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Sexta, 30 de Março de 2007

A ocasião faz o ladrão (e a piada)

Gravata da campanha Free Henry Sobel!

A notícia de que o rabino Henry Sobel foi detido em Palm Beach por ter furtado gravatas pegou todo mundo de surpresa. Parece seqüência de roteiro de Woody Allen. Quem imaginaria que uma autoridade religiosa do seu porte, notabilizado por seu engajamento na luta contra as atrocidades da ditadura militar no Brasil (em particular, no episódio da tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog) e pela sua participação em diversos eventos multirreligiosos, promovendo um melhor entendimento entre judeus, católicos e muçulmanos, se veria envolvido em um caso bizarro como este? Como escreveu Marcos Guterman, a biografia de Sobel merece respeito. Contudo, como o rabino português, que foi criado nos EUA e reside no Brasil há mais de 30 anos deve saber muito bem, brasileiros não perdoam fatos como este: as piadas já estão no gatilho.

Camiseta da campanha Free Henry Sobel!

A comunidade no Orkut Free Henry Sobel, sob o comando de Ian Black, inspirada no movimento Free Winona que assolou a Internet desde o episódio em que a atriz Winona Ryder foi flagrada roubando mais de US$ 5.000 em roupas em uma loja em Beverly Hills, já está à toda. Os modelos de gravata e camiseta que ilustram este post, idealizados pela dupla Renata Pimentel e Everson Klein, em breve estarão à venda. Carlos Cardoso publicou um post intitulado "Parem de judiar do Henry Sobel", no qual ele diz que pegaram o rabino pra Cristo. E por aí vai. Como bem sabe Lasier Martins, a gente perde o amigo, mas não a piada!

© Alexandre Inagaki
 
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Terça, 27 de Março de 2007

Petit gâteau à moda da casa

Reza a lenda que minha sobremesa predileta, gastronomicamente falando, foi criada por acidente. Se a história for verdadeira, isso quer dizer que Deus tirou a sorte grande quando estava jogando dados: petit gâteau é, sem sombra de dúvidas, guloseima das mais divinas.

Quando o assunto é agradável a gente não carece de pretextos para falar dele. Compartilho com os leitores deste blog, pois, a receita de petit gâteau cunhada por meu camarada Gustavo Weber. E constatem no que é que dá dois homens ficarem falando de culinária no MSN...

Petit gateau - Photo by Carolsawada

Inagaki diz: De francês só falo champagne, garçon, renault, isabelle adjani e olhe lá.

Gustavo diz: E eu bidé, abajour, mousse, crepe, petit gateau. E la buzanfã! Que definitivamente é uma palavra em francês. Detalhe: na verdade, não falo francês não. Mas, como bom Zelig, me ponha numa roda de franceses, e me acabo de tanto falar oui.

Inagaki diz: Adoro petit gateau. Mas essa frase soa tão metrossexual...

Gustavo diz: É verdade. E eu adoro la buzanfã. Oui, j'aime la buzanfã, bien sure. Ei, eu tenho uma receita simples de petit gateau. Se estiver interessado...

Inagaki diz: Ôpa, manda aí! Ou publique no teu blog, compartilhe essas informações importantes com seus leitores!

Gustavo diz: Hummm. Pode ser. Acho que sei de cabeça. Quer mesmo?

Inagaki diz: Claro! Eu adoro petit gateau!

Gustavo diz: Ok. Ingredientes: 100 gramas de manteiga sem sal. Meia barra (100 gramas) de chocolate meio amargo. Uma xícara de açúcar. Dois ovos inteiros - se bem que vc pode tirar a casca - e duas claras. E duas colheres de chá de farinha. Só. Agora vamos brincar. Preparo: derreta o chocolate e a manteiga em banho maria - sabe, aquele negócio de colocar uma panela apoiada em outra cheia d'água, fervendo. Importante, derreta os ingredientes em banho maria, nunca em banho, Maria. A não ser que a Maria goste.

Inagaki diz: Anotado. Mas, em todo o caso, vou ver se conheço alguma Maria que tope.

