PT E PMDB: A ALIANÇA ELEITORAL É MESMO UM BOM NEGÓCIO PARA AMBOS?

20/12/2009

PT E PMDB: A ALIANÇA ELEITORAL É MESMO UM BOM NEGÓCIO PARA AMBOS?

O PT precisa do PMDB. Hoje, pela "governabilidade", ou seja, para conseguir votos no Senado e na Câmara. Mas, na eleição do ano que vem, o grande capital do PMDB são os minutos na televisão. Aliando-se a ele, o PT ganhará tempo bastante para fazer o programa dos sonhos de qualquer marqueteiro. Tudo isso é relativamente óbvio, mas o intróito é necessário para a análise dos obstáculos. A ver.

Nos Estados com maior eleitorado, o PT é adversário local do PMDB. Não é pouca coisa: Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, por exemplo. Havendo ou não a tal "aliança nacional", os petistas locais não apoiarão ninguém do PMDB e, em vez disso, farão campanha contra.

Na Bahia, a tensão é forte. No Rio, por outro lado, o PT foi reduzido a pó desde que a direção nacional interveio contra Vladimir Palmeira, há anos - desse modo, a gritaria quase muda talvez não incomode tanto Sérgio Cabral, que terá apoio direto de Lula.

No Rio Grande do Sul e em São Paulo, as direções do PMDB não acompanham o diretório nacional quanto ao apoio ao Governo Federal - e isso inclui, obviamente, a eleição de 2010. Sabem que será o acordo "caracu": horário de TV em troca de xingamentos e campanha contrária virulenta.

Em Minas, com a aparente desistência de Aécio, o quadro ficou muito mais tenso. Sem a tal "aliança secreta" do tucano e Pimentel, cada qual tentará emplacar seu próprio candidato ao governo do Estado e, pra "colaborar", o PMDB corre por fora. Aécio, portanto, depende tanto de seu partido quanto o PSDB depende dele. E o PMDB mineiro? Boa pergunta, né?

Vamos ao plano nacional: os peemedebistas que são ferrenhos defensores da aliança com o PT não sofrem problemas locais com adversários petistas. Ou porque o Partido dos Trabalhadores foi destruído localmente (RJ, p.ex.), ou porque são caciques que prescindem de partidos (Sarney, p.ex.).

Mas vejam, por sua vez, a situação de Geddel Vieira Lima na Bahia. Depois de anos de supremacia carlista, surge Jacques Wagner. Todos os demais partidos locais, DEM, PSDB, PDT e PTB, caso o peemedebista queira, estariam ao seu lado. Como convencê-lo acerca da "aliança nacional", não apenas contando com todo esse apoio, mas principalmente sabendo que o PT local fará de seu partido saco de pancadas?

O PMDB de Minas Gerais não vive situação muito diferente. No ano passado, o candidato do partido (apoiadíssimo por Helio Costa) foi derrotado no pleito para a prefeitura de BH. Saiu vitorioso Marcio Lacerda, do PSB, apoiado por Aécio e Pimentel. Agora, temos o seguinte: Helio Costa (PMDB), Patrus Ananias e Pimentel (PT) e Anastasia (PSDB) em condições. O grupo de Pimentel venceu as eleições locais: mas ele desiste da candidatura ou impede a de Patrus?

É o contexto em que Lula pediu a "lista tríplice".

Dizer que houve a precipitação de uma crise, convenhamos, é fazer leitura simplória. Podem dizer o que for, mas Lula está longe de ser bobo e, em termos de articulação política, é o melhor do PT. Ele sabe que não pode dispensar qualquer aliança local, Temer também deveria saber, em vez de ficar melindrado com uma declaração quase inócua (sobretudo quando seu nome está no olho do furacão do DF).

Mas Lula parece ser o único efetivamente preocupado com o grande problema das alianças locais. Enquanto isso, quase todos os petistas fazem esforços sobrehumanos, sempre CONTRÁRIOS à aliança nacional, opondo-se ao PMDB cada qual em seus Estados.

O partido vem tolerando, mas até que ponto? Por enquanto, com Lula à frente do Governo Federal, e todas as virtudes políticas dele decorrentes (ah, esses eufemismos...), ainda é bom ao PMDB a aliança nacional da forma como está, mesmo com as campanhas regionais contrárias e o relativo crescimento do PT em alguns Estados.

Mas compensa manter essa "parceria" nas eleições?

(sem revisão, Hellen não trabalha aos domingos :D)

transubstanciado por gravata às 20.12.09 - 17:29:31 | 6 comentários

Comentários, Pingbacks:

Comentário de: Demian Franklin

O PT tem direção internacional?!?!?! Eu hein

(Gravz: Porra, valeu o toque! Arrumei lá... :D)

#Permalink 20/12/2009 @ 20:12:04


Comentário de: kadu

O problema do PMDB não é entrar no governo, porque eles podem - e vão -fazer isso depois da eleição, vença quem vencer. Me parece que é mais uma conta de quanto eu levo agora pelo horário na TV versus quanto eu perco se não emplacar no meu estado.

E, sem nenhuma torcida, acredito que essa aliança acaba não acontecendo.

#Permalink 21/12/2009 @ 09:12:13


Comentário de: Lilian Simões http://www.liliansimoes.com.br

Hum...vou ler denovo,é o jeito.Ô coisinha difice di intender,véi.

#Permalink 21/12/2009 @ 11:12:26


Comentário de: Odracir Silva

A Dilma precisa muito mais do PMDB do q o contrario. A faccao do Sarney/Renan e cupinchas sempre serao governistas. Soltando uma hipotese, e se ela ganhar? A Dilma nao tem traquejo politico, e nao tem nem muita densidade politica, mesmo no PT. Duas alternativas... a mais provavel, ela vai ter q descer as calcas p/ o PMDB do Sarney/Renan... muito mais do q o Lula estaa a fazer. A outra ee entrar em conflito c/ o PMDB. Mesmo o Lula perdeu esta disputa (lembram da frase: "Eu quero implodir o PMDB!" ?), dai sim, ee acho, q o seu hipotetico governo iraa p/ a pqp.

#Permalink 21/12/2009 @ 13:12:14


Comentário de: Odracir Silva

Um adendo p/ deixar bem claro o meu post anterior. Qquer um q for eleito, o grupinho do PMDB sempre tentara compor o governo eleito, seja c/ a Dilma, seja c/ o Serra, seja c/ o Ciro. Porem, acredito q c/ o Serra, este grupo fisiologico teria menos forca. Qquer outro candidato teraa q realmente compor c/ o grupo "marjoritario" do PMDB (q antigamente o chamariam de "centrao").

#Permalink 21/12/2009 @ 14:12:26


Comentário de: geraldo magela ramalho

lula precisa desesperadamente do acordo com o PMDB, pois sabe que o horário eleitoral é fundamental para sua candidata, que é muito pouco conhecida pelo eleitorado. Mais uma vez, as instâncias regionais do PT serão sacrificadas em nome do projeto nacional do partido, como já aconteceu no Rio de Janeiro, e em Mnas Gerais, na eleição de 2006, quando o PT teve que apoiar Newton Cardoso, do PMDB, para Senador, político "respeitadíssimo" pelos petistas de Minas Gerais.

#Permalink 21/12/2009 @ 16:12:43


Este post tem 4 comentários aguardando aprovação...

Deixe um comentário:
Os comentários são moderados. Tenha calma

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.