A DEMISSÃO DO JORNALISTA DA ABRIL: OS FATOS E A LÓGICA
12/05/2010
A DEMISSÃO DO JORNALISTA DA ABRIL: OS FATOS E A LÓGICA
Um empregado da Editora Abril foi demitido, ontem, por emitir críticas no Twitter contrárias a uma das publicações da empresa. O fato repercutiu pela blogosfera, sobretudo quando o dito-cujo soltou o seguinte tweet:

Parece arbitrariedade descabida por parte da Abril, não é mesmo? Falou-se em censura, clamaram pela LIBERDADE DE EXPRESSÃO, e praticamente todos os veículos mantiveram os termos do primeiro parágrafo deste texto: houve "crítica". Mas, claro, não foi bem assim. Vamos aos fatos.
Em primeiro lugar, houve acusação de crime, e é imensa a distância entre análise negativa e IMPUTAR CONDUTA CRIMINOSA. Quem veiculou a notícia se esqueceu de publicar o que foi dito pelo empregado da editora, então vejamos:


(sim: "ranso"...)
Racismo é um crime enquadrado entre aqueles considerados hediondos e, portanto, inafiançável. Acusar alguém desta prática é igualmente grave. O autor dos tweets imputou essa conduta à empresa em que trabalha, sem prova alguma, correndo o risco de sofrer processo de calúnia. Para piorar, faz alusões mais do que diretas ao nazismo, nas duas mensagens.
Antes de prosseguir, uma pergunta bem simples, direta, objetiva, para a qual espera-se resposta honesta: QUAL EMPRESA DO PLANETA NÃO DEMITIRIA O EMPREGADO QUE FIZESSE ISSO PUBLICAMENTE? A demissão, em termos estritamente jurídicos, foi punição branda. O "correto" seria, além disso, processá-lo por calúnia. Saiu barato.
Mas sigamos.
A revista Veja tem muitos "desafetos" e "inimigos", e isso faz com que seus detratores ganhem aliados automáticos a qualquer momento. É aquela coisa de "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". Isso acontece, por exemplo, quando a Igreja Universal ataca a Rede Globo, e alguns malucos anti-globais resolvem DEFENDER a seita, já que ela adotou tal adversária em comum.
Por mais que não gostemos de algo ou alguém, às vezes nosso 'desafeto' pode ter razão. Entendam, inimigos da Veja, supondo que vocês SEMPRE estão certos: desta vez a editora não errou. Quantas vezes vocês chamaram suas empresas de RACISTAS no Twitter ou qualquer espaço público ou de maior repercussão? Quantas vezes viram alguém fazendo isso e mantendo o emprego?
Há blogueiros denunciando a "falta de liberdade de expressão" e que trabalham em emissora pertencente a multinacional religiosa. Mas NUNCA SE VIU UMA ÚNICA NOTINHA DE RODAPÉ CONTRA BISPOS E AFINS - e muitos, muitos e muitos ataques à emissora concorrente. Isso, claro, porque a Corporação da Fé, proprietária da emissora, é evidentemente honesta. Se não os bravos blogueiros a atacariam!
No fim das contas, o jornalista foi infeliz, pois falou o que não devia num espaço evidentemente público (embora alguns invoquem a idéia de ser "conta privada"). Mas, ainda assim, sobrou-lhe coragem que para muitos faltam. E há uma confusão com o fato dele ser jornalista, como se isso garantisse "liberdade de expressão" em QUALQUER circunstância, até mesmo fora do exercício da profissão e, mais ainda, quanto à calúnia.
Esses que hoje atacam a Folha e a Globo, por exemplo, trabalharam durante anos e anos em tais empresas, com o rabo entre as pernas, ganhando o salário e fazendo tudo que o patrão mandava. A coragem só veio depois que levaram um pé na bunda, ou por incompetência ou coisa pior. E agora, na concorrência, "xingam" os ex-patrões como se, para isso, fosse necessária alguma coragem.