Gustavo diz: Enquanto vc derrete o chocolate e a manteiga, coloque numa batedeira o açúcar, os dois ovos - não os seus, seria realmente doloroso, os de galinha mesmo, e sem a casca. E duas claras. Podem ser a nunes e a averbuck. Bata. Mas bata mesmo. Espanque. Bata com vontade!

Inagaki diz: Encher de porrada como se eu fosse um cafetão ensinando minhas bitches a se comportarem direitim... Ok, ok, anotado!

Gustavo diz: Isso. Ina, é sério. Essa receita tem dois segredos, o primeiro é esse. Vc tem que bater pacas, deixar essa mistura crescer. Ficar numa consistência bem cremosa. Mas beeeem cremosa. Eu deixo bater no mínimo por quinze minutos. Às vezes chego a ajudar, rodando a cumbuca na direção contrária - sei lá, sou meio louco mesmo. Depois de bater e fazer crescer, reserve - adoro isso, reserve! Pegue a calda de chocolate - nessa hora, o chocolate e a manteiga devem ter derretido. Se quiser, antes, enquanto derrete, dê uma misturada.

Inagaki diz: Reserve. Essa palavra fica linda numa receita.

Gustavo diz: Verdade. Não confio em nenhuma receita em que não seja imprescindível reservar algo. Senão não vale, perde todo o charme. Bom, espere a calda esfriar um pouco. Coloque a calda num outro recipiente pra bater. Bata. A razão de bater a calda é deixá-la homogênea. Tirar os pedacinhos de manteiga e chocolate que não tiverem dissolvido. Depois de bater e perceber que a calda tá homogenea - é rapidinho -, retire da batedeira e pegue o creme que tinha batido antes. O creme que você tinha reservado (vou escrever um livro sobre a importância de se reservar na culinária brasileira)!

Gustavo diz: Coloque de novo na batedeira. e, aos poucos, com a batederia ligada, vá entornando a calda de chocolate na mistura - a que estava no outro recipiente. Vc vai ficar imediatamente desapontado. Porque aquele creme que tinha crescido pacas, bem, vai murchar. Não se preocupe. é isso mesmo. Aí, novamente, sessão espancamento. Bata, mas bata até doer.

Inagaki diz: Ah, eu gosto de bater. Mas com carinho, e só quando elas me pedem.

Gustavo diz: Pau na cara. Chama de vagabunda. Chama de contínuo! (Nelson Rodrigues, lembra?) "Contínuo!!!" "Eu sou contínuo, e o senhor é um filho da puta!"

Petit gateau - Photo by Missyasmina

Gustavo diz: Bom, depois de uns cinco, dez minutos batendo - depende da sua vontade, da sua preferência, tem gente que é mais sádica, se satisfaz só nessa parte, depois acende um cigarro e vai dormir - coloque, enquanto bate, as duas colheres de chá de farinha. É pouco, não se espante. Importante: não fique triste se não encontrar colheres de farinha no mercado. eu procurei, mas a Tramontina só fabrica de aço mesmo. Nesse caso, jogue apenas o ingrediente que jaz placidamente sobre a colher, ou seja, a farinha – não jogue a colher junto, eles nunca explicam isso nas receitas. Mais uma dica, não é necessário sujar duas colheres diferentes. Aprendi um segredo com um chef romeno: basta usar uma vez uma colher, esvaziá-la no recipiente, e usá-la novamente! Incrível o que esse pessoal do leste europeu inventa.

Gustavo diz: E uma reparação importantissima: é MEIA xicara de açúcar. MEIA! Se vc tem um medidor, use o medidor. Bom, eu sempre botava um pouqinho mais que meia, mas a receita é meia.

Inagaki diz: Ok. Anotado. Meia de estudante.

Gustavo diz: Terminando de incluir a farinha na massaroca que vc criou - e não precisa bater muito a farinha, só o suficiente pra ela se misturar bem na massa - está pronto! Mas, espere, ainda não acabou. Vc tem forminhas para o petit gateau?

Inagaki diz: Pensei que vinha agora a parte do sorvete. Existe isso, fôrmas pra petit gateau? Catzo.

