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Sexta, 11 de Dezembro de 2009

Sobre certas certezas, discussões na rede e o livro de Yoani Sánchez

Lamento ver certas discussões, seja na internet ou na vida off-line, que acabam por dicotomizar simpatizantes de ideologias opostas. De repente, tudo no mundo torna-se branco ou preto, sem que haja espaço para o cinza; você é 8 ou 80, esclarecido ou alienado, "petralha" ou "tucanalha". Cada lado defende suas posições com agressividade típica de torcidas organizadas de futebol, e o resultado torna-se tão deprimente quanto o estrago cometido pelos falsos torcedores do Coritiba no estádio Couto Pereira. Sem espaço para discussões ponderadas e críticas construtivas, vejo muita gente que só quer saber de ler textos que reiteram suas opiniões, tapando olhos e mentes para visões conflitantes com suas convicções arraigadas. Triste esse paulatino processo de amesquinhamento intelectual, que faz com que debates tornem-se meras rinhas de neurônios murchos lutando na lama.

Foto de Havana, do especial sobre Cuba produzido pelo coletivo Garapa.org.

Querem um exemplo prático do que falo? As discussões em torno da Revolução Cubana, que celebrou 50 anos em 2009. Creio que o melhor texto já escrito sobre o assunto foi escrito por Idelber Avelar em fevereiro de 2008. Sua simpatia pelas causas esquerdistas não o impediu de fazer um balanço lúcido e sereno sobre o legado deixado por Fidel Castro. Transcrevo aqui suas palavras:

"Cuba se transformou numa espécie de espelho distorcido onde cada um projeta uma visão que já traz de antemão. Amigos de esquerda viajam à ilha e voltam com relatos acerca de um povo muito orgulhoso do que fez. Mas também não dá para negar uma outra realidade: a da quase prostituição das relações pessoais com estrangeiros e a dura vida dos presos políticos. Aí eu não posso deixar de lamentar que as pessoas dedicadas a defender a Revolução Cubana -- causa mui legítima -- simplesmente não mencionem o fato. Vira uma ladainha: os defensores mencionam educação e saúde; os detratores mencionam a falta de imprensa livre e os presos políticos. Ambos têm razão. Ambos vão perdendo a razão na medida em que se recusam a olhar a coisa de uma maneira mais trimensional."

Clique aqui para ler o blog de Yoani na tradução para o português.Fiz todo este preâmbulo para falar da mais notória blogueira cubana: Yoani Sánchez, filóloga de 34 anos que desde abril de 2007 relata em seu blog Generación Y seu cotidiano e seus imbróglios com o regime ditatorial na ilha. Volta e meia vejo simpatizantes da revolução cubana acusando Yoani de ser uma agente internacional da CIA patrocinada pelo governo americano, embora não apresentem provas disso. Recentemente, foi noticiado que Sánchez foi detida e espancada por autoridades cubanas no dia 6 de novembro, mas relatos compilados por um artigo do Global Voices Online mostram que há muita gente que contesta a veracidade desse incidente, assunto de uma matéria da CNN. Um deles foi Frei Betto, que publicou um artigo intitulado "A blogueira Yoani e suas contradições" (aliás, sobre esse texto, recomendo a leitura do post "Frei Betto, Yoani Sanchéz e o Copyright", de Leandro Beguoci).

Ou seja: ao mesmo tempo que Yoani Sánchez ganhou prestígio no exterior, a ponto de ter sido considerada pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, e de ter recebido prêmios como o Ortega y Gasset de jornalismo (concedido pelo jornal espanhol El País) e o The BOBs de melhor blog de 2008, há várias pessoas contestando as ações e motivações desta blogueira, movidas essencialmente por razões ideológicas. Creio, pois, que não há nada mais apropriado do que ouvir Yoani Sánchez em pessoa: seja por meio do vídeo a seguir, produzido pela trupe do Garapa.org, seja pela entrevista realizada por André Deak.

