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Sexta, 29 de Fevereiro de 2008

Hoje é 29 de fevereiro, e a vida não pára

Hoje é uma data que, feito os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo ou as eleições presidenciais, só ocorre de quatro em quatro anos. Esta singularidade me fez pensar no que eu estava fazendo da vida no último dia 29 de fevereiro, do mesmo modo que fez meu camarada Alex Castro.

Em 29 de fevereiro de 2004 eu tinha 30 anos. Passava seis horas do meu dia trabalhando em um banco, não conhecia ainda a minha namorada nem muitos dos meus amigos com quem compartilho projetos e os planos de conquistar o mundo, incluindo-se aí os territórios de Vladivostok, Dudinka, Vancouver e Omsk. Hoje consigo ganhar algum dinheiro com blogs, trabalho full time em casa prestando consultorias ou frilas jornalísticos, me enredo em vários projetos ao mesmo tempo e, parando para pensar no que eu estava fazendo há exatos quatro anos, mal consigo resgatar um passado relativamente recente, tantas foram as mudanças na minha vida e no mundo durante todo este período.

Não tenho a menor idéia de como será minha vida no dia 29 de fevereiro de 2012, do mesmo modo que há quatro anos, se eu vestisse minha carapuça de Pai Dinahgaki e tivesse tentado profetizar meu momento atual, provavelmente não acertaria uma previsão sequer. Tudo parece mudar de modo cada vez mais vertiginoso. É como Lenine descreveu de maneira mais lírica: "O mundo vai girando cada vez mais veloz/ A gente espera do mundo e o mundo espera de nós/ Um pouco mais de paciência".

A vida não pára, por mais que fosse desejável que houvesse uma tecla pause a que pudéssmos recorrer em certas ocasiões. Quanto a mim, agora que já consegui finalizar minhas pendências profissionais, reservarei o restante do dia extra deste ano bissexto para ir na valsa. Afinal de contas, a vida é rascunho definitivo. ;)

© Alexandre Inagaki
 
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Quinta, 28 de Fevereiro de 2008

Poesia numa hora dessas?

Quando comecei a navegar pela internet, em meados de 1997, a primeira coisa que fiz foi tentar encontrar pessoas que compartilhassem dos mesmos interesses que possuo. Inscrevi-me, por exemplo, em fóruns e listas de discussão que falavam de Arquivo X, cinema brasileiro e quadrinhos em geral. Na época, eu ainda não havia abandonado o curso de Letras da USP e nutria em silêncio o sonho de um dia me tornar um escritor reconhecido, daqueles que lançavam anualmente best-sellers e freqüentavam a lista dos mais vendidos da Veja quando ela ainda merecia respeito.

Citando as palavras de Luis Fernando Veríssimo: poesia numa hora dessas?!Data desses tempos a época em que participei de uma lista de discussões intitulada "Escritas", reunindo poetas inéditos que trocavam entre si mensagens com críticas, observações e versos das mais variadas métricas, formas e gêneros, num ambiente no qual a internet era como sempre deveria ser: um ponto de encontro online no qual conhecimentos são generosamente compartilhados. Por meio de listas como a "Escritas", li pela primeira vez autores como Orlando Tosetto Junior, Lau Siqueira, Fred Matos, Maria Frô, Daniel Francoy, José Félix, AL-Chaer, Tatiana "Sweethell" Leão, Sara Fazib e Alyuska Lins, que vocês talvez não conheçam porque infelizmente o mercado editorial brasileiro nem sempre contempla os melhores escritores, em especial aqueles que se dedicam a versos. Ainda mais em um país estranho como o nosso, no qual há mais "poetas" (com ênfase nas aspas) do que leitores de poesia, e são raras as pessoas que dominam a arte da metrificação, têm noção do ritmo compassado das redondilhas ou são capazes de distinguir sonetos ingleses de sonetos italianos.

Eu, que há tempos abandonei a ilusão de virar um grande autor, deixei arquivado um livro de poesias intitulado Aprendizado - Rascunhos Definitivos, que está devidamente guardado na adega da minha gaveta até que o vinho um dia revele sua condição de mero vinagre. De vez em quando sucumbo à tentação de publicar alguns versos só para constatar que poesia definitivamente não dá ibope, vide os escassos comentários a poemas meus como "Sete Faces", "Língua" e "Futebol". Menos mal que atualmente me dedico a atividades capazes de garantir o meu nome fora do SPC e do Serasa, destinando o ofício da poesia a escribas mais qualificados. Contudo, quando recebi e-mails de antigos colegas da lista "Escritas" relatando a criação do blog coletivo Poetas Lusófonos com o intuito de reunir novamente amigos virtuais que se conheceram há mais de uma década, não pude deixar de resgatar certas lembranças. Para não deixar este post sem um verso sequer, segue abaixo um poema que escrevi há mais de oito anos. Ocasionalmente sinto saudades daqueles tempos em quis me tornar um escritor.

* * * * *

O Código Secreto das Estrelas

Leio nas entrelinhas do teu sorriso
rumores, canções que falam em pássaros.
Teus passos soletram pelas calçadas
sussurros de sombras por entre pétalas secas.

Falo de sonhos como quem tange nuvens,
galáxias, sintaxes de sons de estradas,
enquanto o tempo risca no vidro da memória
confusas lembranças que sibilam ferozes.

Hoje sei que tudo passa, embora ainda durma
com olhos de vigília e perfumes apócrifos.
Recordo com gosto agridoce de espelhos
na boca tua pele, teu sexo, teus olhos.

O tempo é turvo. O tempo é turvo.
Mastiga utopias, cospe sementes de névoa,
esparge fagulhas de luz no passado
- brinquedo imberbe nas mãos do acaso.

Mas não quero mais ser racional.
Deitado dentro de mim, hoje evoco
o momento único em que te encontrei,

e já começava a te perder.

* * * * *

P.S. 1: Peguei emprestados o título e a ilustração deste post de um livro de Luis Fernando Veríssimo.

P.S. 2: Eis a minha lista de dez poemas que recomendo a qualquer um que se interesse por versos realmente bons: "Tabacaria" (Fernando Pessoa), "em algum lugar onde nunca estive" (e. e. cummings), "A Casada Infiel" (Federico Garcia Lorca), "A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock" (T. S. Eliot), "Áporo" (Carlos Drummond de Andrade), "A Sierguéi Iessiênin" (Vladimir Maiakóvski), "O Tygre" (William Blake), "Balada (em memória de um poeta suicida)" (Mário Faustino), "Janelas Altas" (Philip Larkin) e "Uma Faca Só Lâmina" (João Cabral de Melo Neto).

© Alexandre Inagaki
 
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Terça, 26 de Fevereiro de 2008

Como curar um coração partido através da música?

Acabei de assistir, pela enésima vez, a uma reprise de Um Lugar Chamado Notting Hill que encontrei por acaso na TV. Como bem escreveu Rafael Galvão em um texto impecável, é o típico filme que pessoas têm vergonha de admitir publicamente que apreciam. Afinal de contas, somos uma geração de cínicos cênicos, e Notting Hill é uma comédia romântica que não tem o menor pudor em assumir um sentimentalismo atávico, quase fora de moda. Porém, confesso que adoro a cena em que Anna Scott, a personagem de Julia Roberts declara-se para o livreiro interpretado por Hugh Grant, dizendo: "Sou apenas uma garota, parada na frente de um rapaz, pedindo a ele que a ame". Para mim, é um dos mais belos diálogos que já vi em uma tela de cinema.