Podemos discutir se o jornalista demitido pelos ataques realizados no Twitter foi corajoso ou infeliz, mas alguns blogueiros "independentes", sem dúvida alguma, representam o máximo da covardia.
transubstanciado por gravata às 12.05.10 - 13:48:56 | 60 comentários
Comentários, Pingbacks:
Abs!
(Gravz: Tirei o nome para evitar enguiço. Mas lembro, sim)
O cara assina a conta do Twitter como editor da National Geographic, e usa a tal conta para acusar um produto do mesmo grupo editorial de crime grave. Que impressão que isso deixa?
Nem só isso... faz #FF irônico "indicando" seus colegas da Abril que assinaram a matéria da Veja. Pô, não concorda com a conduta deles, chama pra almoçar no refeitório da Abril e fala!
Por mais que eles e a Veja tenham feito uma bela de uma besteira na tal matéria dos índios, o editor "fez por onde".
Na boa, se ele discorda tanto da linha editorial de um veículo que pertence ao mesmo grupo que o emprega, então melhor sair mesmo.
Mas em uma primeira olhada, a primeira coisa que pensei foi: que patético isso. Até por que o editor nem era da Revista Veja, mas de outra completamente diferente, e uma unidade de negócio exige a demissão de um funcionário de outro setor que nada tem a ver com o seu é ridículo.
Se a Abril tem capacidade de absorver revistas que tratem de universos distintos, também deveria abrigar opiniões diversas dentro de seu quadro de funcionários, não?
E também você exagera, né Gravz. Falar que o cara chamou a empresa de nazista é pegar a gota e transformar em balde dágua. Eu curti o personagem nazista do novo filme do Tarantino e nem por isso sou nazista.
(Gravz: Ele fez associação com o nazismo, e isso está escrito no tweet. O crime imputado - expressamente - foi o de racismo. Ah, sim, ele trabalha em outra revista, mas para a mesma empresa. É como ser empregado da contabilidade e xingar o marketing de racista, mas reclamar da demissão porque "é outro setor". Argumento ridículo. Quanto a ser "humano demais", ok, é um ponto de vista. Mas é preciso mais que isso em eventual processo penal de calúnia. Já ouvi aquela de "errar é humano", mas para crimes contra a honra, confesso, é a primeira vez. Aliás, o que você acha do Estadão?)
Se ele fosse, digamos, cargo comissionado (de confiança) da Assessoria de Comunicação do Ministério X e falasse que o Lula é um apedeuta bêbado na sua conta privada do Twitter... Tava errado o Ministro(a) que o demitisse?
Óbvio que não. Lealdade (ao menos em público) a quem lhe paga salário é o mínimo que se espera. Não é a toa que os blogueiros "independentes" não criticam as empresas ou os patrocinadores que os pagam.
Independência na escrita só pode ter quem não depende dela pra viver.
Eu mesmo trabalho numa organização pública (cujo dirigente maior não tem, de forma direta ou oblíqua, qualquer subordinação a nosso futuro ex-presidente). Critico livre e publicamente quem eu quiser. DESDE que não faça parte da minha organização.
Não porque eu seja covarde, ok? Eu não sou é suicida.
A Veja não precisa da Lei nem do processo ao qual todos nós mortais estamos submetidos.
Para a revista, basta demitir a pessoa, e a justiça está feita!
Parabéns por nos brindar com essa sua visão de justiça.