Site do livro de Yoani, reunindo matérias e notícias sobre a autoraPor fim, recomendo fortemente a leitura do livro "De Cuba Com Carinho", publicado pela Editora Contexto. Em seus textos, Yoani, que foi impedida de vir ao Brasil para o lançamento da edição por estas bandas (motivando inclusive um pronunciamento no Congresso do senador Eduardo Suplicy), mostra ser uma observadora atenta da realidade que a cerca. E não me refiro apenas ao que Sánchez chama de "utopia imposta"; cito, por exemplo, um breve texto no qual ela fala, com viés otimista, da juventude de seu país.

"Esses jovens que vejo hoje, ensimesmados nos seus MP3 e com a calça abaixo da cintura, anseiam - como nós já ansiamos - pelo momento de estar 'no comando da casa' e trocar os móveis, renovar a pintura e convidar os amigos. Eles têm a mesma aversão ao que é herdado e o mesmo deleite com o proibido que todos que já passamos por essa idade também tivemos. Gosto da maneira como fazem de conta que nada lhes interessa, quando na realidade aguardam o momento de tomar o microfone, brandir a caneta, levantar o indicador. O hedonismo os salva da entrega incondicional e certo toque de frivolidade os protege contra a sobriedade das ideologias."

Antes de criticarem ou elogiarem o blog e as atitudes de Yoani Sánchez, gostaria muito que as pessoas ao menos se dispusessem a ler seus textos antes de emitir julgamentos apressados e conspurcados por certezas inexpugnáveis.

* * * * *

P.S.: E começaram as retrospectivas da década. O Scream & Yell perguntou a mim e a mais 67 músicos, críticos e jornalistas quais foram os melhores discos da década. Confira os resultados da votação. E as minhas escolhas. ;)

© Alexandre Inagaki
 
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Comentários:


Nome: Richard · http://www.antesdahora.com
Alexandre,

Tenho acompanhado há um bom tempo a trajetória de Yoani. Sou consciente que fazer jaba nos comentários é #fail por demais, mas tem dois posts meus que detalham bem minha opinião sobre esse assunto deveras complexo.

http://www.antesdahora.com/2009/10/revolucionando-revolucao-cubana-cuba.html

e

http://www.antesdahora.com/2009/11/novela-yoani-sanchez.html

R: Richard, valeu pelos links. Quanto mais informações melhor; não à toa pontuo meus posts com diversos links, a fim de permitir que cada leitor possa conferir minhas fontes e tirar suas próprias conclusões. Um abraço.
link 11.12.09 @ 11:59

acompanho o blog de Yoani há um tempo, agora vou pra livraria comprar o livro, obrigada pela dica!
interessante essa passagem sobre jovens de calça baixa e ouvindo ipod... tenho essa sensação- quanto mais viajo, mais encontro gente igual a mim - em qualquer canto, por mais remoto que seja - Japão, Chipre, Brasil, Malasia... somos de uma maneira todos iguais e queremos algumas das mesmas coisas.

R: Adriana, com a globalização e o acesso que todos nós temos às mesmas informações, em tempo real, de certo modo todos nós, habitantes deste planeta, ficamos um pouco mais próximos. Guardadas, lógico, as diferenças e idiossincrasias de cada cultura, temos um pouco mais de algo em comum. Obrigado pelo seu relato!
link 11.12.09 @ 12:03

Nunca me interessei por Cuba ou por Yoani Sánchez (claro, sabia quem ela era, o que fazia, etc, mas simplesmente não dava a mínima). Agora deu vontade de saber mais.
De qualquer forma se o post fosse apenas o primeiro parágrafo já seria ótimo e reflexivo.

