SINDICALISTA ENTREGA A RAPADURA DO PT
16/08/2010
SINDICALISTA ENTREGA A RAPADURA DO PT
Até "Caso Lunus" Entra na Parada...
Wagner Cinchetto, ligado a duas centrais sindicais, resolveu abrir o bico, contando o funcionamento de parte do chamado 'esquema de espionagem' usado pelo PT em 2002. A revista VEJA (reportagem de Policarpo Jr. e Otávio Cabral) publicou entrevista que vale ser lida:
Qual era o objetivo do grupo?
A idéia era atacar primeiro. Eu lembro do momento em que o Ciro Gomes começou a avançar nas pesquisas. Despontava como um dos favoritos. Decidimos, então, fazer um trabalho em cima dele, centrado em seu ponto mais fraco, que era o candidato a vice da sua chapa, o Paulinho da Força. Eu trabalhava para a CUT e já tinha feito um imenso dossiê sobre o deputado. Já tinha levantado documentos que mostravam desvios de dinheiro público, convênios ilegais assinados entre a Força Sindical e o governo e indícios de que ele tinha um patrimônio incompatível com sua renda. O dossiê era trabalho de profissional.Os dossiês que vocês produziam serviam para quê?
Fotografamos até uma fazenda que o Paulinho comprou no interior de São Paulo, os documentos de cartório, a história verdadeira da transação. Foi preparada uma armadilha para “vender” o dossiê ao Paulinho e registrar o momento da compra, mas ele não caiu. Simultaneamente, ligávamos para o Ciro para ameaçá-lo, tentar desestabilizá-lo emocionalmente. O pessoal dizia que ele perderia o controle. Por fim, fizemos as denúncias chegarem à imprensa. A candidatura Ciro foi sendo minada aos poucos. O mais curioso é que ele achava que isso era coisa dos tucanos, do pessoal do Serra.Isso também fazia parte do plano?
Como os documentos que a gente tinha vinham de processos internos do governo, a relação era mais ou menos óbvia. Também se dizia que o Ciro tirava votos do Serra. Portanto, a conclusão era lógica: o material vinha do governo, os tucanos seriam os mais interessados em detonar o Ciro, logo… No caso da invasão da Lunus, que fulminou a candidatura da Roseana, aconteceu a mesma coisa.Vocês se envolveram no caso Lunus?
A Roseana saiu do páreo depois de urna operação sobre a qual até hoje existe muito mistério. Mas de uma coisa eu posso te dar certeza: o nosso grupo sabia da operação, sabia dos prováveis resultados, torcia por eles e interveio diretamente para que aparecessem no caso apenas as impressões digitais dos tucanos. Havia alguém do nosso grupo dentro da operação. Não sei quem era a pessoa, mas posso assegurar: soubemos que a candidatura da Roseana seria destruída com uns três dias de antecedência. Houve muita festa quando isso aconteceu.Nunca se falou antes da participação do PT nesse caso…
O grupo sabia que o golpe final iria acontecer, e houve uma grande comemoração quando aconteceu. Aquela situação da Roseana caiu como uma luva. Ao mesmo tempo em que o PT se livrava de uma adversária de peso, agia para rachar a base aliada dos adversários… Até hoje todo mundo acha que os tucanos planejaram tudo. Mas o PT estava nessa.Quem traçava essas estratégias?
O grupo era formado por pessoas que têm uma longa militância política. Todas com experiência nesse submundo sindical, principalmente dos bancários e metalúrgicos. Não havia um chefe propriamente dito. Quem dava a palavra final às vezes eram o Berzoini e o Luiz Marinho (atual prefeito de São Bernardo do Campo). Basicamente, nos reuníamos e discutíamos estratégias com a premissa de que era preciso sempre atacar antes.O então candidato Lula sabia alguma coisa sobre a atividade de vocês?
Lula sabia de tudo e deu autorização para o trabalho. Talvez desconhecesse os detalhes, mas sabia do funcionamento do grupo. O Bargas funcionava como elo entre nós e o candidato. Eu ajudei a minar a campanha do Lula em 1989, com aquela história da Lurian. Eu e o Medeiros (Luiz Antônio de Medeiros, ex-dirigente da Força Sindical) trabalhávamos para o Collor e participamos da produção daquele depoimento fajuto da ex-namorada do Lula. O grupo se preparou para evitar que ações como aquelas pudessem se repetir - e fomos bem-sucedidos.De onde vinham os recursos para financiar os dossiês?
