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| Domingo, 27 de Setembro de 2009
P.S. 2: Aos leitores do feed que não visualizaram o post doado por Rafael Losso, cliquem neste link. P.S. 3: O texto que escrevi para a campanha, intitulado "Filho, árvore, livro... Amor", foi publicado no blog Viva, de Tatiane Ribeiro. Outros blogs que estão participando da campanha: A Partir de 1,99, Amálgama, Avenida de Escândalo, Blog da Luisa, Blog do Maestro Billy, Blog do Rafa, Casa da Gabi, Dica do Dia, Haznos, Homem na Cozinha, Minas de Ouro, Não 2 Não 1, Papo Econômico, #prontofalei e Vi Shows.
Quarta, 26 de Agosto de 2009
Há tempos estou para escrever um texto sobre o ato de procrastinar. Mas se há uma coisa que a gente não costuma adiar é o hábito de postergar, enrolar, deixar certas tarefas para o dia seguinte. Outro dia mesmo, ao pensar sobre o assunto, acabei tuitando uma frase que sintetiza bem essa história: "Procrastinação é como masturbação. No começo é bom, mas depois vc percebe que só está fodendo a si mesmo". Tenho mais de quinze posts rascunhados. Por que não os finalizo e os publico duma vez? Um pouco por causa do perfeccionismo antiprodutivo que faz com que eu nunca fique satisfeito com certos textos, um tanto por conta das atribuições mais urgentes do dia a dia; sem esquecer da parcela substancial de culpa a ser imputada à síndrome de DDA que faz com que eu me distraia acompanhando o Twitter ou navegando aleatoriamente pela rede, ocupando-me com afazeres geralmente mais prazerosos e/ou descompromissados. E assim, acabo por parafrasear na vida real aqueles versos de Fernando Pessoa: "Ai que prazer/ não cumprir um dever./ Ter um livro para ler/ e não o fazer!". Ah, procrastinação, minha velha companheira que me torna displicente e pontualmente atrasado para quaisquer deadlines que necessito cumprir; o que fazer com você? Enquanto esse impasse permanece, sei que preciso marcar uma reunião com meu amigo André Marmota a fim de, enfim, criarmos o Clube dos Procrastinadores Anônimos. Amanhã a gente vê isso. * * * * * Leituras recomendadas: "Amanhã eu escrevo" (Rodolfo Araújo), "10 dicas para se livrar da procrastinação" (Eduardo Fernandes), "Desbaratando a rede de procrastinação" (Marco Polli) e "Amanhã eu faço" (Rafael Tonon).
Segunda, 10 de Agosto de 2009
Foi graças à antologia 26 Poetas Hoje, publicada nos anos 70, que tomei conhecimento pela primeira vez dos versos de nomes como Cacaso, Ana Cristina César, Francisco Alvim e Roberto Piva, dando destaque a uma geração de poetas que recorriam a mimeógrafos e fanzines para difundir suas obras, até então ignoradas pelo mercado editorial. Esta coletânea, organizada pela ensaísta, escritora e professora Heloisa Buarque de Hollanda, cunhou o termo "poesia marginal", que denominou aquela geração de autores que, em meio ao auge do regime ditatorial, arregaçou as próprias mangas para autoeditar seus versos coloquiais, desaforados e desengravatados. Anos depois, Heloisa organizou uma nova coletânea de autores: Esses Poetas - Uma Antologia dos Anos 90. Na introdução à obra, que reúne autores do porte de Antônio Cícero, Augusto Massi e Cláudia Roquette-Pinto. Na introdução ao livro, publicado em 1998, afirma Heloisa: "Diante de qualquer formação de consenso a respeito de quedas de vitalidade na produção cultural, sinto-me impelida a organizar uma antologia de novos poetas. De tempos em tempos, portanto, me surpreendo engajada no processo de identificar sinais do que poderia ser um novo momento literário ou poético." Pois bem: Heloisa Buarque de Hollanda acaba de coordenar, com o auxílio de colaboradores como Ramon Mello, uma nova seleção de autores, intitulada ENTER – Antologia Digital. São 37 nomes, reunidos dentre poetas, prosadores, quadrinistas, rappers, músicos, produtores culturais e cordelistas; dentre eles, este que vos escreve. Em entrevista concedida a Luiz Felipe Reis para o Jornal do Brasil, Heloisa fala sobre a nova compilação e as relações entre internet e literatura: "A antologia observa como todos esses autores encaram e exercitam diferentes práticas da palavra. Assumem essas novas modalidades e as expõem na web e nas ruas. Quero jogar luz sobre todos esses novos formatos que a palavra toma. Isso que é incrível. A palavra, nessas novas formas, apodera-se do estatuto da literatura e da prática literária. Isso é muito novo. É um momento de mudança na prática da palavra." Aproveito a ocasião, pois, para convidar os leitores deste blog que estiverem no Rio de Janeiro a participarem do lançamento de ENTER – Antologia Digital: dia 11 de agosto, às 20 horas, no Cinemathèque Jam Club (Rua Voluntários da Pátria, 53, Botafogo). Divirtam-se por mim.