R: Brigadão pelo feedback, Ju. Fico satisfeito por saber que a maior intenção do meu post, que era a de despertar a curiosidade em torno da figura de Yoani em meio aos 50 anos da Revolução Cubana, foi cumprida ao menos no seu caso. Um beijo!
link 11.12.09 @ 12:08

Nome: Bruno Campos · http://www.flickr.com/brunofotografo
Sou seu "seguidor" no twitter e fiquei curioso quanto ao post.
Li seu texto, e claro, os textos indicados. Me senti "convocado" a comprar o livro, não por um impulso capitalista, mas por uma curiosidade humanística. Se é que se pode dizer isso.
O caso dela já me deixava curioso, mas depois dessas leituras, se concretizou a vontade de saber exatamente o que essa mulher tem a dizer.
Obrigado pelas informações.
@brunofotografo

R: Valeu, Bruno. Creio que, nestes tempos em que a gente tem o Twitter para compartilhar informações em tempo real, blogs agregam valor à medida em que fazer a curadoria de dados acrescida a uma reflexão dos fatos. O assunto Yoani já estava na pauta há umas 3 semanas, mas quem disse que eu conseguia tempo pra escrever? XX( Um abraço.
link 11.12.09 @ 12:09

Nome: Thiago S. Rosa · http://www.thiagorsr.net
A questão Yoani, que eu tenho conhecimento muito superficial para expressar uma opinião, lembra um pouco algo que eu falei um dia com um sociologo no Rio De Janeiro: Eu tinha uma visão crítica a igreja católica e dei o exemplo de duas visões que na forma são completamente diferentes porém igualmente críticas: Nietzche e Gandhi. O Sóciologo, com uma clara visão socialista, logo falou que eu tinha razão sobre a questão religiosa baseando se na visão do Filosofo Alemão, porém que eu não deveria utilizar Gandhi como base da minha critica a Igreja Católica. E nisso, a questão que era mais ampla ficou em volta da fontes que eu utilizava para embasar a minha opinião, pois eu não poderia utilizar uma visão igualitária com base em crença espiritual com uma que era contra a existência de algo assim. E com isso, começou mais um Fla-Flu na minha vida. Infelizmente...
Muito bom seu texto e suas indicações. Entrarei em cada um dos links.

Abraços.

R: Pois é, Thiago. Constantemente vejo muito essa história de desqualificar fontes de argumentação na base da flafluficação de uma conversa, como se o interlocutor fosse uma espécie de STJD, assumindo ser a única instância capacitada para validar o que pode e o que não pode ser usado para justificar pontos de vista. Arre!
link 11.12.09 @ 12:10

Nome: Nathália · http://www.floresnajanela.com
Não tinha conhecimento da Yoani - vergonha - mas gostei muito de seu blog e confesso que fiquei até com vontade de comprar o livro.

Polêmicas à parte, ela deve estar fazendo algo certo: ganhou todos esses reconhecimentos e está chamando atenção para a situação da ilha. Isso já é um bom começo.

R: Nathália, não se avexe. Mais importante é saber o que fazer com as informações que a gente detém. :D
link 12.12.09 @ 10:45

Nome: Gabriel Delpino
Quién quiera conocer más datos sobre la vida de Yoani puede consultar el siguiente link:

http://knol.google.com/k/gabriel-delpino/yoani-s%C3%A1nchez/3cupeur4lnq6l/6#

Los detalles de la agresión a Yoani por parte de agentes de la seguridad del estado se pueden ver en el siguiente link:

http://knol.google.com/k/yoani-s%C3%A1nchez-2-incidentes-con-el-gobierno-cubano?collectionId=3cupeur4lnq6l.6&position=2#Agentes_de_la_seguridad_del_estado_agreden_a_Yoani

R: Gracias, Gabriel, pelos links. Um abraço!
link 12.12.09 @ 21:10

Nome: Luiz Gustavo
Olá Alexandre. Sou filiado ao PC do B e tenho minha visão sobre o fato.

Acredito que o mundo hoje vivencia uma disputa ideológica com atores muito fortes e bem posicionados:

- De um lado o controle total e absoluto do Estado sobre a economia, onde, ao menos teoricamente, a liberdade individual é limitada em detrimento do desenvolvimento coletivo. Na nossa maneira ocidental de ver o mundo, a liberdade individual é mais importante que o coletivo. De qualquer maneira, as atuais sociedades ditas socialistas, não me satisfazem pois não conseguem fazer conversar entre si a liberdade individual e o desenvolvimento coletivo.

