Categoria: Blogosfera
18/11/2009
PORTADECADEIOSFERA: VOCÊ PRECISA SABER EVITAR
A essa altura, estão em tramitação os preparativos da ida de Cesare Battisti à Itália. O STF assim decidiu, por 5 votos a 4. Houve empate, e coube ao Presidente da Casa votar. Por quê? Porque a questão é constitucional. É algo de natureza simples.
Mas aí entra a "portadecadeiosfera".
É incrível como há quem dê ouvidos a alguns "juristas da web", esses de vida acadêmica aplaudida por gente desconhecedora do direito, mas que não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade. Senão vejamos.
No caso de Battisti, alegaram que se trata de "questão penal". Isso porque ele matou pessoas e, bom, homicídio é crime. Sim, é verdade. Mas o STF não está julgando esses homicídios - eles servem, no máximo, como argumentação para demonstrar que não se tratavam de crimes políticos, mas crimes comuns, de modo a não subsidiar o refúgio concedido pelo Ministro da Justiça.
É isso.
O que o Supremo Tribunal Federal decidiu, portanto, é a EXTRADIÇÃO de Battisti, matéria eminentemente constitucional. E, nesse caso, é mais do que ÓBVIO que o Presidente do STF tem direito a voto. Desta feita, ele votou.
Não adianta dizer "pela milésima vez", senhores advogados de mentirinha. E talvez por isso vocês estejam fora do mercado, catequizando incautos em vez de pôr em prática, na raça, essa (falta de) conhecimento arrotada a quem não sabe o que é o Direito.
Porque nos debates internéticos prevalece o interesse partidário ou qualquer questão menor, sobretudo aos interlocutores ineptos a discutir esse tema. Seria como um físico nuclear ridicularizado em seu meio, com um blog repleto de leitores formado em sua maioria por entusiastas das artes plásticas, mas todos unidos pela adesão à mesma legenda política.
É assim que funciona a "portadecadeiosfera". Um finge que sabe, o outro finge que entende, e todos se dão por satisfeitos. A parte mais engraçada é quando citam a si próprios como "fonte". E olha que, quando me atrevi a debater em plagas desse gênero, fui por um deles indicado a tratamento psíquico (!).
Mas agora faz sentido. Havia ali alguma expertise não exatamente profissional, mas talvez adquirida por meio da condição de paciente. Mas não sou também especialista nisso. De todo modo, confio mais em meus diagnósticos nesse campo aos deles em matéria jurídica constitucional. O que seria da "portadecadeiosfera" se não fossem os amigos a dar assento em palestrinhas ou o conforto do magistério para escapar da competição do mercado, não é mesmo?
Extradição e refúgio são temas penais? Corram para as montanhas!
transubstanciado por gravata às 18.11.09 - 17:52:16 | 21 comentários
09/11/2009
IRÃ, UNIBAN E AS CONTRADIÇÕES DE SEMPRE
Há militantes legítimos e oportunistas, qualquer que seja a causa. Os primeiros, como sói, são seus defensores independentemente de circunscrição geográfica, bandeiras, cores, nomes e, claro, partidos políticos. Uma causa é uma causa, fim de papo. O segundo caso, comum no Brasil, é lamentável e ridículo, mas também um pouco engraçado.
Vejam, por exemplo, o recente e supercomentado caso da UNIBAN. A ex-aluna (a universidade a expulsou) foi pra aula com um vestido curto e quase foi linchada por centenas de colegas. Imediatamente, várias teses surgiram em defesa da moça e, claro, os militantes oportunistas aproveitaram para assinalar o tento partidário travestido de golaço ideológico.
Mas estão impedidos.
Lembro-me do Lingerieday, efeméride brincalhona na qual mulheres e homens colocariam fotos em trajes "de baixo" (ui) no Twitter. Uns foram contra porque tal coisa "objetificaria" as fêmeas e, de mais a mais, ali houve a "convocação do patriarcado" (é mole?). Um grande "condenador", por exemplo, organizava concurso de beleza no Orkut, cujo critério de desempate consistia no envio de fotos com as candidatas... TRAJANDO ROUPAS ÍNTIMAS!
Mas não pensem que essa gente fica aborrecida com detalhes menores, como "lógica" ou "fatos". Passam por cima de tudo e vão com a cara e a coragem também dar seus pitacos sobre o tal caso da UNIBAN. A saída? Simples: ela se veste assim porque quer.
Mas eis que surge Mahmoud Ahmadinejad. Ele, sim, está muito mais adiantado na pequena área, definitivamente impossibilitando qualquer condição de jogo. Vejam lá o bandeira sinalizando e apontando para o presidente do Irã! Pois é, não deu.
Ele, para quem não sabe, é o queridinho da rapaziada marota que condenou o Lingerieday (ok, aí faz sentido). Mas, vale dizer, esse pessoal esperto e bronzeado mostrou seu valor condenando a UNIBAN. Aí complica, não é? Porque no Irã, NOS DIAS DE HOJE, as mulheres são CIDADÃS DE SEGUNDA CLASSE.
Esqueçam bobagens como vestidos ou saias. A lei iraniana é uma verdadeira atrocidade contra as mulheres. Elas, por exemplo, não têm direito ao divórcio (como aos homens cabe essa prerrogativa, é no mínimo estranho o procedimento de separação...), nem ficam com os filhos maiores de sete anos. E, no caso de herança, ficam com a metade.