(Gravz: Nossa! Releia o texto, Amanda. O EDITOR - não era repórter - não cometeu racismo. Ele ACUSOU o repórter de ser racista e, sim, fez isso sem que houvesse QUALQUER processo judicial. Essa acusação que você faz para mim deveria ser feita ao cara que imputou racismo ao outro. Pois é. A lógica é essa! Ele chamou três repórteres de RACISTA, levando o xingamento a toda a revista e, por conseqüência, à empresa em que trabalha. Racismo é crime e o xingamento passa a ser calúnia. Para demitir não é preciso um "processo judicial". É poder potestativo do empregador. O "correto", em termos estritamente legais, era isso que você sugeriu... Entrar com ação penal privada CONTRA o jornalista, por conta da calúnia. Mas a editora não o fez, poupando-o do infortúnio. Apenas o demitiu. Saiu barato, bem baratinho. É essa minha visão de justiça. A sua é deturpada e nublada pela raivinha que tem de um veículo de comunicação. Vamos recapitular? FOI O CARA DO TUÍTER QUE XINGOU OS REPÓRTERES DE RACISTA, E O FEZ SEM PROVA ALGUMA, SEM QUALQUER PROCESSO JUDICIAL. A EMPRESA O DEMITIU E PODE MUITO BEM FAZER ISSO SEM O PODER JUDICIÁRIO, POIS AS VERBAS SÃO PAGAS NORMALMENTE, AINDA POR CIMA POUPANDO-O DE UM PROCESSO CRIMINAL. Qual exatamente foi o abuso? Na boa, né? Ou você é muito burra, ou tem ma-fé de sobra)
Do Estadão, acho o jornal super bonito e suas campanhas bem feitas.
(Gravz: Revistas não são EMPRESAS autônomas. São publicações distintas, mas todas DE UMA MESMA EMPRESA - ficam num mesmo prédio, mudando apenas os andares, exatamente como falei sobre 'contabilidade', 'marketing' etc. Jornalistas da revista A dividem refeitório com os da B, C, D etc. Todos são pagos pela mesma empresa, todos estão sob a mesma contabilidade, todos estão sob o mesmo RH e assim por diante. A empresa, vale repetir, é a mesma. E ele não "xingou". Vamos manter os pés no chão e a visão nos fatos... Ele ACUSOU DA PRÁTICA DE UM CRIME. E calúnia, como sabemos, é também um crime. Falei do Estadão por estar sob censura há tempos e vários dos que se rebelam contra uma demissão mais do que justa e compreensível ou silenciam ou até mesmo são FAVORÁVEIS à censura imposta ao jornal...)
E acho que nada a ver esse negócio de separar vida profissional da pessoal, as pessoas deviam fazer escolhas de modo que tudo fique integrado. Vestir uma máscara aqui e outra acolá, tô fora, isso dá dor de estômago.
Pode ser que o Felipe tenha pegado pesado nas palavras que usou, mas não é de hoje que a Veja vem de mansinho com esse tipo de "jornalismo". Ele só foi mais direto.
(Gravz: Ele acusou a prática de um crime. Se é para ser "direto", então ele deveria saber segurar a onda, não apenas da demissão, mas também de eventual processo penal. O povo já foi contra ele ser demitido, imagine a hipótese de sofrer uma condenação pelo judiciário! De mais a mais, QUEM LEU A PORRA DA MATÉRIA? Eu li e não há qualquer TRAÇO de racismo. Nada, nem um "a", coisa alguma)
(Gravz: Ele imputou diretamente aos três jornalistas, mandando, antes dessas msgs, um #FF maledicente. Nesse caso entraria a ação penal. Caberia à revista, por seu representante legal, as medidas judiciais cabíveis quanto aos danos morais e quejandos)
Nuh... imagina se tivesse.
(Gravz: Bom, seu IP está aqui. E você está fazendo uma acusação grave. Por gentileza, traga o trecho em que alega ter havido "racismo" na reportagem)
(Gravz: Se houve fraude ou coisa do tipo, deve haver punição, sem dúvida alguma. Se eu fosse o editor, seguramente puniria. Assim como não sou desonesto, como tantos, para dizer que NÃO demitiria quem sai por aí chamando a empresa de racista. Vocês falam isso porque têm raiva da Veja, é isso e ponto final. Pura bobagem)
(sorry pela falta de acentos, meu note e provisorio e, por isso, e uma merda).
empresas gigantes com o abril e a globo tem pessoas boas trabalhando nelas pq essas pessoas freiam suas línguas na hora certa; além disso são empresas grandes demais e muitos de nós achamos q é melhor explorar isso a nosso favor... engolindo uns sapos de vez em... sempre?!
boa sorte ao felipe!