- De outro lado a iniciativa Privada como detentora dos meios de produção e principal alavancadora da economia. Nesta vertente, a liberdade individual é predominante sobre o coletivo. Uma de suas premissas básicas, conforme a teoria de finanças, é maximizar a riqueza do acionista. Hora, sabemos que os acionistas, mesmo em países com bolsas de valores sabidamente desenvolvidas são poucos e também sabemos que no final os responsáveis pelas tomadas de decisão são os principais executivos das empresas (ainda que existam os tais Conflitos de Agência, ou conflitos entre os acionistas e gestores).

As duas vertentes, em suas concepções mais puras, mostraram suas falhas no decorrer da história. A primeira com a queda da ex-URSS, do muro de Berlim e a tal da falta de liberdade individual, e a segunda com as sucessivas crises econômicas no modo de produção capitalista. Nós, os humanos, somos tentados a bipolarizar todas as discussões, inflamando os pulmões com teorias vãs e conceitos rasos, muitas vezes gerados pelos interesses particulares de quem está lendo, que busca apoio intelectual às suas idéias com autores que corroboram seus pensamentos, evitando leituras que vão de encontro à sua pretensa intelectualidade. Em outras palavras, nós lemos e entendemos conforme as lentes de nossa vida.

Talvez a explicação do mundo atual está em entender a anarquia da internet e sua quase falta de fiscalização e controle, associado ao falso conceito de liberdade individual, em conjunto com cada vez mais controles governamentais e empresas cada vez mais dominantes do modo de pensar humano (somos meras cópias de um modelo econômico que privilegia o consumo como forma de encontrar sentido da vida).

Acredito muito na etnografia como técnica de conhecimento. O que sei é muito pouco perante o mundo. Os grandes filósofos da antiguidade eram famosos por viajar o mundo conhecido e somente depois começarem a escrever sobre aquilo que acreditavam. Hoje, com os acessos permitidos pela internet e com a tal da Era da Informação, somos tentados a criar teorias e mais teorias para mostrar nosso entendimento do mundo. Talvez Marx estivesse certo o tempo inteiro com sua dialética, que no fundo, nem dele era e sim dos tais filósofos antigos, mas que ele trouxe para os dias de sua época com uma nova roupagem, que pode inclusive ser utilizada para explicar os confusos dias atuais....

Talvez todos os textos sobre a Yoani Sánchez estejam corretos e talvez todos estejam errados. Eu particularmente só saberei caso viaje para Cuba e verifique com meus próprios olhos qual é a realidade existente lá. Mas mesmo assim estarei com um problema grave na análise pois existem alguns pressupostos nos quais acredito que certamente influenciarão minha conclusão final....

Sim.. coloquei muitos Talvez... Não acredito na verdade absoluta apesar de buscá-la sempre...

R: Olá Luiz, valeu por expor seu ponto de vista. E deixando claro, desde a primeira linha, qual é o seu viés ideológico. Bom encontrar pessoas dispostas a discutir política com a devida serenidade.
link 13.12.09 @ 17:15

Nome: Amanda
Ainda não li o livro de Yoani Sánchez mas gostaria muito de lê-lo. Tem sido muito falado e acredito que não vai me desapontar. Boa escolha para o post!

R: Amanda, nada como ler o blog de Yoani para que você tenha uma boa idéia da qualidade do livro. Um beijabraço!
link 13.12.09 @ 23:31

Nome: Paula Ishibashi
Inteligente íntegro e sereno...pq o amor não te acompanha? A cia mais gostosa não é a que precisamos e sim a que se completa conosco, nada a ver com o assunto do livro mas me veio na mente isso.

sou sua fã creio que como todos aqui! quero vc feliz e não com a boca esfarelada de paçoca, boa semana fique com Deus e bjs
singelos. Lerei o livro e comentarei dps.

