incomoda. Como todo clássico, Os Sertões vive e pulsa e respira porque ainda fala diretamente a nós.
* * *
Raça em Nova Orleans
- Nova Orleans Gelada ou Os Escravos e a Cana
Enquanto isso, nos campos onde foices cortavam com desespero e nos engenhos onde as moendas funcionavam sem parar, qualquer distração desses homens insones significava facilmente a perda de um braço ou da própria vida. Ao final da colheita, com ou sem geada, havia sempre mãos de escravos adubando os campos. O modo mais fácil de reconhecer escravos da cana-de-açúcar, em oposição aos que plantavam café, algodão ou tabaco, era pela enorme quantidade de mutilados.
- O Incrível Caso da Mulher Que Processou o Estado da Louisiana para Provar que Não Era Negra - e Perdeu
Talvez um dos casos mais emblemáticos da importância cultural de raça e dos problemas da identificação racial.
- Um Triste Século para Ser Negro em Nova Orleans
No começo do século, os creoles de Nova Orleans estão vivendo sob domínio francês e são a elite de sua cidade. Na virada do XX, já são os novos intocáveis. E as coisas ainda iriam piorar muito antes de melhorar.
Série Mulatas de Nova Orleans
1 - Plaçage
Era então socialmente aceitável que os moçoilos na casa dos vinte escolhessem uma negra ou mulata livre lá pelos seus 12 a 15 anos para montar casa, criar família e se amancebar. Essas mulheres, que não eram nem amantes nem cortesãs, pois viviam em relações monogâmicas e estáveis, publicamente reconhecidas, com respeitados membros da comunidade, eram legalmente chamadas de concubinas ou placées, do verbo placer, dando origem ao substantivo plaçage.
2 - Quadroon Balls
Quadroon Balls eram bailes dançantes com o objetivo de apresentar meninas creoles livres a homens brancos solteiros e disponíveis. As próprias mães das meninas organizavam os bailes e estavam sempre presentes, fazendo vigilância ferrenha. Antes de colocarem suas filhas sob a proteção de um homem branco, ele primeiro tinha que provar suas intenções honestas e sua capacidade financeira de sustentá-la a contento.
* * *
E Pra Encerrar
- Meus Leitores Acham que Racismo Não Existe...
Dizem (com inocência perversa) que ser chamado de "branquelo" é o mesmo que ser chamado de "neguinho". Acham (com ingenuidade criminosa) que racismo não existe só porque seus amigos negros nunca lhes falaram disso. Mas esquecem que os amigos negros ficam de boca fechada porque, numa cultura que foge do conflito como a nossa, contar quantas vezes a polícia te humilhou na rua é pedir pra ser chamado de chato, criador de caso, ou até mesmo (pasmem!) racista.
- Um Blog Cada Vez Mais Estraga-Prazer
[O blog] continua falando de liberdade (apenas agora coletivamente) e continua esfregando na cara dos seus leitores que eles vivem em denegação, que não enxergam os problemas do Brasil, que são racistas e classistas, que viveram vidas privilegiadas e que deveriam se sentir culpados quanto às suas empregadas ("esse problema não existe mais, Alex!"), quanto às suas palavras ("neguinho tá sem noção") e até mesmo quanto às suas preferências estéticas ("pô, Alex, eu não sou racista, eu só acho que preto é feio e cabelo pixaim é áspero, oras!").
- Definindo Raças nos Estados Unidos
O q importa é o q vc está fazendo no país, ou o q fizeram teus antepassados: - ¿vc descende diretamente dos europeus q tiveram a iniciativa de construir o país? - ¿vc decende de pessoas q foram trazidas à força pra trabalhar de graça, e agora se transformaram num problema de consciência? - ¿vc chegou aí vindo de um pais pobre, atraído pela riqueza q os decendentes diretos dos europeus construíram?
- Como o Racismo Afeta Nossas Vidas
You know what it would take for a black dentist to live in that neighborhood? If a black dentist wanted to live in that neighborhood, he would have had to invent teeth!
- O Que Você Faria se Visse uma Pessoa Sofrendo Preconceito?
O racismo é um problema, antes de tudo, dos brancos.
- Brasil: Paraíso ou Inferno Racial?
Duas mulheres negras norte-americanas relatam experiências BEM diferentes no Brasil.
- 13 Anos de Capas da Playboy
Nesse nosso país mestiço e pretensamente não-racista, quantas dessas 196 mulheres, representando o mainstream da beleza nacional, são negras?
- Racistas que Comentam em Posts Anti-Racistas
"Amigo, acorda. A luta é contra VOCÊ!"
