ENCHENTE NO RIO E POLITIZAÇÃO DO DEBATE
06/04/2010
ENCHENTE NO RIO E POLITIZAÇÃO DO DEBATE

Houve enchente em Santa Catarina e, naquela oportunidade, falou mais alto a solidariedade. Menos pior. Em São Paulo, porém, os petistas não perderam o péssimo hábito de buscar alimento mesmo na mais pútrida carniça, na mais triste desgraça e, como todos puderam ver, até ONTEM faziam propaganda em cima de temporais que duraram quatro meses.
Foi a vez, agora, do Rio de Janeiro, que sofreu perdas terríveis, quase cem vidas ceifadas por uma enchente sem qualquer precedente (já houve algo assim?). Pode-se culpar autoridades, pode-se culpar o cidadão que joga lixo na rua, e de certa forma as duas categorias tem sua parcela de culpa, mas o que se deve fazer agora é ajudar, cooperar, buscar uma maneira de resolver o problema.
A fórmula petista é fácil: vamos colher o fruto, vamos atacar o adversário. E quando digo "fácil", é porque é mesmo moleza. O PAC prometido ao Rio ficou no papel. As obras não saíram de 10% e resta à candidata do partido fazer cafuné em um, sambar com outro, colocar a culpa em São Pedro, mas tirar o corpo fora. Enquanto seus simpatizantes petistosféricos culpam os adversários de outras siglas quando chove nos territórios por eles administrados - chegando ao ponto de colocar apelidos e afins.
É preciso, aliás, fazer uma diferenciação conceitual importante: o debate político é fundamental, mas ele nem sempre é 'partidário'. Discutir políticas públicas, seja para SC, RJ, enfim, é necessário. Mas única e tão-somente empurrar com a barriga não leva a nada. Eis uma diferença essencial entre "política" e "partidarismo" (ou, noutras palavras, discussão estrutural x eleitoral).
O verdadeiro gestor é aquele que gere, não aquele que se põe em permanente campanha em busca da eleição. A diferença se vê quando acontece algo desse tipo. Um desastre natural não é necessariamente 'culpa' de um ou outro, mas também não é algo totalmente imprevisível.
Numa analogia corriqueira, é como a lâmpada queimada numa casa: um imprevisto, algo sem 'culpados', mas é a competência de trocá-la em tempo hábil que revela a capacidade de alguém ou a ineficiência de quem só faz reclamar e pôr a culpa nos outros.
Mas, para agora, o que o povo do Rio precisa é de ajuda, solidariedade, atenção e respeito. E as autoridades, mais do que nunca, não podem fugir de suas responsabilidades. Depois, aí sim, cobramos os 95% de obras estruturais do PAC que não saíram do papel no Rio de Janeiro e, talvez, pudessem ter contido um pouco dessa desgraça.
transubstanciado por gravata às 06.04.10 - 20:43:56 | 18 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Já fui xingado de trezentas coisas por uns blogueiros com vínculos conhecidos, inclusive de 'canalha' e 'esgoto'. E o pitbull sou eu... Ache, no texto, qualquer agressividade)
(Gravz: E não acho que Reinaldo Azevedo seja "pitbull", bem como muitos outros que hoje estão na petistosfera TAMBÉM NÃO SÃO. É uma pena que as coisas tenham chegado a esse ponto. Uma pena, de verdade. Blog é lugar para opiniões e, claro, nós as expressamos. Às vezes sobram farpas, no máximo. Mas colocam o negócio - vez por outra sobre mim - de maneira a parecer que há uma infantaria de ataques avassaladores, e isso é mentira)
Um aí colocou três notas completamente neutras e só no fim do dia de hoje.
Já com o Serra só faltou ser crucificado em meia dúzia de posts diários. E não faltaram pedidos na área de comentários para isso.
Agora alegam que o Cabral apareceu e o Serra se escondeu nos primeiros dias dos problemas em SP.
Sinceramente não sei se ele se "escondeu ou não". Sei que durante a tragédia de Angra na madrugada de ano novo, Cabral só foi aparecer no dia 2! Quem segurou a piaba foi o vice... que não manda nada.
Ao menos Cabral no dia 1º não fez papelão como no carnaval.
Discordo de você. As enchentes em SP são culpa da péssima gestão do PSDB - Covas, Serra, Xuxu- em São Paulo - bomba na marginal que quebra, bairro inundado 1 mês, falta de investimento, calha do Teite, etc.