R: Olá Paula, obrigado pelas palavras gentis. Posso dizer que não tenho do que reclamar sobre o sentimento com nome de paçoca, viu? B) Um abraço!
link 14.12.09 @ 00:05

Nome: Adriana Karnal · http://anndixson.blogspot.com
Inagaki,
Gostei do post, ouvi falar pouco dos 50 da revolução de Cuba, esse texto vem muito a calhar.Não conhecia essa blogueira/jornalista, mas já estou indo atrás do blog dela, pois esse assunto me interessa.è mais um serviço prestado pelo teu blog...Achei a posição dela quanto aos adolescentes de "calça baixa" muito lúcido.

R: Adriana, corra atrás sim. A leitura dos posts da Yoani vale a pena. :D
link 14.12.09 @ 14:23

Nome: Daniel K. · http://dkn.livejournal.com
Salve, Ina.

Muito bom o post.

Creio que muitas vezes somos educados para esse tipo de coisa, o sim ou não e seus sofismas.

Quando (muito tempo atrás) de minha redação de vestibular, escrevi sobre tema relacionado: Nossa geração, que viveu um Brasil imediatamente após a ditadura. Nossa geração "coca-cola", ou imediantamente posterior.

Dissertei naquela ocasião que via com esperança aquilo que os jornais e adultos chamavam de juventude perdida, pessoas sem bandeira, sem causa, sem cidadania.

Afinal, essa geração não tinha a bandeira primordial de lidar com uma opressão generalizada e (quase) declarada.

Mas essa geração encontrou um novo desafio: fazer valer a liberdade, reaprender a viver trocando o medo pela responsabilidade, reeditar o significado de "responsabilidade" de uma obrigação para um compromisso.
Não digo que tudo anda as mil maravilhas, como é óbvio, mas vejo hoje cada vez mais pessoas capazes de um diálogo e de uma opinião mais cuidadosa, algumas que por vezes podem condenar, mas se seguram no momento de jogar a pedra.

Muita coisa tem mudado. Cada vez mais aparece o papel do cidadão.

Podemos não ter chegado ainda a nenhum lugar, mas o importante é que estamos aprendendo a andar. Até porque chegar a um lugar não significa nada se o lugar não agradar. Conflitos sempre haverão, mas ignorância não faz parte do pacote.

Aos poucos os brasileiros abandonam a visão comunismo x capitalismo, rico x pobre e começam a ver a política com menos inocência. Muitos também começam abandonar o posto de "neutro", de "não sei nunca vi". Mas, puxa, é muita coisa mesmo.

A geração pós ditadura tem o problema de que a liberdade não é o Céu, justamente pelas diferenças. Mas começa a aprender que pode ser uma boa Terra.

Tal como Yoani Sánchez clama por certa liberdade, o Brasil aprende a viver com ela, e a pagar seu preço, coisa que Cuba fatalmente viverá quando de sua abertura politica de fato, talvez com outras dificuldades, com um povo mais instruído, mas uma economia mais fraca.

Terá que aprender a lidar com o crime organizado, com um novo tipo de corrupção e disputas de poder. Nós, aqui, fazemos, a cada dia, nossa parte, querendo ou não.

Nossa nova apropriação dos meios de comunicação tem desvelado uma enorme quantidade de sujeira debaixo dos panos. E blogueiros como você tem seu papel, fornecendo espaços de reflexão, não apenas informação, ao expor tão bem sua opinião.

Com esse "textinho" prolixo, presto minha homenagem e faço meus votos de um Brasil mais dialogado.

Abraços.

R: Daniel, gostaria de compartilhar contigo essa visão otimista de que há cada vezes mais gente capaz de refletir antes de jogar uma pedra. Não vejo as coisas dessa maneira. Ainda não, pelo menos. E espero poder dividir essas boas impressões a respeito do povo brasileiro e da nossa sociedade contigo. Na real, a impressão que tenho é de que os cidadãos deste país não aprenderam ainda a lidar com a democracia. Choramingam muito por direitos, mas desrespeitam seus deveres mais básicos. Votam sem se informarem devidamente, e depois imputam a culpa de suas mazelas ao governo. Mas é bom ler um relato como o seu. Faz a esperança, esse bicho que teima em não esmorecer diante das maiores adversidades, ganhar forças dentro da gente. Valeu pelo alimento nutritivo para o espírito, Daniel. Um abraço!
link 15.12.09 @ 06:23