Obviamente, a legislação é fundamentada em preceitos religiosos. Os entusiastas de Ahmadinejad, em sua maioria, são ateus, alguns até mesmo defensores de campanhas para a divulgação do ateísmo ou coisa do tipo. Só eu vejo contradições aí? Já são quantas? Umas três, quatro?
Isso porque não falei dos gays, que são punidos com a morte naquele país, e por aqui são defendidos pela claque do presidente iraniano.
Mas qual motivo faria alguém passar tamanha vergonha de forma aparentemente voluntária? O compromisso maior, qual seja, o partidário.
Ahmadinejad é contra Israel e, por conseguinte (no raciocínio da manada), é inimigo dos EUA e, por conseguinte (idem), é "do bem". "O inimigo do amigo do meu inimigo é meu amigo.” Não importa se ele é o ditador de um regime que mata gays, espanca mulheres, nega o Holocausto e pretende eliminar Israel da face da Terra.
Para piorar – e piorou –, Lula convidou o simpatia para uma visita ao Brasil. Seria em maio, mas aquele processo eleitoral extremamente democrático em seu país, como sabemos, acabou atrasando os planos. Mas, como dizem: "agora, vai!". Ou melhor: ele vem.
Sabem os que atacaram as garotas que puseram fotos de lingerie no avatar do Twitter e ao mesmo tempo defenderam a menina que usou um vestido curtíssimo na faculdade (nem falo do concurso do Orkut, de tão constrangedor)? Não falarão nada ou talvez até mesmo defenderão Ahmadinejad.
Porque a causa é o de menos, fica sempre em segundo plano. Não são militantes legítimos, são oportunistas tacanhos que colocam sempre, sempre, o partido e seus amigos em primeiro lugar.
A grande prova é a pobre blogueira cubana Yoani Sanchez, que foi recentemente detida e espancada. Nossos arautos da "Liberdade na Web" sempre se calam sobre isso. SEMPRE. Mas por quê? Porque apoiam Cuba. São como aquela feminista que apoia Polanski. São como um hipotético movimento gay pró-Ahmadinejad.
Esses casos doentios de obediência cega ao partido geram bizarrices teratológicas. Militantes pela liberdade na web que se negam a defender a blogueira cubana porque DEFENDEM A DITADURA CASTRISTA?
E se Yoani blogasse de Honduras?
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 09.11.09 - 16:58:06 | 14 comentários
28/10/2009
VEJA E FRANKLIN MARTINS CONDENADOS A INDENIZAR COLLOR
Tanto a revista "Veja" quanto o atual Ministro de Lula foram condenados e, agora, devem indenizar o ex-Predidente da República Fernando Collor de Mello. A notícia mais recente é a da Veja. Mas, pra quem não sabe, Franklin também foi condenado.
Num caso, silêncio nos blogs de sempre. No outro, comemoração. Num caso, comentaristas e blogueiros-satélite sem dizer nada. No outro, rojões e festança.
Sei lá, né? Meio estranho. Até porque, vejam só, as duas ações são praticamente idênticas, o autor é a mesmíssima pessoa e as condenações decorrem de fatos pra lá de similares. Mas, enfim, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Daí eu digo isso e falam que é exagero da minha parte.
Parabéns aos envolvidos.
transubstanciado por gravata às 28.10.09 - 17:49:49 | 8 comentários
19/10/2009
"MÍDIA MÁ", MONSTRO ÚTIL PARA AS TESES PETISTOSFÉRICAS
Sim, há no Brasil poucos veículos de comunicação de grande porte. Assim como há poucas grandes indústrias siderúrgicas ou mesmo grandes mineiradoras. Em alguns casos, há verdadeiros monopólios: telefonia fixa, gás, eletricidade. Privatização de mentirinha.
Mesmo com poucos veículos, há competição. A tal "concentração", como alardeiam os que pretendem "democratizar" a mídia, é muito menor hoje do que ontem e, como se sabe, anteontem as coisas eram ainda piores.
Aliás, também sabemos de quais países eles são entusiastas e podemos citar o velho exemplo clássico (aquele do qual somos proibidos de falar): Cuba. Lá, como se sabe, a imprensa é controlada. Ou Venezuela, por exemplo, que tomou de assalto os meios de comunicação. Recentemente, aliás, a Argentina fez algo parecido.
Os "midialivristas" gostam desses países. Sigamos.
É importante, para eles, todos os petistosféricos, bater na imprensa. É importantíssimo "culpar" a mídia. E a coisa chega a pontos tão ridículos e abomináveis que, não duvido, eles próprios passam a acreditar nessas sandices.
Vejamos, p.ex., o caso recente da Folha de São Paulo, divulgando gravações da Polícia Federal. Vale repetir: GRAVAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL e, mais importante, todas elas obtidas com autorização judicial. E assim ficou provado que o filho de José Sarney e um ex-Ministro exercem influência sobre o gabinete de Edson Lobão, titular da pasta das Minas e Energia.
Qual foi a reação petistosférica? Culpa - sim: CULPA! - da Folha de São Paulo. Exatamente isso. O jornal foi CULPADO pelo fato de dar a notícia. Não importa se foi gravado pela PF e se o material foi obtido mediante autorização judicial. Simplesmente a Folha é culpada porque há, no Brasil, "concentração dos meios de comunicação". Ponto final.
