Categoria: Imprensa
16/11/2009
CARNE DE CACHORRO: POR QUE NÃO?
E A IMPRENSA DESQUALIFICADA COMO SEMPRE
Li um texto interessantíssimo no blog de André Forastieri, situado no portal R7. Ele trata da carne de cachorro como alimento e, mais ainda, pergunta se haveria algum crime em seu consumo. Segue trecho:
"Eu comeria cachorro? Fácil. Nunca tive oportunidade, mas se pintar, não recuso. E tem um mundo subterrâneo de comedores de cachorro em Brasil. Ontem, por exemplo, sessenta quilos de carne de cachorro foram apreendidas em Suzano, aqui na grande São Paulo. Um casal pegava os bichos na rua, engordava, abatia e vendida para dois restaurantes aqui do Bom Retiro. O casal e quatro coreanos, responsáveis pelos restaurantes, foram presos. Presos por quê? Qual a acusação? É ilegal comer cachorro no Brasil? Pô, aqui se come buchada de bode, cobra, tartaruga. Na França se come cavalo e escargot. Qual o problema?" (grifos nossos)
Sim, vale repetir as perguntas do blogueiro: QUAL O PROBLEMA? Qual o crime? E vamos aos jornalistas. No mesmo portal R7, da Record, temos uma reportagem, em vídeo, que noticia a prisão do casal envolvido no "abatedouro canino". O crime? Não há informação. O jornalismo, ali, dá vez ao teor sensacionalista (não consegui passar o video pra cá).
Agora, vamos ao G1, da Globo. O portal tenta ser mais técnico, mas faz lambança. Afinal, alegar que o "ilícito" corresponde ao descumprimento de uma Lei Estadual é pisar na bola, já que é prerrogativa exclusiva da União legislar sobre matéria penal (daí a redundância de quando dizem "crime federal" etc.).
De todo modo, dão uma pista: "O casal e os proprietários dos restaurantes vão responder por crime contra a fauna, contra o meio ambiente e por formação de quadrilha. Os restaurantes deverão ser fechados pela Vigilância Sanitária." - vejam o vídeo lá na página, também.
Enfim
O policial diz que serão indiciados por crime de "formação de quadrilha ou bando". Ok. Mas uma quadrilha, para ser configurada como tal, precisa cometer algum crime. QUAL FOI O ILÍCITO COMETIDO?
Aparentemente, serão pegos pela legislação ambiental, com o agravante de prejuízo à saúde pública, nos termos da Lei 9605/98:
"Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal."
Sobre o agravante:
"Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:
I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente;"
Mas agora vamos supor o seguinte: um abatedouro SEM maus-tratos, sem mutilação (que só pode ser considerada como tal enquanto os animais estiverem vivos) e que respeite TODAS AS NORMAS DE SAÚDE PÚBLICA E MEIO-AMBIENTE. Qual a diferença dele para um abatedouro bovino, suíno, caprino etc.?
Se criarem uma lei para proteger o cão, é preciso que se crie alguma para proteger o boi, o porco, a cabra, o carneiro e todos os demais bichinhos bonitos que os carnívoros devoramos. Ah, sim, nunca comi e provavelmente jamais comerei carne de cachorro. Mas como todas as demais - inclusive peixes e aves (também lindos e fofos) -, de modo que não faz sentido condenar os apreciadores da carne bovina.
Quando se estipula que o ser humano tem a prerrogativa de comer carne, há o seguinte estabelecimento: somos uma espécie privilegiada pela lei, ou seja, podemos comer os outros animais. A exceção legal é feita às espécies em via de extinção.
De resto, há toda sorte de fazendas, abatedouros, frigoríficos e revendedores dos mais variados tipos de carnes. E também animais de estimação servidos como alimento, dos fofinhos aos mais exóticos: coelhos, galinhas, lagartos, cobras, peixinhos etc.
Alguém tem uma explicação lógica para eventual proibição do consumo de carne canina no Brasil? E, estabelecendo-se de forma asseada e obedecendo todos os rigores da vigilância sanitária, um restaurante de carne de cachorro não poderia funcionar? Por quê?
transubstanciado por gravata às 16.11.09 - 21:18:18 | 25 comentários
16/11/2009
O FILHO DE FHC
O tema sempre foi notícia. Sempre. Perguntem, por exemplo, a Juca Kfouri, para quem é importante conhecer a vida - mesmo privada - de um candidato a Presidente da República antes que seja eleito. Mas talvez, por algum lapso, ele nunca tenha mencionado este assunto, provavelmente porque não comprometesse eventos esportivos brasileiros.