Nome: Bruno Alves · http://macaxeirageral.net
Acompanho o blog da Yoani faz um tempo e toda essa polêmica em torno dela. E qualquer papo sobre Cuba rende acalorados debates, prós e contras. Não há como negar os avanços que os cubanos conquistaram depois que chutaram a bunda capitalista dos norte-americanos, mas também não dá prá fechar os olhos diante de alguns resquícios de ditadura utilizados para manter o regime. Cuba se equilibra entre estes dois extremos e ter uma opinião fixa sobre o país é perigoso.
Tenho grande curiosidade de conhecer o país e ver de perto como as pessoas vivem. Acho que o blog da Yoani nos dá essa oportunidade, embora reconheça que falta uma visão do outro lado - e não falo da visão oficial do partido.
Muito bom o post (prá variar).
P.S.: sugiro o podcast do Café Colombo, programa pernambucano sobre literatura, que entrevistou Samarone Lima, jornalista que lançou o livro "Viagem ao Crespúsculo", sobre Cuba. Segue o link.
http://www.cafecolombo.com.br/2009/09/02/o-ocaso-cubano-visto-por-samarone-lima-2/
Grande abraço!

R: Olá Bruno, obrigado pelo link do Café Colombo. Em casos polêmicos como de Yoani, é sempre bom ter mais uma fonte de informações sobre o assunto. Um abraço!
link 16.12.09 @ 12:05

Nome: Lizandra M. Almeida · http://nomundoliquido.blogspot.com
Olá!
Outro dia, fiz uma entrevista com um arquiteto, especialista na obra de Oscar Niemeyer, que fez um comentário muito legal sobre o mundo de hoje. Ele disse que temos o grande privilégio de não viver mais em um mundo polarizado, no qual seríamos obrigados a escolher entre este ou aquele, excludentemente. No mundo de hoje, podemos avaliar tridimensionalmente, decidindo o que é bom ou não para nós em cada coisa, em cada pessoa. Pena, ele disse, que ainda exista quem goste de fomentar richas tipo Rio X São Paulo, Brasil X Argentina e outras bobagens similares. Ele é carioca, eu sou paulistana, e comentamos como cada um gostava da cidade do outro - como é um privilégio que duas cidades tão diferentes sejam próximas, a ponto de poderem ser visitadas em um fim de semana. Acho que aproveitar o melhor que o diferente pode nos oferecer é a grande vantagem do nosso tempo.

R: Lizandra, ótima declaração a do seu entrevistado! Hey, se sua matéria estiver disponível na web, deixe o link para ela aqui. B) Em tempo: moro em São Paulo, amo o Rio de Janeiro e um dia hei de morar na Cidade Maravilhosa.
link 16.12.09 @ 17:34

Nome: Vera Y Silva · http://amor-desigual.blogspot.com/
Mas a defesa do cinza corresponde muitas vezes à defesa do relativismo, não acha?

R: Muitas vezes, não todas. E, de qualquer modo, Vera, prefiro isso às opiniões totalitárias e incapazes de enxergar qualquer valor nos argumentos opostos a suas convicções. Pessoas que não mudam jamais de opinião, por mais que os fatos as contrariem, e que culpam o poste caso seu carro bata contra um.
link 16.12.09 @ 20:20

Oi Alexandre, conheci hoje seu blog e achei bem bacana e inspirador pra gente q busca por coisas interessantes, inteligentes e gosta de escrever na rede.
Um abs,
Bia
www.francesidades.blogspot.com
www.manjarbeatriz.blogspot.com

R: Olá Bia, obrigado pela visita. Muito simpáticos os seus blogs, diga-se de passagem: visitas mais do que adequadas neste ano da França no Brasil. :D Um abraço!
link 18.12.09 @ 12:39

Gostei demais das "meras rinhas de neurônios murchos lutando na lama". O resto eu nem li, que hoje não estou com tempo/saco/inteligência pra isso. Quero mesmo é desejar um feliz tudo pra você, ok? Beijo.