Mas tergiverso, tergiverso. Na verdade, escrevo porque graças a essa reprise de Notting Hill lembrei daquela que talvez seja a mais apropriada trilha sonora para pessoas que estão no fundo do fundo do fundo da fossa, imersas no inferno que é tentar superar o fim de um relacionamento, torturadas porque não têm a menor idéia de como fazer para esquecer um amor que acabou. A música é "How Can You Mend a Broken Heart?", composta pelos Bee Gees. No filme, é aproveitada a maravilhosa regravação de Al Green, cuja voz realça a dor de seus angustiados versos: "How can you mend a broken heart?/ How can you stop the rain from falling down?/ How can you stop the sun from shining?/ What makes the world go round?". Neste post, ouçam-na na matadora versão ao vivo no programa de Jools Holland.

A música também é maravilhosa na voz dos Bee Gees. E é altamente aconselhável, aos amargurados da paixão, que seja ouvida longe de bebidas alcoólicas, remédios de tarja preta e/ou objetos cortantes. O vídeo abaixo apresenta a música com versos devidamente legendados. Porque ressacas amorosas são universais, mas algumas precisam da ajuda da tecla SAP para serem melhor compreendidas.

No entanto, por melhor que seja "How Can You Mend a Broken Heart?", o fato é que esta é uma música para ser ouvida estatelado na cama, embalando lágrimas teimosas e pensando em momentos do passado que precisam ser esquecidos. Julgo, pois, que a melhor trilha sonora para exorcizar amores que precisam ser guardados em algum canto no fundo do baú da memória só pode ser uma: "I Will Survive", clásssico da disco music imortalizado pela voz de Gloria Gaynor. Primeiro, porque ela é ótima para embalar pistas de dança, e poucas coisas são mais apropriadas pra fazer a gente se esquecer dos problemas que não sejam chacoalhando o corpo até que a alma seja redimida. E, segundo, porque a letra deste clássico composto por Freddie Perren e Dino Fekaris é altamente catártica. Em uma entrevista que concedeu para o STLToday, para uma matéria que o repórter Kevin C. Johnson sabiamente intitulou como "'I Will Survive' é o mantra de esperança da rainha disco", Gloria Gaynor declara: "Não é simplesmente uma canção sobre alguém que fez algo errado. É uma música sobre como seguir adiante. Sobre esperança e encorajamento. E com uma letra atemporal que qualquer um pode usar para falar da tenacidade do espírito humano". Gloria falou bonito e com propriedade sobre o seu maior sucesso, cuja letra prega: "As long as I know how to love I know I'll stay alive/ I've got all my life to live/ I've got all my love to give and I'll survive".

Afirmou Aldous Huxley: "Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música". Certas músicas, que ouço com os olhos fechados, as mãos tamborilantes e os lábios balbuciando versos no mesmo ritmo do meu peito, fazem com que eu seja obrigado a concordar com essas palavras.

* * * * *

P.S. 1: Confira a cena de Um Lugar Chamado Notting Hill em que uma garota pede a um rapaz que a ame, naquela que considero ser a melhor atuação da carreira de Julia Roberts.

P.S. 2: Sempre um Papo é um projeto admirável, criado em Belo Horizonte pelo jornalista e produtor cultural Afonso Borges, que coloca frente a frente escritores e leitores em eventos sempre gratuitos que ocorrem em diversas cidades do Brasil. Se você estiver em São Paulo, por exemplo, saiba que na quarta-feira, dia 5 de março, o rapper MV Bill estará no Sesc Vila Mariana a partir das 19:30 para o lançamento de "Falcão – Mulheres e o Tráfico", livro escrito em parceria com Celso Athayde. E que na quinta, dia 13, também às 19:30, será a vez de Luis Fernando Veríssimo bater papo com seus leitores. Não deixem de conferir a agenda do Sempre um Papo, a fim de checar os eventos programados do mês.

P.S. 3: Luís Nassif comprou uma briga com a revista Veja, e Daniel Bender teve a idéia de apoiar essa batalha lançando um Google Bomb. Se você tem um blog e quer ajudar na divulgação do Dossiê Veja do Nassif, faça o seguinte: a cada vez que você citar a revista Veja, faça um link associando a palavra "Veja" ao endereço http://luis.nassif.googlepages.com (retornarei a esse assunto).

P.S. 4: Marina W., que sem dúvida nenhuma é uma das melhores blogueiras brasileiras, acaba de mudar de endereço. Boa sorte em suas novas instalações! ;)

© Alexandre Inagaki
 
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

"Sangue Negro" e "Onde os Fracos Não Têm Vez"

Foi ótimo constatar que os dois filmes com mais indicações ao Oscar deste ano são obras densas, sem concessões às platéias. Não à toa, tanto ao fim das sessões de Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, quanto de Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Joel e Ethan Coen, pude ouvir gente reclamando dos filmes. Não há terra para homens velhos, nem finais felizes para espectadores mimados.

* * * * *

I drink your milkshake!As cenas iniciais de There Will Be Blood mostram Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) cavoucando poços no meio do deserto norte-americano em busca de petróleo. Para saber se há indícios do óleo negro, Plainview cospe nas pedras do poço a fim de tentar ver sinais de minerais. Da saliva ao sangue dos operários que morrem nos poços de petróleo, paulatinamente imergimos na saga de um misantropo que enriquecerá na mesma medida em que terá seu espírito embrutecido. Tratado ambicioso sobre ganância, Sangue Negro justaposta interesses financeiros e religiosos na figura de dois personagens com sobrenomes simbólicos: Daniel Plainview e o pastor Eli Sunday (Paul Dano), homens que dedicam suas vidas a missões completamente alheias ao restante da humanidade.

O filme de Paul Thomas Anderson é repleto de metáforas. Desde o óleo que brota do fundo da terra e rasga em chamas os céus, até a cena final que se passa na pista de um jogo de boliche, nada é gratuito na história centrada em um prospector de petróleo que também é capaz de desvelar o que há de mais negro na alma dos homens que abomina. Vislumbramos, ao longo do filme, espasmos de humanidade na figura de Plainview. Porém, são réstias de luz que desaparecem à medida que seus laços familiares são explicitados como farsas. Sem religiosidade nem família que o resgatem do processo de desumanização, não à toa o personagem assombrosamente personificado por Day-Lewis surge na seqüência final comendo um pedaço de carne com as próprias mãos. No derradeiro e mais brutal de todos os mesmerizantes duelos entre o capitalista Daniel Plainview e o fanático Eli Sunday ao longo da trama, o desfecho não poderia terminar de outra maneira que não fosse com sangue, com strike, com a frase sintomática do processo de esgotamento metafísico do personagem central: "I'm finished".

* * * * *

À primeira vista, Onde os Fracos Não Têm Vez aparenta ser um western pós-moderno centrado na história de Llewelyn Moss (Josh Brolin), um sujeito comum que acidentalmente descobre uma mala repleta de dólares para casa, e que penará com os efeitos colaterais desse achado, personificados na figura de um assassino apocalíptico, Anton Chigurh (Javier Bardem). Porém, creio que a chave para a compreensão deste filme dos irmãos Coen está no personagem de Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones), o xerife à beira da aposentadoria, velho homem do título original mal traduzido para o português (No Country For Old Men) que sabe que não é possível parar o que está por vir.