Depois pedir pra Papai Noel um presente bem bonito por ter sido uma pessoa tão boa no ano...
(Gravz: Erick, vamos jogar a real, né? Ele chamou de racista, sim. Imputou racismo nos dois tweets. E é um crime. Você leu e viu que não há racismo. É contra Evo Morales? Sim. Mas isso é RACISMO??? Então os esquerdistas contra Obama são também "racistas"?)
(Gravz: Se houve direito de resposta negado, você está correta, deveriam conceder, sim)
Neste caso específico, reagem como se caso o comentário no Twitter fosse de algum conhecido ou colega seu , teriam a mesma compreensão e passividade que exigem da Abril .
Assim como Veja e NG são da Abril. Eu acharia tão estranho e desleal o diretor da Hellmann's pedir a cabeça de um fulano da Becel como um da Veja o de um sicrano da NG.
(Gravz: Ninguém sabe quem pediu cabeça de quem. O então editor da NG acusa TODO UM VEÍCULO - na pessoa de três repórteres - de ser RACISTA, incidindo em CALÚNIA. Em que planeta isso não geraria demissão? Cabe dispensa do empregado e processo penal. Saiu barato)
(Gravz: Mais forte? Quem é o "mais forte"? Se você caiu de pára-quedas, dou um desconto, mas se acompanha de verdade o panorama da blogosfera política, ao menos saberá que o Imprensa Marrom não é ligado a governo, estatal etc., nem tem contratos milionários por aí... As noções de "mais forte" e "mais fraco" são complexas. No mais, tudo bem aí em MG, prezado Milen?)
Eu demitiria por desrespeito à inculta e bela.
Dilma, hj, dizendo q a 'civilização iraniana' (vide entrevista na RBS) tem armas atômicas pode ser posto na conta da imprensa golpista?
Esse moço é desleal, qualquer empresa preza também, pela lealdade. Sesão fascistas ou racistas...ele mesmo deveria ter se demitido, posto que a profissão dele exige isenção e credibilidade, coisas que ele não acredita na Revista.
Muito bem feito pra ele, tenho plena convicção que pensará ,melhor antes de falar asneiras.
Cresçam, meus caros, isso não tem nada a ver com ideologia, é apenas bom senso: não se joga contra o patrimônio. Quanto ao Demétrio Magnolli, ele não deu uma entrevista ao Globo desancando a Folha: ele escreveu um artigo e o submeteu à própria Folha, que o publicou porque quis. Podemos até achar estranho, mas achar que é tudo a mesma coisa é desonestidade intelectual.
O Felipe tinha várias alternativas para manifestar seu descontentamento, mas atacar violentamente a revista de seus padrões em um meio público, achando que ninguém leria, e depois se dizer arrasado por ter sido demitido é apenas patético. Ele não foi preso nem condenado a receber cem chibatadas em praça pública: apenas perdeu seu emprego e está livre para procurar outro que seja mais compatível com o que acredita. A demissão foi inevitável e justa – e, Henrique, teria sido justa mesmo que fosse a General Motors demitindo um pé-rapado. Nem sempre o mais fraco tem razão.
Oi, internautas!
Numa democracia quem fala mal do patrão perde o emprego, em Cuba além de perder o'batente', vai para o calabouço e na China vai para 'o saco' e ainda tem que pagar a bala que leva na nuca.
A questão é que não se pode falar mal de certas minorias que a "esquerda-cool-hype-gente-boa" considera cobaias da teoria (mais que desacreditada) Rousseauniana.