A grande verdade - e olha que sou o ÚLTIMO a entrar nessa paranoia de "mídia má" - é que a imprensa nunca deu trela. Por pura omissão. FHC tocou sua própria vida, e isso ele faz como bem entender. Não cometeu crime algum e, agora, assume o filho que tem; aliás, parece que o visitava etc.
Os maiores omissos, sem dúvida, foram os jornalistas. Sem contar aquela coisa sensacionalista da capa da "Caros Amigos", com uma manchete quase que denunciando um crime. Também não é por aí. É notícia? Sim, é notícia. Inequivocamente notícia. Mas não é crime nem um escândalo nacional a ponto de comprometer o desempenho de um Presidente da República na condução do país.
De um lado, mistura-se falso moralismo e vingancinha política. De outro, falso liberalismo e simpatia política. Um debate ridículo, portanto - praticamente, um "não-debate".
Continuo achando que o grande erro é da imprensa, sem cair nessa onda de "mídia má". Não somos os EUA, e ainda bem que não temos aquele puritanismo tacanho. O maior exemplo disso, e arrisco um caso bem radical, é o de Pelé - esse, sim, exagerado. O rei do futebol transcende a política, direita ou esquerda, e provavelmente todos são unânimes em condená-lo quanto ao que fez acerca da filha, mas também em enaltecê-lo como o maior naquilo que fez em campo. E olha que o futebol dispensa racionalidade.
Será que, na política, todos terão essa mesma frieza? Saberão separar o homem Fernando Henrique do político FHC? Saberão separar a omissão da mídia da escolha individual (acertada ou não) da vida privada de uma pessoa? Amanhã ou depois, e isso sempre acontece, surge algo assim "do outro lado da trincheira".
Aguardemos os pesos e medidas, no Fla x Flu político.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 16.11.09 - 15:16:47 | 15 comentários
19/10/2009
"MÍDIA MÁ", MONSTRO ÚTIL PARA AS TESES PETISTOSFÉRICAS
Sim, há no Brasil poucos veículos de comunicação de grande porte. Assim como há poucas grandes indústrias siderúrgicas ou mesmo grandes mineiradoras. Em alguns casos, há verdadeiros monopólios: telefonia fixa, gás, eletricidade. Privatização de mentirinha.
Mesmo com poucos veículos, há competição. A tal "concentração", como alardeiam os que pretendem "democratizar" a mídia, é muito menor hoje do que ontem e, como se sabe, anteontem as coisas eram ainda piores.
Aliás, também sabemos de quais países eles são entusiastas e podemos citar o velho exemplo clássico (aquele do qual somos proibidos de falar): Cuba. Lá, como se sabe, a imprensa é controlada. Ou Venezuela, por exemplo, que tomou de assalto os meios de comunicação. Recentemente, aliás, a Argentina fez algo parecido.
Os "midialivristas" gostam desses países. Sigamos.
É importante, para eles, todos os petistosféricos, bater na imprensa. É importantíssimo "culpar" a mídia. E a coisa chega a pontos tão ridículos e abomináveis que, não duvido, eles próprios passam a acreditar nessas sandices.
Vejamos, p.ex., o caso recente da Folha de São Paulo, divulgando gravações da Polícia Federal. Vale repetir: GRAVAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL e, mais importante, todas elas obtidas com autorização judicial. E assim ficou provado que o filho de José Sarney e um ex-Ministro exercem influência sobre o gabinete de Edson Lobão, titular da pasta das Minas e Energia.
Qual foi a reação petistosférica? Culpa - sim: CULPA! - da Folha de São Paulo. Exatamente isso. O jornal foi CULPADO pelo fato de dar a notícia. Não importa se foi gravado pela PF e se o material foi obtido mediante autorização judicial. Simplesmente a Folha é culpada porque há, no Brasil, "concentração dos meios de comunicação". Ponto final.
Essa imbecilidade resulta de uma campanha mais ou menos psicológica, e coletiva, por meio da qual toda a mídia é má. A premissa é martelada repetidamente, e aceita parte por idiotice coletiva, parte por conveniência partidária.
Se não me engano, começou com o Mensalão. Logo que estourou a bomba, assumida pelos envolvidos, não havia como reagir. Empurram pra cá, empurram pra lá, os defensores a soldo do governo se saem com uma estratégia que passou a ser repetida até hoje: ANALISAR A MÍDIA.
