"OI" E "ELETRONET", E A HISTÓRIA CONTINUA
24/02/2010
"OI" E "ELETRONET", E A HISTÓRIA CONTINUA
Passadas as desculpas e os esforços empreendidos por governistas, petistas e toda sorte de "istas" empenhadíssimos em dizer que focinho de porco não é focinho de porco, agora mais essa reportagem de Julio Wiziack e Marcio Aith, também na Folha de São Paulo desta quarta-feira. Vejam só:
"Oi negocia compra de dívida da Eletronet por R$ 140 mi - Proposta tenta retirar da falência empresa que deverá ser usada pela Telebrás - Conversas avançaram nas últimas semanas; entre os beneficiados pode estar sócio da Eletronet que foi cliente de consultoria de José Dirceu - A Oi negocia a compra da dívida da Eletronet com seus credores por cerca de R$ 140 milhões, quase 20% do valor total, estimado em R$ 800 milhões. O objetivo é retirá-la da falência e, como contrapartida, explorar comercialmente a rede da companhia. Caso seja concretizado, será outro negócio controverso da Oi envolvendo o governo. Em 2005, a operadora investiu R$ 5 milhões na Gamecorp, empresa que tem como sócio Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente. Três anos depois, o governo aprovou a mudança na legislação do setor de telecomunicações para que a Oi comprasse a Brasil Telecom. Desse negócio surgiu a atual Oi, dona de uma rede comparável à da Embratel e à da Eletronet em cobertura nacional. A Eletronet é uma empresa em processo falimentar desde 2003 que o governo estuda usar como "espinha dorsal" na oferta de internet pelo PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). A União é sócia com 49% de participação, e o restante (51%) está nas mãos da canadense Contem Canada e do empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas, empresa que contratou o ex-deputado José Dirceu, como revelou a Folha na edição de ontem. O principal patrimônio da Eletronet é uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas instaladas nas torres de transmissão de energia das empresas do sistema Eletrobrás, conectando 18 Estados do país. Essa rede foi montada pela japonesa Furukawa, que entrou com as fibras ópticas, e a francesa Alcatel-Lucent, fabricante dos equipamentos. Estima-se que só esses ativos valham R$ 600 milhões, quase 80% do total da dívida. A Folha teve acesso à proposta da Oi aos credores. Para desistirem da disputa pelo pagamento da dívida, que se arrasta há uma década na Justiça, a operadora oferece R$ 60 milhões para cada um e R$ 20 milhões aos demais credores, totalizando R$ 140 milhões. Ainda segundo a proposta, a Oi pede que, como contrapartida, tenha direito de assumir a gestão operacional da rede de fibras ópticas da Eletronet. Na prática, a Oi propõe uma joint venture (associação) com o governo para "ressuscitá-la". Apesar de estar em processo falimentar, hoje a Eletronet continua em atividade graças a uma decisão judicial. Contudo, atende a poucos clientes.
Antecedentes - Não é a primeira vez que a Oi tenta entrar na Eletronet. Outras propostas foram analisadas pelos credores nos últimos 18 meses. A última ocorreu em outubro e, naquele momento, ficou congelada. Nas últimas duas semanas, as negociações ganharam força. A Oi não quis comentar o caso. Disse somente que "estudou o negócio, sua pertinência e compatibilidade, mas chegou a um impasse comercial".
Quem é dono - O governo tenta solucionar a dívida da Eletronet desde 2003, quando a companhia pediu autofalência. Embora o governo diga, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), que as fibras ópticas foram transferidas à União por liminar, os credores continuam recorrendo na Justiça. Eles alegam que as fibras são de sua propriedade até que a dívida seja paga -algo que, ainda segundo eles, não ocorreu. Por isso, entraram com uma petição na Justiça para cassar a liminar. A decisão não saiu. Mesmo que o governo desista de usar as fibras da Eletronet, existe um contrato prevendo que a companhia seja a gestora dessa rede (sem competidores) por mais 11 anos, com punições em caso de rescisão como forma de preservar os sócios privados, a canadense Contem Canada e a Star Overseas, a empresa de Nelson dos Santos que teve José Dirceu como consultor até 2009. Justamente por isso, ainda não se sabe como ficariam os acionistas privados caso o negócio com a Oi seja fechado, outro ponto que dificulta a negociação. Além da Oi, Alcatel-Lucent e Furukawa, que se consideram as atuais donas da rede da Eletronet, tentaram negociá-la com Petrobras, Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e Banco do Brasil, mas sem sucesso." (grifos nossos)
A turma do "eu não confio na Folha" pode continuar batendo o pé, é verdade. Afinal, o negócio é confiar no Zé Dirceu. Esse sim é ponta firme, não é?
transubstanciado por gravata às 24.02.10 - 03:48:58 | 14 comentários
Comentários, Pingbacks:
Com seis petistas se faz dois excelentes socialistas e ainda sobra material para fazer um tremendo capitalista selvagem
"O governo brasileiro define o encontro de Lula com os irmão Castro como um 'reencontro de velhos amigos'".