Posso te responder, sem sombra de dúvida, que vinham do movimento sindical, principalmente da CUT. Se precisava de carro, tinha carro. Se precisava de viagem, tinha viagem. Se precisava deslocar… Não faltavam recursos para as operações. Quando eu precisava de dinheiro, entrava em contato com o Carlos Alberto Grana (ex-tesoureiro da CUT), o Bargas ou o Marinho.Quem mais foi alvo do seu grupo?
O plano era gerar uma polarização entre o Serra e o Lula. Por isso se trabalhou intensamente para inviabilizar a candidatura do Garotinho, que também podia atrapalhar. Não sei se o documento do SNI que ligava o vice de Garotinho à ditadura saiu do nosso grupo, mas posso afirmar que a estratégia de potencializar a notícia foi executada. O Garotinho deixou de ser um estorvo. E teve o dossiê contra o próprio Serra. Um funcionário do Banco do Brasil nos entregou documentos de um empréstimo supostamente irregular que beneficiaria uma pessoa ligada ao tucano. Tudo isso foi divulgado com muito estardalhaço, sem que ninguém desconfiasse que o PT estava por trás.
O Estadão publicou reportagem no dia seguinte, procurando os envolvidos, mas sem muito êxito (trechos a seguir):
"Sindicalista denuncia arapongagem do PT em 2002 - Antigos companheiros do presidente Lula formaram um núcleo de arapongagem em 2002 para espionar e promover ataques a adversários do petista que, na ocasião, disputava pela quarta vez consecutiva o Palácio do Planalto. A denúncia é do sindicalista Wagner Cinchetto. Ele afirma ter integrado o grupo que teria como principal estratégia atribuir à campanha de José Serra (PSDB) a autoria de ações clandestinas. Uma dessas investidas, afirmou Cinchetto à revista Veja, foi a polêmica operação da Polícia Federal que, naquele ano, recolheu na sede da empresa Lunus R$ 1,34 milhão, dinheiro vivo e sem origem declarada que seria do caixa 2 da campanha de Roseana Sarney (PMDB), hoje governadora do Maranhão e então pré-candidata à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. "O Lula sabia do núcleo e deu autorização", afirma Cinchetto. "Tinha um plano para detonar a campanha da Roseana", disse ele ao jornal O Estado de S. Paulo, ontem. "A gente tinha uma pessoa infiltrada na operação Lunus. Orientamos para ligar ao Palácio do Planalto para dizer que tinha dado tudo certo. Ficou a impressão digital do Serra. Quando a Roseana atacou o Serra o grupo festejou, teve comemoração. O PT estava nessa. Todo mundo acha que os tucanos planejaram." O sindicalista conta que "quem dava a palavra final às vezes eram o Berzoini (Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT) e o Luiz Marinho (prefeito de São Bernardo do Campo)". "Quando a gente precisava de dinheiro falava com o Carlos Alberto Grana, tesoureiro da CUT, ou com o Marinho e o Bargas (Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho)." (...) O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que considera inverídicas as declarações de Cinchetto à revista Veja. "Não tenho nada a declarar. Não conheço esse senhor (Cinchetto), nunca o vi. Veio da Força Sindical, rival da CUT", limitou-se a comentar. Procurado pelo Estado, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) não deu retorno à ligação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo." (grifos nossos)
Os Fatos e o "Método da Desqualificação"
As acusações são sérias e, depois de tantos anos, curiosamente são todas muito verossímeis. De 2002 para cá houve Mensalão, Dossiês os mais variados, quebras de sigilo e uma pletora de casos nos quais alguns se meteram em enrascadas usando até mesmo órgãos do Estado para violar direitos de adversários.
Para aferir a veracidade inapelável da narrativa de Cinchetto, seria preciso instaurar o devido processo, ouvir todas as partes e assim por diante. Berzoini, por exemplo, não quis falar com o Estadão. É um direito que lhe assiste, sem dúvida, mas evidentemente não colabora com a situação. O presidente do PT diz o seguinte "não tenho nada a declarar" - a velha frase que, no fim das contas, consiste numa declaração e tanto.