É o seguinte. Antes, quando explodia alguma roubalheira, exigiam apuração e faziam passeatas. Hoje, é o contrário. Quando pegam alguém metendo a mão, PATRULHAM A IMPRENSA. Qualquer nota um pouco mais pesada é vista como: a) golpismo; b) escandalização do "nada"; c) exagero; e assim por diante.
E, nos blogs petistosféricos, não repercutem notícias ruins contra o Governo Federal. A desculpa é digna dos grandes momentos da história da cara de pau da humanidade: "JÁ FALAM MAL DO GOVERNO POR AÍ, ENTÃO NÃO É PRECISO MAIS UM ESPAÇO PARA ISSO". Ê, lasqueira!
Mas, quando é para xingar a oposição, adivinha o que fazem? Recortam e colam... NOTÍCIAS DOS MESMOS JORNAIS E REVISTAS DOS VEÍCULOS DA MÍDIA MÁ! Pois é.
O fato é esse: quando fala mal de tal partido, a imprensa não presta e sugerem, em caráter de urgência, todo tipo de reforma ditatorial para suprimir a liberdade dos meios de comunicação. Mas, quando algum jornalista defende o governo federal e/ou ataca a oposição, surge como "profissional sério" ou "exemplo de lucidez".
É aquilo de sempre.
(sem revisão porque a Hellen está dormindo...)
transubstanciado por gravata às 19.10.09 - 01:35:53 | 34 comentários
04/09/2009
REVISTA FÓRUM: 25 MIL EXEMPLARES VENDIDOS SEM LICITAÇÃO PRA MARTA SUPLICY; SOBRE ISSO, SILÊNCIO...
Já haviam indicado alguns comentos no blog da Revista Fórum, tratando de verbas estatais para publicações, mas honestamente não acreditava nisso. Hoje, porém, disseram que era uma matéria, mesmo. Então é bom esclarecer todos os fatos. Primeiro, vamos ao que determina a Lei de Licitações (8.666/93):
"Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:
I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;"
É possível, sim, reclamar da concentração dos grandes veículos, mas não se pode dizer que há, hoje, editoras em condições de atender TODO o Estado de São Paulo, ou mesmo o Brasil.
Aliás, proponho a eles que visitem o Portal da Transparência e descubram quem são os maiores beneficiários. Na última vez que o fiz, p.ex., o Gabinete da Presidência comprava grandes remessas da revista "Brasileiros" (convém checar o Conselho Editorial).
Revista Fórum
Mas o melhor (ou pior) vem agora. Durante a Gestão de Marta Suplicy, além de fechar uma série de contratos com a Prefeitura de São Paulo, a empresa da Revista Fórum também teve a sorte de fornecer sua publicação carro-chefe para a Secretaria da Educação.
Não um ou dois, mas VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES DA MESMÍSSIMA EDIÇÃO. Sem brincadeira. 25 mil cópias da exata mesma revista foram vendidas para a Secretaria.
Houve licitação? Não, não houve. E, se duvidam, vejam a imagem a seguir, cópia do Diário Oficial do Município:

Quando publiquei tal fato pela primeira vez, fez a seguinte acusação: eu me chamo Fernando Gouveia. Ele estava certo. Corria, na época, o ano de 2007 - e esse fato foi "descoberto" em 2001 (ano em que abri o blog). Mas, confesso, já era algo público desde 1976 (e, em 2004, saiu na Folha, entre outras coisas).
Enfim, a Revista Fórum "vendeu" VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES de uma mesma edição para uma única secretaria da Marta Suplicy. E essa publicação, agora, resolve questionar o MESMO ARTIGO DA LEI DE LICITAÇÃO DA QUAL FOI BENEFICIÁRIA.
Mas o pior não é isso.
Não se trata de um erro que, para ser justificado, usa-se como tática a revelação de outro. Vale reiterar: QUAIS AS EDITORAS, HOJE, QUE TÊM CONDIÇÕES DE SUPRIR TODO O ESTADO DE SÃO PAULO COM CAPACIDADE TÉCNICA, MATERIAL ETC.?
E, além disso, O QUE JUSTIFICA A VENDA DE VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES DE UMA MESMÍSSIMA EDIÇÃO? Caramba, já estávamos em 2004! Além de bibliotecas, já havia computadores, internet, meios digitais etc.