Trecho da Matéria de hoje 24/02/2010 no Estadão:
(...) A negociação levou vários meses e estava em estágio avançado. A Oi, Nelson dos Santos e os principais credores da Eletronet já haviam fechado os principais termos do acordo, segundo fontes ligadas à negociação. A Eletronet devia para instituições financeiras como Banco do Brasil e Safra, e fornecedores de equipamentos como a Furukawa e a Alcatel Lucent. A dívida chegava a R$ 800 milhões, mas os credores aceitariam um desconto para receber pelo menos uma parte do dinheiro a que tinham direito.
O acordo esbarrou, porém, no interesse do governo, que diz querer uma rede estatal de internet banda larga. Dona de 49% do capital da Eletronet, a estatal de energia Eletrobrás tinha o direito de vetar o acordo com a Oi. E foi o que fez, quando o governo decidiu retomar a rede de fibras ópticas e recriar a estatal de telefonia Telebrás (...)
Portanto matéria do Estadão desmente a Folha e Aith. Como eu disse em outro post o governo entrou na justiça para ficar com a rede de fibras opticas, já que a Eletronet faliu! Como a Eletronet opera um serviço obtido através de concessão publica, o contrato diz que em caso de falencia a concessão do serviço retorna ao governo.
o governo já ganhou o direito de operar a rede na Justiça,falta acertar a questão dos credores.O juiz vai nesse caso, tentar um acordo entre governo que retoma a concessão e os credores. No caso, o sócio Nelson vai sair de mãos abanando, porque ter se arriscado e comprado ações de uma concessionaria de serviço publico falida.
Portanto, a materia de Aith ex-Veja, é uma sucessão de erros primários.
Olha, o que tem que olhar é o que o governo fez. Foi mesmo recuperar o direito de USO dos cabos de fibra otica? porque a propriedade dos cabos parece que já era mesmo da Eletrobras. Se foi isso que o governo do PT fez, foi + uma atitudo em defesa do povo brasileiro.
O resto é palhaçada de uma oposiçao incopetente e corrupta, que mede as pessoas pela sua propria 'regua'.
Ademã,
Gravatá,
O Governo melou essa maracutaia lá no início e só agora você descobriu?
A OI caiu fora em Março passado.
E o Santos, que esperava levantar alguns milhões, ficou pendurado na brocha.
Veja matéria do Teletime de 31/03/2009:
http://www.teletime.com.br/News.aspx?ID=126332
No estágio atual, com o Governo ganhando todas no TJ/RJ, a liquidação da Eletronet é irreversível.
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/advocacia-geral-da-uniao-sobre-a-surra-que-os-fatos-deram-na-folha-de-s-paulo/
PS: Gravata, comentário ofensivo do seu lado pode? Esse comentário do Arthurius deveria ser moderado.
"Não é sem razão que a canalhada quer controlar a imprensa e a internet a todo custo."
Estamos debatendo dentro de um nível democrático. Quer falar merda, vai pro blog de esgoto do seu Tio Rei.
(Gravz: Como assim do meu lado???)
http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2010/02/07/fhc_chama_pra_briga/#c537247 e o Rodox e canalhada for permitido, fica desequilibrada a discussão:
http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2010/02/07/fhc_chama_pra_briga/#c537311
(Gravz: Discussão entre comentaristas é permitida, sem ofensas graves e afins. Se você quiser, eu apago qualquer coisa, não há problema)
O pensamento crítico é maniqueísta?
Não entendi esta lógica. As pessoas que não embarcaram de cabeça na matéria do jornal são necessariamente a favor de José Dirceu?
Somos obrigados a tomar como verdade absoluta aquilo que sai nos Jornais?
Pedir para aguardar mais informações antes de emitir uma opinião é tomar partido?