ALGUÉM LEU O ARTIGO DA DILMA NA VEJA?
18/04/2010
ALGUÉM LEU O ARTIGO DA DILMA NA VEJA?
A petistosfera se irritou com o fato do semanário dedicar uma capa a José Serra, ainda que o mesmo fosse feito com Dilma Rousseff, quando foi oficializada pelo PT como candidata pelo partido. Naquela ocasião, aliás, Serra publicou um artigo e, nesta semana, foi a vez da ex-ministra. Alguém leu? Eu sim.
Há tempos, ela vem dizendo bobagens e, segundo especialistas, a idéia é atingir determinadas fatias do eleitorado. Sei lá, pode fazer sentido, pois não sou "especialista". Mas quem ela pretende convencer com isso? Trechos a seguir, comentados (todos os grifos são meus):
"Compromisso com o futuro - Protagonista de um extraordinário enredo de progresso e amadurecimento, o Brasil está diante de um desafio imposto a poucos países. Manter a rota virtuosa traçada nos últimos anos ou pôr um freio às recentes conquistas sociais e econômicas? Promover o salto ainda maior, esperado por uma população que voltou a sonhar alto, ou retroceder aos passos lentos e sofríveis das duas décadas anteriores? Os que me conhecem sabem que, diante dessas indagações, eu fico com as primeiras respostas. Não se trata de ver o país como uma escala binária entre o certo e o errado, entre o bom e o mau, entre o bonito e o feio. Trata-se de reconhecer a vitalidade de um momento definidor dos rumos do Brasil. Há vinte anos batendo às portas do clube dos países desenvolvidos, estamos a um passo de atravessar o seu umbral. Com estabilidade. Sem sobressaltos."
Aqui é a pegadinha máxima, repetida exaustivamente para que se torne uma verdade. Para militantes que já acreditam até mesmo na inexistência do Mensalão, convenhamos, é moleza difundir essa lengalenga achando que possa colar. Mas não pode. E não cola.
O Brasil não começou em 2003 e, mais ainda, naquele ano já tinha dois pilares fundamentais bem estruturados: instituições e economia. O PT, por sua vez, fez o possível para que nada disso acontecesse. Convém recordar, portanto.
Foi contra o Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, foi contra a Constituição Federal de 1988, foi contra o pacto de apoio a Itamar Franco (suspendendo Erundina, sua ministra), foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre tantas oposições aos avanços institucionais. Na parte econômica, foi contra o Plano Real e toda e qualquer medida empregada para estabilizar a economia.
Comparem o Brasil herdado por Itamar/FHC e aquele que Lula ganhou de presente, por exemplo. E comparem o discurso textual de Dilma Rousseff, falando claramente entre "bem x mal" para depois, num passe de mágica retórico, dizer que NÃO FALOU EM "escala binária entre o certo e o errado". Tudo bem que ela tem o hábito de se contradizer, mas com algumas linhas de distância talvez tenhamos recorde mundial. Sigamos.
"Poucas nações tiveram a oportunidade posta à disposição do Brasil. Estamos diante de uma versão nacional do Tratado de Kanagawa (...) ou algo como a etapa seguinte à Guerra da Secessão nos Estados Unidos, quando norte-americanos se viram sob o acúmulo crescente de capital, expansão territorial e revolução nos transportes, a ponto de ultrapassarem os britânicos como a maior economia mundial. Talvez haja semelhança com o passo fundamental das reformas chinesas, iniciadas ao fim da década de 1970 por Deng Xiaoping, que impulsionaram a arrancada capaz de trazer à China a marca do gigante."
O que dizer? Prossigamos.
"...é hora de deixar o passado onde ele deve estar: para trás. Do mesmo modo, pode-se citar o fato de que, no governo Lula, do qual fiz parte, com muito orgulho, o Brasil rompeu a rotina histórica segundo a qual os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento crescerão quando crescerem os países ricos, e entrarão em crise junto com eles. Fomos os últimos a trafegar pelo terreno pantanoso da crise financeira internacional, e os primeiros a atravessá-lo. Repita-se: com estabilidade e sem sobressaltos. E sempre sob a proteção visível da democracia. Não é boa política ignorar o passado. É preciso coragem para voltar os olhos aos erros cometidos, a fim de evitá-los no futuro."