Além Disso
Por que essas mesmas pessoas, as mesmíssimas, nunca questionaram o absurdo favorecimento da revista Caros Amigos? E nada de Petrobras ou coisas do gênero, mas sim "Prefeitura de Cabrobró", entre outras, sempre com a estrelinha vermelha, isso desde 1998.
Sempre que eu tocava no assunto, caíam matando, dizendo que era uma forma de manter acesa a chama de um veículo "independente" (ou seja: para ser independente, ele precisaria ser "dependente").
Por óbvio, claro, nunca houve nem haveria de haver licitação. De novo: inexigibilidade, como sói nos casos de liberação de verbas para publicidade em veículos de comunicação.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
transubstanciado por gravata às 04.09.09 - 23:14:16 | 5 comentários
04/07/2009
MAINARDI: SOBRE O BLOG DO LULA
Essa vai na íntegra. Coluna de Diogo Mainardi sobre o Blog do Lula:
"O Cordeiro do presidente
O blogueiro de Lula considera que a ‘grande mídia’ – da qual ele e Franklin Martins foram demitidos – ‘é apenas uma ferramenta para perpetuar o status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo’Jorge Cordeiro? Isso mesmo: Jorge Cordeiro. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe o que ele faz. Mas Franklin Martins acabou de contratá-lo para comandar o blog do Lula. O blog do Planalto.
Lula declarou recentemente que, com a internet, a imprensa perdeu "o poder que tinha alguns anos atrás". E, de acordo com ele, quanto menos poder a imprensa tiver, melhor. Porque isso impede que os jornais tentem "dar um golpe de estado", manipulando os fatos. Lula, a Arianna Huffington de Caetés, acredita que só agora, com o Blogger, o Facebook e o Twitter, "este país está tendo o gosto da liberdade de informação". Segundo ele, "estamos vivendo um momento revolucionário da humanidade".
Jorge Cordeiro, o blogueiro de Lula, tem o perfil do revolucionário da internet. Depois de trabalhar por seis anos como assessor de imprensa da Odebrecht, no período em que a empreiteira se enroscou com Fernando Collor de Mello, ele se distinguiu por sua passagem em jornais como O Fluminense. Quando Marta Suplicy foi eleita, ele ganhou um cargo na área de internet da prefeitura paulistana. Em 2005, arrumou um emprego no Globo Online, sendo demitido menos de um ano depois. Ultimamente, até ser contratado por Franklin Martins, ele mantinha um blog que era lido e comentado sobretudo por ele mesmo. A internet tem esse aspecto revolucionário: o autor de um blog pode ser também o seu único leitor.
Assim como Lula, Jorge Cordeiro dispara contra a imprensa. Seu blog solitário é sua Sierra Maestra. Ele considera que a "grande mídia" – da qual ele e Franklin Martins foram demitidos – "é apenas uma ferramenta para perpetuar o status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo". VEJA, Folha, Estado, Globo: o blogueiro de Lula condena todo o "(tu)baronato" da imprensa, acusando-o de irresponsabilidade, de tendenciosidade, de forjar a roubalheira dos mensaleiros e de montar uma farsa golpista no episódio dos aloprados, a fim de evitar o triunfo histórico de "Lulaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!".
O blogueiro de Lula, como o próprio Lula, argumenta que há mais liberdade e mais pluralidade nos blogs do que na imprensa. Os elogios aos blogs cessam no momento em que eles abusam dessa liberdade e dessa pluralidade para – epa! – falar mal de Lula. Ricardo Noblat se torna automaticamente "dissimulado, prepotente, mentiroso". E Reinaldo Azevedo é ironizado por seus tumores, que o blogueiro de Lula apelida de "bolotinhas".
Eu? Eu sou um "dândi". Tenho de levar "uma bela cusparada" e, como Paulo Francis, "sucumbir a inúmeros processos". Na semana passada, renunciei espontaneamente ao meu trabalho na internet. O blogueiro de Lula comemorou minha despedida com o seguinte comentário: "U-huuuuu!!". Agora que Lula tem um blog, e que pretende trocar a imprensa por spams, sou eu que comemoro minha saída da internet: "U-huuuuu!!"."
A coluna é essa. Sem mais.
transubstanciado por gravata às 04.07.09 - 03:47:20 | 31 comentários
07/06/2009
HOAX: CAIR, TODOS CAEM. MAS, NÃO CORRIGIR? AÍ É DOSE!
Fui alertado ao ler um post do Idelber. Espalharam um "hoax" (boato; no Brasil, usa-se o termo quase que exclusivamente para as cascatas internéticas) sobre sanção a ser aplicada sobre download ilegal: nada menos que a pena de morte.