Sexta, 7 de Agosto de 2009
Todos aqueles que cresceram tendo a TV como babá eletrônica e assistiram a filmes como Curtindo a Vida Adoidado, Mulher Nota 1000, Clube dos Cinco e A Garota de Rosa Shocking acordaram um pouco mais tristes e envelhecidos na manhã de hoje, depois de assimilar o baque da morte inesperada de John Hughes, diretor e roterista de clássicos da Tela Quente e da Sessão da Tarde. Creio que Kevin Smith, cineasta e nerd de carteirinha, falou por todos nós ao escrever, em seu perfil no Twitter: "John Hughes, o homem que falou para geeks de uma maneira que ninguém havia feito antes." Hughes não dirigia filmes desde 1991, ano em que Bill Carter escreveu uma reportagem para o New York Times na qual o roteirista e produtor de Esqueceram de Mim, sugestivamente, queixava-se dos estúdios e do modo como eles divulgavam e exploravam suas obras e personagens. Um dos maiores motivos da decepção de Hughes com a indústria foi o modo como seu filme de cunho mais autobiográfico, Ela Vai Ter um Bebê, de 1988, foi lançado nos cinemas. Ao contrário de suas obras mais conhecidas, não é uma comédia voltada a adolescentes; o filme é focado no cotidiano de um jovem casal, interpretado por Elizabeth McGovern e Kevin Bacon, buscando sair do abrigo das asas de seus pais, procurando empregos e, ao final, embarcando na aventura de ter o primeiro filho. Embora tenha fracassado nas bilheterias, Ela Vai Ter um Bebê é apontado como o melhor filme de Hughes por nomes como Chris Columbus e o supracitado Kevin Smith. Eu, pessoalmente, ainda prefiro Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco. Mas, em homenagem a John, posto aqui um vídeo que mostra sua cena mais emocionante: o momento em que o personagem de Kevin Bacon toma conhecimento de que sua esposa está enfrentando complicações no parto e aguarda, angustiado na sala de espera do hospital, por notícias sobre seu filho e a mulher que ama. Hughes, o mesmo homem que resgatou os Beatles para toda uma nova geração ao colocar Ferris Bueller para cantar "Twist and Shout" nas ruas de Chicago, e que garimpou bandas como Simple Minds, Psychedelic Furs e Sigue Sigue Sputnik para suas produções, mais uma vez acertou na mosca ao usar "This Woman's Work", belíssima canção de Kate Bush, como trilha sonora daquela que talvez seja a sequência mais pungente de toda a sua carreira. P.S. 1: Leituras recomendadas: "A adolescência acabou" (André Takeda), "John Hughes era o Antonioni da comédia juvenil" (Ricardo Kalil), "Morre John Hughes!" (Tiago Cordeiro), "Top 5 lições que aprendi com os filmes de John Hughes" (Denis Pacheco), "Obrigado, John Hughes" (Gustavo de Almeida) e "John Hughes" (Chico Fireman). P.S. 2: Alison Byrne Fields foi amiga de pen pal de John Hughes por dois anos, e publicou em seu blog trechos de algumas cartas que recebeu dele.