Gustavo diz: Sim. Não pra petit gateau. Aquela fôrma de louça branca, redonda, com risquinhos verticais em volta. Acho que pra souffle. procure uma fôrma redonda. Bom, comprei dois tamanhos dessa fôrma. Um pequeno, de sete centímetros de boca, outro de nove centímetros. Embora pareça pouca diferença, o de nove é bem maior. E costuma ser o que eu utilizo pro meu petit gateau. Anotado? Sete, ou, preferencialmente, nove centímetros de boca. Forminha de louça branca.

Inagaki diz: Anotado. Ou melhor, copyandpasteado para ser posteriormente impresso.

Gustavo diz: Antes de colocar a massaroca na fôrma, unte-a com manteiga sem sal. Mas unte sem recato, unte como se fosse o anão costumeiramente usado em orgias - aquele besuntado de óleo.

Inagaki diz: Ôpa! Besuntar é comigo mesmo!

Gustavo diz: Deixe beeem untada de manteiga. Por quê? Porque o petit gateau precisa sair fácil, depois de assar. Já perdi alguns, que grudaram e sairam quebrados, tortos. Então se esbalde em untar. Depois de untar, coloque a massa nas forminhas. Essa receita dá pra quatro formas grandes - de 9 cm - e ainda sobra um pouco pra uma ou duas de 7cm. Detalhe importante. Não coloque, em hipótese alguma, a massa até a borda da fôrma. Na verdade, encha a fôrma até a metade, ou dois terços. Nunca, NUNCA algo mais que isso. Pq? Pq a massa cresce! Que nem um bolo! Mesmo sem fermento. Por que não explicam isso nas aulas de química?

Inagaki diz: Caraca. Quanto tempo vou levar pra fazer tudo isso?

Gustavo diz: Eu faço em uma hora sem pressa. Já fiz em meia, correndo. tem que ter espírito esportivo, Ina. E, bom, faz uma melecada da porra. chocolate, ovo, manteiga. Já viu. Agora vem o segundo segredo de Brokeback Mountain.

Inagaki diz: Já sei: o Jack morre no meio do filme. Assassinado.

Gustavo diz: Não, esse é o terceiro segredo de Fátima. O meu é: o tempo de assar. A receita diz para deixar as fôrmas por cerca de oito a doze minutos no forno, numa temperatura de 200 a 220 graus - ligue antes o forno, para esquentar. Qual o problema? Quatro minutos de diferença para um petit gateau é muito. Pq? Nós temos que tirar a forminha antes de o centro da massaroca assar. O centro da massaroca tem que ficar cru. Essa é a calda interna do petit gateau, nada mais nada menos que a massa que não assou.

Gustavo diz: E o que o cru tem a ver com as calças? Bom, oito a doze minutos é uma janela muito grande, vc pode perder o momento de tirar o bichinho, e ele pode assar por completo, perdendo a "calda" interna. Nada contra, não fica ruim, mas perde a graça do pequeno gato - tradução impecável.

Inagaki diz: Infante felino!

Gustavo diz: Lindo. Isso mesmo.

Petit gateau - Photo by Marcpaes

Gustavo diz: Logo, a partir de oito minutos, vc tem que ficar esperto. Olhe para o bichano a todo momento, de minuto em minuto. Vai ter um momento em que a massa vai ter crescido perto da borda, e haverá uma depressão no meio. E, se vc prestar atenção, a massa vai parecer diferente tb. A parte que cresce lembrando mais um bolo mesmo, e a parte de dentro lembrando um mousse.

Inagaki diz: E é aí que o gato começa a miar?

Gustavo diz: Isso. Nesse momento - entre oito e doze minutos, dependendo do tipo do forno, da temperatura, da forminha, do chocolate que vc usou, do alinhamento de Júpiter e Netuno, da umidade do ar e da quantidade de raios gama na atmosfera - vc tira o petit gateau do forno. Cuidado. Não sei se vc sabe, mas, infelizmente, a forminha estará quente. Não pegue-a com a mão nua.

Inagaki diz: Anotado. Vou ver se acho na Tok & Stok uma luvinha do Garfield, que é pra manter esse clima felino.