Minha vó mandaria esse povo ir catar prego. Uma outra vó mandaria ir catar coquinho na descida. A Veja fez muito bem em só mandar para casa.
Um ditado antigo, que continua verdadeiro: "quem fala o que quer, ouve o que não quer".
Pra que tanta tristeza ?
(Gravz: Calma, Gilberto. Hà pessoas que entram aqui e até ME XINGAM, quase que diariamente, e NUNCA foram intimidadas. Mas há alguns casos de "velhos conhecidos" que entram com provocações específicas, achando que não vou reconhecê-los, ou então alguns supostos anônimos com acusações graves. São casos que deveriam ou poderiam ser isolados, mas infelizmente acontecem vez por outra e, nesses casos, sou obrigado a explicar que não é festa do caqui)
(Gravz: É sério que vocês vão insistir nisso de "criticar a empresa"? Não foi uma análise! Ele IMPUTOU UM CRIME! A situação é muito diferente. Usou um veículo público para difundir esse tipo de coisa. Um crime! Diga algum caso em que isso aconteceu e não houve nada. Cite um único precedente de acusação congênere, por favor)
Concordo com o ex-editor sobre a matéria incinuosa da Veja.
Melhor pegar meu IP pois eu vou te xingar muito no twitter.
(Gravz: Sim, Victor, acusar no Twitter é o mesmo que falar na rua ou escrever num jornal - para efeito de tipificação de Calúnia. Procure seu advogado. Não é "demagogia" nem "viagem". Se quiser fazer o teste, experimente caluniar alguém e depois me conta o que houve - quando chegar a citação processual criminal)
(Gravz: Não, eu dependo do meu emprego, pois atuo na área em que cursei faculdade etc. Piadas à parte, sim, sou independente, pois não tenho vínculo algum com qualquer governo. Parece estranho ter esse tipo de relação e, ao mesmo tempo, fazer análises políticas, né? Mas cada um é cada um... Aliás, quando fico doente, como agora, o blog fica PARADO)
Pois então, a demissão do Milanez é totalmente justificável: ele pegou pesado contra o próprio patrão. Mas e o crime do cara? No que a estridência dele é diferente da do Reinaldo Azevedo? Porra, se os caras vão deixar os três jornalistas que escreveram aquele lixo de reportagem (desrespeitosa, fraudulenta, etc) sem qualquer puxão de orelha, porque não deixam o Milanez por lá? Ah... porque ele detonou a própria empresa, não porque chamou a reportagem de "racista", não porque comparou a Veja aos nazistas.
Se o cara foi ingênuo em fazer isso - como editor na NGB ele poderia fazer muito mais do que twittar - eu entendo a raiva dele. Não dá pra acompanhar os povos indígenas no Brasil e não se indignar com o tipo de tratamento que a Veja vem dando ao tema.
O que a matéria fez não foi exposição de controvérsia, não foi discussão de problemas: foi a criação de uma fantasia onde o governo atual vai transformar o Brasil numa grande terra indígena... Pergunte aos índios o que eles acham do Lula... não vai escutar boa coisa. Na questão fundiária, até o FHC demarcou mais!
No mais, pode guardar meu IP aí. Se vierem te processar de novo por comentários alheios pode passar pra eles.
Mas se vc leu e achou surpreendentes as dicas... Pessoa, você vai ter muitos problemas na vida!
Gravz, como advogado, você deveria saber que o crime em questão não é de calúnia, e sim de injúria. Essa confusão é comum quando, por exemplo, chamamos alguém de “ladrão”. Logo pensamos em calúnia, já que este tipo penal ocorre quando “imputamos fato criminoso a outrem”.
Mas veja bem a sutileza das coisas. Chamar alguém de “ladrão” não é imputar a esse alguém um fato criminoso. Seria se , por exemplo, uma motocileta tivesse sido roubada e eu acussasse o tal alguém de tê-la furtado. Isso é calúnia.