Cartaz de Onde os Fracos Não Têm Vez.A sanha homicida de Anton Chigurh é comparada, em certa passagem, a uma peste bubônica. Não é uma imagem gratuita: o assassino vivido por Bardem é a Morte em pessoa, quase como a epidemia da Idade Média que foi interpretada como um castigo divino. Simbolicamente, uma das armas que utiliza é uma pistola de ar comprimido que costumeiramente é usada para o abate de gado. Além disso, Anton Chigurh age por vezes como um arauto do Destino, dando a suas vítimas a opção de, por meio do "cara ou coroa", escaparem da morte por meio de um lance do acaso. Ledo engano: todos nós fazemos escolhas, seja no momento de assassinar um ser humano ou de dar água de beber a um moribundo, e o momento em que Chigurh encontra Carla Jean (Kelly Macdonald), esposa de Llewelyn Moss, mostra exemplarmente isso.

Por mais que o destino pareça ser inexorável, somos produtos de nossas escolhas. O personagem de Tommy Lee Jones sabe disso, e não esconde sua perplexidade diante das manchetes de jornais que descrevem crimes tão absurdos que chegam a provocar sorrisos com gosto de culpa. Constata o velho xerife: "Eu sempre achei que, quando ficasse velho, Deus entraria em minha vida de alguma forma. Mas ele não o fez". E a seqüência do criticado (porém estupendo) final, quando Lee Jones relata para a mulher um sonho que teve, é o desfecho correto para um filme no qual ficamos sem saber as motivações do assassino, o que realmente aconteceu na cena da morte dos traficantes mexicanos, o que faziam o criminoso do escritório e o personagem de Woody Harrelson. Em um mundo que soa mais inverossímil do que qualquer ficção, de que adiantariam respostas simplificadoras e insatisfatórias? Nada mais adequado, pois, do que encerrar o filme com a descrição de um sonho que fala de um passado perdido e de um mundo no qual o filho é mais velho do que o pai. Apenas na linguagem simbolicamente onírica é que poderemos buscar possíveis explicações para o atual e aterrador estado de coisas descrito por esta obra-prima dos irmãos Coen.

* * * * *

P.S. 1: Em um bolão dos resultados do Oscar desta noite, palpito que Onde os Fracos Não Têm Vez levará as estatuetas de direção, roteiro adaptado e fotografia. Levado por uma certa intuição, cravarei uma zebra, chutando que Sangue Negro, que injustamente não foi indicado para o Oscar de Trilha Sonora (composta por Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead) será considerado o melhor filme. Quero muito que Marion Cotillard, por sua atuação irretocável em Piaf - Um Hino ao Amor, repita o caso de Sophia Loren, primeira atriz premiada com o Oscar por uma atuação em um filme não-falado em inglês, o italiano Duas Mulheres, de 1962, embora reconheça que a favorita é Julie Christie. Barbadas mesmo são três: Daniel Day-Lewis, que tomará todo o milkshake na categoria de melhor ator, Javier Bardem, que criou o vilão mais perturbador do cinema desde Hannibal, o Canibal, e será merecidamente premiado como melhor ator coadjuvante, e Ratatouille, a encantadora produção da Disney/Pixar que levará o Oscar de melhor longa animado. Arrisco ainda dizer que Tilda Swinton garantirá a única estatueta para Conduta de Risco na categoria de atriz coadjuvante (que costuma proporcionar as maiores surpresas da cerimônia), e que a blogueira Diablo Cody levará o careca dourado para casa pelos diálogos espertinhos de Juno. Mas eu sei que meus palpites não me fariam ganhar nenhum bolão...

P.S. 2: Eis a constatação visual de que Anton Chigurh e o Beiçola, da Grande Família, são fregueses do mesmo barbeiro.

Anton Chigurh, de No Country For Old Men.O Beiçola da Grande Família.

P.S. 3: Independentemente de premiações, para mim os melhores filmes de 2007 foram O Hospedeiro, de Bong Joon-Ho, e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho. Mais discussões sobre a sétima arte? Visitem a Liga dos Blogues Cinematográficos e o meu site predileto sobre a premiação da Academia de Hollywood, o espanhol Tío Oscar.

P.S. 4: Observações após a cerimônia de entrega do Oscar: errei no palpite de melhor filme, mas fiquei satisfeito: Onde os Fracos Não Têm Vez era o meu favorito. Porém, achei injusto Roger Deakins, que foi duplamente indicado na categoria de melhor fotografia por dois excepcionais trabalhos em Onde os Fracos Não Têm Vez e O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, ter perdido a estatueta para Robert Elswit, de Sangue Negro, por mais que a fotografia do filme de PTA seja também muito boa. De resto, a merecidíssima vitória de Marion Cotillard já valeu a noite, e acabei acertando a previsão de uma das categorias mais imprevisíveis, melhor atriz coadjuvante. Até que fui razoavelmente bem no bolão do Oscar. :D

© Alexandre Inagaki
 
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Sexta, 22 de Fevereiro de 2008

Primeiro aniversário do InterNey Blogs

Primeiro aniversário de InterNey Blogs!

Há um ano entrou no ar o primeiro portal profissional de blogs do Brasil. Desde então, muito se escreveu sobre nossa iniciativa, outros projetos reunindo blogueiros como Nossa Via, Blogamos e HiTech Live surgiram e novos blogs têm sido agregados ao nosso portal. Que muito mais iniciativas surjam e que a blogosfera brasileira prossiga se desenvolvendo, seja dando voz a nomes como o policial militar Alexandre de Sousa, o taxista Mauro Castro, a dona de casa Odele Souza ou a equipe de jornalistas investigativos do PE Body Count, seja pela organização de postagens coletivas que abordam assuntos caros à nossa sociedade, como fazem os Amigos da Blogosfera. Porque não é através de polêmicas, e sim por meio de propostas sérias que os blogs brasileiros evidenciam seu cristalino processo de crescimento, amadurecimento e paulatina profissionalização.

Creio que posso falar em nome de todos do InterNey Blogs ao afirmar: a gente está apenas começando. ;)

* * * * *

P.S. 1: Marmota descreve com precisão mãedinahzística como será a festa de 10 anos do InterNey Blogs. Gostei em especial do trecho do helicóptero. B)

P.S. 2: Obrigado a todos que participaram da promoção Cloverfield! Quem ganhou o par de ingressos para assistir ao filme foi o leitor Demas, que parafraseou o lema do Cinema Novo cunhado por Glauber Rocha ao sugerir o título "Cloverfield - Uma Câmera na Mão e um Monstro na Cabeça". E a leitora Samara Horta, por ter dado a bem sacada sugestão "Sayonara New York", fez por merecer um prêmio extra: um kit Pensar Enlouquece. Peço a ambos para que entrem em contato comigo enviando suas coordenadas geográficas para inagaki2@gmail.com.

© Alexandre Inagaki
 
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Quarta, 20 de Fevereiro de 2008

Do tempo em que Michael Jackson era negro e fazia boas músicas

Uma das imagens mais marcantes da minha infância é exibida aos 3 minutos e 41 segundos do vídeo abaixo: o momento em que Michael Jackson apresentou pela primeira vez ao mundo o passo de dança que marcou toda uma geração, o moonwalk, enquanto apresentava seu sucesso "Billie Jean". Uma música cujo nome, se dependesse da vontade de Quincy Jones, produtor de Michael, teria sido "Not My Lover".

Esta apresentação histórica foi gravada no dia 25 de março de 1983, fez parte de um especial para a TV intitulado "Motown 25: Yesterday, Today, Forever" e foi exibida várias vezes no Fantástico, programa no qual ouvi pela primeira vez um gênio da música pop que compôs e gravou em 1982 sua obra-prima: Thriller. Segundo a gravadora de Michael, a Sony/BMG, o álbum vendeu até hoje mais de 105 milhões de cópias. Só aqui no Brasil foram mais de 2 milhões de discos, dentre os quais colaborei com a aquisição daquela que foi a primeira fita K-7 que tive na vida, na época em que ainda se vendiam cassetes.