- As Histórias de Horror que o Racismo Engendra
"Não, Anne-Marie, não faça isso! Não interfira! Você... você não entende como as coisas funcionam no Brasil.... Não entende a ditadura a que nós, as branquelas, estamos submetidas.. Ele é... *engasga* negro.... Ele pode fazer o que quiser! Vamos torcer apenas para que não queira estuprar a pobre menina! Sabe como são esses negros! Nesse caso, seríamos obrigadas a... a... olhar pro outro lado! Ó deus, até quando vai durar essa opressão?!"
- Das Vantagens de Ser Negro
Na opinião insuspeita de dois dos melhores comediantes norte-americanos da atualidade: o negro Chris Rock e o branco Louis CK.
O Comitê de "Fair Employment Practices" (algo como Práticas Justas de Contratação) do Sindicato dos Ferroviários barrou a presença de sindicalistas negros das suas deliberações sobre racismo no ambiente de trabalho. A alegação: "não deveria haver no comitê nenhum representante de nenhuma raça ou interesse especial." Como se os brancos não tivessem raça.
- Racismo Reverso
Brancos são 95% dos médicos, 98% dos diretores de empresa, blá blá, mas tudo bem, o mundo é assim mesmo, paciência. Sempre que os negros tentam inverter o placar de 100 X 0 para 100 X 1, tipo criar uma lei que reserve 20% das vagas universitárias para negros, a maioria privilegiada fica histérica: injustiça!, revanchismo!, racismo inverso!
* * *
Os textos acima estão entre as coisas mais sinceras e passionais que já escrevi. Espero que gostem e me ajudem a divulgar a série Raça.
Existe algo de poderoso (literalmente!) em uma mulher que pode te esmagar com um só pisão. Todo sexo, em alguma medida, é um jogo de poder e uma mulher giganta é o poder em estado bruto.
Convenhamos: Superamigos era um desenho bem fraco e a própria Giganta mal aparecia nele. Quando aparecia, era com diálogos duros e movimentos mais duros ainda.
Mas, ah!, e aquela roupa? O que era aquela tanga de oncinha, aqueles braceletes e tornozeleiras (de bambu?), aqueles cabelos ruivos, aqueles pezinhos sempre descalços?
Para um podólatra como eu, aquilo era especialmente charmoso: os pés nus de uma vilã toda poderosa.
Enfim, as recriações abaixo são todas muito mais interessantes que a versão original e exploram as múltiplas possibilidades de uma gigantesca mulher malvada.


























hoje, as cotas estão em debate no stf e recomendo dois textos
O Peso da História: A Escravidão e as Cotas
Brasil, Meritocracia de Todos
e os meus melhores textos sobre racismo.
espalhem eles por aí e eu agradeço.
a escola americana do rio de janeiro é um dos lugares mais importantes da minha vida.
lá, eu me formei e virei gente. fui presidente do grêmio, editor do jornal, participei de competições. todas as habilidades sociais que tenho na vida, e que me impedem de virar um homem das cavernas, aprendi na escola americana. depois de formado, ainda trabalhei lá por cinco anos como professor substituto. até hoje, os amigos e contatos que fiz formam uma rede que me foi inestimável em todas as iniciativas que empreendi.
terça feira agora, foi o career day, onde velhos alunos voltam à escola e falam aos atuais estudantes sobre suas carreiras. as opções eram muitas, de arquitetura a medicina, de direito a cinema.
cada profissional ia para uma sala e os meninos e meninas podiam escolher assistir até duas palestras. e, incrivelmente, 17 deles, que pagam R$5 mil por mês para estudar lá, vieram me ouvir falar sobre a "carreira de escritor".
comecei as duas palestras do mesmo jeito:
bom dia. eu sobrevivo mensalmente com um terço do valor da mensalidade dessa escola. seus pais colocaram vocês aqui para se tornarem capitães de indústria, médicos, advogados... eles sabem que vieram ouvir conselho profissional de escritor independente? shame on you!
e foi daí pra baixo. mas parece que gostaram. segundo ouvi, as outras palestras, com raras e honrosas exceções, foram bem burguezonas, como seria de se esperar.
mas sempre parto do princípio que, se não quisessem barbarizar um pouco, não teriam me chamado, né? eu não engano ninguém...
* * *
a escola americana do rio é linda e única. vale a pena conhecê-la. dêem uma olhada nessas 32 fotos que tirei.
Antes de começar, responda: para você, o que é um ditador? Como você define?
Tente pensar em uma definição ampla e, na medida do possível, apolítica. Não vale definir ditador de um modo que só enquadre os ditadores do outro lado.
