DITADURA BOA E DITADURA RUIM
30/01/2011
DITADURA BOA E DITADURA RUIM

Não sei vocês, mas eu sou contra TODO TIPO DE GOVERNO AUTORITÁRIO. Pouco importa quem sejam os "aliados" ou que tipo de bandeira o ditador use como subterfúgio para subjugar seu povo. Se não há democracia ou liberdade, não consigo compactuar - tanto menos defender. Infelizmente, porém, não é o que acontece com parcela da militância brasileira.
A bola da vez é o Egito, que vive sob um regime autoritário há três décadas. Todo mundo em sã consciência é favorável à derrubada desse governo, DESDE QUE SEJA INSTALADA UMA DEMOCRACIA. Vamos ver o que fará a "Irmandade Muçulmana" (é quem lidera os protestos) na hipótese de lograr êxito. Seria definitivamente um ótimo exemplo para o Oriente Médio, região não exatamente abençoada quando o assunto é "voto direto" e "direito a fazer oposição". De todo modo, não custa apostar.
O problema é que há muito militante brasileiro torcendo pela, hm, "vitória revolucionária" no Egito pelo fato de que o atual governo - sim, uma ditadura que merece acabar - seria aliado dos EUA, atuando no conflito Israel x Palestina. E isso fica patente quando OS MESMOS MILITANTES (sempre brasileiros...) não apenas são lenientes, mas em alguns casos até ENTUSIASTAS de outras ditaduras.
Recentemente, o Irã foi palco de uma espécie de golpe mal escamoteado, gerando protestos pelo mundo. Os que hoje defendem a Irmandade Muçulmana no Egito, pra quem não se lembra, eram naquela época contra as manifestações iranianas oposicionistas. A coisa ia do silêncio obsequioso, passando pela troça até chegar ao suposto "debate sério", tentando ora demonstrar que ali há uma democracia (???) ou qualquer outro argumento igualmente estúpido.
Cuba, sempre Cuba, também não pode jamais ser esquecida. É uma ditadura que prende e mata, mas é DEFENDIDA COM UNHAS E DENTES por boa parte dos militantes que exigem a derrubada do ditador do Egito. Não consigo entender tamanha preocupação com o povo do Nilo enquanto há tanto descaso - deles próprios - para com nossos irmãos latinos da ilha-presídio.
Podemos também citar a Venezuela, sem dúvida alguma, já que até velhinha de Taubaté (não sei seu autor) sabe que se trata de um regime autoritário. Nossos militantes, porém, defendem o governo opressor. Como fazem com Cuba. Como fazem com o Irã. São aquela gente que se diz "feminista", mas não dá um 'pio' diante da prisão e possibilidade de apedrejamento de Sakineh.
Há aqueles patrocinados por estatais ou de alguma maneira muito bem remunerados para não melindrar o partido que lhes financia. Mas é incrível quando alguns energúmenos REALMENTE defendem ditaduras X, Y, Z e atacam A, B e C. O motivo? Suposta ideologia, cor da bandeira etc.
Não espere que esses patetas algum dia sejam contra a ditadura cubana, porque nunca serão. Nem contra a opressão sofrida pelo povo venezuelano ou as mazelas do Irã - além de muitos outros casos que são "deixados de lado" pelo alinhamento dos ditadores (alegam esquerdismo - em pleno Século XXI -, são contra os EUA, são contra Israel etc.). Isso basta para ganhar o silêncio ou a simpatia de nossos militantes.
No fundo, para eles, o grande erro do ditador do Egito não consiste em seu autoritarismo, mas na tonalidade ideológica que ele poderia ter adotado. Se o regime egípcio fosse contra Israel e os EUA, as manifestações de hoje seriam repudiadas como foram as do Irã, Cuba, Venezuela etc.
Vale reiterar: aguardemos as eleições diretas que a Irmandade Muçulmana vai convocar, na velha tradição democrática do oriente médio, sobretudo aquela porção dominada por forças religiosas extremistas.
Ainda assim, é ponto positivo tirar um ditador do poder e, quem sabe?, mandá-lo para a prisão. Eu defendo, claro, aguardando um segundo passo democrático. É o mesmo que desejo a Cuba, Irã, Venezuela e tantos outros. E os militantes brasileiros? Por que repudiam algumas, mas idolatram outras ditaduras?