Gustavo diz: Pois é, isso é um problema. Pq? Pois a parte interna está meio líquida, pode entornar. Mas as luvinhas de proteção são lisas, e a fôrma é de louça, pode escorregar. Já perdi pequenos gatos que entornaram dentro do forno, qdo eu tentei tirar.

Inagaki diz: Putz, uma verdadeira chacina de gatos. Que desperdício, por Tutatis!

Gustavo diz: Pois é. O bichinho pronto, vc doido pra comê-lo, e ele resolve se suicidar no forno.

Inagaki diz: Optaram por escolher a própria morte. Felinos com síndrome de lemingues.

Gustavo diz: Bom, tirando o bichano, pegue uma faca. passe a faca entre a massa e a borda da fôrma, para descolá-la-lha-la. Coloque, antes, embaixo da fôrma, um prato. Vai te ajudar. Pq? Pq depois de descolar a massa com a faca, vc põe um outro prato em cima da fôrma. Para quê? Para virar a forminha sem queimar os dedinhos! Vc segura o prato de baixo, o de cima, como se fosse um sanduíche-íche, e vira. Tcharan!! A forminha vai ficar com a boca virada para baixo. Eu criei esse procedimento totalmente original. Sou um gênio. Um gênio. Note bem, totalmente original. Se alguém faz isso por aí, me imitou.

Inagaki diz: Rapaz, eu tô te falando que vc precisa publicar essa receita no blog. Você já está fazendo um live posting aqui no MSN!

Gustavo diz: :-) Virada a fôrma, segure-a com delicadeza e a levante. Com cuidado. Teoricamente ela sairá, e o petit gateau restará lindo e belo no prato. O prato que vc colocar na boca da fôrma será o prato em que vc vai servir. Use um belo prato. Eu uso minha louça tailandesa, do dia a dia. :-)

Inagaki diz: Agora entra a parte do sorvete?

Gustavo diz: Sim. Sirva com sorvete. Pode ser de baunilha ou nata. Sugestão, se vc encontrar, use de tapioca. Fica muito bom. E, sim, para sua menininha se apaixonar: compre morangos. Bons morangos, realmente saborosos.

Inagaki diz: Morangos? Morangos. Ok!

Gustavo diz: E fatie-os-lhos. Beeemm fininhos. Delicadas fatias de morangos. Coloque-os no prato qual um leque.

Inagaki diz: Informação relevante: antes de se chamarem Kid Abelha & os Abóboras Selvagens, um dos nomes cogitados por Paula Toller e companhia para o grupo foi Morangotangos.

Gustavo diz: Putaquapareo. Abóboras selvagens é muito melhor. De um bom gosto incrivel. Bem, ok. Sirva. Lá estará seu petit gateau, servido com sorvete de tapioca e morangos fatiados. Por fim: sirva o bolinho quente, ou seja, leve logo à mesa.

Inagaki diz: DILIÇA!

Gustavo diz: Tenho uma receita de couli de laranja - ou de tangerina - que pode ser usada por cima de tudo, do sorvete, do bolo, fica foda. mas não te dou. :-) Couli é o nome gay pra calda.

Inagaki diz: Pô, mas eu queria tanto o seu couli... Uma coisa bem brokebackiana.

Gustavo diz: Meu couli é docim. Sirvo quente.

Inagaki diz: Ui!

Gustavo diz: Bom, é isso. A calda, sério, tenho receita não. Mas não precisa, com o sorvete e os morangos vc come quem vc quiser. Juro.

Inagaki diz: Ok. Não há nenhuma mulher que possa resistir ao meu charme japaraguaio e à sua receita de petit gateau!!!

gustavo diz: Sim, é verdade. Juntos, comeremos o mundo. Huahuahuahua - risada psicótica e tresloucada.

Inagaki diz: Boa é a risada do Pateta: iac, iac, iac!!!

Gustavo diz: Mas, se vc tiver realmente paciência, tente achar uma receita de couli de laranja na internet. Eu faço em casa, mas no olho. Não tenho coragem de te dizer como é. Sério. Tô te dizendo pq fica absurdamente bom. A combinação de calda de laranja, morango, sorvete de creme e petit gateau é o paraíso. Tô até emocionado, snif.