No Rio parece-me que grande parte da culpa é tb do governo - falta de coleta seletiva, os famosos lixos que não cabem nada, áreas de risco ocupadas sem critério, etc- e claro, é também uma exceção já que em SP temos este prazer todos os anos.
Vc vir falar do PT- que faz campanha com uma suposta tragédia natural- criticando uma suposta perseguição de São Pedro ao Serra, não deixa de ter uma mensagem subliminar de que no Rio as coisas são iguais( e aí a culpa é da Dilma??? - Que Cabral que nada)ou seja propaganda igual a do PT em SP.
O jogo político começou, todos conhecem seu lado ideológico , seu candidato e por isso não te acho um pit bull , só discordo da lógica empregada no post.
Abs
(Gravz: A "lógica" é simples, aristotélica e insofismável. Petistas caíram de pau em cima das administrações estadual e municipal. Petistas prometeram obras estruturais por meio do PAC, no Rio de Janeiro. As obras não saíram do papel. O Rio de Janeiro alagou, pouco depois do lançamento do PAC2, programa publicitário lançado sem que nem metade do PAC1 fosse concluído e, para piorar, a candidata petista pula de palanque em palanque - Cabral e Garotinho - no mesmo Rio de Janeiro. Sim, o PT prometeu ao Rio e o Governo Federal tem obras paradas por lá. Não é ilícito cobrar, mas o melhor agora é prestar socorro)
Só falta agora dizerem que paulista não sabe votar. Quem sabe votar mesmo é maranhense, né?
O papel do PT é esse mesmo!
O papel de criticar o Cabral é de vocês da oposição.
Porque será que o PSDB e o DEM do Rio não criticam o Cabral? Medo! Rabo preso?
Hoje por exemplo a oposição do PSDB, DEM e PPS convocaram o ministro Celso Amorim no Senado e disseram a ele toda a sorte de barbaridades possiveis.
O senador e coronel Tasso Jereissati chamou paises vizinhos com governos de esquerda de "paizinhos". Parecia um pitt bull republicano daqueles que aparecem na Fox News.
Mas é o papel da oposição, tudo certo!
Agora eu concordo com você o Tio Rei não é realmente um pitt bull.
O sujeito é homofobico, racista, sexista, um ser superior que diminui quem ousa pensar de forma diferente.
Mas realmente não é um pitt bull.
É como diria o ilustrado professor Hariovaldo Almeida Prado, D. Reinaldo é
um sujeito de bons modos, ilustrado e um representante dos homens bons, agora tornou-se um conselheiro devotado da corte do comendador da Gran Cruz do
Rodoanel, o impoluto D. José Chirico I.
Alvissaras! Salve 2010.
(Gravz: Eu vou deixar aí sua ofensa. Se pedirem o IP, espero que você segure a bronca. Quanto ao mais, que raio de "papel" da oposição é esse? Oposição pode divergir de programas, mas não DEVE fazer carnaval em tragédia!)
O sujeito é contra as cotas raciais e é taxado de racista. Se é contra o aborto, é sexista. Sabe-se lá por que, é homofóbico também. E depois é ele quem "diminui quem ousa pensar de forma diferente"?
Outra coisa, o Serra agora não é mais Zé Alagão? E o que você tem contra o Rodoanel?
Gravata, carnaval em cima de tragédia quem tentou fazer, literalmente, foi o Serra em São Luiz do Paraitinga. As ilustrações desse post também não ficam atrás.
(Gravz: Normal, tentativa de conciliação - que não houve. Sentamos, dissemos que não havia conciliação, marca nova audiência, aviso que haverá pedido contraposto etc.)
Catástrofes naturais infelizmente são sempre fonte de manifestação política, principalmente para a mídia.
Gostaria de ter visto a mesma cobertura e cobrança da imprensa feita aos governantes do RJ nesta catástrofe, feita aos governantes de outros Estados atingidos por catástrofes similares. Não vi.
Gostei da postura do prefeito da capital. Não se furtou a exposição, esteve presente desde as primeiras horas. Teve peito de assumir deficiências e fez a coisa certa: foi aos meios de comunicação pedir à população que ficasse em casa para que os órgãos de defesa civil tivessem mais mobilidade. Postura responsável. E foi atendido. Cresceu no meu conceito.
O Governador também se fez presente. Mas não gostei. Não era hora de culpar ninguém.
