- E eu que achava que todo mundo já tinha sacado qual é a do Boca Juniors. Que nada, bicho. Mais um time brasileiro fica pelo caminho – o Cruzeiro, desta vez – e a turma não demorou a diagnosticar: "o Boca é um time copeiro". Tudo bem, que os bosteros são manhentos mesmo é fato. Agora, na real, o Boca é um time bom. E pronto. Saca só – e com um detalhe, descontando o fator Bombonera.
Primeiro, é uma equipe que defende sempre com razoável firmeza. Conta com um malandro quente pra dar umas chargeadas que é o Battaglia, cheio de autoridade e moral com a galera. No ataque, possui uma dupla com tudo que tem direito: Palermo, matador no melhor estilo grosso, e o Palacio, rápido, chato pra cacete de marcar. Por fim, o desgraçado do Riquelme, rei da cartilha "quem passa recebe, quem se desloca tem preferência".
- Bola na área, cabeçada do cabeludito Marcelo Moreno, e enquanto a pelota cumpre a parábola, ninguém reparou, mas o Wágner consultava o "Manual do Voleio". E o atacante do Cruzeiro mandou muito bem, num voleio original. Bem diferente do consagrado, injustamente, "voleio à la Bebeto" – que nas peladas, também era conhecido como "dar um Bebets".
Consultando as enciclopédias da bola percebe-se bem a diferença entre a manobra "quem sabe faz ao vivo" e "playback": no voleio genuíno, o corpo deve projetar-se, perpendicular ao gramado, de “ladinho”, no mínimo 63 centímetros. E o pai do Matheus, depois que acertou aquele contra a Argentina, sempre que podia saltava cheio de chinfra, mas realizava o dito cujo quase rasteiro. Aí era mole, até saci.
- Faz um tempinho que a rapaziada da defensiva deu pra comemorar (vibrando, gesticulando, gritando) sempre que acerta um corte preciso, providencial, salvador etc e tal. Já resumindo a questão, avalio essa reação como uma tremenda palhaçada – aliás, está difícil achar o que não é babaquisse no futebol atual.
Primeiro, até onde eu sei, corrijam-me se eu estiver equivocado, a função primordial do zagueiro é justamente evitar os golos contra a sua meta. Aí você pode me dizer: "Ok, mas o atacante serve para marcar gols e quando os faz sai comemorando". No que eu te respondo: "Evite falar besteira". Pois então, voltando. Tudo isso não tem nada a ver com raça. É, simplesmente, o maldito maketing pessoal que cada vez mais polui o simplório jogo da bola.
É óbvio que eles nunca ouviram Jorge Ben. Em 1975, no disco "Solta o Pavão", o mestre "verbeteou" em forma de música a profissão: "para ser um bom zagueiro/ Não pode ser muito sentimental/ Tem que ser sutil e elegante". Ouça lá, está tudo em "Zagueiro". E o resto é frescuragem e auto-promoção.