Segunda, 27 de Julho de 2009
Steve Rubel, diretor da Edelman Digital, anunciou em junho que abandonaria o seu blog, trocando-o pelo Posterous, plataforma de lifestreaming de uso simples e desburocratizado: basta enviar seus posts para o e-mail post@posterous.com para que eles sejam publicados, dispensando o preenchimento de cadastros e a memorização de mais um login e senha. No texto em que justificou sua decisão de trocar o blog pelo Posterous, Rubel escreveu: "O formato atual dos blogs precisa de um 'reboot'. Creio que pessoas não têm tempo para ler tanto quanto costumavam ter. Além disso, blogs precisam estar conectados a hubs de redes sociais. O Posterous me permite fazer isso de várias maneiras, inclusive permitindo que meus leitores enviem seus comentários através de Facebook, Twitter, Backtype e Friendfeed." Mais adiante, Rubel destaca a busca por formatos menos formais de se blogar, ressaltando que seu lifestream serve como um ponto de partida para os conteúdos que ele publica em outras redes sociais: YouTube, Flickr, Twitter, yada yada yada. A ascensão de ferramentas como o já citado Posterous, o excelente Tumblr e o tupiniquim Yahoo!Meme, destinados a "blogueiros casuais" que não têm muito tempo e procuram por meios mais simples e descomplicados de se produzir e compartilhar conteúdos, é o reflexo de tempos em que temos perfis em diversas redes sociais e cada vez mais somos impactados por informações que vêm de feeds, Twitter, janelas do Messenger, inúmeras abas abertas em seu navegador. Quem lê tanta notícia? Quem tem tempo e saco para atualizar tantos perfis? E ainda nem citei o maior "vilão" dessa história: o Twitter. Charles Arthur, editor de tecnologia do The Guardian, publicou um artigo em 24 de junho com o seguinte título: "A Cauda Longa dos Blogs Está Morrendo". Seu texto menciona uma matéria do New York Times, também de junho, relatando que 95% dos blogs monitorados pelo Technorati não haviam sido atualizados nos últimos 4 meses, e imputando esse abandono à migração dos "traidores do movimento" para mídias sociais como o Facebook e, especialmente, o Twitter. Afinal de contas, o Twitter oferece conteúdo imediato (redigir posts de blogs é uma tarefa muito mais trabalhosa do que compartilhar palpites e insights em até 140 caracteres) e reações quase instantâneas, seja na forma de RTs, replies ou novos tweets amplificando conversas e debates. Eu, que abandonei este blog por mais de um mês, creio que já deixei mais do que subentendida minha concordância com a opinião de Steve Rubel a respeito da necessidade de se repensar o formato da ferramenta. Ultimamente, tenho produzido ou sociabilizado conteúdos quase que diariamente em outros sites como Twitter, Tumblr, Meme e minha página de itens compartilhados no Google Reader; mais simples, informais e interativas. Mas não posso imputar o abandono deste espaço só a isso. Excesso de trabalhos e procrastinação também fizeram com que eu me tornasse um ex-blogueiro. Preciso reinventar esse espaço, torná-lo mais dinâmico e integrado a minhas outras atividades online, fazendo deste blog um lifestream; contratar um programador e um designer estão em minha lista de tarefas. Não, não creio que os blogs vão morrer, do mesmo modo que a televisão não acabou com as rádios e a internet não chacinou a mídia tradicional. O caminho por certo está na integração de mídias. Particularmente, penso que a saída está em amalgamar a simplicidade do Tumblr com a dinâmica do Twitter, sem deixar de lado as novas possibilidades de multimídia, assim como a apuração e a consistência de posts que necessitam de mais do que 140 caracteres para se contar uma boa história. Resolver essa equação é o desafio que os blogueiros que não querem nem podem se acomodar devem enfrentar. Uma leitura inspiradora é a entrevista que Scott Rosenberg, co-criador do site Salon.com, concedeu à revista Time, em uma matéria sugestivamente intitulada "The Evolution of Blogging". Nela, Scott comenta as mudanças que o microblogging está impondo aos blogs sob um ponto de vista positivo: "O Twitter está redefinindo os blogs como lugares nos quais você expressa coisas que não consegue dizer em 140 caracteres. Ironicamente, está tornando o ato de blogar mais substancial. No começo, blogs eram considerados triviais, mundanos e repletos de posts sobre o que você tinha comido no almoço. Essas mensagens agora estão no Twitter - junto com outras coisas, é claro - enquanto blogs podem servir como uma esfera pública para a discussão de ideias, assim como um local onde pessoas exercem sua criatividade e autoexpressão." Bem, que assim seja. * * * * * P.S. 1: O título deste post é uma paráfrase de um livro que José Paulo Paes, um dos meus poetas prediletos, publicou em 1988. P.S. 2: Concedi uma entrevista à Revista Capitu falando de livros. Nela, falo de dedicatórias e anotações, revelo como (des)organizo minha biblioteca pessoal e divago sobre A Margarida Friorenta, primeiro livro que ganhei na vida. P.S. 3: Hoje é meu aniversário. Talvez isso ajude a explicar este momento auto-reflexivo.
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