Sem nada pra fazer, resolvi dar uma pescoceada na Copa Africana de Nações. Sinceramente, não tenho apreciado ultimamente os jogos entre seleções, geralmente chatos. Milagrosamente, não me arrependi.
Peguei o segundo tempo da semifinal entre Gana e Camarões na ESPN Brasil – confronto vencido pelo ex-seleção do simpaticíssimo Roger Milla por 1 a 0. O gol foi bacana e, para a minha sorte, justamente depois da rede balançar que o melhor do futebol africano veio à tona e a curtição foi total.
Não creio que alguma seleção do continente vá ser campeã mundial em um futuro recente, nem que o esporte na região se desenvolva, chuto até que o Obama não vai emplacar nos EUA. Porém, de uma coisa eu não tenho dúvidas: ninguém bate como eles!

Gol aos 25 minutos do segundo tempo, partida eliminatória caminhando para o término, o caldo entornou de tal maneira que só o Gil Brother poderia narrar o PEGA maiúsculo. Era “voleio na nuca, chapa nos peito, soco no coração” que Dudu Monsanto e Rodrigo Bueno, naipe “Luiz Boça”, não tiveram a manha de transmitir.
Malandro, é ESTILO BLACK TRUNK* de jogar bola! E tudo negrão parrudo. Assim, cada dividida abria para conseqüências inimagináveis. Em poucos minutos, um mostruário variado de rechaçadas, chargeadas, arrepiadas, chegadas, limpadas e arregaçadas. Voadora é fundamento básico.
De brinde, duas manobras diferenciadas, uma inédita. A primeira: bola quicando perigosamente na altura da face, o jogador de Gana saltou no modo conhecido como “força desproporcional” aplicando um violento golpe com os glúteos em seu oponente. E daí... lógico, tava lá um colorede estendido no chão.

A outra, quem estava no estádio deveria sair e pagar novo ingresso. Choque na área, entre paralama prum lado, espelho retrovisor pro outro, pneu furado, marcas de freada, um camaronês carecia de auxílio médico. Prontamente, maqueiros em ação. E não é que, sem motivo aparente, um chapa não aprovou o atendimento e deu um empurrão num pobre carregador que o lançou em vôo livre de quatro metros (sério) até o estabacamento absoluto.
Pergunta se algum dos maca-boys ousou questionar a atitude do armário rasta? Nada! Eles bem que podiam partir pra porrada de galera, já que estavam em quatro ou cinco elementos. No entanto, ficaram na miúda, muy sabiamente.
Já o juizão usou a macheza do cartão vermelho e despachou o chupeta da idéia. Aliás, queria ver o esquentadinho lançando aquele maqueiro roots do Maraca que tem pinta de boxeador etíope. Aí sim seria frenético.
Graças ao bom Deus, trila o apito e ninguém morreu. Dizem os entendidos que o Eto’o pode mandar bem na final (e ele apavora mesmo, sem contar que está com um visual “Bob novinho” irado), que Costa do Marfim tem vários craques e o Egito um time bem arrumado - os dois países brigam pela outra vaga na decisão. Vai por mim, não manjam nada.
* Não fique de vacilação e saiba o que é black trunk aqui.
Fotos: Reuters.