Capa da edição especial de 25 anos de Thriller.

Hoje é o dia em que a edição comemorativa dos 25 anos do lançamento de Thriller chegou às lojas brasileiras. Mais uma constatação de que, pfuf, inequivocadamente envelheço. :| E pensar que, há um quarto de século, Michael Jackson ainda não tinha desbotadas nem a sua pele, nem a sua alma musical. Ele foi o primeiro artista negro a ter seus clipes exibidos em alta rotação na MTV americana. Graças à sua obra-prima, vendeu 27 milhões de cópias só nos Estados Unidos, recebeu disco de platina ou diamante em 16 países, levou oito prêmios Grammy para casa (embora um dos Grammys que ganhou em 1984 tenha sido por sua participação no audiobook do filme E.T., de Steven Spielberg) e emplacou sete de suas nove faixas na parada da Billboard. Além de tudo isso, Michael revolucionou a arte dos vídeos musicais com "Thriller", praticamente um curta-metragem de 14 minutos de duração dirigido pelo cineasta John Landis, orçado em cerca de 800 mil dólares, e cuja coreografia de zumbis influencia a cultura pop até hoje, inspirando performances em filmes, festas de casamento e penitenciárias filipinas.

Capa miguxa do relançamento de Thriller feito em 2001.A edição do 25° aniversário de Thriller não foi o primeiro relançamento da obra-prima do irmão da Janet. Em 2001, o álbum já havia ganhado uma reedição com bonus tracks como "Carousel" e "Someone in the Dark", faixas não aproveitadas originalmente, além de ter recebido uma nova capa na qual Michael aparece em uma pose esquisitona ao lado de um dos seus bichinhos de estimação. Já o Thriller 25 Anos apresenta como grandes novidades remixagens de faixas como "Wanna Be Startin' Somethin'" e "Beat It" produzidas por nomes como Kanye West, Akon e Will.i.am, além da música inédita "For All Time".

Será que Michael Jackson conseguirá aproveitar a ocasião para reerguer uma carreira abalada por acusações de pedofilia e comportamentos pra lá de excêntricos? É o que veremos quando Mr. Jacko lançar seu novo álbum de inéditas, no qual está trabalhando desde março de 2006, e que eu espero que não tarde tanto quanto Chinese Democracy, disco que os Guns N'Roses (ou melhor dizendo, Axl Rose e alguns roqueiros desgarrados) estão gravando desde, acreditem se puder, 1994. Quem viver verá. Ou não.

* * * * *

P.S.: Por ocasião da morte de Michael Jackson, escrevi um texto novo no portal MTV: Michael Jackson, a síndrome de Peter Pan e o museu de grandes novidades.

© Alexandre Inagaki
 
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Terça, 19 de Fevereiro de 2008

Cloverfield, o terror em primeira pessoa

Nesta que é a semana que antecede a cerimônia do Oscar, estou fazendo uma maratona cinéfila a fim de tentar assistir a todos os principais indicados. Porém, faço um parênteses para escrever sobre um possível indicado aos prêmios de 2009: Cloverfield - Monstro. Um filme que é a representação cinematográfica das mesmas sensações que tomam conta de um incauto andando em um carrinho de montanha-russa: olhares tremidos, vertigens constantes e um certo sentimento de satisfação masoquista ao final do trajeto.

O filme mostra o que aconteceria se a cidade de Nova Iorque fosse atacada por um monstro digno daqueles que destroçavam as construções de Sim City. Porém, esqueça ameaças como King Kong, Godzilla ou George W. Bush: trata-se de algo muito mais arrasador. A grande sacada deste blockbuster dirigido por Matt Reeves e produzido por J.J. "Lost" Abrams está no modo como a trama é exibida: através da câmera de vídeo na mão de um dos personagens que corre destrambelhadamente pelos destroços da "Big Apple".

O escalpo da Estátua da Liberdade em Cloverfield.O roteiro, acertadamente, não busca dar explicações pseudo-científicas para o surgimento do monstrengo. Ele simplesmente está lá, e você tem que se virar pra conseguir escapar vivo dessa. Outro ponto eficiente é a maneira como são apresentados ao espectador os personagens do filme, um grupo de amigos reunidos para a festa de despedida de Rob, que viajaria para assumir a vice-presidência de uma empresa no Japão, terra natal do Godzilla. As imagens da festa são gravadas em cima de uma fita com registros antigos de Rob ao lado de Beth, seu grande caso de amor mal resolvido, e por meio desse artifício narrativo o espectador passa a saber de informações que serão utilizadas adiante com o devido impacto dramático. A partir do momento em que o monstro começa a tocar o terror em Nova Iorque (na companhia de "amiguinhos" menores que dão o ar de sua desgraça na seqüência do metrô), a câmera passa a registrar a angústia esbaforida dos personagens em fuga, enquanto imagens entrecortadas do bicho são vistas apenas de relance em um e outro enquadramento tremido. E aí está outro mérito da direção e roteiro de Cloverfield: entender que sugerir é um ato muito mais instigante do que escancarar.

Uma das cenas mais significativas de todo o filme é a seqüência na qual a cabeça da Estátua da Liberdade é arremessada pelo monstro, vai parar no meio de uma rua e é logo cercada por diversos transeuntes que começam a filmá-la e fotografá-la com seus celulares e câmeras digitais: Cloverfield é o típico produto de uma era de produtores de conteúdo que não estão mais satisfeitos em ver um acontecimento diante de seus olhos: eles desejam registrar seus pontos de vista fazendo fotos, vídeos, posts.

Não perca tempo questionando a inverossimilhança de uma câmera digital cuja bateria é mais resistente que coelhinho da Duracell ou o estômago do Jack Bauer que em 24 horas nunca para pra tomar um lanche sequer. Cloverfield é um filme angustiantemente divertido, que reflete o zeitgeist desta época na qual registramos nossas lembranças através do suporte de smartphones e câmeras digitais. Produto típico desta era de convergência de mídias, não à toa foi precedido por uma campanha viral na qual cada imagem de seus trailers foi analisada por espectadores que congelaram frames e criaram blogs expondo suas teorias a respeito do filme.

Encontrei na Web vídeos que analisam o áudio quase ininteligível que surge após o final dos créditos e um objeto que cai no mar em determinada cena do filme. Mas só recomendo que você clique nesses links após ter assistido a Cloverfield. Que, ao lado da estupenda produção coreana O Hospedeiro, de Bong Joon-ho (IMHO, o melhor filme de 2007), faz com que eu seja obrigado a dizer que o gênero "filme-de-monstro" nunca esteve tão revigorado e criativo.

* * * * *

P.S. 1: Tenho um par de ingressos do filme dando sopa por aqui. Se você quiser assisti-lo de graça com direito a acompanhante (afinal de contas, sessão de cinema fica mais bacana quando você tem alguém com quem compartilhar os sustos e impressões), deixe um comentário neste post dando um novo título em português para Cloverfield - Monstro. Todos os comentários dando sugestões de nomes só serão liberados para publicação na meia-noite desta sexta-feira, dia 22, quando também divulgarei o nome do vencedor de acordo com a comissão julgadora deste blog (leia-se: eu). Em tempo: os ingressos que tenho aqui são válidos em qualquer cinema localizado no território brasileiro, de segunda a quinta, exceto no Cinemark do Shopping Iguatemi em Sampa City e nas salas do Grupo Estação.