R: Oi Dalva, fica pra próxima leitura então, he he! Feliz desaniversário procê também!
link 18.12.09 @ 12:47

Nome: Cristina Vieira
Ah...esse blog é um bálsamo no fim do meu 2009!!

R: Cristina, se você se refere ao blog da Yoani, concordo totalmente! :P
link 22.12.09 @ 12:48

Nome: Luis Henrique
Oi Alexandre,

Realmente o texto (e comentários) do blog do Idelber são ótimos.

Mas não achei o texto do Leandro Beguoci um bom contraponto ao de Frei Betto, basicamente xingando-o de velho esclerosado. Ao menos o 'tiozão da Sukita da esquerda brasileira' não apelou para o lado pessoal ao contestar a veracidade das agressões contra a Yoani.

E concordo 100% com o Luiz Gustavo. Aliás, já pensei em me filiar ao PC do B ;)

O 'fator Yaoni' não se dá pelo que ela escreve em si, mas pela fama internacional que ela obteve. Mesmo que ela escreva com toda a sinceridade do mundo, há de se reconhecer os interesses por trás de toda essa projeção internacional. Outro blogueiro, 'um tal de Kareem', chegou a ser preso e torturado, porém como o rapaz não é cubano nem iraniano, mas sim egípcio, ninguém derruba uma lágrima sequer por ele:

http://www.pascualserrano.net/noticias/la-famosa-yoani-y-un-tal-kareem

Lembro-me de Guy Debord nessas horas: atualmente até os 'heróis da resistência' são transformados em celebridades.

Enfim, meu palpite é de que o '8 ou 80 ideológico' seja um sub-produto do cruzamento entre a lógica aristotélica e o conceito cristão de bem e mal. E quando o assunto é Cuba, o fato da ilha caribenha ter sido a 'pedra no sapato' da doutrina Monroe em plena guerra fria é motivo de sobra para os ânimos acirrados...

Um abraço

R: Luis Henrique, valeu pelo comentário. Sempre bom ter contrapontos como o seu. Em especial, por ter citado o caso de Kareem Sulaiman. Por essas e outras sou assinante do feed do Global Voices Online, que está sempre de olho em casos como o do blogueiro egípcio, melhor resumido neste post traduzido por Paula Góes. Um abraço e obrigado pelos complementos e observações.
link 24.12.09 @ 06:52

Nome: Letícia
Com todos os seus evidentes avanços, acho que a Rev Cubana esqueceu de se modernizar - o que ela foi ao se opor ao Fulgencio Batista certamente não pode ser o que ela é hoje em dia - os tempos mudam e é por isso que a alternância de governo na democracia é tão importante, assim o povo pode fazer impor sua vontade de mudança ou continuidade.

Ideologias a parte, a única posição que sempre vence é da solidariedade e tolerância - e é por isso que este blog manda bem.

R: Valeu pelo feedback, Letícia. Como bem cantou Bob Dylan, "the times, they're a changing". Um abraço!
link 24.12.09 @ 11:04

Nome: licurgo neto
LICURGO NETO ARTISTA PLÁSTICO

Conheçam o site do grande artista plástico Licurgo Neto, baiano de Esplanada.
Licurgo foi o criador do espaço Varanda das Artes em Paquetá, onde se realiza um projeto para um centro cultural de artes plásticas.
Licurgo utilizou diversos estilos de pintura para mostrar o seu talento, e através de exposições em diversos países, tornou-se conhecido internacionalmente.
Seu estilo retratava a simplicidade de seu povo, suas origens, sua terra, os problemas sociais.

Visite o site sobre a vida e a obra do artista plástico Licurgo Neto, com fotos, vídeos, depoimentos, e muito mais.
Temos também dicas culturais atualizadas: programação de cinema, teatro, shows, restaurantes, etc.
Guia de museus e galerias de arte do Brasil.
Biografia dos grandes mestres da pintura, através de enciclopédia virtual.

