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| Segunda, 4 de Dezembro de 2006
Em sua autobiografia Educação de um Bandido, Bunker escreve: “perseverei porque tinha consciência de que a escrita era minha única chance de criar algo, de escalar as paredes do poço escuro, alcançar o sonho e repousar ao sol”. O resultado é único: um escritor de refinado estilo literário, capaz de descrever fatos vivenciados em seus anos marginais com autenticidade e talento. A Editora Barracuda, que publicou anteriormente três livros de Bunker, acaba de lançar no Brasil O Menino, terceiro romance do autor, lançado originalmente em 1980. Não é difícil de associar as desventuras de Alex Hamilton, garoto de 11 anos inteligente e apaixonado por literatura, mas com diversas passagens em diversos reformatórios e hospitais psiquiátricos, com a biografia de Bunker. É um retrato impressionante, que só um escritor que desenvolveu sua escrita quase que à base de fórceps, após ter tido seis romances rejeitados para publicação, poderia ter escrito.
"Uma mulher está estirada no chão sobre uma poça de sangue e o filho, ao lado, paralisado; olhando-a como se fosse pela primeira vez. Sua roupa está encharcada com o sangue da mãe e o ferimento na cabeça diz que ele também havia sido atingido pelo assassino. Tem nojo de tudo. Do sangue, do cheiro, da mãe com o pescoço cortado e o maxilar estraçalhado. Não se lembra de nada e por isso mesmo é um dos suspeitos. 'Mas que motivos eu teria para matar a minha mãe?', justifica-se". Quem, assim como eu, ficou intrigado com o começo de Desumano, está desde já convocado para comparecer ao lançamento: dia 5 de dezembro, a partir das 18:30, na Livraria da Vila.
Devo dizer, no entanto, que apesar da qualidade dos textos, que incluem resenhas, biografias e textos sobre os principais gêneros cinematográficos, 300 Filmes se ressente de uma revisão no que diz respeito, principalmente, aos prêmios recebidos pelos longas destacados no guia. Que erra ao afirmar, por exemplo, que "Antes do Pôr-do-Sol" ganhou o Oscar de melhor roteiro (foi apenas indicado), esquece de informar que "A Conversação" recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1974, e comete um equívoco ao dizer que foi "Waking Life", e não "Um Casamento à Indiana", de Mira Nair, considerado o melhor filme do festival de Veneza em 2001.
Na companhia de Ângela Carneiro, Marcela escreveu o livro Rodas Pra Que Te Quero!, transpondo para o campo da literatura infantil suas lembranças de uma época na qual tudo o que ela queria era ser uma criança igual a todo mundo, em uma obra que descreve situações vivenciadas em seu cotidiano. Leitura recomendada a crianças de todas as idades.
Trackback:http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/737 Posts similares: Comentários, Trackbacks: Nome: Felipe · http://www.ignoranciaefogo.blogspot.com Ah, que bom ver o livro da Marcela aqui! Já conhecia o blog, e é muito satisfatório ver a iniciativa dela de escrever um livro narrando o ponto de vista de uma pessoa em cadeira de rodas.Quem sabe ajude a criar uma geração mais consciente das dificuldades vividas pelos cadeirantes. link 04.12.06 @ 17:45 Nome: Cláudio Rúbio · http://www.circulando.com Detalhe sobre o livro da Tchela e da Ângela é que foi concebido através da internet e por causa do blog da Tchela, o Maré. A Ângela, que cresceu auxiliando sua avó, deficiente visual, e depois emprestou sua voz para áudio-livros do Clube da Boa Leitura, para outros deficientes visuais, conta que teve um sonho, escrever um livro a respeito de uma pessoa portadora de deficiência física e o tema da inclusão, e, a partir do sonho, passou a procurar na internet pessoas que a inspirassem. Assim encontrou o blog da Tchela, escreveu para ela, trocaram emails, e o livro foi nascendo. É, portanto, mais um bom fruto do blog. Bem, a narrativa da Àngela a esse respeito está no Blog Casos e Cismas, nesse post aqui. Obrigado pelo complemento valioso ao post, Cláudio! link 04.12.06 @ 20:38 Nome: JULIO CESAR CORRÊA · http://jccbalaperdida.blogspot.com Dar uma força para a Olívia é dar força para a comunidade blogueira. Principalmente para os que escrevem policial, como eu. Infelizmente uma questão geográfica me impedirá de estar aí. gd ab link 05.12.06 @ 14:19 Nome: desiree · http://nosexandthecity.zip.net Fico feliz quando vejo um(a) blogueiro(a) publicando livro e só esta semana a Olívia é a terceira que vejo! parabéns para ela. link 05.12.06 @ 14:50 Nome: Ricardo Mattos Muito bom seu texto no site da rock press. Pra quem trabalha com música, vive-se em uma era de incerteza, chega a ser abstrato o futuro. Ao mesmo tempo que se torna totalmente democrático, o mundo musical perde um pouco do romântismo e da idolatria que existia até então. tudo está ruindo com esta revolução que é a internet. Mas não sejamos velhacos, se está mudando é porque a nova geração assim quis, vamos para o futuro então e seja o que Deus quizer. link 31.12.06 @ 20:40
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