EM DEFESA DA WIKIPEDIA... OU QUASE
23/11/2009
EM DEFESA DA WIKIPEDIA... OU QUASE
Pra começo de conversa, não gosto da Wikipedia, em especial a brasileira. Desse modo, parece estranho que use este artigo para defendê-la. E é extremamente delicado tratar do assunto por dois motivos. Em primeiro lugar, Daniel Pádua faleceu, agora no dia 20/11, e era um dos responsáveis pelo Blog do Planalto – um empreendimento do qual divirjo. Desta feita, por N razões, pode-se alegar uma pletora de motivos quanto à feitura deste artigo.
Mas não escrevo com medo do que alegam. Adiante.
Até seu falecimento, nunca houve qualquer verbete sobre Daniel Pádua. Ninguém pensou nisso antes. E ele, de fato, foi mesmo um empreendedor da web, criador do BlogChalking e participante de movimentos ligados ao Software Livre. Por ocasião de sua morte, amigos e conhecidos foram ao site e criaram um capítulo a ele dedicado e citando a obra produzida.
Tal atraso de forma alguma desmerece seu trabalho, mas diz muito sobre os autores e editores do verbete recém-criado. Afinal, por que raios não fizeram isso antes? Se há algo tão importante assim para ser posto numa enciclopédia colaborativa, e se houve tempo de sobra para debater a possibilidade de publicação, por que cargas d'água deixar para depois do falecimento do homenageado? Notem: NEM MESMO O BLOG DO PLANALTO TEM VERBETE NA WIKIPEDIA (até a data deste post, ao menos).
É fácil, portanto, culpar tal plataforma colaborativa por sua incompletude; até mesmo quando dizem que "até a Mulher Melancia possui um verbete" – ninguém esperou que ela morresse para falar a seu respeito.
Isso, vale repetir, não desmerece de forma alguma o trabalho de Pádua. Mas também não podem desmerecer dançarinas, rappers ou cantores admirados pelo povão, mormente os defensores (agora comprovadamente eventuais) da cultura popular. Queiram ou não, "relevância" não é sofisticação técnica: trata-se, sobretudo para efeito de uma enciclopédia, do grau de divulgação e amplitude dos que conhecem tais biografados (principalmente quando a plataforma é colaborativa). E neste caso, lembremos, trata-se da PESSOA, não somente da obra.
Há quem diga, porém, que a própria Wikipedia dificulta o acréscimo ou mesmo a edição de verbetes. Quanto a isso, recomendo esse post de Juliano Spyer. Não apenas por respeitar o autor, mas sobretudo comparando nossa porca Wiki com a versão em Língua Inglesa, é difícil não dar razão aos argumentos desse texto.
Desse modo, retiro boa parte dos argumentos ora expostos se alguém disser que já estava havia anos (ou meses) tentando escrever sobre Daniel Pádua, de forma infrutífera, especialmente sobre sua obra. Mas caso tenham dado início ao artigo apenas após seu falecimento, peço licença ao alegar isso: talvez houvesse mistura de respeito fraterno, saudade ou talvez até mesmo sentimento de culpa. O puro, simples e verdadeiramente honesto respeito profissional não espera o fim de uma vida para sua manifestação.
Há culpa por parte da Wiki? Provavelmente, já que usam critérios estapafúrdios para vetar publicações – ainda que sempre tenha sido assim. Mas houve (e há), para dizer o mínimo, também uma grita relativamente estranha por parte dos amigos e conhecidos do homenageado. Alguns, no espaço destinado para a discussão do novo verbete biográfico, confessam jamais ter publicado nada, jamais ter participado, jamais ter feito coisa alguma na Wikipédia.
Então, como culpá-la pela má-qualidade e/ou ser desta ou daquela forma? Eu não gosto, não participo, não publico e não confio de forma alguma nesses espaços colaborativos. Um dos motivos é esse: a arbitrariedade. Cansei de ver coisas "participativas" que, na prática, são bem direcionadas e pra lá de fajutas.
Mas quando acredito de verdade numa plataforma, participo desde o começo, não apenas em circunstâncias pontuais. Talvez surjam lições deste episódio.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 23.11.09 - 22:09:20 | 12 comentários
Comentários, Pingbacks:
A wikipédia tem vários problemas, sim. Mas a mistura de sentimento verdadeiro por parte de alguns, sentimento de manada por parte de muitos - que nem se deram ao trabalho de refletir sobre o assunto por cinco minutos -, temperada devidamente com este clima de denuncismo que impera nas mídias sociais, nunca dá em coisa boa.