Gustavo diz: E, como diria o Gaguinho, é isso aí pe-pe-pessoal!

Petit gateau - Photo by Neechee

P.S. 1: Observações que Mr. Weber fez após nossa conversa pelo MSN: "Ina, esqueci de te dizer: antes de desenformar o pequeno gato, cubra as forminhas com filme e deixe-as descansar de meia hora a duas horas na geladeira. Depois disso, qdo for assar o gatinho, retire as fôrmas da geladeira uns quinze minutos antes – mais ou menos o tempo que vc deixar o forno pré-aquecendo. A massa pode ficar de três a quatro dias na geladeira sem estragar. Logo, se vc quiser, tenha a trabalheira toda uns dias antes do seu romântico jantar. Et bon ap!"

P.S. 2: Estive sábado no primeiro dia do BarCamp Sampa. Um evento muito bacana, pena que tive de sair às pressas de lá por causa de uma entrevista que fiz para uma matéria que será publicada em breve. Para quem perdeu a oportunidade de participar desta "desconferência", fica aqui a dica: conferir a ótima cobertura que Tiago Dória fez do evento. Destaques especiais: as "frases inesquecíveis" e os "grandes momentos" do BarCamp. :>>

P.S. 3: Mr. Danzig, obrigado por ter indicado o Pensar Enlouquece como blog da semana no Tarja Preta!

P.S. 4: Recado deixado por Ernesto Diniz debaixo da minha porta: "Ina, nóis é pobre. Nóis iscrevi. Nóis é limpu e legalzin. http://naselva.com. 'Cause publicity is never enough. Dá uma força? Abração!"

© Alexandre Inagaki
 
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Sexta, 23 de Março de 2007

Dois elefantes e o dia em que Bambi encontrou Godzilla

Capa do álbum Bora Bora, de 1988, dos Paralamas do SucessoUma das letras mais intrigantes de Herbert Vianna é a de "Dois Elefantes", faixa 10 do álbum Bora Bora, de 1988. Nela, Herbert canta: "Não sei se hoje é ontem ou anteontem/ E do seu telefonema eu não vi nem a cor/ Existe uma coisa que me dói perder, existe/ Uma coisa que custei a ganhar/ Meu rosto e teu rosto, rindo/ Dois elefantes no fundo do mar". Se alguém puder me dar uma explicação cabível para a metáfora dos paquidermes se afogando, quase tão enigmática quanto a dos segredos de liquidificador, por favor, não se acanhe: deixe sua leitura nos comentários deste post.

A propósito: os visitantes habituais do Pensar Enlouquece (exceto os de RSS, que não viram a animação dos dois elefantes andando em cima do logotipo deste blog) já descobriram que aparece um link clicável no momento em que os elefantinhos se beijam? Confiram, pois! Aproveitem para participar de uma promoção que oferece 10 Mp3 players, e depois para dar um pulo no blog Samsung Mp3, no qual escreverei esporadicamente nas companhias de Alexandre Matias, Bruno Natal e Atair Trindade.

Voltando a falar sobre animações sobre encontros inusitados de animais, apresento-lhes um clássico considerado um dos 50 melhores desenhos animados de todos os tempos: Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland, produção de 1969. Simples. Infame. Sensacional.

* * * * *

P.S. 1: O longa animado Dumbo, filme que Walt Disney produziu em 1941, prova: álcool e elefantes jamais devem se misturar. Ou não, como diria Caetano.

P.S. 2: Você já comprou a nova edição da Rolling Stone Brasil, que está nas bancas com Jack Bauer na capa? Se não, recomendo. Além da habitual qualidade das reportagens e matérias, quem for meu amigo e conferir a resenha que escrevi sobre Calvin & Haroldo reconhecerá imediatamente que inseri ao final do texto o meu mantra particular. :>>

© Alexandre Inagaki
 
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Sexta, 16 de Março de 2007

O Atari da Atari

O único videogame que tive na vida foi um Atari 2600. Ao lembrar que ele foi lançado no Brasil em 1983, eu subitamente senti uma pontada nas costas e cabelos brancos brotaram de minhas madeixas: por Tutatis, já se passaram mais de duas décadas desde então!