O Brasil teve crescimento NEGATIVO no ano passado. Vale repetir: NEGATIVO. E tem isso de "é hora de deixar o passado para trás" somado a "não é boa política ignorar o passado". Que tal? Fica pra trás ou ignoramos? É hora ou não é hora? É boa ou má política? Se é para falar de corrupção, deixa pra lá, se é para falar de uma crise financeira baseada em juros hipotecários, que jamais pegaria em cheio um país de política de juros altíssimos, aí tudo bem?
"...O governo Lula lançou as bases para essa nova etapa do desenvolvimento brasileiro (...) Ainda que se deva reconhecer que no governo anterior houve significativo investimento no aumento da escolaridade, no incremento do número de matrículas e na efetiva implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, na virada do milênio esses acertos se mostraram escassos para a exigência da nação (...) A revolução na educação brasileira não está marcada para começar no ano que vem. Começou com Lula, a partir de tudo o que havia sido construído antes dele, e a despeito de tudo o que se deixou de fazer antes que ele chegasse à Presidência."
Essa é dose, hein? Sei que muitos devem estar procurando por essa "revolução na educação brasileira", mas vamos nos ater ao texto: "começou com Lula", mas "a partir de tudo que havia sido construído antes dele". Então... NÃO COMEÇOU COM LULA! Porque todo e qualquer começo, obviamente, pressupõe estaca zero e não algo que já estivesse pronto ou "construído". Mas, em "dimês", uma revolução começa "a partir de tudo" que está "construído antes".
É mole? Talvez se enquadre nisso o exemplo do Bolsa Família. Quando tomou posse, Lula lançou o FOME ZERO, que falhou miseravalmente e, diante disso, reaproveitou os programas da gestão anterior - não contente em apenas manter a política econômica. Juntou uma série de programas preexistentes e os renomeou, dando-lhes o nome de BOLSA FAMÍLIA. Taí mais uma "revolução" que começou "a partir de tudo que havia sido construído antes" dela.
Sem querer, Dilma entrega seu método.
"...Não vai demorar muito para que o Brasil seja, também, um país democrático quanto ao acesso pleno à informação. Essa revolução já começou nas escolas. E levará sua riqueza para todos os professores e estudantes do país."
Em 2003, os meios digitais ainda engatinhavam perto do que tínhamos, por exemplo, em 2006/2007. Por que nada foi feito nesses quatro últimos anos de gestão, sobretudo com a própria Dilma na Casa-Civil? E que raio de "democracia" é essa, quando se fala em "revolução", "informação" e outros que tais?
É aquela mesma de quando se fala em TV Brasil?
transubstanciado por gravata às 18.04.10 - 00:50:12 | 25 comentários
Comentários, Pingbacks:
Gravatinha, parei de ler a Veja por sua influência. Não tenho vergonha de assumir o que vou dizer agora. Me livrei da dependência e hoje sou um cidadão e pai de família exemplar. Mas vou confessar um pecado gravíssimo: JÁ FUI ASSINANTE DA VEJA E DA FOLHA DE SÃO PAULO!!!!
A revista mudou tanto assim nos últimos anos ao ponto de merecer vários posts seus embasados nela?
Há exatos 4 anos essa revista era tratada como esgoto por você.
(Gravz: Ainda discordo muito da Veja, assim como em alguns pontos concordo. Mas não entro nessa onda de "PIG". Não acho que imprensa 'boa' é aquela que concorda com quem eu concordo ou com o que eu concordo e, hoje, há uma blogosfera muito pior que qualquer veículo grande. O que resta a essa dita blogosfera independente, em geral oriunda da grande imprensa? Insultar o mercado de onde vieram seus integrantes)
É demais até para estômago de dinassauro. No mínimo a dilmamateira fala e escreve (?) sob o efeito do santo daime...
Meu comentário sem a parte que você removeu (por causa dos processos) ficou parecendo depoimento do AA.
Parte 1
Comparando as Capas, Serra teve photoshop para tirar as olheiras, corrigir o sorriso gengival e os dentes.