Essa imbecilidade resulta de uma campanha mais ou menos psicológica, e coletiva, por meio da qual toda a mídia é má. A premissa é martelada repetidamente, e aceita parte por idiotice coletiva, parte por conveniência partidária.
Se não me engano, começou com o Mensalão. Logo que estourou a bomba, assumida pelos envolvidos, não havia como reagir. Empurram pra cá, empurram pra lá, os defensores a soldo do governo se saem com uma estratégia que passou a ser repetida até hoje: ANALISAR A MÍDIA.
É o seguinte. Antes, quando explodia alguma roubalheira, exigiam apuração e faziam passeatas. Hoje, é o contrário. Quando pegam alguém metendo a mão, PATRULHAM A IMPRENSA. Qualquer nota um pouco mais pesada é vista como: a) golpismo; b) escandalização do "nada"; c) exagero; e assim por diante.
E, nos blogs petistosféricos, não repercutem notícias ruins contra o Governo Federal. A desculpa é digna dos grandes momentos da história da cara de pau da humanidade: "JÁ FALAM MAL DO GOVERNO POR AÍ, ENTÃO NÃO É PRECISO MAIS UM ESPAÇO PARA ISSO". Ê, lasqueira!
Mas, quando é para xingar a oposição, adivinha o que fazem? Recortam e colam... NOTÍCIAS DOS MESMOS JORNAIS E REVISTAS DOS VEÍCULOS DA MÍDIA MÁ! Pois é.
O fato é esse: quando fala mal de tal partido, a imprensa não presta e sugerem, em caráter de urgência, todo tipo de reforma ditatorial para suprimir a liberdade dos meios de comunicação. Mas, quando algum jornalista defende o governo federal e/ou ataca a oposição, surge como "profissional sério" ou "exemplo de lucidez".
É aquilo de sempre.
(sem revisão porque a Hellen está dormindo...)
transubstanciado por gravata às 19.10.09 - 01:35:53 | 34 comentários
30/09/2009
"CASO RESENHA EM 6": TEXTO E COMENTÁRIOS
Diante de tudo que foi dito, talvez o ponto mais importante a essa altura seja a distinção entre o teor do post e os comentários publicados. Digo isso com experiência tríplice: réu, "parte interessada" e advogado. Já arquei com um processo desse gênero, já fui mencionado em outro e, bom, passei algum tempo estudando esse tipo de coisa.
Inicialmente, cumpre esclarecer: o conteúdo do post é inócuo e não fere coisa alguma. Os autores podem e devem ficar mais do que tranqüilos. Talvez haja algum problema nos comentários e aí, em especial nos dias de hoje, não há responsabilidade por parte dos donos do blog. Senão vejamos.
Sugeriram, no Twitter, que seria possível rastrear o comentarista intitulado como "administrador" do estabelecimento. E é verdade. Assim como é possível rastrear qualquer outro, pois todos ali são responsáveis pelo que escrevem e, nos dias de hoje, em especial por parte do Google, há tecnologia para tanto.
Em 2004, quando estourou o tal "Caso Imprensa Marrom", as tecnologias eram outras e o caso tramitou de outra forma. Sentamos na graxa por conta de um comentário de terceiro em post antigo, TAMBÉM DE TERCEIRO (era blog coletivo) e não havia nem como SABER da existência do tal 'comment'.
Hoje, não.
Um bom advogado, por exemplo, seguramente pedirá Antecipação da Tutela e, no pedido, falará dos comentários. O que o juiz faz? Defere e DETERMINA a quebra do sigilo dos comentaristas. Isso mesmo. OS COMENTARISTAS TÊM SEU SIGILO QUEBRADO. E não apenas o dono do blog.
Desse modo, por óbvio, cada qual é responsável individualmente por aquilo que escreveu - em especial se o jurista usou a orientação da Súmula 221 (STJ). Assim, é possível identificar se os tais "administradores" do tal boteco são de fato o que dizem ser, e também identificar a miríade de anônimos que disseram tudo aquilo que está publicado.
O Google tem tecnologia para isso e o juiz pode e deve deferir tal pedido. Em caso de deferimento (provável e teoricamente necessário), cabe à parte beneficiada pela decisão ir atrás disso. Caso desista, seja fazendo qualquer tipo de acordou ou medida congênere, segundo a qual o Google não seja obrigado a trazer aos autos os IPs dos comentaristas, trata-se de renúncia ao direito (desistência) e, por conseguinte, preclusão quanto a futuros requerimentos.
Nesse caso, fica impossível, futuramente, imputar responsabilidade pelos comentários ao autor do post, haja vista que: a) foi feito o pedido; e b) ele foi deferido. É preciso, pois, prestar muita atenção nisso, evitando-se assim entraves nas etapas seguintes. O Google não é responsável pelos comentários da mesma forma que o autor do blog também não o é - na hipótese de haver pedido de quebra de IPs dos comentaristas seguido de deferimento por parte do juiz.
Aos autores do blog, portanto, cabe a atenção para acompanhar eventuais ações judiciais entre o bar e o Google, para acompanhar esse pormenor.