Pensou?
Então, vamos continuar.
* * *
Muita gente chama o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de ditador. Devem ter uma definição diferente da minha.
Para mim, para ser ditador, é necessário uma grande concentração de poder nas mãos de uma pessoa só, que não responde a ninguém - ou quase ninguém.
Nessa acepção, foram certamente ditadores Hitler, Mussolini, Stalin, Kim Jong-il, e certamente não são ditadores Chavez e Ahmadinejad. Aliás, no mundo de hoje, é cada vez mais difícil de existirem ditadores de verdade.
Quanto mais se conhece o país, mais difícil de rotular alguém de ditador. Por exemplo, Fidel foi ditador em vários momentos, mas também não foi em outros. Raul hoje é ditador? Provavelmente. Pinochet foi ditador? Não sei o suficiente de política do Chile para dizer. Getúlio foi ditador? Com certeza foi o mais próximo que chegamos. Nossos presidentes militares foram ditadores? Quase certamente não. Nenhum deles tinha o poder e a liberdade de ação que se associa com a idéia de um ditador que concentra em si o poder nacional. O país era uma ditadura, mas Castelo Branco e Figueiredo eram mais "os primeiros burocratas" do que ditadores em qualquer acepção do termo.
Esse último ponto talvez seja o mais importante. Dizer que Castelo Branco não era ditador (porque não tinha poderes amplos o suficiente para tal) não quer dizer de modo algum que o Brasil não fosse uma ditadura. Era, claro, mas uma na qual o poder era difuso e não concentrado na mão de uma pessoa só.
Atualmente, as duas pessoas mais acusadas de serem ditadoras seguramente não são. Tanto Ahmadinejad quanto Chavez foram eleitos, regem seus países de acordo com as leis locais, não concentram em si os poderes da nação, respondem a diversas outras autoridades. Nada disso quer dizer que a Venezuela ou o Irã sejam democracias, ou mesmo sociedades livres, mas com certeza seus presidentes não são ditadores.
Qual é a sua definição de ditador?
sei que vocês gostam disso aqui, mas os textos legais estão lá no meu site.
alguns trechos do começo de Not for Happiness: A Guide to the So-Called Preliminary Practises, de Dzongsar Jamyang Khyentse, mesmo autor de O Que Faz Você Ser Budista, um livro incrível que já dei de presente pra umas quatro pessoas.
The aim of far too many teachings these days is to make people “feel good,” and even some Buddhist masters are beginning to sound like New Age apostles. Their talks are entirely devoted to validating the manifestation of ego and endorsing the “rightness” of our feelings, neither of which have anything to do with the teachings we find in the pith instructions. So, if you are only concerned about feeling good, you are far better off having a full body massage or listening to some uplifting or life-affirming music than receiving dharma teachings, which were definitely not designed to cheer you up. On the contrary, the dharma was devised specifically to expose your failings and make you feel awful. ...
It is such a mistake to assume that practicing dharma will help us calm down and lead an untroubled life; nothing could be farther from the truth. Dharma is not a therapy. Quite the opposite, in fact, dharma is tailored specifically to turn your life upside down—it’s what you sign up for. So when your life goes pear-shaped, why do you complain? If you practise and your life fails to capsize, it is a sign that what you are doing is not working. This is what distinguishes the dharma from New Age methods involving auras, relationships, communication, well-being, the Inner Child, being one with the universe and tree hugging. From the point of view of dharma, such interests are the toys of samsaric beings—toys that quickly bore us senseless. ...
Right now the majority of us can only afford to be slightly nonconformist, yet we should aspire to be like Tilopa. We should pray that one day we will have the courage to be just as crazy by daring to go beyond the eight worldly dharmas and care not one jot about whether or not we are praised or criticized. In today’s world such an attitude is the ultimate craziness. More than ever, people expect to be happy when they are admired and praised, and unhappy when derided and criticized, and so it is unlikely that those who want the world to perceive them as sane will risk flying from the nest of the eight worldly dharmas. Sublime beings, though, couldn’t care less either way, and that is why, from our mundane point of view, they are considered crazy. ...
... there are four inescapable realities that eventually destroy all sentient beings: We will all become old and frail. It is absolutely certain that everything will constantly change. Everything we achieve or accumulate will eventually fall apart and scatter. We are all bound to die. ...
However beneficial a practise appears to be, however politically correct or exciting, if it does not contradict your habit of grasping at permanence, or looks harmless but insidiously encourages you to forget the truth of impermanence and the illusory nature of phenomena, it will inevitably take you in the opposite direction to dharma. ...