Escreveram ao lado da foto:
- Serra e o Brasil pós-Lula
- 'Me preparei a vida toda para ser presidente'
Dilma saiu crua, e ao lado da foto escreveram:
- A Candidata e os Radicais do PT.
- Entre a ideologia e o pragmatismo.
- O estado e o capitalismo no mundo pós-crise.
- Em Destaque: " A realidade mudou, e nós com ela"
Parte 2 - A tentativa de Goebbelização do discurso de Dilma (Conforme manda a cartilha de Eduardo Graeff). Mensalão foi um caixa 2 de campanha igual em todo partido sem financiamento público de campanha. Mas vamos aceitar que existiu pela sus insistência Goebbeliana. Ainda assim vocês ganham de 2( PSDB e DEMOS) x 1(PT).
"Dois pilares fundamentais bem estruturados: instituições e economia"
Trololó sobre Tancredo: O PT queria voto popular e não colégio eleitoral.
Parte 3: Prossiguemo ou vortemo?
Parte 4: Desonestidade pura! Enfrentamos a maior crise econômica desde 1929. O país sai crescendo forte, com emprego e consumo explodindo, com reservas cambiais. Registra um PIB de -0,1 e você grita: NEGATIVO?
Foi um dos melhores PIB negativo entre os G20. Imagina essa crise se Alckmim tivesse ganho! Sem as empresas públicas para estimular o consumo e sem reservas cambiais? Explica a crise na Turquia que tem juros até piores que o Brasil.
A questão do passado é relativa, deve ou não deve, dependendo do momento.
Parte 5: Essa é dose, hein?
Removeu do texto a parte que Dilma diz:
"Retirou a política educacional de um estado de lassidão e a levou a uma mudança de paradigma." Só para induzir uma contradição no artigo.
Gravata, programas sociais mudaram para fazer uma coisa que não passa nas cabeças neoliberais: Distribuição de Renda! Você está chegando agora ao grupo Millenium e já quer sentar na janelinha? Sai batendo em tudo. Esqueceu a lógica?
Parte 6: "Por que nada foi feito nesses quatro últimos anos de gestão, sobretudo com a própria Dilma na Casa-Civil?"
Gravata, não finja de bobo. Tudo bem que você está escrevendo para quem lê a Veja sem contestação. Mas você não pode se auto enganar a si próprio
Errr! O engatinhamento tecnológico vale para comprovar que o propalado avanço da telefonia pós-privataria é falso?
-Revolução (do latim revolutio, "uma volta")- mais ou menos o que está acontecendo com você. Tipo regressão
-Informação é o resultado do processamento, manipulação e organização de dados, de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe. - mais ou menos explica sua nova postura depois que passou a ler e acreditar na Veja.
Fernando, aqui em SP alguns (devem ser muitos) professores entram em sala de aula - mormente na periferia e em cursos para pessoas retardatárias (não retardadas!) - dando aula de 'eleição'. "Como não votar no PSDB ou votar sempre no PT". Conheço gente que saiu da sala de aula, mas infelizmente não é a maioria. Elles sabem muito bem onde plantar seus métodos.
À Dilma cabe a função de dar esse passo. Espero que o Brasil tenha consciência disso.
Caro Bob Jegg,
Não só a tratava como esgoto como também o Gravataí escreveu que o Mainardi é um mo-co-ron-... porque só fala sobre o PT.
Eu acho que o blogueiro não vai liberar o comentário, porque "é hora de deixar o passado onde ele deve estar: para trás.", mas enfim, vamos lá.
Para uma boneca inflável até que ela escreve bem, vai...O que não quer dizer muita coisa, é verdade.
Tenho guardada cada pérola do Gravata aqui, mas ele não publica. Até entendo e acho que ele está certo devido aos processos. Tem uma que é muito pior que o mo-co-ron-...
Vou até comprar umas Eisenbahn para levar pro Gravata no dia de visita.
Ps: Falar de Eisenbahn bebendo Antactica Sub-zero é triste!
(esqueci de reabastecer a geladeira e na padaria aqui perto só tinha Sub-zero e Kaiser)
Sei lá se pode fazer propaganda aqui, mas quem tiver a oportunidade de encontrar o Queijo Grana http://www.granmestri.com.br/ , pode comprar.