Era mentira, claro. Idelbas corrigiu. Praticamente todos corrigiram. Mas o Vírgula, portal vinculado ao UOL, não o fez. Manteve - e ainda mantém (tenho o print e a página salva aqui - vejam abaixo) a notícia como verdadeira.

Acho plausível que um grande portal tenha, entre tantos associados, também um canal de fofocas como parceiro. Mas é sempre arriscado quando sua marca - e credibilidade - aparece nesse tipo de enrosco.
O jornalismo mais sério, em tempo hábil, corrigiu a coisa: trata-se de uma gozação feita pelo site More Digitaler. Mas nem todos tiveram esse cuidado.
Por fim, fica a intrigante pergunta de uma enquete no mesmo Vírgula:

É mole?
g>. Bacana da parte do portal.
transubstanciado por gravata às 07.06.09 - 16:06:10 | 2 comentários
21/04/2009
DAS "IRRELEVÂNCIAS SELETIVAS"
A defesa oficial do governo agora diz que esse negócio das passagens são "irrelevâncias". É a defesa padronizada; mais ou menos como fizeram no caso dos gastos com cartões corporativos do Planalto (que gerou a feitura do Dossiê contra FHC). Naquela ocasião, chamaram de "escândalo tapioca".
Afinal, só é escandaloso aquilo que recai sobre os inimigos. As safadezas dos amigos são todas perdoadas e merecem apelidos carinhosos. Tanto que, sobre Protógenes, coube uma linha. Sobre Gabeira, um texto imenso. É do jogo - mas um jogo que não aceito jogar.
Falemos, pois, sobre as "Irrelevâncias".
Dizem que isso serve para "encobrir" algumas contratações que o Poder Público - em todas as esferas - realiza a fim de comprar editoras, opiniões etc. E isso se dá pela "inexigibilidade" de licitação na compra e/ou assinatura de periódicos.
Como exemplo, há um post no blog de Luís Nassif (print screen abaixo):

O "argumento" - ainda que com essa terceirização de postagem, na base de "Por Fulano" - leva a crer numa espécie de conspiração. Mas é bobagem. Para se ter uma idéia, o Governo Federal tem como maior beneficiária, dentre as publicações contratadas, a revista Brasileiros. Sabem quem são editores? Ricardo Kotsho e Nirlando Beirão. Nassif não diz nada quanto a isso; inclusive quanto ao fato de que não houve licitação.
E nem poderia, pois é mesmo inexigível. A compra e/ou assinatura de periódicos e hebdomadários, ou mesmo revistas mensais, é sempre realizada sem COM inexigibilidade, nos termos da Lei 8.666/93:
"Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:
I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;"
Não foi por outro motivo, inclusive, que Marta Suplicy achou razoável comprar VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES DE UMA ÚNICA EDIÇÃO DA REVISTA FÓRUM. Isso mesmo: 25 mil. E quem o fez foi a Secretaria de Educação, muito embora se trate de uma revista de viés político.
A justificativa, como consta do Diário Oficial do Município (vejam abaixo), é exatamente essa que pus acima: Inexigibilidade, nos ternos do Art. 25, inc. I. Mas, sobre isso, Nassif nunca falou nada. Aliás, deu entrevista à publicação, sem questioná-la quanto a tal fato.

Quando falei disso, levei um escracho de Renato Rovai - e olha que não falei por mal, apenas mencionei o vínculo, sem acusar crime algum, até porque crime não há. Foi uma mera citação de fato público e notório. A resposta dele foi bombástica: eu me chamo Fernando Gouveia (???).
Outro exemplo de favorecimento era a benevolência publicitária das gestões petistas com a revista Caros Amigos. Não sei como está hoje, mas nos primeiros anos era uma verdadeira piada. Prefeituras da casa do chapéu, governos estaduais, empresas estatais, enfim, tudo que era órgão público gerido pelo PT e/ou partidos próximos anunciavam na revista.
Licitação? Não, nunca precisou (de novo, tudo dentro da lei - poder discricionário etc.). E é uma pena não ter como consultar esses gastos públicos para se ter uma idéia do quanto foi investido em publicidade nos primeiros anos de tal publicação.
E os "Palestrantes"?
Quanto às contratações para "engordar o caixa", proponho a abertura de outro debate: CONTRATAÇÃO DE PALESTRANTES. Que tal? Porque as revistas e os jornais, de fato, podem ter lá seus dois ou três "concorrentes". Mas e os que são contratados para dar palestras?