Agora, atribuir qualidade negativa a uma pessoa, chamando-a de “feia”, “burra”, “incompetente”, “ladra”, ou mesmo “racista”, é crime de injúria. (independe a pessoa em questão se sentir ou não ofendida, pois nesse tipo penal é a honra subjetiva que está em jogo – tanto que terceiros nem precisam ficar sabendo, ao contrário do que ocorre na calúnia e na difamação – basta que o agente tenha tido a intenção de ofender).
Enfim, são diferenças bastante tênues. Eu não vi os tweets, estou me basenando unica e exclusivamente no seu texto, talvez tenha tido todo um contexto para chamar a veja de racista (um fato específico e criminoso que, se vier a ser comprovadamente verdadeiro, também desqualificaria o crime, já que calúnia admite exceção da verdade)... Enfim, mas de qualquer modo, na minha opinião, seria crime de injúria. E, sendo assim, não teria havido crime algum, uma vez que não se fala em honra subjetiva em relação à pessoas jurídicas.
Talvez, poderíamos forçar a barra e enquadrar no art. 139 (difamação), mas neste, tal qual a calúnia, implica na imputação de “fato concreto ofensivo à reputação” (com a diferença de que, na calúnia, tal fato precisa necessariamente ser um ato criminosoe sim, o sujeito passivo, em ambos os casos, pode ser pessoa jurídica, já que ofendem a honra objetiva, ou seja, a idéia que terceiros fazem da suposta vítima – e por isso tais crimes se consumam apenas quando a 'notícia' chega aos ouvidos de outros, além da própria vítima).
Acho, portanto, que não houve crime. Se houvesse, não teriam deixado passar, aposto.
Por fim: “como se isso garantisse "liberdade de expressão" em QUALQUER circunstância, até mesmo fora do exercício da profissão e, mais ainda, quanto à calúnia”.
Claro que não podemos invocar os nossos direitos fundamentais como manto para cometer crimes, mas acho que ficou claro que não houve qualquer delito, não o de calúnia, pelo menos (não do modo que você contou). Mas, acho que sei o que você quis dizer, embora não tenha sido muito feliz no trecho “até mesmo fora do exercício da profissão”. Oras, claro que qualquer pessoa pode exercer sua liberdade de expressão, e não há necessidade de ser jornalista ou editor para isso! Rsrs... Mas claro: os direitos fundamentais são absolutos, mas entre eles – quando há aparente conflito – precisamos poderar, sem que um sempre se sobrassaia em relação a outro, sempre analisando cada caso... Acho que foi isso oque você quis dizer, enfim... Desculpe pelo comentário quilométrico.
=)
(Gravz: É calúnia. Os tweets estão neste texto. Houve "fato concreto" = a reportagem, que segundo o ex-empregado da editora seria RACISTA. Racismo é crime. Ele imputou esse crime à revista, no geral, e aos repórteres, em especial. E o fez de forma direta, nos tweets, e paralelamente há outros em que usa a hashtag #FF para identificar NOMINALMENTE os jornalistas autores da reportagem. Sinceramente, o que falta para tipificar calúnia? A menos, é claro, que o autor da ofensa consiga usar a exceção da verdade. Mas basta uma leitura simples da reportagem para ver que não há qualquer racismo, apenas postura contrária a Evo Morales. Desse modo, vale repetir, não foi como se dissesse "racista", assim aos quatro ventos e sem identificar o fato. Ele identificou, apontou, individualizou, apontou as pessoas [personalizou]. O que exatamente estaria faltando para a tipificação como calúnia?)
Vamos desenhar. Suponha, por exemplo, que um empregado seu diga que você bebe que nem um gambá. Você não o expulsaria do país? Mas, se não for nem empregado seu (ser só um jornalista), você expulsa do mesmo jeito. Afinal, o ponto é ter (e lutar para ter) poder para fazer estas coisas.