Acessem: http://www.licurgonetoartistaplastico.com.br
http://www.licurgonetoplasticartist.com

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https://twitter.com/licurgoneto

ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=12342826574339554112
link 24.12.09 @ 17:58

pf dah uma olhadinha no meu blog!!
Agradeço desde jah!
link 30.12.09 @ 13:45

O artigo do frei Beto é esclarecedor sobre essa blogueira cubana. Me interesso pela revolução cubana e, dos muitos livros e reportagens que li a respeito, o que reputo com maior substância e objetividade é "Retrato crítico", do jornalista do NYT, Tad Szulk. Me pareceu que a ideologia desse jornalista não interferiu no excepcional trabalho jornalístico que ele produziu. Para terem uma referência dele, foi quem (Tad Szulk) preparou o embasamento teórico do Programa Aliança para o Progresso, por meio do qual os EUA pretendiam exercer sua influência sobre os países pobres das Américas, contrapondo-se ao comunismo. Isso nos anos 50/60, em plena guerra fria. Com intuito de determinar o momento (e movido por quais circunstâncias) em que Fidel Castro decidiu aderir ao regime Comunista, Szult reconta toda a trajetória do excepcional líder cubano, desde a chegada de seu pai em Cuba, após ter lutado na Guerra Civil Espanhola, até a descida vitoriosa de Sierra Maestra e a consolidação da revolução, enfrentando todo tipo de sabotagem e terrorismo patrocinados pelos Estados Unidos. Para quem se interessar, está esgotado, só se encontra em sebos. Não o tenho em mãos agora, mas creio que o título correto seja "Retrato crítico de Fidel". A editora, se não me engano, é a Record. Li muitos outros sobre Cuba, inclusive a Ilha, de Fernando Morais, e outro (dois tomos) produzido por Claudia Furiatti, mas tem o mesmo defeito de obras críticas como as do odioso Cabrera Infante: não tem objetividade. Uns babam ôvo, outros destilam ódio e ressentimento (caso da blogueira).
Gostei do blog/site, parabéns.
Abs. Chico

R: Obrigado pelo comentário, Chico. É sempre bom receber mais opiniões e informações para quem quiser ficar esclarecido sobre o assunto. Um abraço.
link 09.01.10 @ 12:07

Nome: Felipe Porto · http://www.portoemaldonado.adv.br
Estive em Havana em 2003 e endosso tudo que está neste post. Cuba é um museu não apenas de carros e prédios velhos, mas de ideologias desgastadas pela história.
link 28.01.10 @ 23:28

Nome: MrMister
"dicotomizar simpatizantes de ideologias opostas". Pérola, hein.
link 02.04.10 @ 00:07



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Como Fazer Amigos e Influenciar Homens de Marte, Mulheres de Alpha Centauri e Chorões às Margens do Rio Piedra (ou: Seja Feliz e Ajuda-te a Ti Mesmo Sozinho e Sem Ajuda de Ninguém, Mexendo no Queijo Alheio de Acordo com os Princípios do Feng Shui)

Vidas possíveis

Entre o moderno e o eterno

Amor e sexo com... robôs?

Tempus fugit

1001 dicas de sexo para enlouquecer um homem na cama (de tanto rir)

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Campus Party - Blogueiros x Jornalistas, o falso embate

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O primeiro terremoto em São Paulo a gente nunca esquece

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Desencontros do amor no Grand Canyon

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Salve Ferris!

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Uma breve história dos beijos no cinema

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Livros imaginários, livros quase imaginários e livros que deveriam existir

Dez aberturas marcantes de novelas

Como era gostoso o meu cinema brasileiro (lembranças da Sala Especial)

Michael Jackson, a síndrome de Peter Pan e o museu de grandes novidades

A tira mais triste de todos os tempos

Escrevendo com luz

Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

Jeff Buckley

Trocando de biquíni sem parar

Segredos de liquidificador

A biografia não-autorizada de Indiana Jones

 

Na estante

Mulher de um Homem Só, de Alex Castro.

Mulher de um Homem Só, de Alex Castro. Editora Os Viralata, 140 páginas.