The Buddha himself made no bones about it. He never once provided his students with rose-tinted glasses to take the edge off the horror of the truth of impermanence, the agonies that are “emotion,” the illusory nature of our world and above all, the vast and profound truth of shunyata. None of these truths is easy to understand, or even to aspire to understand, particularly for minds programmed by habit to long for emotional satisfaction and aim for ordinary bliss.
nos dias 11 e 12 de abril, estarei em belo horizonte para dois eventos. ambos são gratuitos e abertos ao público. todos os leitores estão convidados. estou levando uma bolsa de livros para vender e autografar. na noite de quarta, botecamos com os amigos mineiros. se quiser se juntar a nós, dê uma ligada (21 8662 1974). a gente se vê lá.
primeiro encontro de literatura virtual
quarta, 11 de abril, 19:30h, espaço oi futuro
prosa. diálogos entre filosofia, direito e arte.
quinta, 12 de abril, 11:00h, faculdade de direito da ufmg
Hera Venenosa talvez seja a mais perversa vilã do universo de super-herois Marvel e DC.
Todas as bad girls mais famosas ou são na verdade heroínas boazinhas (Sonja, Witchblade, Electra, etc) ou são falsas vilãs, que vivem reincidindo na bondade e abdicando da vilania (Mulher Gato, Gato Negro, Fênix, Safira Estrela, Rainha Branca, etc etc).
Mas, dentre as vilãs mais famosas, a Hera Venenosa talvez seja a única que jamais foi tentada pelo lado do bem. Sim, é uma ecologista; sim, defende o meio-ambiente; mas sempre com um desprezo gigantesco pela humanidade em geral (no filme, interpretada por Uma Thurman, queria exterminar todas as pessoas do mundo!), e, mais ainda, pelos homens em particular – homens que ela domina e controla, usa e abusa, descarta e mata.
Seu poder é sempre sexual. Ela é toda sexo. Nunca usa de força bruta; pelo contrário, controlar a vontade dos homens com sua beleza e poderes.
Algumas vezes descalça, algumas vezes de botas, mas sempre verde, até esmalte. E eu fico pensando: será que ela nunca passa um esmalte preto, rosa, um vermelhinho básico?
A Hera Venenosa já é sexy na versão original, e é mais ainda nas versões abaixo.
(Como eu sou um podólatra doente, confesso e empedernido, as imagens tendem a privilegiar os pezinhos de sola verde da vilã. Se gostou, não deixe de ler meu mega texto Malvadas, Vilãs & Femme Fatales)





















(Se gostou, não deixe de ler meu mega texto Malvadas, Vilãs & Femme Fatales)
Maligna nunca foi lá muito bonita. Não tinha sexy appeal, era muito séria e se movia de forma dura, quase masculinizada – mas isso é porque a animação era ruim de doer mesmo.
Apesar disso... havia alguma coisa ali. Talvez fosse sua roupa reveladora, meio metálica, com tons de BDSM. Talvez fosse o fato de ser a única mulher entre os malvados. Mas, de fato, inspirou sonhos molhados em toda uma geração.
As reinterpretações de Maligna, abaixo, são todas muito melhores que a versão original.
(Se gostou, não deixe de ler meu mega texto Malvadas, Vilãs & Femme Fatales)





























durante nove anos, mantive o lll, com atualizações sempre diárias, posts ilustrados, um blog que já chegou a ser bastante popular em seu auge. ultimamente, comecei a encher o saco dessa vida de blog e criei um site pessoal totalmente minimalista, sem anúncios, só textos, raras imagens, e periodicidade irregular. um, dois textos por semana. nos dias bons, tem quinhentas visitas, e olhe lá.
hoje, inacreditavelmente, meu site pessoal, que mal é um site, foi indicado para o prestigiadíssimo prêmio BOBs da Deutsche Welle. incrível.
não mereço mesmo - e não é falsa modéstia. meu site pessoal foi indicado ao lado de alguns dos melhores e mais inovadores projetos da internet brasileira, como o catraca livre, clementinas, histórias da rua, blog da pacificação e pública.
qualquer um desses é infinitamente melhor que eu e valem a sua visita e o seu voto.
de qualquer forma, comovido pela lembrança e pela indicação, eu agradeço.
Indicados para Melhor Blog em Português.
vejo muita gente nas artes celebrando sei lá quantos anos de carreira, e sempre me pergunto: quando começam a contar?
minhas ruminações aqui: quando começa a carreira de um artista?