Seguramente, há por volta de duzentos em cada área. Mas governos, empresas e bancos públicos contratam um, dois, no máximo três. E pagam uma grana boa. Tudo SEM LICITAR, alegando NOTÓRIA ESPECIALIZAÇÃO.
Então pergunto: QUAL É ESSA ESPECIALIZAÇÃO, MEU DEUS??? Porque, quando o tema é medicina, puxa-se a formação acadêmica. Quando é advocacia, há o mesmo procedimento. E assim vai com engenharia, arquitetura etc.
E quando é economia? No mínimo, além dos estudos, teses e trabalhos, é preciso consultar os êxitos financeiros do palestrante. Será que o fazem, para então constatar a "notória especialização"? Não sei. Mais um pouco e chegamos à teratologia de credor contratar devedor para "palestrar" sobre economia em sua própria sede.
Podemos debater sobre esse tema, o que acham? Ou isso também é uma irrelevância?
Epa! Acho que há links no Portal da Transparência...
transubstanciado por gravata às 21.04.09 - 14:32:26 | 14 comentários
07/04/2009
JORNALISTAS GRAMPEADOS: TOGNOLLI DIVULGA E ANALISA O RELATÓRIO DE PROTÓGENES SOBRE OS JORNALISTAS VIGIADOS PELA PF
Antes de tudo, é muito fácil selecionar este ou aquele trecho. Não sou jornalista, tanto menos presto serviço. Desse modo, aqui está o link para que todos leiam na íntegra. Leiam, releiam, e repitam o procedimento tantas vezes quanto for necessário.
Tognolli fez um quadrinho com o nome dos jornalistas citados no relatório. Houve quem dissesse ser uma "tática", depreciando seu trabalho. Não, não é. De fato, MINO CARTA REALMENTE FOI CITADO (para se ter uma ideia dos critérios de Protógenes...). Primeiro, vejam o quadro:

Agora, passemos à excelente reportagem de Claudio Julio Tognolli, abaixo, praticamente na íntegra:
"Quem são os jornalistas perseguidos por Protógenes - Pelo menos 25 jornalistas de renome, que atuam em grandes veículos de comunicação, foram acusados pelo delegado federal Protógenes Queiroz de fazer parte de um esquema conspiratório a favor do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, investigado pela Polícia Federal por supostos crimes financeiros, na chamada Operação Satiagraha. Os nomes de jornalistas constam de dois arquivos, dentre as centenas de documentos digitais confiscados pela Corregedoria da PF nos computadores de Queiroz, e são publicados pela revista Consultor Jurídico. No relatório, o delegado parte da premissa de que o banqueiro Daniel Dantas armou um esquema para corromper jornais, revistas e jornalistas em geral para que todos trabalhassem a favor de seus objetivos escusos. A partir dessa suposição, toda ação que envolva o investigado que Protógenes transformou em inimigo pessoal, passa a ser suspeita. Nessa linha de raciocínio, jornalistas que por dever de ofício tenham de produzir notícias sobre Daniel Dantas ou sobre o Banco Opportunity, viram cúmplices do banqueiro. Com pretensões intelectuais, o delegado se atreve a montar um case para demonstrar a malignidade da imprensa e da liberdade de expressão. Para tanto, toma como exemplo a cobertura que a revista Veja fez do presidente do Senado Renan Calheiros. Só nessa diversão aparecem os nomes de cinco jornalistas. São eles Policarpo Junior, Otávio Cabral, André Petry, Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy. O relatório ressalva, para alívio geral, que os citados nessa parte do documento, não necessariamente estão ligados ao esquema de imprensa do banqueiro, já que se trata de um estudo teórico. Alexandre Oltramari é citado de novo na parte do relatório dedicada a descrever a imaginada cadeia de contra-informação armada por Daniel Dantas e a grande imprensa brasileira e estrangeira. Aí aparece ao lado de seu colega, o colunista Diogo Mainardi, do presidente da Rede Bandeirantes Johnny Saad, do apresentador de televisão Roberto d’Ávila, do consultor político Ney Figueiredo e da empresa de assessoria de imprensa contratada pelo Opportunity, a Abre de Página. Este Consultor Jurídico também mereceu a atenção do delegado Protógenes, em razão de entrevista feita pelo jornalista Márcio Chaer com Luciane Araújo, uma brasileira que trabalhou para a Telecom Italia como tradutora. Cabia a ela traduzir para o italiano, documentos e textos em português sobre a disputa pelo controle da Brasil Telecom entre a Telecom Italia e o Opportunity. Com acesso à alta cúpula da Telecom Italia, Luciane Araújo acabou tomando conhecimento de fatos na briga nada civilizada travada entre os dois grupos. Nomes citados no relatório de Protógenes Queiroz - Jeferson Heróico. Segundo ela algumas pessoas foram pagas por concorrentes de Dantas para tirá-lo do negócio das teles. Um exemplo dos parâmetros de investigação do delegado e sua turma forma