Enfim
A dica é preciosa para as duas partes. O problema é que os mais de QUINHENTOS comentaristas passam a ser réus em pontencial. E o que era um exagero passa a ser uma exorbitância teratológica. Há justiça, é claro, pois os verdadeiros ofensores seriam punidos, mas surge aí uma verdadeira caça às bruxas.
A parte engraçada fica por conta da "Notificação Extrajudicial", o instituto que sempre foi motivo de chistes por parte da classe jurídica. Entende-se quando se trata de alguma medida preparatória necessária ou algo do tipo, mas essas notificações, convenhamos, são de lascar.
(acabei isso aqui e a revisora já tinha ido dormir, foi tudo na raça!)
transubstanciado por gravata às 30.09.09 - 00:42:51 | 8 comentários
02/09/2009
EXCLUSIVO: MAIS CENSURA NO BLOG DO PLANALTO
Não, não é piada. O medo das críticas é tanto, mas tanto, que nem mesmo os "trackbacks" são acessíveis ao leitor. Vejam, por exemplo, este post. Lá no final, informam que há "tantas respostas em blogs". Pois agora tentem acessá-los. Não conseguiram! Censura da grossa, rapaziada!
Além de NÃO PERMITIR COMENTÁRIOS, eles ainda por cima NÃO DÃO ACESSO AOS DEMAIS BLOGS QUE FALAM A RESPEITO DAS POSTAGENS. Qual a desculpa, agora? Vão dizer que "não há equipe suficiente"? Mentira. Lorota. Cascata. Esse mesmíssimo mecanismo permite.
Mas está travado. Por quê? Censura. E por que a censura? Medo. Exatamente em razão das trabalhadas vergonhosas de um governo que apóia Sarney - como agora, dando a seus apaniguados o controle da estatal controladora da exploração do pré-sal.
Ou então podem liberar "trackbacks" e "pingbacks", mas censurando este ou aquele blog, fazendo de conta que apenas amiguinhos falam a respeito do Blog do Planalto.
Já era.
Não é um blog. É a versão online da "Semana do Presidente", aquela que aturávamos aos domingos, no SBT, com narração do Lombardi. É uma mistura de publicação de Internet com repartição pública.
E com censuras vergonhosas.
transubstanciado por gravata às 02.09.09 - 20:45:55 | 26 comentários
31/08/2009
BLOG DO PLANALTO: ANÁLISE GERAL E INCONSTITUCIONALIDADE
(se estiver com preguiça de lengalenga, desça até os Aspectos Legais
)
Nesta segunda-feira, o Palácio do Planalto finalmente inaugurou seu blog. Muita gente não viu, pois passou boa parte do dia fora do ar. Ainda assim, curiosamente, tal fato não impediu que muita gente escrevesse de forma positiva sobre a iniciativa.
Afinal, "enquanto iniciativa", pode ser uma coisa boa. E pode mesmo. Mas, entre quedas e solavancos, consegui ler alguma coisa, ver aqui e ali. Acho que consigo fazer uma breve análise preliminar.
Da Ideia
É ruim e pobre para o debate de nossa blogosfera que muitos ainda se atenham para este primeiro tópico quando se proponham a discutir um veículo. Isso reflete a imaturidade de tal meio nas plagas tupinambás: demonstrando não apenas a distância dos políticos de Obama, mas também dos analistas tapuias daqueles que dialogavam com o presidente dos EUA.
Sigamos.
Sim, a ideia é boa. E, sim, a inexistência de espaço para comentários é uma porcaria. Igualmente: haver "trackbacks" e "pingbacks" é isso e aquilo. Mas, repito: essa é a pontinha do iceberg do debate. Manter TODA a discussão nisso é deter o debate na "questão da nerdaiada". É risível.
Mas enfim: trata-se de um avanço. E, por que não, uma iniciativa boa. Não importa se houve atraso (falo disso em seguida) ou se macaqueiam Barack Obama: o importante é apostar num mecanismo interessante de diálogo com a sociedade.
Mas, se o próprio Palácio do Planalto fala em "diálogo", a supressão dos comentários resulta em inequívoca forma de tolher as repercussões negativas. E não adianta fazer moderação, porque Obama foi corajoso o bastante para enfrentar a fúria dos tuiteiros, bem como alguns políticos aqui do Brasil – nem todos conseguem tal façanha.
As redes sociais, blogs incluídos, não são exatamente um mar de rosas. E, quando se trata de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (também falarei mais disso, adiante), as regras são outras. É diferente de divulgar um sabonete, uma concessionária ou algo do tipo. Há que se ter noção de algumas outras coisas e infinitos outros conceitos.
Publicidade vem sempre acompanhada de impessoalidade e, sim, transparência, abertura, diálogo etc. Não se aplicam apenas as regrinhas de um clube fechado chamado "social media", mas de um universo um pouco mais amplo chamado "administração pública" e/ou "política governamental".
Do Atraso
O Blog do Planalto foi planejado durante cerca de NOVE MESES, o que nos leva à analogia inevitável da gestação. A equipe é formada por profissionais da área, inclusive gente da equipe que cuidava do Governo Eletrônico da gestão da Marta Suplicy em SP.
Para dizer o mínimo, é assombroso que somente agora o veículo esteja no ar, sobretudo com essa forma e conteúdo. Não há nada, ali, que justifique tamanho atraso – inclusive praticamente todos os contratados já estavam recebendo salário havia meses (não cabendo a desculpa da burocracia).