Daí surgem os defensores de sempre, de um jeito ou de outro ligados ao partido ou a administrações geridas pelo PT, mediante contratos firmados por licitação ou havendo dispensa. Em tais blogs, quem cai sob investigação é o sindicalista. E a imprensa. E, se não tomarmos cuidado, eu e você, também.
A parte curiosa é a seguinte: HOUVE UMA CONFISSÃO. O dito-cujo não se revela um santo, ao contrário, alega ter feito parte de um esquema bara-pesada no tabuleiro magistral de xadrez de 2002. E já tinha bagunçado o coreto em 1989. Ele próprio traz suas credenciais, o que seria até mesmo inócuo quando se trata de algo como a "delação". Não que tal prática seja bonita de se ver, mas em alguns casos só se conhece alguns detalhes quando alguém resolve abrir o bico.
As evidências e os fatos estão TODOS contra o PT, e a culpa é exclusivamente do partido porque de 2002 para cá só se meteu em encrencas usando exatamente métodos como os relatados pelo sindicalista - alguns até piores, diga-se. O mínimo que se esperaria, portanto, seriam respostas contundentes. Mas pelo visto fugiram - e puseram os mesmos de sempre para desqualificar testemunha, imprensa e os inimigos imaginários da "revolução" (o partido está no poder há 8 anos, mas na hora do aperto sempre se faz de vítima como se fosse um pobre-coitado).
Não que alguém com um mínimo de inteligência ainda caia nisso, mas na falta de qualquer desculpa, é o que resta. A outra opção seria confessar.
ps - se querem saber minha opinião, A PF TINHA MAIS É QUE DESBARATAR O DINHEIRO ILEGAL DA ROSEANA SARNEY, MESMO! Mas o que não pode é atribuir uma ação - agora oficial e definitivamente legítima - a esta ou aquela campanha. Ou melhor, segundo o sindicalista, talvez seja obra 'daquela' campanha. Mas, como digo, vale apurar. Os petistas, até sábado, garantiam que era obra de uma campanha. Agora, quem sabe, dirão que foi uma operação normal da Polícia Federal.
transubstanciado por gravata às 16.08.10 - 15:14:17 | 5 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: 14/07? Vou lá agora. Vc encontrou algo desabonador sobre o sujeito que condenara liminarmente? E algo 'abonador' sobre quem disse merecer toda a dose de confiança? Foi sua reação IMEDIATAMENTE após a publicação dos fatos envolvendo o dossiê com a galerinha no restaurante de Brasília e, depois disso, revelou-se a quebra do sigilo do dirigente do PSDB, além de tantas outras coisas. Lanzetta, por sinal, foi afastado da campanha de Dilma. Tanta água passou por debaixo da ponte que estou até curioso para ler sua resposta. Espero, claro, que esteja falando sobre isso, pois foi questionada sobre esse tópico - depois do qual, curiosamente, sumiu do blog por uns tempos...)
(Gravz: Fabiana, fui ao post do dia 14/07 e vi seu comentário. É esse:
http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2010/07/14/dossie_em_campanha_secretario_da_receita/#c614688
Você CONDENOU liminarmente o delegado que revelou o esquema. Lanzetta e o tal jornalista foram absolvidos. Não vi qualquer argumento ou fato que subsidiasse condenação ou absolvição, perguntei quais seriam suas provas para essas opiniões e, dali em diante, você não voltou ao tema. Foi o que houve. Não sumi com comentário algum e, se você tiver esses argumentos, pode publicá-los numa boa, aqui ou em qualuqer lugar, o espaço é livre. Aliás, se tiver mesmo as provas, seria um alento para todos, pois ninguém publicou em lugar algum)
(Gravz: Comentei seu comment anterior, fui atrás da postagem mencionada, tive que fazer isso pelo editor do blog, e demora um pouco)
(Gravz: Também acho que o Onézimo não tinha que estar ali, fora que a EXISTÊNCIA de uma reunião assim, por si, é uma porcaria para a democracia. De todo modo, foi reunião marcada por um núcleo de campanha e, para todos os efeitos, ninguém ali estava no papo para falar de amenidades. Onézimo, delegado aposentado, pelo que deu a entender gravou tudo. Os demais aparentemente não tiveram o mesmo cuidado e, em vez de processá-lo, como antes declaravam, deixaram quieto. O jornalista do tal livro-bomba também não publicou coisa alguma. Ficou tudo por isso mesmo)
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