Saudações
(Gravz: De fato, Lula tentou expulsar o correspondente do NYT...)
Assim é a lei.Nada a ver com liberdade de expressão.
(Gravz: Liberdade de expressão é uma garantia constitucional a ser exercida, por exemplo, no ofício jornalístico. Seria bizarra a hipótese da editora proibi-lo de escrever algo. Não foi o caso. Ele escreveu o que quis na revista, e até mesmo no twitter. Mas como fez uma acusação de crime, acabou pagando pelo teor do que disse. Se eu te acusasse de praticar um crime, você deixaria para lá em nome da liberdade de expressão?)
O que espanta não é a demissão, mas sim saber que a Editora Abril contrata gente que escreve "ranso" e "É como verem um filme de guerra...". Acho que foi demitido por isso. E o cara deve ser jornalista "dipromado".
Parece coisa de adolescente enfezado no "yorkut".
Bem feito. Tem gente que só aprende levando porrada.
Para essa galera que critica a Abril, você deveria fazer um mural de lamentações para eles, do tipo "Deixe aqui o seu protesto contra o FDP da sua empresa". Todo mundo trabalha com um FDP e tem poucas e boas para falar sobre ele. Seria interessante, não? Mas só vale postar um recado se deixar também os nomes tanto do autor do recado quanto da empresa que lhe paga salário... Acho que iria bombar... Tenho até um lema: "Quem bate cartão fala mal do patrão".
Thiago
Injúria, como eu disse, não contempla como vítima as pessoas jurídicas.
Talvez os jornalistas que escreveram a reportagem criticada possam sim ajuizar uma queixa-crime por crime de injúria. Mas os jornalistas, pessoas físicas, não a empresa, como você disse ("O autor dos tweets imputou essa conduta à empresa em que trabalha").
(Gravz: Antes desses, ele personalizou - identificando os jornalistas. Depois, falou que se tratava de racismo. A conduta racista seria em razão dessa reportagem. Racismo é crime. Ele NÃO IMPUTOU CRIME aos jornalistas? Ele chamou a revista de "criminosa" e, nesse caso, é o bastante para uma demissão, dentro das prerrogativas do empregador, de seu poder potestativo etc. Quanto à esfera judicial fora da Justiça do Trabalho, caberia aos que foram chamados de racistas fazer o quê? Processo de "injúria"? Ele apontou o fato - reportagem -, qualificou a conduta como "racista" - crime tipificado -, apontou nominalmente as três pessoas e... É INJÚRIA? E fez isso por escrito! Repito a indagação: para você, o que seria necessário para configurar "calúnia"? Não é mais o "imputar a outrem crime não cometido"? Agora precisa de algum agravante, alguma cerimônia, alguma outra coisa ou o problema é a revista Veja?)
Imagina, ele só conseguiu alguns prêmios pra revista... péssimo profissional!
(Gravz: Também acho que não se deve julgar por aí. Mas "ranso" é dureza, vai)
Sinceramente, eu não sou a favor de nada a priori, odeio a Dilma, queria que o PT se ferrasse. Mas não é por isso que eu vou endossar essa histeria fraudulenta da Veja, e o absurdo que foi essa reportagem. Se os caras querem discutir a questão dos tais "quilombolas" e "índios ressurgidos" que o façam como uma exposição de controvérsia, não como uma denúncia fraudulenta.
Continuo lendo a Veja, só não sei se consigo mais acreditar no que a revista escreve. Isso é uma pena, porque os críticos do governo agora têm tanta credibilidade quanto os apoiadores: nenhuma.