Qualquer pessoa minimamente entrosada com a web consegue fazer um blog em alguns minutos. Com algum profissionalismo e um pouco de dinheiro, ele fica pronto em uma semana. Nove meses, convenhamos, é um atraso absolutamente inexplicável – considerando que se trata de dinheiro público.
Da Queda do Servidor
Essa, por óbvio, é a parte mais patética do episódio da estreia. O coordenador, Jorge Cordeiro, participa comigo do Interney Blogs e, assim como eu, recebe os relatórios sazonais de estatística de visitação. Há blogs deste condomínio, a depender do dia ou mês, com picos absurdos.
Uma das responsáveis pelo Blog do Planalto disse no Twitter que houve cerca de 4 mil acessos. Há cinco pessoas em tal equipe, o que torna INDESCULPÁVEL ninguém saber do óbvio dos óbvios: esse número é normalíssimo numa chamada "de pico".
Em suma: caso um grande portal passe link direto para tal blog, obviamente tantas mil pessoas imediatamente vão para lá. Qualquer pessoa que lida com internet sabe disso. Eu sei disso. As pessoas que recebem os relatórios do Interney Blogs sabem disso.
Os que operam o Blog do Planalto, porém, não deveriam saber. E, por isso, o blog ficou fora do ar boa parte do dia. Ou então – porque há, sem dúvida, essa hipótese – houve incompetência de alguém e/ou dos servidores da DataPrev.
Aspectos Legais
Esse é o famigerado momento em que a esposa do Sr. Porco faz movimentos circulares com a extremidade de sua cauda. Notem: não estou aqui dando MINHA OPINIÃO, nem estragando a festa dos outros. O que vai a seguir é o quanto disposto na CONSTITUIÇÃO FEDERAL DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Opções: a) mudar de país; b) publicar Emenda Constitucional; c) convocar Assembleia Nacional Constituinte (mas acho exagerado, emenda já resolve).
Vejamos:
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...)
§ 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos."
A atual redação do Artigo 37 é de 1998, oriunda da Emenda Constitucional de número 19, cujo fulcro era nada menos que a TRANSPARÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Mas vamos lá: o que é impessoalidade? Simples: nada de foto, nada de fulanizar, nada de transformar o governo e o Estado em PESSOAS.
Para tanto, há a explicação do parágrafo primeiro, de objetividade indiscutível: "dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens...".
Mas, claro, há que se aplicar princípios como o da razoabilidade, pois em alguns casos, por óbvio, uma foto é necessária, bem como alguma menção nominal. Mas daí a colocar UM BILHÃO DE VÍDEOS logo na primeira página?
Pois o legislador constituinte veda exatamente isso. Quando se fala em promoção pessoal, amiguinhos, é esse tipo de coisa que se busca coibir. Visitem o Blog do Planalto e entendam o porquê de ser denominado "Blog do Lula".
E releiam esse artigo da Constituição.
Agora, por favor, não me chamem de "xiita", ok? Não fui eu que escrevi a Constituição. Nem sou eu que a estou rasgando.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 31.08.09 - 20:16:06 | 22 comentários
23/08/2009
A FALÊNCIA DO MODELO "BLOGOSFERA POLÍTICA INDEPENDENTE"
Sempre que falam em "mídia independente", imagino o estereótipo do sujeito fortão, agressivo e valente, com uma camiseta escrita "Sou Heterossexual". Obviamente, trata-se de um caso clássico de homossexualidade mal escamoteada. Nenhum heterossexual sairia por aí afirmando sua predileção de forma tão peremptória, como se todos já desconfiassem previamente.
E isso vale para a tal "mídia independente", que hoje se concentra na blogosfera política. É um modelo natimorto, que prega essencialmente aos convertidos. Um caso recente, emblemático, serve de exemplo para mostrar a TOTAL DEPENDÊNCIA de boa parte dos que se declaram "independentes" e saem por aí dando palestras acerca dos problemas da "mídia tradicional".
O Conselho de Ética do Senado enterrou TODAS as acusações contra José Sarney. Isso mesmo: TODAS as acusações.
Sarney, portanto, foi inocentado por um Conselho do Senado Federal, do qual fazem parte (um deles o Preside) suplentes sem qualquer voto. De onde vieram? Simples - e trágico: Paulo Duque (PMDB/RJ) ocupa a vaga do governador Sérgio Cabral e Wellington Salgado (PMDB/MG) a do ministro Hélio Costa.
O escândalo foi tamanho que Mercadante, senador petista por SP, anunciou sua renúncia "irrevogável" do cargo de líder do PT no Senado Federal. Marina Silva já havia saído do Partido e Flavio Arns, senador petista pelo Paraná, anunciou que pretende sair do partido (estaria consultando o TSE).
Mercadante voltou atrás após levar um esculacho de Lula, Marina e Flavio prosseguem em suas decisões. Mas o que os blogs políticos que berram "independência" acharam por bem noticiar desse episódio todo?
NADA. Sim, nada. Coisa alguma.
Alguém vislumbra, nessa omissão, algum tipo de INDEPENDÊNCIA? Obviamente, é ridículo. Ainda por cima, em alguns casos, apontam para exageros "da mídia" e toda sorte de conspiração - como quando alguma pesquisa traz dados negativos sobre os candidatos por eles apoiados e logo dizem que há "fraude". A culpa é da "mídia" e blablablá.