um capítulo no relatório com o sugestivo título de “A Turma do Cebolinha”. Foi com esse nome que o delegado Protógenes Queiroz batizou o arquivo em que descreve a bisbilhotagem que agentes da Abin, sob seu comando, fizeram, em Brasília, contra a arquiteta Manuela Cantanhêde Rampazzo. Manuela Rampazzo é filha da colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Cantanhêde, com o também jornalista Gilney Rampazzo, ex-editor da TV Globo em Brasília. Manuela virou vítima da operação simplesmente por ter ido à casa do jornalista Fernando Cesar Mesquita, assessor do senador José Sarney, para submeter-lhe um projeto de arquitetura. Fernando César Mesquita não era investigado na Satiagraha e não havia determinação judicial para que fosse monitorado. Manuela Cantanhêde, muito menos. (...) Dentre os nomes dos jornalistas acusados no delírio conspiratório constam profissionais que simplesmente são pautados para cobrir as pendengas que envolvem a partilha do bolo das teles no Brasil. A análise desses arquivos de Protógenes revela a prática daquilo a que os filósofos chamam de teleologia -- ou raciocínio baseado em causas finais. Bastava algum profissional abordar o tema Daniel Dantas para que fosse catalogado como “parte do esquema”. Um dos primeiros nomes citados em seu relatório é o da repórter especial Elvira Lobato, da Folha de S. Paulo, uma profissional com mais de 30 anos de experiência, ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo 2008, a mais importante láurea da área de comunicação do país. Elvira é qualificada pelo delegado como liberticida. “É possível concluir que Elvira Lobato estaria trabalhando para apontar Naji Nahas como agente a serviço da Telecom Italia no Brasil. Notícias desta natureza interessam a Daniel Dantas, pois o colocam na condição de vítima de um esquema para prejudicar seus negócios. Muito provavelmente, Lobato seja uma das jornalistas de confiança de Dantas para implantar, na mídia, tais reportagens”. Assim como Elvira, surgem nas acusações conspiratórias outros tantos nomes de profissionais de prestígio reconhecido e reputação inatacável como Marcelo Tognozzi, Vera Brandimarte, Leonardo Attuch, Gustavo Krieger, Janaína Leite e Diogo Mainardi . “Em cada reportagem, a intenção desta análise era conhecer o viés empregado para manipular os leitores, ora de forma explícita, ora sutil, com o fim de formar uma consciência coletiva. Ressalta-se que o público alvo das matérias era composto por pessoas esclarecidas, que buscam informação em meios considerados idôneos”, escreveu Protógenes, por exemplo, sobre a semanal Veja. Em sua própria avaliação, Protógenes acreditava-se o rompedor de um tabu. “Finalmente, convém dizer que a proposta inicial da análise – identificar a manipulação da mídia por grupos econômicos – foi alcançada. Pelas limitações do trabalho e em face da magnitude do tema, muitos elementos, naturalmente, não constam em seu conteúdo, mesmo porque nunca houve a pretensão de abarcar toda a problemática envolvida nesta questão. A proposta era a de oferecer uma modesta contribuição para o esclarecimento deste tema, tão pouco debatido em nossa sociedade, principalmente em razão do caráter “sagrado” da liberdade de imprensa”, escreveu. Um dos piores trechos das linhas obradas por Protógenes e sua equipe é um relatório datado de 28 de abril de 2008. Nele, um perito da PF, Walter Guerra Silva, acusa categoricamente dois jornalistas da Folha de S. Paulo, Andréa Michael e Hudson Correa, de trabalharem para Daniel Dantas. Foi esse relato que levou Protógenes a pedir a prisão de Michael, pelo fato de ela ter noticiado, em primeira mão, a existência da Operação Satiagraha. “Em 17/03/08, às 14:50:52hs, Guilherme Martins fala com Daniel Dantas que Andrea Michael da Folha de S. Paulo, esta atrás dele para fazer uma matéria por encomenda. A Folha está querendo saber da desenvoltura de Daniel e quem o está ajudando, e o que ele irá fazer com o dinheiro que irá receber. Daniel brinca e diz que vai usar o dinheiro para comprar ações da Telemar”, relata o perito. “Portanto os investigados se beneficiaram da informação privilegiada antes da publicação realizada no jornal Folha de São Paulo”, conclui o perito do delegado Queiroz." (grifos nossos)
* * *
E, agora, trechos do relatório:
Sobre Mino Carta

Notem que Janaína Leite é citada pelo "pecado" de escrever sobre as Teles. Ela era ESCALADA para isso e, enquanto o fazia, Luís Nassif era do CONSELHO EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO. Cabe a Nassif, por exemplo, indicar uma única carta, e-mail ou memorando enviado à direção do jornal dizendo que ela não fazia um bom trabalho.