P.S. 2: Locutório, Roda Presa e Saloma do Blog, sejam bem-vindos ao InterNey Blogs!

© Alexandre Inagaki
 
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Campus Party - Blogueiros x Jornalistas, o falso embate

Blog é liberdade. Ninguém a não ser você tem o direito de interferir nas suas pautas, no tamanho dos seus textos, na freqüência de atualizações e principalmente nas suas opiniões. Seu blog é a sua TV Globo, a sua Folha de S. Paulo, a sua Reuters pessoal.

Minha profissão oficial é de jornalista. Escrevi textos para publicações da Editora Abril e jornais tradicionais como o Correio Braziliense, e atualmente faço free-lancers para veículos como a Rolling Stone Brasil e o Itaú Cultural. Na condição de profissional contratado, é mais do que natural que eu me submeta a determinadas regras, entregando meus textos dentro de prazos pré-definidos e respeitando a limitação de caracteres. Faço entrevistas, saio à rua para buscar informações, procuro apurar cada dado que é impresso na matéria.

Quando escrevo posts em meu blog, não deixo de lado o cuidado com as informações que publico aqui (inclusive deixando links de referência das pesquisas que faço em cada texto). Mas aproveito ao máximo a liberdade editorial da qual só posso desfrutar em toda a sua plenitude aqui no Pensar Enlouquece, escrevendo sobre qualquer assunto que me dê na telha, sem precisar me policiar quanto ao uso de gírias e palavrões e pouco me lixando para leads, deadlines, pirâmides invertidas e outras expressões comuns no vocabulário de qualquer jornalista. Por isso digo, sob a luz das minhas experiências, que manter um blog é um puta tesão.

Quando soube de todas as queremelas e embates entre jornalistas versus blogueiros na Campus Party, que reverberaram em posts escritos por nomes como Henrique Martin, Michel Lent, Lalai, Ana Brambilla, Francisco Madureira, Gabriel Tonobohn, Edney Souza, Will Publi, Daniel Duende, Renata Honorato, Jonny Ken e Mr. Manson, meu primeiro pensamento foi: qual a razão de ser de tantos tiroteios trocados pra lá e pra cá por pessoas que compartilham a mesmíssima atividade de disseminar informações e trabalhar com comunicação?

Mario Amaya e Henrique Martin falando sobre a última polêmica estéril do momento.

Eu sinceramente já não tenho o menor saco para entrar em polêmicas que não têm razão de ser. Creio piamente que a tendência, em um futuro a curto prazo, está na convergência de mídias. Do mesmo modo que veículos tradicionais como o New York Times e a revista Newsweek contrataram blogueiros como Markos Moulitsas e Brian Stelter, tenho a convicção de que o mesmo ocorrerá por aqui, da mesma maneira que jornalistas consagrados como Ricardo Noblat e Luis Nassif seguiram a via inversa e revitalizaram suas carreiras criando blogs de ótima qualidade. Há espaço para todos, e eu só posso imputar ao gosto que as multidões nutrem por polêmicas inócuas todos esses embates maniqueístas digladiando duas atividades como o jornalismo e a blogagem que, muito longe de serem antagônicas, complementam-se uma à outra (vide os ótimos blogs do IDG Now e do RadarCultura na Campus Party).

Também fico embasbacado com a maneira com que certas discussões são requentadas e acabam indo parar na mesma lenga-lenga habitual. "Monetização de blogs", "a polêmica dos posts patrocinados", "velha mídia x nova mídia", blá blá blá. Reitero o que disse na primeira linha deste post: blog é liberdade. Nada me soa mais antinatural do que a cagação de regras para uma entidade tão anárquica e descentralizada como a blogosfera. Que, diga-se de passagem, é uma e são muitas, como bem exemplificam os blogs de moda, de policiais militares, de ecoativistas, publicitários, miguxos, prostitutas, professores, escritores, yada yada yada. Blogs são meios de publicação como outro qualquer, que podem e devem ser utilizados das maneiras mais amplas e diversas possíveis.

Se você não gosta de ver posts patrocinados, abomina links de Adsense ou Hotwords ou acha escrota a atitude de um blog que não dá links para os outros, nada mais simples: deixe de ler determinado blog ou de assinar tal feed. Só. Não queira dar uma de paladião da moral e dos bons costumes, apontando seu dedo para este ou aquele blogueiro só porque ele pensa e age de maneira diversa da sua. Creio na capacidade de auto-regulação da internet. Um blog terá mais ou menos leitores de acordo com a credibilidade que ele será ou não capaz de manter junto aos seus visitantes. Refuto a idéia de que sejam impostas regras de conduta para a blogosfera da mesma maneira que teria ânsias de vômito caso alguém me propusesse a criação de um comitê de "notáveis" para decretar como deve ser a publicidade em blogs ou a participação na formação de um sindicato de blogueiros. Qual seria o próximo passo? Exigir diploma também para quem mantém um blog? Façam-me rir.

© Alexandre Inagaki
 
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Quinta, 14 de Fevereiro de 2008

Campus Party dia 3 - sementes, networking, discussões

O aspecto que mais me impressionou até agora na Campus Party BR foi a quantidade de gente bacana e interessante que tenho encontrado in loco por lá. A dinâmica das conversas que tive na Bienal hoje se assemelhou a uma engrenagem que não parava; foram muitas as vezes nas quais eu participava animadamente de uma roda de amigos até ser cumprimentado por um colega de outros carnavais, um camarada que até então só conhecia virtualmente ou um leitor do meu blog que parava pra dar um alô. E eu então me movia de um bate-papo para outro, feito a brasa de um cigarro aceso em outro, e muitas foram as vezes em que eu (mea culpa) simplesmente esquecia de me despedir de meu interlocutor anterior, porque imergia totalmente em uma conversa, e outra, e mais outra, na imensa rede de conversações da Cparty 2008 que está personificando em carne, osso e idéias a teia de hiperlinks que caracterizam a blogosfera como ela deveria ser.

No dia em que eu, Edney Souza e Ian Black lançamos oficialmente a Blog Content, nosso serviço de consultorias para blogs corporativos, e ainda concedi uma entrevista para o "blogumentário" apresentado por Cazé Peçanha, esses encontros e desencontros que tive com pessoas como Juliano Spyer, Thiago Borbs, Ceila Santos, Henrique Costa Pereira, Ricardo Cavallini, Neto, Bia Granja e Marcelo Tas, só pra citar alguns nomes, me deram a nítida sensação de que, por mais que se alardeie que a Campus Party é o maior evento de tecnologia do mundo e o escambau, um encontro desses vale mesmo é pelas conversas e contatos que a gente faz em uma festa que no fundo é um grande pretexto pra que a gente sociabilize com a galera. E olhem que eu mal conheci 5% de todas as pessoas interessantes que eu sei que andam circulando pelo evento...

* * * * *

Algumas fotos do dia:

Dinossauro banguela

Blogueiro famoso que atende pelas iniciais R.F. e escreve em um um blog cujo nome remete a um réptil desdentado faz um teaser de uma ação que promete agitar o "aquário" dos jornalistas na tarde desta quinta-feira.

O Messias falando para seus seguidores

O "barão da blogosfera" flagrado durante sua palestra sobre audiência em blogs.

Lúcia Freitas durante a palestra do Edney.

A formiga-joaninha Lúcia Freitas registrando um momento dessa mesma palestra ministrada pelo "John Rockefeller da blogosfera".

