CARNAVAL: "ESPETÁCULO DA DEMOCRACIA"
15/02/2010
CARNAVAL: "ESPETÁCULO DA DEMOCRACIA"
Não gosto de Carnaval, mas também não entro nessa conversa de patrulhar os que gostam. Acho bobo, chatinho, em especial os desfiles - sobre eles, aliás, quem escreveu o melhor texto dos últimos tempos foi Leandro Narloch, publicado na FSP e repostado em seu blog (ele é autor do "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", livro que resenhei e recomendo fortemente).
Mas sigamos. Meu desprezo ao Carnaval guardo comigo e, de mais a mais, é um feriado prolongado relativamente útil para descansar ou, por outra, investir naqueles projetos engavetados (talvez todos tenhamos alguns). Entre um trabalho e outro, leitura e outra, filme e outro, vejo as notícias. Vejo os políticos, os prováveis candidatos a todos os cargos (Presidência da República, Governo do Estado etc.), caindo na folia.
Agora, desculpem, não é mais patrulha ao gosto alheio.
Parece que faz parte do "rito da democracia", dessa nossa estranha liturgia eleitoral, essa coisa toda de aparecer no bloco tal, e noutro desfile, e naquela festa, e no camarote de fulano etc. etc. etc. Estão todos, de situação, oposição, e os que nem sabemos qual apito tocam. Será que precisamos mesmo disso? Essas firulas levam a alguma coisa?
Sei que parece otimista levar a disputa presidencial a uma discussão de programas, um debate de projetos e propósitos, mas não me parece uma alucinação imaginar que nosso país poderia passar sem esse "teatro dos abadás". Repito: situação, oposição e "indecisos". São todos. E seus simpatizantes, por vezes, disputando quem foi mais aplaudido ou vaiado, quem apareceu em mais arquibancadas, trios e congêneres.
Nos EUA, se não me engano, há algumas tradições do tipo, como a de comer hotdog em NY, recolher lixo reciclável em New Hampshire, entre outras patacoadas. Depois, nunca mais fazem isso. No mundo todo, presumo, deve haver esse tipo de teatrinho. Desta feita, nem podemos alegar que o eleitorado brasileiro é mais suscetível a essas demonstrações de "eu faço parte da rapaziada". É um fenômeno global. E uma coisa boba.
Há candidatos que talvez vejam jogos de futebol nos estádios, ou que gostem de bailes de Carnaval, ou que prefiram blocos da Bahia, ou que curtam a Sapucaí, ou que adorem Olinda. Mas chega o ano eleitoral e TODOS GOSTAM DE TUDO. No Carnaval, ao menos, houve verdadeira onipresença. O "espetáculo da democracia" recebeu seu valor semântico mais lamentável.
Talvez seja implicância minha, sei lá. Pode ser que a partir de quarta-feira comecem os debates sobre os "grandes temas". Mas sinto-me cético quanto a isso. E, mesmo cético e talvez pessimista em muitos aspectos, às vezes tento acreditar que poderíamos ser algo melhor que isso, algo acima disso. Algo maior que o populismo eleitoral carnavalesco.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 15.02.10 - 19:24:53 | 8 comentários
Comentários, Pingbacks:
No gosto de moralismos e tampouco dos moralistas.
Os costumes são mesmo diferentes, fazendo um paralelo entre o Brasil e os Estados Unidos.
Tem a historia do presidente americano que salva o peru na vespera do dia de ação de graças. Parece ridiculo, mas, lá isso é divertido.
Aqui essa historia de peru seria galhofa pura e tema de enredo de escola de samba.
Os americanos levam muito a sério essas coisas de ritual, aqui a nossa falta de formalismo deixa tudo mais interessante. A ausencia de uma
visão moralista da vida pessoal na minha opinião é uma qualidade do nosso povo.
Pelo menos aqui no Brasil a população não tem matriz puritana e não há
aquela ansia em saber se os politicos tem filhos fora do casamento, se tem amantes e etc.Mas, deixando de lado o carnaval prezado Fernando Gravatai Gouvea Merengue Tucano do PPS, vc viu seu candidato Serra em um video no youtube ao lado do Arruda. Nunca ri tanto, o video é impagável. Arruda era cotado para vice de Serra e o tucano diz algo assim: se ele e o arruda forem candidatos na mesma chapa, o povo poderia votar em 1 careca e levar 2.