A cidade do Rio de Janeiro teve como governante, por 14 anos, entre 1992 e 2006 (com um robô chamado Conde entre 96 e 2000), um Sr. de triste memória, cuja grande preocupação foi construir um local chamado Cidade da Música, torrando mais de R$ 600.000.000,00. É fato. Preocupou-se com a infra-estrutura? Não. Cuidou da ocupação dos morros? Não. Mas as poltronas da Cidade da Música possuem controles pessoais para influir no conforto do felizardo que nelas se assenta.
Terminando, uma curiosidade. Qual a fonte deste percentual de 95% de obras estruturais do PAC no RJ que não saíram do papel?
Sds.,
Luiz Fernando Mendes de Santana.
(Gravz: Tem razão, errei. É zero. Geddel Vieira Lima mandou tudo pra Bahia. Cobre-me mais adiante. Tô levantando isso)
Objetivamente, gostaria de saber a fonte deste percentual de 95% de obras de infra-estrutura no RJ que não sairam do papel.
(Gravz: O PAC é público. Procure em mecanismos como "Contas Abertas" e afins. E minha resposta não foi irônica, juro.)
Só para ajudar o Paulo, se por acaso pedirem o IP dele:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/por-que-o-brasil-num-vota-logo-num-%E2%80%9Ccombo%E2%80%9D/
Tio Rei quinta-feira, 30 de julho de 2009 | 18:15:
"Eu nunca fui politicamente correto, nem quando era de esquerda — sim, aconteceu, já tive gripe suína. Esse papo de dividir pessoas em categorias sempre me enjoou. Na minha pré-história, achava que o procedimento só mascarava a luta de classes (ai, que vergonha!). Hoje em dia, acho que só mascara mau-caratismo.
Esse papo de que “chegou a vez das mulheres”, dos “negros” ou de sei lá quem faz supor que exista uma categoria naturalmente opressora, naturalmente íntima do poder, que deve ser desbancada. E que categoria seria essa? Bem, segundo entendo, é a do macho, branco e heterossexual, certo?
Por que não, então, um gay para suceder Lula? Branco ou preto? Esperem! Vamos fazer logo um “combo” de minorias. A candidata poderia ser mulher, negra e lésbica. E acho que a gente deve acumular experiências, incorporando qualidades de minorias passadas. Poderia ser mulher, negra, lésbica, meio analfabeta e eventualmente sem dedo. O “eneadactalismo” passaria a ser uma exigência para chegar ao topo.
Estou sendo cínico? Irônico? Sarcástico? É mesmo? Querem que eu leve a sério a política como reparação? Que dê corda a profissionais de causas, que decidem ocupar o lugar retórico das minorias? Não posso. Nunca consegui levar a sério essa abordagem.
Dilma, por exemplo, costuma tratar alguns homens de um modo que eles normalmente não aceitam ser tratados por outros homens. Mas aceitam a brutalidade da ministra. Nesse caso, o “ser mulher” vira só uma licença para a incivilidade. Avanço ou retrocesso? Julguem vocês mesmos."
Quando Tio Rei viu a porcaria que disse, tentou se justificar dizendo que foi "uma ironia":
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/para-eles-swift-e-so-uma-marca-de-salsicha/
É...a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida...
Coppola disse: 7/04/2010 às 19:06Nassif, como foi a audiencia com o Gravataí?
Responder
luisnassif disse: 7/04/2010 às 21:21Um cara cabeludo com olhar parado no vácuo. Sem acordo.
Responder
(Gravz: Eu me acho feio, mas há sempre quem goste)
Entre os morros e o mar
As pessoas imprensadas
Empilhadas pra morar
Comunidades acuadas
Pobres e maltratadas
O barraco é o lar.
A cada dia se cria
Pelo sistema desigual
Uma criança magoada
Amanhã um marginal
O capitalismo é praga
Que a política afaga
Pensando perpetuar
E não tenha dúvidas de que se a oposição ganhar, no dia seguinte ele estará ao lado do novo governo e será recebido com festa. Como todo PMDB. Infelizmente esta sigla é muito forte no inconsciente dos brasileiros, pois está intimamente associada a luta contra a ditadura. Embora seja um saco de ratazanas, vai sempre eleger muita gente. E qualquer governo vai precisar do seu apoio, se quiser governar seguindo a Constitição.
Mas o orçamento do ministério dele não tem nada a ver com PAC.
Estranhei também o percentual de 95% de obras que não sairam do papel porque vi o último relatório.
Sds.,
Luiz Fernando Mendes de Santana.
(Gravz: Obras de prevenção de desastres, como enchentes. Para o Rio, o Governo Federal não destinou nem 1%. Não foi ironia, é fato)
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