Para piorar, além do silêncio nada obsequioso sobre mais um capítulo vexatório da história do senado, no geral, e do PT, em especial, resolvem "noticiar" ligações dos maridos de Lina Vieira ou mesmo de Marina Silva com processos judiciais ou coisa do tipo. No Senado? Nada aconteceu.
Essa é a "independência" dos "sem mídia". A coisa é tão ridícula que parte considerável dos "independentes" e "sem mídia", além de alguns apoiadores, recebem patrocínio direto de empresas públicas geridas pelo PT - e/ou às vezes colaboram com veículos por elas patrocinados. É a novilíngua petistosférica a serviço da distorção dos significados: "independência" passa a ganhar novos valores semânticos.
Obviamente, qualquer leitor atento debanda desse tipo de espaço e ficam, claro, os militantes. São os mesmos. Exatamente os mesmos. Eles pulam de blog em blog, dando-se a impressão de uma massa imensa, mas são EXATAMENTE OS MESMÍSSIMOS. Cem, duzentos, quinhentos, mil, dois mil? Não sei. Mas os mesmos.
Qualquer página de download de filmes, por exemplo, têm cerca de 100 mil acessos diários. Num dia mais agitadinho, desses com chamada de capa e texto mais polemiquinho, meu outro blog tem cerca de 20 mil acessos. O que isso quer dizer? Nada. É preciso diferenciar "leitor" de "acesso".
Assim como é preciso diferenciar "pessoa normal que lê um blog" de "militante que o visita para aplaudir feito claque". Eis aí a pregação aos convertidos. Porque o leitor com senso crítico realmente se afasta, vai embora, "sai avoado". E ficam os militantes, esperando, ávidos, por alguma tese - qualquer que seja - para defender o governo de alguma enrascada.
É assim que começa o processo de falência da "mídia independente". Aliás, não deixa de ser curioso que o primeiro encontro do grupo tenha sido no Maksoud Plaza (adivinha quem pagou tudo?) e boa parte da Executiva seja formada por gente que trabalha em campanhas petistas e/ou do PCdoB. Super "livre" essa "mídia", né?
Mas não vou aqui decretar o "fim" de todos os blogs, como aqueles que anunciam a morte política dos adversários para, em seguida, vê-los "ressurgir" mais vivos e fortes do que nunca. Contudo, especificamente quanto aos tais blogs autodeclarados "mídia livre", não há dúvida de que configurem um modelo falido e, claro, não são "livres" coisa nenhuma.
Falam o que o partido manda. Obedecem, caladinhos e feito cães adestrados. São os mercadantes da blogosfera. Sentam, rolam, fingem-se de mortos e, creiam, nem sempre ganham o biscoitinho. Mas, como vez por outra pinta um afago, é melhor não contrariar a chefia.
De mais a mais, há sempre a claque para, aparentemente, "lhes dar razão". E o mais patético de tudo isso é quando, esquecendo-se da própria falência, literal e figurativa, anunciam por aí que outros meios estão em via de extinção.
Piada involuntária.
transubstanciado por gravata às 23.08.09 - 13:23:31 | 29 comentários
11/08/2009
GRITA CONTRA GOLPE EM HONDURAS, MAS SILENCIA DIANTE DO MASSACRE NO HAITI? É CARA-DE-PAU!
Falei do Golpe no Haiti e daquele em Honduras. Fui (e sou) contra ambos. Mas causa estranheza quando vejo alguns que vociferam contra um e ignoram solenemente o outro. Chegam ao ponto de escrever algo em torno de dez, vinte textos, ou passar a madrugada no Twitter.
Mas NÃO PUBLICAM UMA ÚNICA LINHA CONDENANDO GOLPE E MASSACRE HAVIDOS NO HAITI, ALÉM DA PRESENÇA DO EXÉRCITO BRASILEIRO NAQUELE PAÍS.
Minha vez de fazer a "patrulha da patrulha", portanto. Já comentei o caso do Haiti, mas vale repetir:
Em 2004, Jean-Bertrand Aristide foi democraticamente eleito presidente do Haiti. Em seguida, foi seqüestrado por fuzileiros navais dos EUA e levado à África Central. Depois disso, o país foi dominado por "forças de paz" da ONU.
O Brasil, sob Lula, foi quem liderou (e ainda lidera) essas "forças" - provavelmente em busca de assento no tal Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso, e apenas isso, bastaria como um sinal de pouca afinidade para com a democracia. É o ex-sindicalista e ex-socialista então aliado a George W. Bush e suas práticas imperialistas.
Já imaginaram se fosse FHC? Pois é... Na Venezuela, chegaram e escrever libretos, e até hoje os vendem como "prova" de que tentaram dar um golpe por lá. No Haiti conseguiram, com seqüestro e tudo. Em seguida, Lula mandou o exército para garantir a efetivação do Golpe. Quem vai escrever o livrinho? O golpe foi televisionado?
Dizem que alguns lambedores de botas e comedores de verbas governamentais escreveram algo contra, mas JAMAIS na base do "Lula é um ditador". Isso porque não se pode falar mal do partido. É sempre isso: primeiro a legenda, depois a causa. E isso vale até para o direito à vida, guerras, genocídio, Golpes de Estado etc.
Sigamos, e entenderão.