River Raid, um dos meus jogos prediletos de Atari 2600.

Que Kung Fu virtual o quê, rapá! Bacana mesmo é River Raid no telão!

Água que passarinho não bebe na Campus Party.

A festa está apenas começando, como mostra este flagra registrado no Flickr do Justplay.

© Alexandre Inagaki
 
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Terça, 12 de Fevereiro de 2008

Campus Party - Dia 1

Desonrei a categoria dos geeks. Não levei notebook nem smartphone, e passei minhas primeiras horas na maior lan house de toda a América Latina completamente desconectado. E nem liguei pra isso, sinceramente. Meus principais objetivos na Nerdstock são, não necessariamente nesta ordem, reencontrar meus camaradas e comparsas de bloglândia, fazer novos contatos, falar muita abobrinha e me divertir pacas. Por enquanto, meus objetivos foram cumpridos à risca. B)

Fila do credenciamento: the horror, the horrorCheguei no prédio da Bienal lá pelas 14 horas. A fila do credenciamento estava mais zoneada que um bando de girafas dançando rumba numa loja de cristais. Felizmente, ao contrário do meu incauto colega Manoel Netto, que passou mais de 3 horas na fila do credenciamento (segundo o Guilherme Felitti, teve participante que esperou até 6 horas até conseguir entrar) bastou eu dizer que era da Imprensa para escapar do décimo círculo do Inferno de Dante. É, amigos & inimigos da Rede Globo, é por essas e outras que compreendo facilmente o fato de blogueiros terem "hostilizado" a imprensa na Campus Party, conforme relatou Mr. Manson em seu São Paulo Fashion Geek. Menos mal que transito por ambos os lados. :P

O crachá do Mr. MansonAo contrário de camaradas como o próprio Mr. Manson, Gustavo Jreige (o garoto-prodígio do caderno Link do Estadão) e Guilherme Valadares (que fez muito sucesso junto aos leitores da Revista Júnior com sua camiseta rosa), meu crachá estava com meu nome certo. Manson, por exemplo, circulou pela Campus Party com o crachá de Francisco Madureira, vide a foto do lado. Coisas do caos que se instalou na hora do credenciamento, e que podemos atribuir ao sucesso incontestável do evento. Ou não.

Lá dentro do prédio da Bienal, calor senegalês. Encontrei colegas como Carlos Merigo e Thiago Mobilon suando bicas. Renê Fraga não estava nem aí, refestelado confortavelmente no stand da CCE e subindo freneticamente fotos e vídeos para o seu Google Discovery. Google Discovery na festa dos geeks Ao seguir para o primeiro andar, encontrei outros camaradas como Ian Black (que, em suas novas funções na agência LiveAD, esteve atarefado ajudando Cazé e a Zeppelin Filmes na produção de um documentário sobre blogs), a joaninha-forminguinha Lúcia Freitas (a intrépida coordenadora do Campus Blog, que publicou aqui um depoimento ao site Remixando sobre a CP Brasil) e muita, muita gente sobre quem falarei ao longo desta semana.

A festa está apenas começando. Momentos como o tombo que o Henrique levou no Segway da Intel e a insaciável caça às musas do Campus Party desenfreada pelo fotógrafo Guilherme Valadares serão citados apenas en passant. Ao contrário do Luiz Yassuda, não estive presente no momento em que Gilberto Gil e as mulatas da escola de samba Nenê de Vila Matilde adentraram as instalações da Bienal a fim de festejar o primeiro dia da Campus Party Brasil-il-il. Por enquanto, confiram o LiveStream Campus Party Brasil 2008 no BlogBlogs e a página especial do Yahoo! para o evento. Amanhã terei mais diversão pela frente. ;)

© Alexandre Inagaki
 
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Surreality shows

Você é daqueles que se deleitam vendo mulheres mostrarem os peitos ou xingarem umas às outras de vaca, piranha e outros animais menos cotados no Big Brother Brasil? Pois saiba que na Alemanha diversão mesmo foi ver um participante de reality show ser preso em um caixão de vidro na companhia de... 30 mil baratas.

Daniel e as baratas.Daniel Küblböck é um cantor que, aos 18 anos de idade, foi revelado pela primeira edição alemã do Deutschland Sucht Den Superstar, versão local do American Idol exibida em 2003. No ano seguinte à sua participação no "Ídolos" alemão, no qual terminou na terceira colocação, Daniel achou que seria interessante para a sua carreira participar de outro reality show, e entrou na maior roubada da sua vida.

Ao lado de mais nove incautos, Küblböck integrou a primeira edição de um singelo programa intitulado Ich Bin Ein Star – Holt Mich Hier Raus!, que em bom português significa "Sou uma Celebridade - Tirem-me Daqui!". As regras desse reality show eram tão simples quanto as do Clube da Luta: os dez desgraçados foram mandados para uma selva na Austrália, onde permaneceram por duas semanas. A cada dia, um deles era designado pela audiência para ser submetido a uma prova (eufemismo dos produtores do programa para "tortura com requintes de sadismo"). Daniel foi o desgraçado mais votado pelo público para participar da primeira prova, e eis que o malfadado cantor foi obrigado a ficar deitado em um caixão de vidro enquanto cerca de 30 mil baratas dançaram macarena sobre seu corpo por exatamente 1 minuto e 6 segundos. Quem assistiu ao quadro gostou tanto de ver Küblböck sofrer (a audiência do programa chegou a mais de 6 milhões de telespectadores) que o escolheu novamente, pela segunda vez em três dias, para participar de uma nova "prova". Enquanto câmeras flagraram em generosos closes as lágrimas desesperadas de Daniel ao saber da enorme estima que os espectadores nutriam por ele, os produtores do programa enchiam um enorme cubo de vidro.

A foto que saiu em todos os jornais alemães.Munido de uma máscara de mergulho e um snorkel, o jovem cantor foi obrigado a mergulhar sua cabeça no aquário, sabendo apenas que iria se deparar com algumas singelas surpresas dentro da água. Primeiro, apareceram peixinhos dourados; tudo zen. Depois, enguias; nada que não desse para encarar. Porém, quando surgiram aranhas aquáticas, Daniel surtou, pôs a cabeça para fora do aquário, saiu correndo em altos prantos e desistiu de vez do programa. No dia seguinte Küblböck monopolizou as manchetes de todos os jornais alemães, destacando o quadro grotesco do programa, as cenas de Daniel aos prantos e questionando os limites éticos das programações de TV.

A versão mais recente de Ich Bin Ein Star – Holt Mich Hier Raus! foi exibido em janeiro deste ano, e contou com a participação de um ex-goleiro da seleção alemã de futebol, um rapper polonês e uma ex-atriz pornô. Diga-se de passagem, este sádico reality show, que Silvio Santos surpreendentemente ainda não pensou em trazer para o Brasil, é na realidade adaptação de um programa originalmente criado na Inglaterra, o I'm a Celebrity... Get Me Out of Here!, que segue o mesmo script de levar "astros" e "estrelas" para lugares inóspitos, a fim de deleitar seus telespectadores. Alguns das mais conhecidas "celebridades" que toparam pagar esse King Kong foram Uri Geller (o entortador de talheres), Jordan Price (modelo peituda conhecida como a "Pamela Anderson britânica") Paul Burrell (ex-mordomo da Princesa Diana, que teve de comer um testículo de canguru em sua participação), Carol Thatcher (filha da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher e vencedora da edição de 2005), David Gest (ex-marido de Liza Minnelli) e até mesmo John Lydon, o ex-vocalista dos Sex Pistols. Definitivamente eu morro, reencarno várias vezes e ainda assim não vejo tudo.