O @Neto falou alguma coisa sobre como a opinião pública se mostra absolutamente pendular no twitter. Primeiro todo mundo espinafra, retuíta, corrobora opiniões e depois de qualquer estalo a mesma massa que clamava por barrabás passa a pedir a condenação de césar.
Manada. Muitos virão mugir por aqui.
E, independentemente do trabalho do cara (que desconhecia), me soa tão forçada esta briga pela relevância...
(Gravz: Não gosto da Wikipedia, raramente leio e, quando consulto, é para algo absolutamente ridículo - como alguma data - e sempre em circunstâncias pouco responsáveis. Jamais usaria, p.ex., num artigo acadêmico. Justamente por isso, nunca me atreveria a, de uma hora para outra, bancar o editor e resolver interferir nos verbetes. Esse processo, presumo, deve ser lento e, para fazer parte da equipe - boa ou ruim - deve levar tempo. Quanto ao trabalho, era sim muito bom. O primeiro deles, e mais famoso, é se não me engano de 2001. Houve tempo de sobra para que seus admiradores tentassem publicar algo na enciclopédia. Por que só agora? Essa pergunta não pode sair do debate)
E a quem interessar possa, segue o link da página na Wikipedia onde acontece a infeliz discussão em questão: http://migre.me/cfME
(Gravz: Entendo, sim. É perfeitamente plausível que se queira homenagear um ente QUERIDO. E a chave é isso: "querido". Mas há uma diferença entre amar uma pessoa e exigir que permaneça numa enciclopédia. Que façam artigos, escrevam obras etc. O fato de NUNCA terem redigido um verbete é um fator e tanto contra a exigência atual)
(Gravz: Opa, Vinicius KMax merece um artigo! Sem dúvida! Eu também, mas na verdade mereço toda uma Wiki para mim)
(Gravz: Se isso foi tudo o que realmente você tirou de todo o texto, não sou eu que estou tirando água de pedra, mas você que tira pedra de água)
(Gravz: Faça seu comentário, Fredson, não venha com link de ex-jornalista da Globo, né? Ainda mais abrigado pelo Bispo...)
Se é inegável que a história dele é importante, por que cargas d'água não cabe na wikipedia?
Se pode-se mapear uma árvore genealógica de uma família X, por que razão não podemos ter a página de uma pessoa?
Qual o problema em haver a informação ali?
Ela está na sua caixa postal?
Ela está no seu twitter?
é Invasiva?
Não.
Ela só existe pra quem quer encontrar, se alguém encontra, é relevante (pouco ou muito, não faz diferença)
(Gravz: Concordo. Só acho estranho que todos os que agora lutam avidamente tenham percebido essa relevância apenas após a morte. A Wikipedia deve servir, antes de tudo, como espaço para procura de verbetes e não no âmbito das homenagens póstumas. Quando algo é efetiva e inequivocamente relevante, os apreciadores e reconhecedores sinceros tratam de colocar tudo ali rapidamente. Não foi o que houve - e digo isso sem desmerecer o trabalho produzido nem seu autor, mas sim os que agora se dizem entusiastas, mas não lembraram de fazer isso nunca)
Afinal, "para que o mal triunfe basta que os bons se omitam".
(Gravz: Mas eu NÃO ACHO que a Wikipedia seja "boa". Muitos aí acham e, até agora, estiveram omissos. Não venha me culpar por suposta omissão, quando os omissos foram os outros - agora, por conveniência ou culpa, transformados em hiperativos)
O Daniel não pode ter verbete,afinal ele era apenas um mero ativista, conhecido apenas por alguns do mundo web. Entretanto, as Sheilas do Tchan, a tiazinha e outras porcarias do genero e até mesmo aquele programa altamente instrutivo "A Fazenda" tem verbete lá.
Alguém pode me explicar???
Em meados de 2005, o Daniel Duende (http://newalriadaexpress.blogspot.com) tentou criar um verbete pro dpadua... não sei como achar o historico disso. Mas fica aqui, o registro que o duende tentou... abraços.
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