O primeiro queijo grana nacional que não deve nada aos importados.
Cade o Kadu??
Eu ia ler o texto, mas no primeiro parágrafo você tentou colocar a Veja como veículo neutro, portanto, não consegui para de rir e não pude ler o resto..
Aguardo o próximo.
Abs
(Gravz: Uma excelente manobra escapista, porque não há mesmo o que falar em defesa desse artigo da Dilma. Pelo visto, foi ela quem escreveu e ninguém mexeu em uma linha. Está uma porcaria)
Gravataí, já te disse umas 500 vezes: pára de ser caixa de ressonância dos lixos da direita, senão você fica igualzinho às caixas de ressonância dos lixos da esquerda.
Parafraseando o seu candidato (que parafraseou outro), um slogan: "Gravataí Merengue pode mais."
(Gravz: Mas qual foi a ressonância, Vinicius? Reproduzi um texto DA DILMA! E os comentários são meus!)
Nao iriam deixar ela escrever sozinha para a revista mais importante do país.
Mas, convenhamos, as confusoes mentais tipicamente dimanianas continuam no texto.
É escrever num parágrafo e negar no outro. E desdizer mais adiante.
É o que se poderia chamar de "teoria assertiva do muro": faz-se declaracoes de peso e depois se relativiza o que se acabou de dizer. E no final a posicao continua lá, bem em cima e no centro do muro.
sorte que o Gravz te pegou no meio do pulo. Desqualificar o mensageiro é a PIOR e MAIS BAIXA forma de argumentacao.
Quer ver um exemplo: a Carta Capital publicou uma reportagem sobre o filho de FHC. Se eu fosse como tu, simplesmente diria: "Ah, mas a CC dá descontos para o filiados do PT".
Isso nao tornaria, contudo, a reportagem menos falsa ou mais verdadeira.
Quando tu desqualifica o mensageiro, nada mais está fazendo do que diminuindo a qualidade do debate, atacando um "ente" e nao as idéias e/ou argumentos.
Ler nunca é demais. Volta lá e mesmo tu nao considerando a Veja "neutra", dá uma lida (crítica!) no artigo da tua candidata. Tu vai perceber que o Gravz e o Bob Jegg têm, em parte e cada um à sua maneira, razao.
Agora, desqualificar o mensageiro só mostra uma coisa: inabilidade intelectual para combater argumentos.
O que nao deixa de ser uma mostra da atual situacao política pela qual passa o nosso "Brazil".
O número de matrículas no ensino secundário CAIU EM TERMOS ABSOLUTOS!!!! Vou repetir: o número de matrículas no ensino secundário CAIU EM TERMOS ABSOLUTOS!!!! Depois da grande revolução no ensino básico promovido pelo FHC, quando universalizamos este nível de ensino (é bom lembrar, O PT FOI CONTRA), esta seria a próxima etapa. Mas qual o que.
Revolução educacional, faz-me rir.
Saudações
Será que voces já atingiram tal estado de alienação ,despudor , cegueira ideológica e arrogancia que agora apoiam a ausencia de estudos , de cultura e o uso da deturpação e do cinismo como algo de viés patrotico e aceitável em um debate cívico ?
Com o uso deturpado e recheado de infantilidades e baixarias em um dos poucos blogs de fato democraticos como este , pelo menos de minha parte , voces só acabam demonstrando cabalmente o quão rasteira , desprovida de argumentos maduros , creíveis e descaradamente deturpadora é a sua argumentação . Fica a imnpressão que este seria o ápice , o máximo de voces conseguem manter em termos de um debate que deveria ser civilizado e adulto .
Se este for o caso , tem tudo a haver e é perfeitamente coerente com estes oito anos do PT no poder . Nivelado por baixo começou , nivelado por baixo se manteve e nivelado por baixo vai continuar .
Depois dos comentários do Robertinho Jumentoficou tudo mais claro. A Dilma escreveu esse monte de merda só para desmoralizar a Veja. E você tome cuidado, hein? Senão vai acabar virando "de direita"....hahahahah
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