* * * * *

P.S. 1: Por falar em reality shows, não deixarei em branco a gentil citação que Gyselle, uma das participantes da edição atual do Big Brother Brasil, fez ao Pensar Enlouquece em seu blog. Quem diria, huh?

Blog da Gyselle, do BBB8.

P.S. 2: Seja bem-vindo à intrépida trupe do InterNey Blogs, Cidadão Vet!

P.S. 3: A partir da segunda-feira acompanhem a cobertura que farei do Campus Party Brasil. :D

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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Se beber, não dirija. E nem dê entrevistas para o Amaury Jr.

Confiram o melhor vídeo de campanha anti-alcoolismo de todos os tempos. E aproveitem para ver a já histórica entrevista que Narcisa Tamborindyadayada concedeu a Amaury Jr., provavelmente o melhor trabalho de jornalismo desde a matéria na qual Gay Talese não entrevistou Frank Sinatra. Em tempo: crianças, não façam isso em casa!

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Quinta, 7 de Fevereiro de 2008

Para não esquecer

Há exatamente um ano o menino João Hélio Fernandes Vieites, que na época tinha 6 anos de idade, morreu após ter sido arrastado, por longos e inacabáveis sete quilômetros, por criminosos que haviam roubado o carro de sua família. Eu e minha amiga Luciana escrevemos sobre a morte de João Hélio na época. Não deixemos que mais este caso caia no mero esquecimento.

* * * * *

Meu camarada Raphael Perret comentou, muito apropriadamente, a capa da edição de hoje do jornal O Globo, que ao falar da vitória da Beija-Flor no carnaval carioca de 2008 ressaltou que Anísio Abraão David, bicheiro, contraventor e presidente de honra da escola de samba de Nilópolis, foi acusado de praticar os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, e só está em liberdade graças a um habeas corpus.

Capa da edição do Globo sobre a vitória da Beija-Flor no Carnaval 2008.

Mesmo assim, Aniz é constantemente paparicado por políticos como o atual Ministro do Trabalho Carlos Lupi, e comemorou a conquista da Beija-Flor em cima de um carro de bombeiros, como se fosse um herói ou um medalhista olímpico. Coisas típicas deste país do ôba ôba. Enquanto isso, a Viradouro do polêmico e brilhante carnavalesco Paulo Barros foi relegada a um mero sétimo lugar. Tsc, tsc.

A excelente primeira página do jornal colombiano El Tiempo de 6 de fevereiro de 2008.Outra capa de jornal que merece ser destacada é a do diário El Tiempo, da Colômbia, que conheci graças a um post da Daniela Bertocchi, e que por sua vez soube da ousadia gráfica do diário graças a um blog interessantíssimo, o Innovations in Newspapers. A primeira página do El Tiempo exibe fotos de pessoas dando costas e o texto invertido, como se estivesse sendo visto através de um espelho. À primeira vista, soa como se alguém da gráfica tivesse cometido uma tremenda presepada. Porém, na metade inferior da capa, uma caixa de texto revela o motivo da inovação gráfica. Ontem foi marcado um dia de protestos contra as guerrilhas FARC. No box, a mensagem clara e cristalina do jornal: "Virar as costas ao problema não fará ele desaparecer". Idéia e concepção simplesmente brilhantes da equipe do El Tiempo, que me fizeram lembrar dos bons tempos em que o Correio Braziliense (na época em que Ricardo Noblat trabalhava lá) e o Caderno 2 do Estadão freqüentemente bancavam ousadias gráficas em suas capas.

* * * * *

Enquanto nas hordas republicanas John McCain está praticamente sacramentado como o candidato à Presidência do partido de Bush Júnior, a disputa entre Barack Obama e Hillary Clinton pela vaga dos democratas está cada vez mais acirrada. Tenho acompanhado os desdobramentos da corrida presidencial norte-americana através de blogs. No Brasil, Idelber Avelar e Jefferson Guedes têm sido minhas fontes prediletas de informação.

* * * * *

Não, não esqueci. Despacharei nesta sexta-feira os prêmios referentes à promoção Coração de Pedra. Ah, sim: após ter visto dezenas de vídeos referentes à promoção Heroes fazendo piadas com a Claire fazendo xixi na cama ou sacaneando meu santo nome em vão, tenho o prazer de anunciar que, após ter assistido a 166 vídeos enviados para a minha caixa postal, o nome do ganhador do box de DVDs é... Leandra Postay. Em tempo: Leandra, acabei de mandar um e-mail a você solicitando suas coordenadas geográficas. Obrigado a todos que participaram, e aguardem: novas promoções estão a caminho!

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Quarta, 6 de Fevereiro de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Nunca a quarta-feira de Cinzas fez tanto jus à denominação, embora o dia hoje em Sampa City, macambúzio e melancolicamente nublado, tenha sido digno daquelas sebundas-feiras tão odiadas pelo Garfield. Sei que estou numa ressaca pós-carnavalesca braba, e olhem que eu nem enchi a cara. Em compensação, meu déficit de horas insones é claramente denunciado pelas olheiras que se acumulam em meu rosto, fazendo com que meus pensamentos mal consigam ser claramente balbuciados pela gelatina na qual meu cérebro se transformou (se for verdade a história de que dormir pouco mata neurônios, não queiram imaginar as chacinas diárias que cometo dentro da minha cachola). Não consigo evocar, pois, de trilha sonora mais adequada para o momento atual do que o grande sucesso do segundo álbum do Los Hermanos.

* * * * *

P.S. 1: Amanhã, quando eu estiver em condições menos precárias, anuncio sem falta o nome de quem ganhará a caixa de DVDs de "Heroes"!

P.S. 2: Gostaria de ter a paciência zen do Neguinho da Beija-Flor. No lugar dele, não agüentaria mais ter de atender aos repórteres aborrecidamente repetitivos que, toda vez que o entrevistam, pedem pra que ele brade seu indefectível grito de puxador de escola de samba: "Olha a Beija-Flor aí, geeeeeeente!!!". Me fez lembrar do finado Bussunda, que em uma de suas entrevistas se queixava das pessoas que o encontravam em público, onde quer que fosse, e pediam pra que ele contasse uma piada, como se fosse obrigação dele ser engraçado 24 horas por dia.

P.S. 3: Aos ciber-sambistas de plantão, deixo a dica: conhecer O Samba.net, blog criado pela mesma equipe do excelente jornal impresso "O Samba é Meu Dom", distribuído gratuitamente em vários pontos do Rio de Janeiro (recebi em minha casa um exemplar enviado gentilmente pelo Emiliano Mello e dou atestado de fé: é artigo de luxo ver uma publicação dedicada exclusivamente ao samba produzida com tamanha qualidade). Outra dica: o excelente podcast Freakast, que em sua edição mais recente apresenta Pablo Peixoto, Ricardo Schott, Leonardo Bomfim e Rafael Saldanha papeando sobre marchinhas, sambas-enredo e o Carnaval em diversos lugares do Brasil.

P.S. 4: Já conferiram o novo layout da home-page do InterNey Blogs?

© Alexandre Inagaki
 
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Sexta, 1 de Fevereiro de 2008

Ziriguidum, telecoteco, esquindô lelê?