A Wikipedia, em português, não traz qualquer baixa com exceção das militares (que sem dúvida merecem nosso pesar). Mas vejamos também as civis. Vejam trechos do que está escrito num site bem ao gosto dos que defendem Lula:
"Soldados brasileiros que voltaram do Haiti deram entrevista para o Jornal Folha de SP onde afirmaram que o nome “missão de paz” dava uma impressão errada do que estava acontecendo no Haiti. Um dos soldados identificado como “S”, explica: “Até parece que este nome é para tranqüilizar as pessoas no Brasil. Na verdade, não há dia em que as tropas da ONU não matem um haitiano em troca de tiros. Eu mesmo, com certeza, matei dois. Outros, eu não voltei para ver.” (Folha de SP, 29/01/2006). E o mais revoltante: desde 2005 as tropas da ONU têm chacinado haitianos em represália explícita por se manifestarem pela retirada das tropas e pelo retorno de Aristide – Titid, como o povo pobre o chama. Manifestações com dezenas de milhares de haitianos são reprimidas a bala pelas forças policiais e tropas da ONU. Quando as manifestações são muito grandes, no dia seguinte as tropas da ONU costumam fazer incursões em Cité Soleil – com 300 mil moradores é a maior favela na periferia da capital do país, Porto Príncipe – e atiram por horas sem parar contra as casas dos moradores, matando homens, mulheres e crianças. Só não matam idosos porque estes são raros no Haiti. A expectativa de vida é de 49 anos! Nessas incursões – chamadas de “punições coletivas” por alguns jornalistas presentes no Haiti – os soldados atiram de dentro de seus carros blindados, semelhantes aos “caveirões” usados pelo BOPE nas favelas do Rio, e também de helicópteros. Muitas pessoas, principalmente crianças, são atingidas na cama, enquanto dormem, por balas de calibre pesado que atravessam os telhados de suas habitações. Depois de contar e chorar seus mortos, o povo pobre de Cité Soleil volta às ruas protestando e é reprimido de novo! A situação de um povo desarmado enfrentando forças externas tão poderosas como essas, pode aniquilar física e psicologicamente toda uma geração. Os que buscam se organizar ou participar de movimentos de resistência são mortos ou presos sem motivo, ilegalmente. Depois de presos sofrem torturas e geralmente são “desaparecidos” pela Polícia Nacional. Já são incontáveis os presos políticos e ativistas desaparecidos." (grifos nossos)
E se acham que o link passado é "radical" demais (ainda que traga trechos de reportagem da FSP), podem ficar também com esse. Ou então lembrar daquele jogo da seleção, com uma escolta absurda. Ou, sei lá, visitem o Haiti
O Exército Brasileiro está no Haiti por decisão exclusiva de Lula, não por força de ordem judicial ou ato vinculado. Seu comandante-em-chefe é o Presidente da República e, por óbvio, é o direto responsável por tudo que acontece.
Quando alguém condena o que houve no Iraque, por exemplo, obviamente não culpa o general ou almirante tal. É George Bush, pois a decisão foi dele ou, no ao menos, foi do Presidente dos EUA a responsabilidade pela invasão. Pois bem: isso tudo, no Haiti, é culpa e responsabilidade de Lula.
Quem, desses blogueiros da petistosfera, o chamaria de "ditador"? Quem dirá que ele é responsável pelo massacre? Dessa turminha que passa horas falando de Honduras, com direito a "hashtags" e tudo mais, quem aponta o dedo para o Presidente do Brasil e pede que renuncie por crimes de guerra? Duvido.
Por quê? Repito e sem medo de errar, pois aposto na covardia de todos eles, bem como no papel de capacho que cumprem: primeiro estão comprometidos com o partido, depois com qualquer que seja a causa (e isso, para espanto geral, inclui o direito à vida, e até genocídio).
É isso que temos: um grupo reclamando diuturnamente contra o golpe em Honduras, mas covardemente calado quanto ao que houve e há no Haiti. Por quê? Porque o PT, o "partido do coração", pode ter algum tipo de complicação eleitoral nesse caso.
Não há preocupação alguma com a vida humana. Não há preocupação alguma com a liberdade das pessoas. Não há preocupação alguma com as instituições. Não há nada disso.
São caras-de-pau. Fazem campanha política às custas do sofrimento alheio. Sempre fizeram, sempre farão. É disso que vivem, não é mesmo?
transubstanciado por gravata às 11.08.09 - 20:02:25 | 16 comentários
11/08/2009
O NOVO MOVIMENTO "CANSEI"
Há comentários, no post abaixo, sobre a mutreta no blog de apoio à Dilma. Alguns se dizem "cansados" do blog (de quando em vez, muitos o visitam para dizer isso). Claro, é patrulha. E isso está tão jogo duro que já criaram até a expressão "patrulha da patrulha" para que possam patrulhar em paz.
Mas como há gente de efetiva boa fé, como o Vinícius, leitor de verdade e reconhecido como tal (quase sempre crítico, mas nem por isso um "inimigo"), presto aqui o esclarecimento necessário.
Além disso, é claro, também me dirijo aos que aproveitam a onda para fazer fuzuê partidário, na base da "queixa oportunista".