Mas o caso é que, apesar das óbvias limitações tecnológicas, o Atari tinha alguns jogos bem legais. E que se mantêm interessantes até hoje, diga-se de passagem. Baixei um desses emuladores de games que permitem que a gente reviva os, oh!, dourados tempos da infância, resgatando, tal qual numa arqueologia digital, clássicos do Atari como Decathlon (cartucho que me fez quebrar muitos joysticks), Keystone Kapers, River Raid e o melhor de todos: H.E.R.O.

Porém, o que me levou a tecer estas digressões foi um vídeo que encontrei no Game Girl: o comercial de TV que anunciou a vinda do Atari no Brasil.

Abstraiam as reações evidentemente canastronas da família empolgada em frente à televisão, diante de jogos que hoje podem ser considerados toscos, como Missile Command e Pac Man. E, principalmente, a pronúncia americanizada do locutor do comercial ao dizer "Atari". A propaganda é sensacional, e os outros filmes da série, que retratam os diversos membros da família jogando Enduro, Space Invaders e Futebol são verdadeiros documentos de uma época na qual palavras como "vitrola" e "soviético" eram usadas freqüentemente.

* * * * *

P.S. 1: Estas reminiscências me fizeram lembrar do dia em que o filho de uma amiga veio em minha casa, viu os vinis do meu quarto e disse:

- Tio, onde você comprou esses CDzões gigantes?

Ai minhas costas...

P.S. 2: Uma das dez aberturas marcantes de novelas que destaquei em meu post é a de "Transas e Caretas". Sensacional não apenas pelo tema de abertura interpretado pelo Trio Los Angeles, mas principalmente por apresentar um merchandising deslavado do Atari 2600.

P.S. 3: Dois sites bacanas que estou ajudando a divulgar. O primeiro é o blog AutoPerformance, com textos de André Fiori. E o segundo é o Cada Gota Vale a Pena, site que divulga a iniciativa da Coca-Cola em doar dois centavos de cada um dos refrigerantes, sucos, águas e energéticos da marca, adquiridos na semana de 18 a 24 de março, para o Instituto Coca-Cola. Excelente pretexto para eu renovar meu estoque de Cocas light. ;)

P.S. 4: ALL WORK AND NO PLAY MAKES INA A DULL BOY.

© Alexandre Inagaki
 
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Quinta, 8 de Março de 2007

Segredos de liquidificador

Em 1985 Cazuza gravou "Exagerado" seu primeiro álbum solo após a saída do grupo Barão Vermelho. Além da faixa-título, o grande destaque do disco foi "Codinome Beija-Flor", música composta junto com Reinaldo Arias e Ezequiel Neves. Esta belíssima canção, além de surpreender os roqueiros da época com seu arranjo a la bossa nova, chamou a atenção por alguns versos que até hoje intrigam os ouvintes: "Que só eu que podia/ Dentro da tua orelha fria/ Dizer segredos de liquidificador". O que cargas d'água Cazuza queria dizer com a expressão "segredos de liquidificador"?

Teses e teses a respeito do seu significado pululam pela Internet. Segundo Valdir Mengardo, é uma metáfora que pretende mostrar a "incompatibilidade entre a sociedade de consumo e a poesia". Já Fernando Toledo considera que a expressão é o "equivalente urbano/industrializado para 'segredo de polichinelo'". E explica a sua viagem: "simplesmente não existem liquidificadores sutis. Os bichos fazem um barulho dos diabos quando acionados. Logo, seria um segredo que não seria um segredo".

Os participantes do Yahoo! Respostas dão explicações mais, hmm, rasteiras. Um deles afirma: "faltou uma boa rima pra 'beija-flor'. Parece um desses casos em que o poeta não está nem um pouquinho inspirado e doido pra acabar a letra. Tal como acontece (com todo o respeito a Gil), na letra de rimas ridículas de 'Sítio do Pica Pau Amarelo'". Outro internauta sem muita noção (des)explica: "Acho que o Cazuza tava drogado quando disse isso, deve ter enfiado a mão dentro do liquidificador".