Alguém acessa blogs durante o Carnaval? Levante a mão quem estiver por aí! \o/

Visão noturna do belo sambódromo da Marques de Sapucaí.Bem, como quem trabalha em casa não tem mais feriado, ficarei em Sampa City atarefado com mil e uma coisas que aparecem aqui e acolá. É possível que, em meio a uma e outra necessária pausa para sair de frente do computador, eu me depare com cenas na TV exibindo os mais de mil palhaços no salão, os peitos da Garota Globeleza da vez, os indefectíveis trocadilhos envolvendo a entrada da Mangueira na Sapucaí ou repórteres extraviados em Salvador ou Olinda que, diante das cenas dos foliões pipocando nas ruas, dirão pela enésima vez a frase "e a festa não tem hora para acabar!".

Juliana Paes, madrinha da bateria da Unidos do Viradouro.Mas olhem, devo confessar que sempre gostei de assistir aos desfiles de escolas de samba. Aliás, lembro-me perfeitamente da primeira vez em que assisti a um desfile carnavalesco: eu tinha oito anos de idade, e atravessei a madrugada em frente à TV junto com minha mãe, admiradora entusiasmada das fantasias e carros alegóricos apresentadas pelas escolas de samba. Fora as noites de Natal e Ano Novo, foi a primeira vez em que pude ficar acordado a noite inteira sem precisar ligar a TV escondido ou temer uma bronca de meus pais. Não preciso dizer que adorei a experiência. Esse desfile, de 1982, também ficou marcado por causa da apresentação do Império Serrano, uma das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, que naquele ano apresentou um samba-errado com o peculiar título "Bumbum Praticumbum Prugurundum". Passei o desfile inteiro tentando cantar tal refrão sem errar; até hoje guardo essa expressão na cabeça.

O antológico carro do DNA criado por Paulo Barros para a Unidos da Tijuca em 2004.Perdi o costume de varar a madrugada vendo todas as apresentações das agremiações cariocas, até porque chega uma hora em que as pálpebras finalmente sucumbem aos desígnios de Morfeu. Ainda assim, de vez em quando vejo os compactos que a Globo costuma exibir à tarde. E admiro, com os olhos boquiabertos, a imaginação de carnavalescos como Paulo Barros, Max Lopes e Rosa Magalhães, que ano após ano se esmeram na criação de enredos, alegorias, fantasias e carros alegóricos repletos de soluções da mais alta criatividade. É bóbvio que outro forte motivo para eu acompanhar as escolas de samba são as musas de todo carnaval, que desde pequeno fomentam a atividade de meus hormônios. Vanusa Spindler, Magda Cotrofe, Luma de Oliveira, Cláudia Raia, Isadora Ribeiro, Josi Campos, Monique Evans, Vanessa de Oliveira e inúmeras musas anônimas, que eram flagradas pelas câmeras das TV Manchete e Bandeirantes em suas coberturas dos bailes do Scala, Ilha Porchat Clube, Baile do Vermelho e Preto e outros mais zoneados.

Até hoje só vi um desfile ao vivo; foi em 2002, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Mas, por mais que o carnaval paulista tenha evoluído, não dá para negar que as escolas de samba do Rio estão a anos-luz das paulistanas. Aliás, Marina W. Beth, do blog Espelho Meu, cunhou uma frase sensacional sobre o assunto: "ver carnaval de Sampa é como transar de camisinha". Sim, ainda verei in loco os desfiles da Marques de Sapucaí e levarei minha mãe a tiracolo. Só não me peçam pra sambar, porque nesse quesito meu jeito desajeitado de dançar honra minhas origens nipônicas...

* * * * *

P.S.: Já visitaram as novas aquisições do InterNey Blogs? 1 Milhão de Helicópteros, De Primeira, Imprensa Marrom e Melhores do Mundo botaram seus blocos na rua e pedem passagem!

© Alexandre Inagaki
 
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Blogs da semana

 

Leituras recomendadas

Meus itens compartilhados no Google Reader.

Simpatia infalível para atrair a pessoa amada, em A Grande Abóbora.

De beijos e sorvetes, em Amálgama.

Necessidades, em Crackpot Ideas.

Do que aconteceu, em Jusqu'ici tout va bien.

Pessoas pelas quais sou apaixonada, em Blog das 30 pessoas.

Que tudo demore mais, ou quase tudo, em Locutório.

Olhar, em A pattern a day.

As besteiras que dizem em nome dos Beatles, em Rafael Galvão.

Excluídos voam com balões coloridos, em Escreva Lola Escreva.

 

+ Inagaki

- Meus perfis no Twitter, Blip.fm, Facebook, Tumblr, Yahoo! Meme e LinkedIn.

- Textos no Pop Cabeça, Yahoo! Posts, Revista Pix, Digestivo Cultural, Rolling Stone, Update or Die, Germina e site da Época.

- Entrevistas concedidas para Tiago Dória, Urbanistas, Scrap MTV, Portal Verdes Mares, revista Capitu, Agência Estado e Nós da Comunicação.

- Perfil e comunidade no Orkut. Citações no Google.

- Um jurássico perfil que escrevi em meados de 2000.

Mande 1 e 1/2 pra mim.

 

Mantra

A vida é boa e cheia de possibilidades.
A vida é boa e cheia de possibilidades.
A vida é boa e cheia de possibilidades.

 

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Amar hemburresce

A eterna arapuca

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Estou exatamente onde queria estar

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Charlie Brown, a garotinha ruiva e o tal do amor

Prólogo para um romance

O amor, esse labirinto

Crônicas, prosas & ficções

Palavras que deveriam existir

Observações ao léu

Tartamudeio

Morte e vida digital

Como Fazer Amigos e Influenciar Homens de Marte, Mulheres de Alpha Centauri e Chorões às Margens do Rio Piedra (ou: Seja Feliz e Ajuda-te a Ti Mesmo Sozinho e Sem Ajuda de Ninguém, Mexendo no Queijo Alheio de Acordo com os Princípios do Feng Shui)

Vidas possíveis

Entre o moderno e o eterno

Amor e sexo com... robôs?

Tempus fugit

1001 dicas de sexo para enlouquecer um homem na cama (de tanto rir)

Pombos urbanos

Sobre humanos e animais

Pedras preciosas da ilusão

Domingo no parque

Não seja imbecil, vote consciente

O Dia do Amigo

Masoquista ludopédico

Às Vezes Sempre

Poemas

Sete Faces

Língua

Futebol

O Código Secreto das Estrelas

Blogs, Twitter & afins

Blogo, logo existo

O que é Twitter? Como funciona e como usar? Serve pra quê?

Campus Party - Blogueiros x Jornalistas, o falso embate

Sobre "prêmios" e discussões em blogs

O primeiro terremoto em São Paulo a gente nunca esquece

Campus Party 2009 - balanço final

Cultura pop

Breve manifesto pop

Desencontros do amor no Grand Canyon

Entre o tempo que passou e todo o tempo do mundo

Salve Ferris!

Cinco capas inesquecíveis da Playboy

Multiplex do inferno

Uma breve história dos beijos no cinema

Geração cover

Livros imaginários, livros quase imaginários e livros que deveriam existir

Dez aberturas marcantes de novelas

Como era gostoso o meu cinema brasileiro (lembranças da Sala Especial)

Michael Jackson, a síndrome de Peter Pan e o museu de grandes novidades

A tira mais triste de todos os tempos

Escrevendo com luz

Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

Jeff Buckley

Trocando de biquíni sem parar

Segredos de liquidificador

A biografia não-autorizada de Indiana Jones

 

Na estante

Mulher de um Homem Só, de Alex Castro.

Mulher de um Homem Só, de Alex Castro. Editora Os Viralata, 140 páginas.

 


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