Que beleza! A campanha da Dilma realmente começou, mas quem trabalha a favor do governo é a oposição.
Bom carnaval a todos e riam a valer com o video do Serra:
http://www.youtube.com/watch?v=ONv8lnb1LWM&feature=related
(Gravz: Até NESTE post vc faz propaganda?)
Pois é. Isso pode parecer radical, mas a verdade é essa: eleições não passam de um grande concurmso de popularidade, no qual ganha o que mais e melhor investir em seu marketing pessoal. Veja Lula e Obama, os dois maiores exemplos que temos atualmente. Duas crias do mais puro marketing eleitoral.
(Gravz: Evitei citar nomes, porque a Dilma também estava em Salvador e Recife, com direito a, no Rio de Janeiro, sambar com o gari e segurando a vassoura. Não sei se chegou a ver ou se viu apenas o Serra- mas, peraí! Redes Sociais acho uma ÓTIMA! Dá para bater papo, criticar etc. O fato da Dilma FUGIR dessas redes não torna o recurso ruim, não. Marina está lá, Serra está lá, e até alguns petistas. Só falta a Dilma.)
Fui lá e dei uma olhada e gostei, a jornalista responsável chamada Fabiola, escreve muito bem. Mas, lendo os textos notei algo de anti-petista e anti-lulista. Como sou curioso, verifiquei o Expediente do site e em seguinte fiz essa postagem para a Fabíola:
Prezada Fabíola,
Leia o que vem a seguir:
http://opiniaoenoticia.com.br/expediente/
Opinião e Noticia
Expediente
Direção: Antonio Carlos Vidigal
Coordenação de Jornalismo: Fabíola Leoni
O Opinião e Noticia é um site tucano? Faço a pergunta porque o diretor do Opiniao e Noticia, Antonio Carlos Vidigal aparece como doador para a campanha de Alckmin em 2006, conforme a Transparência Brasil:
http://www.asclaras.org.br/2006/candidato.php?CACodigo=17507&rs=true
Entre os doadores está Antônio Carlos Vidigal, diretor do Opinião e Noticia que doou segundo o site Transparência Brasil R$50.000,00 para a campanha do candidato Geraldo Alckmin nas eleições presidenciais de 2006. Como explicar isso? Esse é um site anti-petista e anti- lulista?
A existência do site está vinculada as eleições 2010?
Bom Gravata, foi essa a postagem, só que a moça não respondeu!
(Gravz: O que eu tenho a ver com isso? Sei também de político que doa pra blogueiro)
Coisa bem diferente é o pilantra, que se associa ao bandido (e bandidão, não gatunos que escondem dinheiro na meia)sabendo que ele é bandido e mantém a sociedade enquanto os outros não descobrem, quando, mesmo então, costuma apenas fingir que a desfez.
É neste sentido que eu gostaria de lembrar ao Paulo que ainda estamos esperando a confirmação da sua afirmação de que as FARC foram expulsas do FSP, fundado pela direção do PT em 1990. Como todos estão vendo eu estou insistindo no assunto e o Paulo, no mais autêntico estilo petista, está fugindo dele como pode.
Bem, todos sabem que uma possível expulsão das FARC não teria nenhum grande valor moral, pois, ao contrário do Serra com o Arruda, o PT já sabia muito bem quem eles eram quando os convidou para sócio e só os afastariam pro-forma, para não ficar muito chato.
Mas a questão é que, conhecendo a índole petista, eu sinto que ATÉ ISSO É MENTIRA. Ou seja, a ligação deles é tão entranhada que eles se recusam a fazer os grandes amigos passarem a vergonha de se esconder para não assustar as visitas.
Assim, aguardamos lembrando ao Paulo que o seu partido é fundador, sócio, dono do site e sei lá mais o que do FSP, de forma que basta ele pedir e eles devem fornecer a ata da reunião em que as FARC foram expulsas. Quer diser, poderiam se isso fosse verdade, né Paulo?
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