Depois dessas abobrinhas, não há nada mais esclarecedor do que ouvir a voz do poeta. Pouco antes de cantar "Codinome Beija-Flor" em um dueto com Simone, durante um especial exibido pela TV Globo em 1989, o ex-vocalista do Barão diz que a expressão se refere a "uma coisa de língua no ouvido", exemplificando, com a própria língua, os movimentos circulares que dão sentido à metáfora. Enfim: melhor assistir ao vídeo (thanks, YouTube!):

Mas enfim, como verso bom é aquele que permite as mais diversas leituras, independentemente das eventuais explicações dadas pelo próprio poeta, fico com a explicação cunhada por Luccia em seu blog Doce Luçidêz: "Segredos contados ao pé do ouvido que causam aquele tremor no corpo como um liquidificador". Alguém arrisca tecer uma definição melhor?

* * * * *

P.S. 1: A metáfora de Cazuza é tão expressiva que foi reaproveitada na letra de outra música: "Carnalismo", faixa 7 do álbum dos Tribalistas, dos versos "Me abraça e me faz calor/ Segredos de liquidificador/ Um ser humano é o meu amor/ De músculos, de carne e osso/ Pele e cor".

P.S. 2: Considero um contra-senso cumprimentar as mulheres em apenas um dia do ano. Mas enfim, qualquer efeméride que sirva de pretexto para dar um abraço em uma mulher é mais do que bem-vinda. Não vou percorrer a estrada dos clichês e ser mais um a levantar todo o pó possível a respeito da importância fundamental das mulheres em nossas vidas, nem repetir a fala de um amigo meu que disse: "No Dia Internacional da Mulher minha patroa não cozinha. Hoje vou pedir pizza!". :roll: Atenho-me, pois, a dizer: muito obrigado a todas vocês!

© Alexandre Inagaki
 
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Segunda, 5 de Março de 2007

Publicitários da paixão

Atire o primeiro mouse quem nunca se cadastrou em algum site de relacionamentos pessoais, do tipo Almas Gêmeas ou Par Perfeito. Não vou negar que já criei cadastros neles, até porque não tenho do que me queixar: encontrei muitas mulheres interessantes nessas páginas e inclusive namorei duas delas. E, embora soe a desfaçatez dizer que motivos antropológicos também me levavam a navegar por essas páginas, posso afirmar que havia, sim, um motivo adicional para visitá-las: compilar as melhores tiradas nonsense dentre as apresentações de cada usuário.

Como você bem sabe (confesse aí, vai), todo site de relacionamentos pede, durante o preenchimento de um perfil, que cada "candidato" escreva uma frase chamativa a fim de chamar a atenção dos outros flanêurs virtuais. Ou seja: você é desafiado a resumir, dentro de um limitado número de caracteres, por que fulana deveria visitar o seu perfil em vez dos outros 893.577 internautas cadastrados. E dá-lhe lábia, wit, poder de síntese e uma certa simbiose entre Don Juan e Washington Olivetto, para que cada incauto consiga se destacar em meio à multidão.

Na maioria das vezes pessoas usam como frase de apresentação variantes de clichês como "clique aqui, você não vai se arrepender", ou "sou bonito, inteligente e modesto, hihihi". Mas sempre há quem consiga esquivar-se das mesmices habituais. Estes são alguns dos slogans mais espirituosos, canalhas, bregas e/ou chamativos que encontrei em minhas pregressas navegações:

- Não tenho chulé nem frieiras. Escreva pra mim.
- Minha foto está ruim. PREPARE-SE PARA SURPREENDER-SE!
- Sendo modéstia o meu forte, você nem imagina o que te espera de melhor!
- Oportunidade única: conheça um homem que odeia futebol.
- Você quer ir às Casas Bahia comigo?
- A primeira impressão é que fica, e eu sei que você vai ter boa impressão.
- Tenho uma vantagem em relação aos outros: sou tão feio que vocês não precisam ter ciúmes.
- Sucesso é legal, mas felicidade é muito melhor.
- Quer ser mordida? Fale comigo.