Segundo, que ele abordou um aspecto bem relevante: a revista que ele criticou publicou uma informação que ele apontou como falsa e que contradiz ideologicamente a revista que ele editava. Portanto, a empresa estava autorizando essa rivalidade. O fato da VEJA não ter uma "cara" em forma de pessoa que a defenda fez parecer uma crítica a empresa como um todo, mas sabemos que não é o caso. São departamentos da mesma empresa, brigando entre si.
E a Abril tomou partido, claro, do seu braço que considera mais relevante. Do contrário, poderia fomentar essa briga entre editorias. A postura que tomou deixou bem claro que a Veja não tem "autonomia" - o que a editora poderia alegar no caso de algum processo que venha, de fato, acontecer.
Não é prudente criticar a empresa onde se trabalha, mas se você é uma empresa que prega liberdade de expressão e persegue os resquícios da censura, agir da mesma forma é, no mínimo, incoerente.
Pensando bem, neste aspecto, não foi.
Bando de ignorantes... não fosse a Veja, com certeza esse povinho ia apoiar a decisão. Mas como é a tão odiada revista a cambada fica toda ouriçada.
Ele não achou dureza porque devia achar que estava correto.kkkk
Se fosse só isso estava bom, mas acento e concordância ele nunca deve ter visto.E pra jornalista é algo obrigatório.
Quanto aos prêmios, dúvido que ele recebesse, se não escrevesse com corretor.kkk
Então, o fato dele 'apontar nominalmente' os jornalistas, não configura calúnia, porque isso é comum em ambos os crimes...
Ser por escrito ou não também é irrelevante na hora de classificar um ou outro crime. Ambos admitem a forma escrita.
Mas concordamos nisso: "caluniar é atribuir FATO CRIMINOSO (não verdadeiro) à vítima".
A discussão é se a conduta do jornalista demitido cabe em injúria (atribuir qualidade negativa), ou calúnia (atribuir fato criminoso).
Chamar alguém de LADRÃO é atribuir uma qualidade negativa. Falar que alguém furtou determinado objeto, é atribuir a esse alguém uma conduta criminosa.
No caso do jornalista/abril, é uma questão de interpretação. Acho que é só nisso que estamos discordando.
Pra mim, ele claramente chamou a REVISTA (pessoa jurídica) de RACISTA (no sentido de que a veja é racista; uma qualidade inerente a revista).
Pra você, ele disse que a REVISTA cometeu um ato RACISTA em determinada ocasião (publicação da reportagem e só. fato isolado).
Bom, é mesmo só uma questão de interpretação. Ainda acho que é injúria, mas sua posição não é absurda também... Vou perguntar pra algum professor.
E não, claro que o problema não é a revista veja, rs... Só estamos discutindo uma questão puramente acadêmica. Tô (desculpe a palavra, detesto falar assim) 'cagando' pra veja, e pro jornalista infatil que foi demitido. Serião.

(Gravz: Ele apontou racismo contra os índios. Não contra o índio fulano de tal, verdade, mas contra os índios. Ele imputou racismo, sim, apontando o fato, a titularidade e a vítima - os índios bolivianos. Não faltou elemento algum)
Pelo que li, a queixa dele com a veja começou quando ele perdeu o premio Abril de Jornalismo pra revista. Depois começou os ataques e os RTs de outros tuiteiros falando mal da revista (26/04).
Deve ter afetado. Era só questão de tempo até ser demitido. A Abril devia tá esperando uma escorregada feia dele ou já tinha dado um alerta pra ele segurar a lingua.
"Por que esse néscio não foi demitido ANTES?"
É triste admitir, mas precisamos de mais conteúdo da VEJA na NatGeo, pelo visto. Eu preferia que não tivesse, mas em vista dos fatos, é a única conclusão lógica.
Por acaso não foi por aquela matéria em que a Veja fez um raio x da população indígena da Bolívia?
Que pelo cálculo da revista, na Bolívia, 17% podem ser considerados índios, em sentido estrito.
E que o Evo não sabe como funciona direito os rituais das tribos?
Onde ele diz que tem racismo?
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