A acusação contra Mino, porém, não é a de escrever matérias sobre o tema. Uma interceptação telefônica mostra diálogo alegando que ele estaria "no bolso" de dois empresários. É verdade? É mentira? Não se sabe. Dou o benefício da dúvida ao jornalista, que se viu metido nessa situação embaraçosa e teve seu nome divulgado.
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Sobre Nassif x Mainardi

O relatório de Protógenes revela a origem da "briga" Nassif x Mainardi. Não, ela não nasceu de nenhuma disputa pelo controle do cosmos. É uma rusga, mesmo, uma rixa. Tudo começa quando Nassif publica uma coluna falando da quebra do 'off', referindo-se a Mainardi, que ferrou com a vida de um mensaleiro. Mainardi revida, e Protógenes mostra justamente esse "revide" em seu relatório.
É o tal 'release' republicado por Nassif, contendo os mesmos erros de português do original, enviado por um empresário. Alguns vão dizer "ah, mas é rival do Dantas". Sim, é. E o que Mainardi falou de Dantas? Que patrocinou o Mensalão e assim por diante.
Até porque continua valendo o concurso: encontre UMA ÚNICA COLUNA DE DIOGO MAINARDI ELOGIANDO DANIEL DANTAS E GANHE UMA MARIOLA DESTE BLOG. Não precisa ser duas, basta apenas uma. Só uma. E encontre uma coluna ou post em alguns blogs criticando pesado Dilma Roussef ou Lula, depois de janeiro deste ano, e ganhe CINCO mariolas deste blog.
Se não gostarem de mariola, troco por paçoquinha.
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Enfim
O relato de Tognolli é lúcido e reflete exatamente a bobagem de Protógenes. O que ele fez foi pura e simples perseguição. Quem escrevia um "A" sobre Dantas, qualquer que fosse a notícia, ganhava um 'selinho'. Alguns, por razões mais pessoais do que objetivas ou republicanas, preferem se deter nos desafetos e dizer que a parte em que são citados é a "válida" do relatório.
Risível.
A acusação mais grave paira, curiosa e ridiculamente, sobre Mino Carta. Depois disso, tudo o mais gira em torno da fusão Oi + BrT. Quem são, dentre os citados, os maiores críticos dessa fusão? Diogo Mainardi e Janaína Leite. Isso está em todos os arquivos.
Daí entra a última questão. No relatório preliminar, divulgado ilegalmente em alguns blogs e que nem mesmo foi aproveitado pela Polícia Federal, Janaína surge numa conversa apurando informações para uma matéria. Essa conversa saiu editada em um blog de baixa reputação.
Qual a parte editada? Aquela em que ela apura sobre empréstimos junto ao BNDES. Isso foi cortado. Deixaram a saudação e a despedida. Era como se a conversa não tivesse assunto algum.
Isso não é jornalismo, é apenas serviço.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 07.04.09 - 14:48:31 | 34 comentários
01/04/2009
GUERRA "SANTA": IGREJA UNIVERSAL X FOLHA DE SÃO PAULO
Recebi, via AdNews, o vídeo abaixo:
É, meus amigos... A FSP falou da IURD, a Record fala da Folha. Só não vale confundir essa Guerra "santa" com livre-concorrência. Ou vale?
transubstanciado por gravata às 01.04.09 - 17:17:15 | 17 comentários
19/03/2009
CARTA CAPITAL: COBRANÇA ABUSIVA? GOLPE?
Vejam só que coisa.
E podem chamar o blogueiro de tudo, menos de "membro do PIG"...
Dureza, não?