A esses, alguns pontos e questões:
a) Se o que eu falar for IMPROCEDENTE, por favor, apontem meu erro que corrijo o post imediatamente;
b) O problema REAL é contra o único tema DESTE blog ou com o fato de,hoje, o governo federal estar nas mãos do PT?;
c) Vocês também cobram os blogs de apoio a Lula e Dilma que parem de falar mal dos adversários, mesmo atualmente ocupando apenas governos estaduais e municipais ou - pior ainda! - criticando-os como OPOSIÇÃO?;
d) Notem que fui praticamente apedrejado por ter feito "um blog anônimo" (que não era anônimo). Mas boa parte dos apedrejadores ENALTECEM blogs igualmente anônimos e com conteúdo EFETIVAMENTE DOTADO DE XINGAMENTOS, como o tal "Cloaca News". Mereci post condenatório em blog que LINKA o tal "Cloaca" e põe selinho do "Dilma13" (cheio de postadores não identificados). Pergunto: a identificação do dono de um blog é importante apenas de acordo com quem seja criticado nos posts?
Pois bem, reflitam.
Quanto ao Mais
Este é um blog particular, exclusivamente privado. Não é um veículo de comunicação de grande porte ou coisa que o valha, nem tenho lucro ou algo do gênero. Tudo que faço aqui - acreditem! - é por prazer (vai entender esse masoquismo).
Os que REALMENTE são leitores do blog vão lembrar de quando, entre xingar um ou outro partido, me ATREVI a cobrar da petistosfera que se pronunciasse sobre as acusações sobre a TV Brasil. Imediatamente fui atacado. E o ataque foi PESSOAL (como sempre, claro, aquela coisa ad hominem).
Foi algo tão ridículo que a "descoberta" consistia no seguinte (isso em 2008!): "Gravataí Merengue, na verdade, se chama Fernando Gouveia" - isso porque meu nome já era algo sabido desde 2003 e, em 2004, ele saiu em jornais de grande circulação de SP, RJ, PR etc. E também a "bomba": eu trabalhava com a Soninha (fato divulgado DESDE MINHA CONTRATAÇÃO - com o requinte de ter publicado alguns convites para eventos abertos aqui mesmo no blog).
Enfim, o típico trabalho jornalístico de quem nunca precisou fazer efetivamente uma reportagem. Coisas de sindicato.
E isso, como não poderia deixar de ser, contou com a colaboração efetiva de colegas do gabinete. Sim, foi o que houve, pois mesmo lá eu era considerado "o cara da direita" - praticamente todo mundo me chamava assim ou me qualificava dessa forma (basicamente por não gostar do PT, como acontece em qualquer discussão ideológica no Brasil, e isso merece discussão em outro post).
O "adversário", naquela peleja, tinha colegas lá dentro, da época de sindicato. Mas nada foi feito de forma sacana, não nesses contatos e não da parte do "adversário". Mas isso demonstrou, para mim, que àquela altura o mínimo que poderia fazer era publicar um texto igualmente ad hominem. E foi o que fiz, identificando a empresa do blogueiro "adversário", as relações financeiras com gestões petistas e campanhas de candidatos do PT etc.
Parei por aí, ficou nisso e, como quem comemora gol impedido, a claque do outro lado curiosamente até hoje diz "foi massacrado" (sim, dizendo isso a mim!!!).
Vida que segue.
Passado esse episódio, e já bem emputecido com a patrulha da rapaziada, resolvi fazer UMA MÍSERA OBSERVAÇÃO NO TAL "DOSSIÊ VEJA". E quem acompanhava as coisas sabe bem do que se tratou o fato. Foi uma observação sobre um capítulo e nada mais que isso.
No dia seguinte, recebi a acusação de ser "cooptado". Depois disso, com textos em minha defesa de vários setores da blogosfera, o pedido de desculpas saiu para terceiros e quartos acusados, mas não para mim. E ficou nisso. Sempre assim e até agora assim.
E, desde então, não fui eu que "mudei de lado", mas "o lado que mudou de mim", pois passei a receber todo tipo de ataque que jamais imaginei ser possível. Era como se efetivamente não houvesse (e, para eles, não há) qualquer tonalidade cinza: tudo é preto e branco. E um deles, preto ou branco, achou por bem cair matando (talvez seguindo o raciocínio: "Ok, ele não é mais dos nossos, o jeito é desacreditá-lo").
De minha parte, dali até hoje, a coisa evoluiu (evoluiu?) da defesa para o ataque, para a picuinha, para a piada, para a brincadeira, para a gozação. Porque, antes e acima de tudo, este blog é um espaço para eu me divertir.
Já esquento demais a cabeça com meu trabalho, não sou remunerado para escrever aqui, não tenho patrocínio empresarial ou governamental ou coisa que o valha. Nada, nada, nada. O máximo que posso fazer, já que ganhei essa pilha de aborrecimentos é, pelo menos, encher o saco de quem me enche.
Ah! E até a presente data não estou sendo processado por ninguém. O único processo que este blog já levou, até hoje, foi aquele de 2004. Depois, nunca mais. E eu, eu mesmo, nunca na vida fui processado. Sempre que ouvirem ou lerem a frase "estou processando o blogueiro...", peçam cópia dos autos, porque não sou eu (ao menos, até a presente data).
Muito obrigado.
Ah, já ia esquecendo... E o PAC, hein? 60% nem saiu do papel, rapaz. E parece que nem 8% está pronto! Que mãe desnaturada!
Revisão: Hellen Guareschi