E você? Que frase você escreveria (ou já escreveu) para se auto-promover numa dessas páginas?

© Alexandre Inagaki
 
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Blogs da semana

 

Leituras recomendadas

Meus itens compartilhados no Google Reader.

Simpatia infalível para atrair a pessoa amada, em A Grande Abóbora.

De beijos e sorvetes, em Amálgama.

Necessidades, em Crackpot Ideas.

Do que aconteceu, em Jusqu'ici tout va bien.

Pessoas pelas quais sou apaixonada, em Blog das 30 pessoas.

Que tudo demore mais, ou quase tudo, em Locutório.

Olhar, em A pattern a day.

As besteiras que dizem em nome dos Beatles, em Rafael Galvão.

Excluídos voam com balões coloridos, em Escreva Lola Escreva.

 

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- Meus perfis no Twitter, Blip.fm, Facebook, Tumblr, Yahoo! Meme e LinkedIn.

- Textos no Pop Cabeça, Yahoo! Posts, Revista Pix, Digestivo Cultural, Rolling Stone, Update or Die, Germina e site da Época.

- Entrevistas concedidas para Tiago Dória, Urbanistas, Scrap MTV, Portal Verdes Mares, revista Capitu, Agência Estado e Nós da Comunicação.

- Perfil e comunidade no Orkut. Citações no Google.

- Um jurássico perfil que escrevi em meados de 2000.

Mande 1 e 1/2 pra mim.

 

Mantra

A vida é boa e cheia de possibilidades.
A vida é boa e cheia de possibilidades.
A vida é boa e cheia de possibilidades.

 

Meus textos prediletos

Relacionamentos

Bons Amigos

Amar hemburresce

A eterna arapuca

This is love

Estou exatamente onde queria estar

Questões de timing

Charlie Brown, a garotinha ruiva e o tal do amor

Prólogo para um romance

O amor, esse labirinto

Crônicas, prosas & ficções

Palavras que deveriam existir

Observações ao léu

Tartamudeio

Morte e vida digital

Como Fazer Amigos e Influenciar Homens de Marte, Mulheres de Alpha Centauri e Chorões às Margens do Rio Piedra (ou: Seja Feliz e Ajuda-te a Ti Mesmo Sozinho e Sem Ajuda de Ninguém, Mexendo no Queijo Alheio de Acordo com os Princípios do Feng Shui)

Vidas possíveis

Entre o moderno e o eterno

Amor e sexo com... robôs?

Tempus fugit

1001 dicas de sexo para enlouquecer um homem na cama (de tanto rir)

Pombos urbanos

Sobre humanos e animais

Pedras preciosas da ilusão

Domingo no parque

Não seja imbecil, vote consciente

O Dia do Amigo

Masoquista ludopédico

Às Vezes Sempre

Poemas

Sete Faces

Língua

Futebol

O Código Secreto das Estrelas

Blogs, Twitter & afins

Blogo, logo existo

O que é Twitter? Como funciona e como usar? Serve pra quê?

Campus Party - Blogueiros x Jornalistas, o falso embate

Sobre "prêmios" e discussões em blogs

O primeiro terremoto em São Paulo a gente nunca esquece

Campus Party 2009 - balanço final

Cultura pop

Breve manifesto pop

Desencontros do amor no Grand Canyon

Entre o tempo que passou e todo o tempo do mundo

Salve Ferris!

Cinco capas inesquecíveis da Playboy

Multiplex do inferno

Uma breve história dos beijos no cinema

Geração cover

Livros imaginários, livros quase imaginários e livros que deveriam existir

Dez aberturas marcantes de novelas

Como era gostoso o meu cinema brasileiro (lembranças da Sala Especial)

Michael Jackson, a síndrome de Peter Pan e o museu de grandes novidades

A tira mais triste de todos os tempos

Escrevendo com luz

Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

Jeff Buckley

Trocando de biquíni sem parar

Segredos de liquidificador

A biografia não-autorizada de Indiana Jones

 

Na estante

Mulher de um Homem Só, de Alex Castro.

Mulher de um Homem Só, de Alex Castro. Editora Os Viralata, 140 páginas.

 


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