Categoria: Futebol
02/07/2009
LULA: POPULISMO OU DESVIO DE FOCO?
Não sou favorável ao ritual de recepção de atletas quanto às razões populistas, mas sei que é "papel" do Presidente da República. Mas isso, como se sabe, é algo restrito às equipes nacionais: atletismo, voleibol, futebol, natação etc.
Lula, porém, recebeu o "timão" em Brasília, incluindo o evento na agenda presidencial. E nem precisamos perguntar se receberia o Inter, pois a resposta é óbvia: "não, não receberia".
Sabem por quê? No ano passado, quando seu time de coração perdeu para o Sport Recife, ele NÃO RECEBEU A EQUIPE VENCEDORA DA COPA DO BRASIL. Tudo que fez foi resmungar sobre um suposto pênalti.
Como cidadão, Lula tem todo o direito de fazer o que bem entender nas horas vagas. Mas, no papel de Presidente, ele não deve e nem pode ser um "torcedor de luxo", seja para qual time for. Sobretudo diante do momento de crise institucional pela qual passa o Senado, tanto mais diante do recuo de seu partido, que ontem sinalizava uma coisa, e hoje reitera o apoio a Sarney.
Foi-se o tempo em que o futebol se mantinha no plano das metáforas discursivas. O problema vai ser explicar aos torcedores do Rio Grande do Sul o porquê dessa desfeita. Aliás, aos torcedores de todo o Brasil. O povo pode não entender de economia e aceitar agradinhos e tapinhas nas costas, mas futebol é outra coisa.
É jogo truncado na zona do agrião.
transubstanciado por gravata às 02.07.09 - 19:36:55 | 15 comentários
28/06/2009
SELEÇÃO E AS DIVINDADES DO FUTEBOL
Sou cético, menos com futebol. Não acredito em deus, mas meus maiores questionamentos sobre ser agnóstico ou ateu ocorrem durante pelejas do bom e velho esporte bretão. Porque, vocês sabem, com futebol não se brinca. Tudo ali é sério demais e inequivocamente passa por santos, deuses, vibrações, cristais, pirâmides, orixás, forças elementares e uma porção de ziqueziras e saravás.
Daí minha preocupação diante da vitória de hoje.
Claro que comemorei. Gritei no primeiro, exagerei no segundo e quase perdi a voz quando Lúcio enfiou a cabeça e fez a bola explodir no gol norte-americano. Uma maravilha. Não há elegância alguma na torcida futebolística. Eis aí outra peculiaridade do ludopédio.
Tudo ia bem até que o locutor começou a enaltecer o técnico. Sim, Dunga. Nada contra: foi xingado, quase ofendido. Vá lá, receba os elogios. Mas do "parabéns" a coisa passou para "eis o fim de uma era". E então frases como "ele é o cara" e "agora é Dunga" vinham como se não significassem nada.
Mas significam.
Os deuses do futebol ouvem esse tipo de coisa muito atentamente. Como ouviram - podem apostar - a música "Voa, Canarinho, Voa", em 1982. Ou vocês ainda põem a culpa em Paolo Rossi ou naquela atrasada de bola do Cerezo? Em 1986, por exemplo, o lema era "70 neles", evocando uma seleção sagrada, comparando-a ao time com Müller, o goleiro Carlos e um Zico que já não era exatamente o Pelé do estádio Guadalajara. Deu no que deu.
Enfim, não se brinca com as entidades divinas do futebol, mas mesmo assim os narradores insistiam em passar dos elogios à grandiloqüência absolutamente desnecessária, já alçando Dunga à condição de um Kasparov da tática futebolística. Isso, é claro, diz menos sobre os méritos do técnico e mais sobre a culpa dos cronistas que o detonaram até agora.
Sou contra a execração dos treinadores e não acho que o torcedor tenha esse direito, pra começo de conversa. Mas também não apóio a tecelagem de loas em escala industrial. Felipão, quem não se lembra?, chegou ao Japão totalmente desacreditado, levando algumas broncas por não convocar Romário. Zagallo chegou à França praticamente com a taça na mão, chamado de mestre e a coisa toda. Vocês conhecem o final das duas histórias.
Enfim, é isso.
E como religião não é ciência exata, não me peçam para explicar o que houve em 1994. Há teólogos da bola que ainda estudam o caso. Os poucos que arriscam alguma conclusão alegam o seguinte: o técnico também chegou desacreditado e ganhou. Ponto. Mas a parte curiosa é o fato de que, mesmo vitorioso, continuou sem respeito algum como treinador - e ainda teve a chance de voltar para ter esse "desrespeito" reiterado.
Por isso, vamos aplaudir o trabalho do Dunga e pronto. Não passemos disso. Se começarem a fazer musiquinha, aquela coisa toda, tratemos de nos prepara ao pior. Não acredito em deus, mas com futebol não gosto de brincar. A coisa é séria.