Acho que todo mundo sabe, né?
transubstanciado por gravata às 30.01.11 - 16:04:02 | 13 comentários
Comentários, Pingbacks:
E quando esse blog apoiou o golpe em Honduras? É dessa parte da militância que você está falando.
Cuba é uma ditadura mesmo, mas por aqui ela só serve para justificar os mal feitos que fazem por aqui.
Até quando o Serra foi pego pelo wikileaks, trataram de falar em Cuba.
Devia existir uma lei de Godwin para esse caso...
(Gravz: Epa! Nunca apoiei golpe em Honduras. Pegue os textos da época e veja com atenção, até porque houve depois eleições etc. Nem sei que apito toca o novo presidente de lá, mas se for autoritário eu sou automaticamente contra. Quanto a Cuba, você está certo, já criaram uma lei parecida - tentaram criar, na verdade. A militância brasileira fica tão envergonhada quando falamos sobre tal lugar que o ideal seria proibir sua citação, já que eles não conseguem correr para lado nenhum - exceto assumir o óbvio e reconhecer que os didatores de lá são... ditadores e precisam deixar o poder. O cerne do texto - e para você é preciso explicar, nem acho que seja mais caso de má-fé, mas dificuldade - é demonstrar a seletividade quanto às ditaduras. Uma podem, outras não. E o que determina isso é a bandeirinha que escolhem para usar de desculpa na hora de massacrar a população)
Abs
(Gravz: Uma característica das ditaduras é o fato do povo não poder fazer muita coisa, sob pena de haver massacre. E há massacres de sobra para exemplificar. Não acho, é claro, que se deva sair por aí invadindo os países. Mas daí a NÃO EMITIR OPINIÃO NUM BLOG? O centro de tudo são os imbecis que defendem algumas ditaduras e repudiam outras)
O mais provável que aconteça é que surja um governo autoritário (quase uma teocracia, mas não abertamente), onde a democracia é apenas uma fachada e a verdadeira orientação é a Sharia, de forma parecida como o Irã funciona.
Para todos os fins de comparação, a única democracia de fato no Oriente Médio é Israel, e continuará sendo após esses tumultos, seja qual for o desfecho.
A verdade é que o povo de vários países da região não tem instrução adequada, vivem na mais profunda miséria - enquanto os governantes nadam em petrodólares - e com isso são presas fáceis para os fanáticos religiosos que prometem o paraíso de Aláh.
Uma equação delicada e virtualmente explosiva.
Longe de revolta popular, o que está acontecendo no Egito é simplesmente mais um levante insuflado por fanáticos religiosos radicais pró Irã.
Mesmo que a ditadura caia, dificilmente a democracia e as liberdades fincarão pés por lá.
(Gravz: Doce com Mubarak? Releia o texto. Quero mais é que ele se exploda. Falei daqueles que atacam certas ditaduras e defendem outras. Gente que adora Cuba, venera a Venezuela e, mais recentemente, precisa fazer cafuné no Irã por conta do partido querido...)
\o/ vivas ao povo do Egito.
(Gravz: Você escreveu isso a sério? Eu às vezes tenho um pouco de medo de alguém realmente pensar assim)
Só pode ser isso. Não acredito que ele tenha tamanha má fé.
Dois pontos:
1- Democracia não é a vontade da maioria mas também respeito aos direitos das minorias. Alguém aí em cima falou o contrário, o que é terrível. Não é facultado poder absoluto ao governo mesmo que a maioria da população assim o deseje. O maior exemplo (sempre ele) é o extermínio de judeus pelos alemães. Mesmo que a população alemã apoiasse isto, isto não seria democrático.
2- Honduras é, no mínimo, controverso. A constituição manda cassar os direitos políticos de quem quiser implementar mecanismo de reeleição. O caudilho lá fez uma consulta à suprema corte sobre isto (a possibilidade de se fazer plesbicito sobre introdução ou não de regra de reeleição). A corte negou esta possibilidade (questão constitucional). O valente, então, consegue material eleitoral com a Venezuela (foi este país que enviou o dito material a Honduras) e manda as forças armadas aplicarem o plesbicito. A Suprema Corte, então, determina o cassamento dos direitos políticos do caudilho (de acordo com a constituição). O exército não muda de lado, prende o fascínora, empossa o segundo na linha de sucessão, que convoca novas eleições. ONDE ESTÁ O GOLPE??????????? DEMOCRACIA NÃO É PODER ABSOLUTO AO FASCÍNORA DE PLANTÃO!!!!!
Saudações.
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